lágrima lunar
A Lua
No subsolo lunar
No submundo vulgar
Extraterrestres trabalham
Como formigas terrestres
Com brilho artificial
A luz não lhe é natural
Se não fosse pelo Sol
Seria só uma pedra
Mas não é já que da Terra
O homem já se rendeu
À majestade da Lua
Lua de queijo suíço
Lua de prata ou cristal
Mas jamais Lua de pedra
-- Cárlisson Galdino
Quem és?
Quem és, tão bela donzela
Que delira ao canto de minha lira
E entra em transe tropical
E dança sob a luz lunar
Quem és, menina lupina
Que em brasa sobre as águas rasas
Dança a dança de Diana
Pelas nuvens se balança
Quem és, princesa da Lua
Que dança com seus passos nua
E me concede a luz desse momento
E faz girar mais forte o forte vento
-- Cárlisson Galdino
De onde vem os deuses
Vida existe em todo canto de todo o Universo
O infinito é muito extenso pra não ter ninguém
E onde existe inteligência com certeza tem
Quem sonhe, quem admire olhar pro vazio
Desde os tempos mais remotos isso se seguiu
Sentimentos despejados nesse céu nanquim
Sentimentos que, jogados, não encontram fim
Mas se juntam e criam vidas de tipos diversos
E assim nascem seres cósmicos da imensidão
Imortais e poderosos, de brilho estelar
Dos planetas vão cuidando, pastores astrais
Esses deuses vivem longe dos pobres mortais
Ninguém vê, mas não espanta se você lembrar:
Os do céu não tem costume de andar no chão
-- Cárlisson Galdino
Noite no fundo do mar
As estrelas caiam do céu sem saber
O que vinham fazer na dureza do chão
Logo a chuva caia em igual direção
E varria as estrelas com calma e prazer
No oceano as estrelas voltaram a brilhar
Transitando felizes presas na canção
Elegiam o mar sua nova imensidão
E giravam felizes no novo habitar
Desde então era noite no fundo do mar
Com mil seres dançando, com dunas de sal
Era paz o que havia, é o que posso lembrar
Terminei sem saber o que houve afinal
Quando abri os meus olhos nesse outro lugar
Era um sonho onde eu tava ou só lá que é real?
-- Cárlisson Galdino
Astro Ilusionista
A noite e seu manto que cobrem o chão
Revelam estrelas e ninguém entende
A noite e seu brilho e por isso temem
Sem ver que é a noite que traz a razão
O Sol pinta o dia e corrompe a visão
Aquece e consola, mas qual o sentido?
A noite é escura e fria: é preciso
O azul do dia é uma ilusão
Todos amam Sol e temem o escuro
O escuro é a origem, que dizem, do mal
O calor do dia nos salva do apuro
Mas veja: espaço é vazio, o normal,
Que fica escondido por um azul muro
Qual dos astros é mais honesto afinal?
-- Cárlisson Galdino
Depois de Chegar
Um dia sonhar com o lugar
Distante de tudo no mundo
E ao se passar mais um segundo
Perceber que já chegou lá
Saber que todos só desejam
Desde que se possa lembrar
Estar hoje no seu lugar
Que não cansam por mais que vejam
Pois longe só podem enxergar
Pensam que é o lugar melhor
Esse onde você está
E hoje ao olhar ao redor
O que cê faria ao notar
Que está e vai continuar só?
-- Cárlisson Galdino
A Menina das Estrelas
Sempre que ela adormecia
Ela buscava as estrelas
Nos sonhos, na fantasia
É onde queria estar
E a vida era poesia
Olhos fechados, sorriso
Mas enfim amanhecia
Não tinha como evitar
E a vida de correria
De olhos abertos que era
Problemas do dia a dia
Tão ruins de solucionar
Na lembrança ela só via
Estrelas, Lua e cometas
Do momento em que dormia
Saudades desse lugar!
O mundo só contraria
Quis lhe tirar a esperança
Mas ela não desistia
De sonho, estrela e luar
Acordada ou se dormia
Gostava tanto de estrelas
Eram a sua alegria
As estrelas a brilhar
Tanto ir ao espaço queria
Visitá-las acordada
E já que ir não podia
Quem sabe venham pra cá
Quem sabe num belo dia
Chegando perto do espaço
Sorrindo estrelas colhia
Para fazer um colar
-- Cárlisson Galdino
O Fim da Gente
Se os sonhos blindam a alma humana
Que eles existam e não caiam ao chão
Que a Lua seja um abrigo seguro
Contra esse mundo de desconfiança
Somente assim haverá esperança
De construirmos um melhor futuro
Uma esperança de libertação
Contra a força capital soberana
A vida é hoje insana e lá no fundo
Todos temos a triste sensação
Que o fim da gente é a verdade crua
Somente quem pode ir da Terra à Lua
Contra qualquer cético de plantão
Tem força e gana pra mundar o mundo
-- Cárlisson Galdino