A Turma do Ângelo

As férias do meio do ano acabaram de terminar. Lá vinha Diogo, triste, da escola. E não estava triste por ter dever de casa, nem por ter que estudar de novo depois das férias. Ele estava triste porque, junto com as aulas, iam começar as perseguições. Ângelo, o valentão da sua turma, não o deixava em paz.

Todos os dias, antes das férias, ele vinha com as mesmas piadinhas sem graça. Diogo não aguentava mais aquelas histórias insistentes: que ele era tão fraco que tomava leite na tigela, que não conseguia levantar a xícara… Que um dia foram bater uma foto dele e saiu “assim”, mostrando rabisco de um homem-palito.

Estranho que hoje o Ângelo não tinha feito nada. Pelo menos nada direto com Diogo, mas Diogo bem viu que a turminha do Ângelo ficava rindo e apontando para ele de vez em quando.

Talvez estivessem só se aquecendo, para começar a zoação. Por isso Diogo voltava triste, pensando em como seria o dia de amanhã.

Infelizmente a turma do Ângelo não queria esperar tanto. Diogo nem percebeu que Beto estava parado em um orelhão. E foi só Diogo passar que Beto chutou a mochila de carrinho para longe.

Diogo abriu a boca de susto, enquanto uma gargalhada vinha da outra calçada. Era Ângelo, com os outros dois bagunceiros, que já chegaram empurrando Diogo.

- Ha! Ha! Ha! Olha que fracote! Parece um frango gripado!

- Ha| Ha! Só se for um mini chicken!

Assustado, Diogo procura a mochila, que estava logo ali, perto do muro. Mas quando caminha para pegá-la e ir embora, Ângelo aparece bem na frente, fechando o caminho.

- O que foi? Quer brincar mais não?

- Ei, Ângelo, será que o mini chicken consegue chegar em casa com a mochila nas costas?

- Será? Eu acho que não, ele é um fracote!

- Bora quebrar o carrinho pra ver?

- Boa ideia!

As lágrimas corriam no rosto de Diogo, que só queria que eles parassem.

- Parem com isso!

A voz não era do Diogo, mas de um adulto, e vinha de cima.

Espantados, todos veem aquela armadura vermelha e cinza pousar na calçada.

- Míssil Fanático!?

Ângelo e os outros abrem um sorriso, mas o sorriso não ia durar muito.

- O que pensam que estão fazendo?

- É que ele é fraco e…

- Quem é mais fraco precisa de mais proteção. Quem bate nos fracos é covarde!

- Mas… Desculpa, eu…

- Não embora daqui agora! E não quero mais saber de vocês brigando com quem quer que seja na escola!

Ângelo e seu grupo concordam e saem correndo, virando a esquina.

Com o queixo pendurado de espanto, Diogo caminha devagarinho pra pegar a mochila.

- Qual o seu nome?

- Diogo, doutor.

- Diogo… Acho que eles não vão mais te incomodar.

- Muito obrigado!

- Não tem de quê.

Míssil se vira e olha para o céu, prestes a ir embora, quando Diogo pergunta.

- Como o senhor pôde se incomodar comigo? Tipo, o senhor é um super-herói! Deve ter um monte de coisas mais importantes pra fazer.

- É verdade, pequeno Diogo… Mas quem não arruma tempo para as pequenas boas ações, como pode mudar o mundo?

-- Cárlisson Galdino

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