quadras

Escalando

13 May 2013

Mas quanto que custa
U'a lança de justa
Sublime e robusta
Pro meu pelotão?

E quanto dinheiro
Me paga um arqueiro
De tiro certeiro
Perfeita visão?

E um grupo guerreiro
Exército inteiro
Armado e ligeiro
De espada e canhão?

Pois bem menos custa
A quem você assusta
Se uma causa injusta
For o seu brasão

-- Cárlisson Galdino

Vassalos Gentis

25 Mar 2013

Em cada mansão
Nas periferias
Ordenadamente
Suprem nossos dias

Luz, imagem, cor
Som, temperatura
No que se pensou
E em coisa futura

Sempre trabalharam
Vassalos gentis
E o temor é o dia
De uma rebeldia

-- Cárlisson Galdino

As Asas da Evolução

18 Mar 2013

Um ser um dia qualquer
Encontrou perdido um sonho
E como um sonho requer
Entregou-se todo ao sonho

E esse ser descobriu
As asas de suas mãos
Mudou, assim, quando viu
Estava em evolução

E viu as asas da guerra
E as usou como quis
Mas um certo dia encerra
Sua sede de fuzis

E ganhou asas do vento
E pelas asas do tempo
Voou num tão calmo e lento
Voo tecno-virtual

E os homens vão em manadas
Pelas estradas seguidas
Enquanto mudam de asas
Como se muda da vida

-- Cárlisson Galdino

Dias Depois do Dia

4 Mar 2013

Percorro toda a sua face
Co'a perícia do mais hábil escultor
Meus olhos tocam seus ângulos
Co'a precisão de um raio de Sol

A melodia que deixa seus lábios
Transforma em festa um dia ruim e frio
O brilho incerto e belo dos teus olhos
Me faz ter pena de quem nunca te viu

Não era bem a intenção
Mas mesmo assim previ sua chegada
Não é tão estranho, afinal
Sentir no vento a pessoa amada

-- Cárlisson Galdino

Engenho: 

O Vulto da Morte Brutal

25 Feb 2013

Uma branca luz
Não sei de onde vem
Uma branca luz
Parece vir de alguém

Ainda posso vê-lo
Seus traços claros
Seus trajes caros
Seus cabelos

Ainda posso vê-lo
Bem na minha frente
Transparente
Como um pesadelo


Na outra calçada
Seus cabelos longos
Seus trajes brancos
Figura apagada

Na outra calçada
Quase a flutuar
À luz do luar
Uma alma penada


Parava quem via
Não tinha sentido
Tomava os ouvidos
Fria sinfonia

Parava, quem via
Estava perdido
A um simples gemido
Da estranha cria


E prega a crença
Que morrido havia
E os vivos trazia
Qual por penitência

E prega a crença
Depois desse dia
Que quem não morrria
Vivia em demência

-- Cárlisson Galdino

A Comunidade

31 Dec 2012

Quem vem do fundo não precisa de tanto requinte
Queremos só o que nos leve onde queremos ir
Queremos o de bom trazido do século vinte
Que melhore, se torne rápido e nos faça rir

Você luta por ter objetos ao seu redor
Mas o poder não vem daquilo que temos na mão
Os milhares de livros que você sabe de cor
Jamais valerão nossa pequena compreensão

Nós não queremos os atalhos que você procura
Se é o caminho mais difícil o que nos engrandece
Se quão mais perto do estado da matéria pura
Mais caminhos que não vês o chão nos oferece

Nós não queremos nos vestir com o que está na moda
Em nós diversos, somos contra a massificação
E só pretendemos tentar reinventar a roda
Naqueles casos que você achará melhor não

(Clássico e simples: nossa única necessidade)

-- Cárlisson Galdino

Uma Mesa

17 Dec 2012

Ela vem, me olha com olhar de quem
Não tem nada a ver comigo ou com ninguém
Devagar caminha levando sua taça
Senta do outro lado a me olhar com graça

Sob as velas ela sempre me seduz
Como fosse seu desejo fazer jus
À tal fama de que mesmo sendo bela
Não se entrega nunca, nega tudo nela

Quem me dera possuir seu corpo um dia
Ela me sorri e sempre diz que não
E lembrar o tanto que se aborrecia
Pelo atrevimento de tocar sua mão

Que será que passa na sua cabeça
Por que nunca aceita se entregar a mim
Entre nós dois sempre se estende uma mesa
Mas que mais parece um muro de Berlim

-- Cárlisson Galdino

À Nova Vampira

10 Dec 2012

Vermelho é o sangue que corre
Nos olhos, espelhos d'alma
No braço, o pulso, tua palma
A Vida vem do que morre

E a nova vida começa
Após o último suspiro
Após a dor, o delírio
Após o golpe, a promessa

Perceberá que tem sorte
De ter sido a escolhida
Para viver nova vida
É doce enganar a morte

Se a noite é uma criança
Somos eternas babás
O dia não mais verás
Nem onde sua luz alcança

E os dons que agora te dou
De ver além do aparente
Dominar corpos e mentes
São o que você virou

E nesta noite, menina
À luz de um belo luar
Roubo tua vida vulgar
Te dou uma que não termina

"Monstros" muitos chamarão
Mantenha o charme e a leveza
Talvez no fundo até seja
Mas não lhes dê atenção

E desde o teu despertar
Sou teu senhor e soldado
Me terá sempre ao teu lado
O tempo que precisar

É meu o sangue que levas
Sai pra primeira caçada
Que um novo mundo te aguarda
Minha menina das trevas

-- Cárlisson Galdino

Mito Sombrio

12 Nov 2012

Eliminando cada grupo vivo
Trucidava até suas pobres almas
Aquele ser que uma alma não tinha
Exceto aquela em seu cativeiro

Em cada canto, pranto e desespero
Mas com passos tão disformes caminha
Será o dos pobres ou das terras auras
O próximo canto a ser atingido?

Qualquer mortal que sonhou ter ouvido
Qualquer mortal que diga ter visão
Conhece de pequenino esse mito

Enquanto creem que isso é só um mito,
Avança e tarde demais saberão:
Nem todo mito é confinado a um livro

-- Cárlisson Galdino

Engenho: 

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