Se os sonhos blindam a alma humanaQue eles existam e não caiam ao chãoQue a Lua seja um abrigo seguroContra esse mundo de desconfiançaSomente assim haverá esperançaDe construirmos um melhor futuroUma esperança de libertaçãoContra a força capital soberanaA vida é hoje insana e lá no fundoTodos temos a triste sensaçãoQue o fim da gente é a verdade cruaSomente quem pode ir da Terra à LuaContra qualquer cético de plantãoTem força e gana pra mundar o mundo-- Cárlisson Galdino
O tempo que passa não voltaráO Universo se expande, é naturalE não há gravidade que revertaOu talvez tudo vá se repetirTalvez o Universo vá se fundirE um novo Big Bang aconteçaE sempre se repita, sempre igualAssim como voltam chuvas pro marOlhando para o Sistema SolarDo solo dessa Lua sem ninguémÉ que se nota o quanto isso é fatoO Universo é quase um retratoE quando muda um pouco, é por bemQue tudo volte pro mesmo lugar-- Cárlisson Galdino
Que tédio, não sei mais o que fazerSe aqui tivesse uma televisãoTalvez encolhesse minha agoniaOu talvez fosse exatamente o opostoSe bem me lembro aquilo era um desgosto!Não me interessa essa tela vadiaNão me interessa essa programaçãoVivo na Lua, se é que isso é viverPensando bem até queria verLembro bem quando a FIFA sorteouUma Copa do Mundo no BrasilE eu vou perder, sozinho no vazioO astronauta que aqui pisouTrouxe bandeira ao invés de TV-- Cárlisson Galdino
Veja: já se foi a viga de ApoloNão é dela a luz que nos chega ao soloÉ agora a Luna que tem o direitoDessa luz nos dar, bela desse jeitoQuem mais brilha nesse período noturnoNão será Apolo: já acabou seu turnoBrilham muito pardas estrelas no céuE jamais iriam mudar seu papelDe quem será, pois, essa luz tão lindaQue aqui nessa Terra não se vira aindaNesses tantos anos nada a isso igualSerá que teria Apolo enlouquecido?Ou é uma estrela que tenha descidoOutra carruagem de um arqui-rival?-- Cárlisson Galdino
Todos os dias ele sai perdidoPela floresta sem ter que fazerNada vê, nada chega ao seu ouvidoE dentre as frutas acha o que comerTodas as noites escala as montanhasApenas uma coisa tem em menteTotal alerta, sob a luz se banhaSaúda a dama com um uivo ardenteTodos os dias perto da montanhaCada fêmea um cortejo lhe fazEle foge qual quem guarda fortunaTodas as noites de uma forma estranhaEle deixa as fêmeas mortais pra trásPois só tem olhos pra Artêmis Luna-- Cárlisson Galdino
Um lobo branco pisa o chão de pedrasAndando pela mais alta de todasCaminha a quase poder despencarE uiva, um grande uivo assustadorPelo seu uivo, das trevas assendemMilhões de olhos vermelhos sedentosDeles mais lobos expondo seus dentesRespondem numa chuva de grunhidosA Lua é cheia, de amor ou ódioOs outros saltam contra o tal da pedraEle de novo uiva para a LuaComeça a luta de uma vida inteiraNão é a última, nem a primeiraA Lua cansou de rever essa cena-- Cárlisson Galdino
O verde dança em esferas opacasNum amarelo, quase avermelhadoO cinza arma um tapete no chãoCom esse céu grafite contrastadoAzuis, as nuvens claras são visíveisComeçam logo a traçar cavalosE formam um tão belo carrosselLargando fios de algodão pros ladosDo ar, o mar parece ser de vinhoSuas ondas calmas, sob espumas rosasAh! Mas agora há uma caravelaCintila, com seus tons alaranjadosUm sol escuro brilha no horizontePois pra ser bela, qualquer aquarela-- Cárlisson Galdino
Em trevas, passo por um corredorBarrocas formas, à luz d'umas tochasAcinzentados o piso e paredesPersigo à noite alguma fera horrendaA forte besta com pelos de prataTrazendo olhos verdes amareladosUm par de garras à Lua brilhantesSigo essa besta por um corredorRua, castelo antigo, uma cavernaNão sei por onde corro, não importaVejo uma luz no fim desse caminhoA luz que vejo é o nascer do solNo fim do corredor que não tem fimApenas há uma bela mulher-- Cárlisson Galdino
Não foram ventos quem me trouxe aquiNão sou filho do Sol ou das estrelasNão sou de vagar entre elas a vê-lasNão sou de longe, sou de onde viviMeus olhos não têm visão de calorNem meu corpo tem um exoesqueletoNão tenho a mística em um amuletoSem laser, phaser ou raios tratorNão tenho sabre de luz ou metalNão sou escravo do bem ou do malNão sou meio marciano ou animalSou só um são à beira da loucuraComo outros são, mas com uma armaduraDe sonhos mais forte que o Big Bang-- Cárlisson Galdino
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