A Turma do Ângelo

As férias do meio do ano acabaram de terminar. Lá vinha Diogo, triste, da escola. E não estava triste por ter dever de casa, nem por ter que estudar de novo depois das férias. Ele estava triste porque, junto com as aulas, iam começar as perseguições. Ângelo, o valentão da sua turma, não o deixava em paz.

Todos os dias, antes das férias, ele vinha com as mesmas piadinhas sem graça. Diogo não aguentava mais aquelas histórias insistentes: que ele era tão fraco que tomava leite na tigela, que não conseguia levantar a xícara… Que um dia foram bater uma foto dele e saiu “assim”, mostrando rabisco de um homem-palito.

Estranho que hoje o Ângelo não tinha feito nada. Pelo menos nada direto com Diogo, mas Diogo bem viu que a turminha do Ângelo ficava rindo e apontando para ele de vez em quando.

Talvez estivessem só se aquecendo, para começar a zoação. Por isso Diogo voltava triste, pensando em como seria o dia de amanhã.

Infelizmente a turma do Ângelo não queria esperar tanto. Diogo nem percebeu que Beto estava parado em um orelhão. E foi só Diogo passar que Beto chutou a mochila de carrinho para longe.

Diogo abriu a boca de susto, enquanto uma gargalhada vinha da outra calçada. Era Ângelo, com os outros dois bagunceiros, que já chegaram empurrando Diogo.

- Ha! Ha! Ha! Olha que fracote! Parece um frango gripado!

- Ha| Ha! Só se for um mini chicken!

Assustado, Diogo procura a mochila, que estava logo ali, perto do muro. Mas quando caminha para pegá-la e ir embora, Ângelo aparece bem na frente, fechando o caminho.

- O que foi? Quer brincar mais não?

- Ei, Ângelo, será que o mini chicken consegue chegar em casa com a mochila nas costas?

- Será? Eu acho que não, ele é um fracote!

- Bora quebrar o carrinho pra ver?

- Boa ideia!

As lágrimas corriam no rosto de Diogo, que só queria que eles parassem.

- Parem com isso!

A voz não era do Diogo, mas de um adulto, e vinha de cima.

Espantados, todos veem aquela armadura vermelha e cinza pousar na calçada.

- Míssil Fanático!?

Ângelo e os outros abrem um sorriso, mas o sorriso não ia durar muito.

- O que pensam que estão fazendo?

- É que ele é fraco e…

- Quem é mais fraco precisa de mais proteção. Quem bate nos fracos é covarde!

- Mas… Desculpa, eu…

- Não embora daqui agora! E não quero mais saber de vocês brigando com quem quer que seja na escola!

Ângelo e seu grupo concordam e saem correndo, virando a esquina.

Com o queixo pendurado de espanto, Diogo caminha devagarinho pra pegar a mochila.

- Qual o seu nome?

- Diogo, doutor.

- Diogo… Acho que eles não vão mais te incomodar.

- Muito obrigado!

- Não tem de quê.

Míssil se vira e olha para o céu, prestes a ir embora, quando Diogo pergunta.

- Como o senhor pôde se incomodar comigo? Tipo, o senhor é um super-herói! Deve ter um monte de coisas mais importantes pra fazer.

- É verdade, pequeno Diogo… Mas quem não arruma tempo para as pequenas boas ações, como pode mudar o mundo?

-- Cárlisson Galdino

U. E. B. B.

Desde quando o mundo é mundo
Que tem gente sem noção
Que acredita em cada coisa
Sem a menor condição
E hoje nessa poesia
Vou falar de uma teoria
Claro, da conspiração

Tem muita teoria assim
Se buscar, se acha quem diz
Que o homem não foi à Lua
Que bem no nosso nariz
Por dentro, a Terra é oca
Mas hoje a teoria louca
Fala do nosso país

Não vou falar de ET
Nem de Jesus vou falar
Nem de não ter holocausto
Nem de guerra nuclear
Nossa história simplesmente
Começa com o presidente
Que assumia, o João Goulart

Comunismo se espalhando
Cada vez mais pelo mundo
E batia à nossa porta
Chegando a qualquer segundo
Por isso o povo vivia
Só esperando esse dia
Sempre num terror profundo

Quando o dito presidente
Viajava de avião
Por países comunistas
Já numa preparação
Para aqui fazer um golpe
Foi que os soldados, com sorte
Salvaram nossa nação

Os planos dos comunistas
Não teriam mais lugar
Graças à intervenção
Do governo militar
Mas os planos não ruíram
Tudo que eles conseguiram
Foi tão somente adiar

O Partido Comunista
Mesmo assim pôde crescer
Até que se transformou
No conhecido PT
Não só o dos trabalhadores
Criou vários bem menores
Só pra confundir você

Vários partidos pequenos
Tem um em cada buraco
PCB, PCdoB
Rede, tucano e macaco
Nesse meio não me iludo
Com certeza é isso tudo
Farinha do mesmo saco

Foi assim que os comunistas
Prosseguiram nessa trilha
Crescendo e ficando fortes
Como uma grande quadrilha
Na mão um plano cretino
De controlar nordestino
Usando a Bolsa Família

E pra prosseguir no plano
Bolaram a invasão
Trazendo muitos cubanos
Com desculpa de que são
Doutores por caridade
Quando o plano na verdade
Era ganhar eleição

O congresso, que era honesto
Desd’Era da brilhantina
Foi comprado por petistas
Corrompido por propina
Se afastaram, bem sabidos
Lá dos Estados Unidos
Pra se aproximar da China

Pra atacar nossos costumes
Bolaram uma confusão
Para a nossa juventude
Falando de orientação
Era seu plano maldito
Pois num golpe desse tipo
Mais fácil sem religião

Negro, gay, pobre, traveco
Sabiam do seu lugar
Mulher tinha seu papel
De recato e ser do lar
O PT, sem ser cristão
Promoveu a confusão
Vê só como tudo está!

Mas o povo não é besta
Percebendo essa intenção
Não aceitariam isso
Bateram o pé no chão
E esse grupo no poder
Tentando se defender
Encontrou a solução

Já que Dilma não dá mais
Pra resolver o problema
Vamos simular um golpe
E botar lá Michel Tema
O povo se acalma e some
Sem saber que o novo nome
Faz parte do mesmo esquema

Pra não levantar suspeita
Michel atacou seus parça
Índios e trabalhadores
Mas veja que ele disfarça
Sempre que fez dessa coisa
Parte era pra ganhar força
Ou cortina de fumaça

Sei que o plano vai dar certo
Agora dá pra fazer
Com Michel, Renan e Collor
Com Lula e todo o PT
Vai ter a revolução
A nossa nova nação
Será a U. E. B. B.

Como a U. R. S. S.
Que um dia existiu
Esse nome foi pensado
E assim se definiu
A União dos Estados
Bolivarianos, claro
Do meu querido Brasil

Nesse país renovado
Não vai existir cidade
Cada estado tem um rei
Ninguém tem propriedade
Com o PT no comando
Todo mundo trabalhando
Em perfeita igualdade

Quer dizer, quem é político
Tem trabalho diferente
O Partido terá luxo
Clube, praia e aguardente
Mas minha casa, minha vida
Será sempre garantida
Para qualquer outra gente

A bandeira do país
Falo com certa emoção
Será muito parecida
Co’a bandeira do Japão
Uma homenagem bem-vista
Pois também é comunista
Todos sabem que eles são!

O verde vira amarelo
Amarelo vira branco
A bola que era azul
Vermelha vai se tornando
Sem faixa, tudo mais belo
Com uma foice e um martelo
E uma estrela só, brilhando

Nossas empresas amigas
Ganharão o monopólio
Pois sempre nos apoiaram
É legítimo e notório
Claro, Friboi, Havaianas
Santander, Americanas
Globo e Carteldos Cartórios

Outras nações com certeza
Darão apoio formal
Cuba, China, Rússia, Chile
Venezuela, Senegal
E a U. E. B. B. Gigante
Terá papel importante
Com força internacional

Por agora, vou parar
Esse cordel-brincadeira
Espero cê ter gostado
Dele de alguma maneira
Só o que me deixa triste
É saber que sempre existe
Quem crê nessa baboseira!

Se você jura que é fato
Qualquer verso daqui dentro
Se acalme, pois tem remédio
Pra aplacar o seu tormento
Não acredite demais
Nessas redes sociais
Nelas, ninguém é isento
Pra mudar a trajetória
Busque um bom livro de História
Procure conhecimento!

– Cárlisson Galdino

Special: 

Para o Bem de Todos Nós

Eles diziam que a guerra
Era por paz, necessária
Tudo seria provisório
Que era pro bem da nação

Nos prometiam futuro
Onde teríamos mais tempo
Mudando velhos costumes
Em uma nova nação

| Mas velhos generais
| Não mudam só assim

Pregavam tecnologia
Para os trabalhos braçais
Sem falar no desemprego
Só ganhos da evolução

Cobrando cada vez mais
Das especializações
Fizeram jaulas de ensino
Do todo, foi-se a visão


| Porém velhos feudais
| Não mudam só assim

Onde está o tempo livre que nos prometeram?
Onde está o lucro dessa tal evolução?
Está tudo tão errado, mas ninguém percebe
Onde está o que nos deram e onde está o chão?

-- Cárlisson Galdino

Gênero: 

É Guerra!

Ao fim da Escravidão
Quase da noite pro dia
Se criou pelo Brasil
Imensa periferia
Pois apesar de correta,
Foi uma lei incompleta
Que garantiu alforria

Negros podiam gritar
"Sou livre", bater no peito
Mas quase que era só isso
Nenhum reparo foi feito
Foram pro "mundo real"
Numa miséria total
E encarando preconceito

Assim, só morros e grotas
Foi o que deu pra arranjar
Pros filhos dos estrangeiros
Que à força vieram pra cá
Seu lar: favelas somente
E até hoje os descendentes
Não conseguem sair de lá

Todo o tempo que passou
Ainda não curou as dores
Daqueles que foram escravos
E hoje são trabalhadores
De trampos de exploração
Na mão de chefes que são
Netos daqueles "Senhores"

Ao não querer contratar
Trabalhador por ser preto
Fazer piada no bar
Ou sorrir quando um suspeito
É morto por policiais
É que mais claro se faz
Esse imenso preconceito

Que vem desde a cor da pele
Na sua forma mais dura
Mas passa pelo cabelo
Lábio, nariz e cintura
Religião, capoeira
Deixando claro que a ira
É contra etnia, cultura

Ao tempo em que os negros lotam
Os complexos penais,
Os piores dos empregos,
Favelas das capitais
Herdeiros de escravagistas
Mandam em jornais, revistas,
Poderes municipais

São donos de vasta terra
Pra plantio ou criação
Donos de bancos e ações
Tem cada corporação
Estão desde a monarquia
Nos poderes e autarquias
No mei da corrupção

Tivemos 'ma presidenta
Quando ela levou um baque
Não era ela e o partido
Quem sofria desse ataque
Mas toda essa multidão
Que essa elite de plantão
Quer que a atual crise pague

Uma boa forma de ver
O que o burguês quer ou não
É ver as altas e baixas
Que têm na bolsa de ação
Que cai quando ele não gosta
Se gosta, aumenta a aposta
Eis a manipulação

O burguês é contra o povo
O lucro é o alvo primário
Não quer ver pobre crescer
Quer ver trabalho precário
Ah, se esse povo aprender
O que "a Bolsa" quer dizer
Só vai torcer ao contrário!

Se você ver quem dizia
Ser contra a corrupção
Hoje está contra direitos,
Sociais e de expressão
Quer reduzir o Estado
Sabe o significado?
"Dane-se a população!"

Nos botaram numa guerra
Não soube? Fique sabendo!
Essa burguesia está
Por trás desse golpe horrendo
Enquanto tu não acordar
Ver ao redor e lutar
Vai continuar perdendo

Veja do golpe pra cá
Vê quanta corrupção!
PEC do teto dos gastos
A volta da escravidão
Pilhar direitos é norma
Temer não fez uma reforma
Só teve demolição

Acorda, vamos pra rua!
Sei que você pode e eu posso
Vamos lutar essa guerra
Unindo nossos esforços
Como nunca antes se viu
Recuperar o Brasil
Que não é deles, é nosso!

– Cárlisson Galdino

Cadê o Super-Homem?

Se você olhar pra História
A Revolta era agressiva
Quem sofria a injustiça
Tomava iniciativa
E partia pro confronto
Numa luta coletiva

Em resposta, os poderosos
Enfrentava o desacato
E desciam os soldados
Com prisão e assassinato
Pra conter os revoltados
Nunca deixavam barato

Mesmo assim havia luta
Pra quem tinha algum estudo
Qualquer um que leia sabe
Que só se fazer de mudo
Não resolve o problema
No fim só piora tudo

A mudança mais recente
De quem tem todo o poder
De julgar e de oprimir
De comprar e de vender
Transformou o nosso mundo
Nesse que hoje a gente vê

No mundo da compra e venda
Tudo agora tem valor
Terra, planta e animal
O que a indústria fabrica
A criação cultural
Tempo do trabalhador

E para se alimentar
Todo mundo é obrigado
A vender tempo e trabalho
Ficando de resultado
Menos tempo para estudo
Se tornando alienado

Foi assim que aconteceu
Sem ninguém nem perceber
O controle preventivo
De lutar pelo Poder
Foi com reeducação
Aos poucos pela TV

Por quadrinhos, por desenhos
Pode parecer loucura
Entraram no nosso meio
Alterando a estrutura
Das crenças, sonhos e mitos
Redesenhando a Cultura

Nos fizeram acreditar
Que é normal ser sofredor
Que é uma lei natural
Ter escravo e ter senhor
Que isso nunca vai mudar
Só com um herói salvador

Que herói dessas histórias
Puxe um pouco da sua mente
Tem poderes por escolha
Por ser firme e inteligente?
Porque os que lembro agora
Todos foi por acidente

A mensagem é bem clara
Ser herói é profissão
De quem tem um privilégio
Sem haver preparação,
Representatividade,
Vocação ou eleição

Isso nunca funcionou
Nem mesmo na ficção
Só tem estadunidense
Seguindo essa profissão
Homem branco, hétero, cis
E muito pouca exceção

Assim foi acontecendo
Que o povo reprogramado
É como vassalo, escravo
Que morre pelo reinado
Por seus nobre e é pior
Do que ter "Vida de Gado"

A verdade é que faz tempo
Que a luta espera você
Chega de esperar um herói
Que tenha superpoder
Acorda pra vida agora
Ninguém vai aparecer

Ou vamos juntos na causa
Ou não tem o que fazer
Quem não tem disposição
Só terá escravidão
Prêmio de consolação
De quem não quer nem saber

– Cárlisson Galdino

O Brasil tá pra Alugar

Da eleição de presidente pra cá
Toda a maldade dos donos do Brasil
Bateu nos pobres para a crise parar
Não acabou, ela só evoluiu
Eles nem deixaram Dilma governar
E a tiraram pra botar no lugar
Um vampiro sem coração e senil

A turma envenenada
Pelo ódio a um partido
Foi pra rua praguejando
Em protesto sem sentido
"É contra a corrupção"
Era o que era ouvido

Mas a razão era outra
E eles nem percebiam
A mudança de governo
Que sem perceber pediam
Era pela salvação
Dos que bem menos sofriam

Eu falo mesmo da Elite
Daqueles que tem mandato
Há duzentas gerações
Mais os banqueiros, de fato,
Dos grandes industriais
E criadores de pato

Já foi bagunçando tudo
Que o vampiro chegou
Diminuiu ministérios
O da Cultura fechou
E só quis criar de novo
Porque o povo protestou

Desde a primeira semana
Fez o povo de otário
Para cada ministério
Colocou um empresário
Que destrua o que é de todos
Pra ter ganho milionário

Pois ele aparelhou tudo
Com capanga e aliado
Sabotando o que podia
Mutreta pra todo lado
Mas nem acabou a crise
Como era o desejado

Notável no seu governo
Era a luta desmedida
Pra proteger os ladrões
E salgar a nossa vida
E o povo nem viu que era
Só o início da descida

Esse vampiro, pensando em congelar
O que se gasta por aqui decidiu
Jogar emenda Constitucional
Por vinte anos, tempo que ele previu
Parando a ajuda que era pro Estado dar
E muita gente parece nem notar
Como essa emenda nos mata a sangue frio

A PEC foi aprovada
Congela sem restrição
O que gasta com Saúde
Assistência, Educação
Segurança, enfim, serviços
Feitos pra população

Vinte ano é muito tempo!
O que ele pretendia?
Que o SUS desapareça
E que logo chegue o dia
Que todo pobre assinava
Um plano ou então morria

Que acabe como é hoje
Uma universidade
Acaba isso de bolsa
Cobrando mensalidade
Se der pra privatizar
É o que ele quer de verdade

Assistência se acaba
Pro sofrer do cidadão
Mesmo que por toda vida
Pague a contribuição
Ninguém mais tenha direito
Pra aposentar ou pensão

Mesmo com gente na rua
Gritando com o desgraçado
Esse projeto absurdo
Terminou sendo aprovado
Corra atrás de conhecer
Quem votou, que deputado

Senadores e ministros
Deram dedo pra nação
E aprovaram a PEC
Da cruel limitação
Mas não limitam o jabá
Que vem da corrupção

O pior é que o limite
Não limita por inteiro
Do contrário, ele garante
Que o principal dinheiro
Que o governo junta sirva
Pra pagar para os banqueiros

Raulzito já chegou a publicar
Numa canção bem antes do ano 2000
A solução era botar pra alugar
Nosso país, a nossa elite curtiu
Esse vampiro resolveu ofertar
A Amazônia para os gringos usar
E o dólar vai para quem rouba o Brasil

Amazônia ameaçada
O vampiro nessa hora
Resolveu fazer leilão
Pra mão de mineradora
Quase 50 quilômetro
Da floresta jogar fora

É um tanto assim de chão
Que cê nem calcula quanto
Com índios e natureza
Vê se não é pra ter pranto
Essa área é do tamanho
Do estado Espírito Santo

Depois de muito protesto
De órgãos internacionais
E muita gente famosa
Pelas redes sociais
Ele ficou com medinho
Desistiu, voltou atrás

Até a Escravidão está pra voltar
É nostalgia do período servil
Não se investiga trabalho irregular
E o que é trabalho escravo se definiu:
Pra ser escravo só quando se encontrar
Corrente no pé, chicote na lombar
Exploração demais não importa mais, fio!

Se você vive jornada
De trabalho sem ver fim
Sem poder sequer dormir
Muitos dias nesse ruim
Pelo conceito de hoje
Isso é escravidão sim

Se não recebe salário
Ou não pode se afastar
Se mora lá no trabalho
Mas na hora do jantar
Come comida estragada
E nem pode se banhar

Isso tudo é escravidão
Mas querem mudar ligeiro
O conceito de escravo
Pra agradar os fazendeiros
Só será escravo quando
Se viver em cativeiro

Todos concordam que é preciso educar
Educação é o futuro do Brasil
Mas cadê quando é a hora de gastar?
"Tem que cortar", repete o governo vil
Sem gastar na infraestrutura escolar
E em professores, quando o tempo passar
Qual o futuro se ninguém investiu?

É escola privatizada
Todo mundo pagar tudo
Pagarmos pela saúde
Por segurança e estudo
É o sonho das elites
Mesmo que seja absurdo

Não ter universidade
Gratuita pra mais ninguém
Se puder vender pros gringos
Os campus que hoje tem
Pra esse governo é melhor
Pois roubam bem mais vintém

A reforma do ensino
Criou áreas diferentes
Mas todas as opções
Só vão estar realmente
Na escola de gente rica
Não de outro tipo de gente

Quem é pobre já de agora
Graças a esse governante
Não aprende mais História
Nada que o faça pensante
Restará pro fí de pobre
Só o profissionalizante

Sobre aposentadoria
O presidente falando
"Brasileiro vai viver
Por 140 anos"
Só ele, por ser vampiro,
Nós outros somos humanos!

A Ciência foi cortada
Não tem dinheiro mais não
Sem a tecnologia
Qual o futuro da nação?
Brasil volta a ser colônia
De burrice e escravidão

Tudo isso não é gasto
Educação e ciência
É dinheiro que garante
A nossa independência
Investir nesse futuro
É sinal de inteligência

Como pode um governo impopular
Se aproveitar dessa crise que surgiu
Pra adotar essa solução de alugar
Diferente do que Raul sugeriu
Os estrangeiros, claro que vão gostar
Com o país, eles também vão ganhar
A vida de nós, que estamos no Brasil

Patos não vão pagar nada!
É tudo free!
Pra elite e bancos, free
Para os ricos explorar e aproveitar
A conta nós que vamos pagar

– Cárlisson Galdino

Special: 
Engenho: 

Taverna 8 Bits - Outras Cores

No Reino do Cogumelo
Num bar, sem ter mais ninguém
Dois caras bebem, conversam
Sobre o passado também
Luigi, o encanador
E um galego lutador
De Street Fighter, o Ken

Luigi vira um copo
E reclama para o amigo
“É triste: tanto eu me esforço
Eu pulo, eu corro, eu brigo
Pra no fim Mario, meu irmão
Ser exaltado, e eu não
Você entende o que eu digo?”

“Sei que você também sofre
Nossa história é parecida
Também se mata em disputa
E sua luta é esquecida
Pode ser bom no kung-fu
Mas tu é sombra do Ryu
Como é triste a nossa vida”

O Ken balança a cabeça
Bebe e começa a falar
“Você não sabe de nada
Só sabe é reclamar
Sombra, aqui, só você
E o que eu luto é karatê
Mas vamos continuar”

“Você é uma criancinha
Chorando sem ter razão
Pode ser sombra do Mario
Mas ganhou jogo, eu não
Seja homem, pra que chorar?
Pois saiba que ouvi falar
Da sua imensa mansão”

Luigi diz: “É verdade
Tive jogos afinal
Mas o que mais me dói hoje
É que nasci tão banal
Lá no primeiro que teve
Eu era só o “Mario verde”
Isso me deixa tão mal”

Ken sorri e coça o queixo
E diz “Pior que é verdade
Era um tempo bem estranho
Na nossa realidade
Muitos jogos foram assim
Poucos recursos, no fim
A cor era a Identidade”

“E você lembra o Diablo?
Aquilo era bem pior!
Você enfrentava esqueletos
Brancos, sem qualquer valor
E ao descer mais, os perigos
Vinham novos inimigos
Iguais, só mudando a cor”

Luigi sorri e alisa
O se redondo bigode
E diz “Já vi esse jogo
Quem jogou muito foi o Toad
Lembro que as cores mudavam
Tinha até uns que brilhavam
Lá no escuro, vê se pode!”

“Essas mudanças de cores
Eu fui vítima, que eu sei
Por isso há muito tempo
Que isso também pesquisei
Chamam 'troca de palheta'
Mudavam fundo e planeta
Poupar memória era a lei”

“Mas o pior que já vi
A que era mais descarada
Não foi em jogo de luta
Foi Futebol, que jogada!
O boneco é repetido
Muda só o colorido
E os times vêm em enxurrada”

O Ken bebe outra dose
Depois gargalhando à beça
Diz: “O pior é que é mesmo!
O povo pregava peça
Com você foi bem igual
Ainda bem que, no final,
Por pouco eu escapei dessa!”

Luigi decepcionado
Responde: “Olha pra tu!
Só porque é americano
Galeguinho do óio azul
Acha que é diferente
Mas você é simplesmente
Uma cópia do Ryu”

“Pra ser cópia não precisa
Mudar só a cor, garanto!
Você tem os mesmos golpes
Que o tal de kimono branco
Você é muito parecido
Personagem repetido!
Desça já desse tamanco”

O Ken não gosta daquilo
Daquela provocação
E se levanta da mesa
Já fechando a sua mão
E diz: “Se tiver coragem
Eu te mostro minha mensagem
Numa surra, uma lição”

O Luigi diz que não
Com a cabeça a balançar
Se levanta e vai pra porta
E diz: “Não nesse lugar
Não acabou entre nós
Te vejo no Smash Bros
Se tem peito de ir pra lá.”

– Cárlisson Galdino

Special: 

Warning Zone #50 - As Garrafas do Cigano

Ok, vamos lá. Era uma vez um projeto de tecnologia envolvendo formas de vida em prol da saúde de circuitos eletrônicos. Tudo deu errado e 6 pessoas ganham superpoderes.

Quatro deles se juntam e forma um grupo do mal conhecido como Grupo Satã ou Quarteto Fantástico.

Tungstênio: Não dá pra confiar na imprensa.

Esse grupo pretende dominar o mundo e começa a tocar o terror por aí afora.

Tungstênio: A gente se esforça pra encontrar um nome legal e vem a imprensa desmanchar tudo.

Os outros dois se tornam a única força de enfrentamento do Grupo Satã a manter alguma chance de frear seu ímpeto conquistador.

Tungstênio: Gostei dessa parte de “ímpeto conquistador”!

Narrador: Posso continuar a retrospectiva?

Tungstênio: Foi mal, continue.

Então, muita coisa aconteceu. Apareceu um herói sem poderes para ajudar o casal. Um dos quatro vilões foi derrotado e estamos agora…

Mulher de vestido: Que ódio! Não acredito que nem vai falar de mim!

Tungstênio: Cala a boca! Ele nem citou meu nome e não estou reclamando!

Mulher de vestido: Ah tá… Pelo menos você TEM um nome!

Durante a história aparece uma misteriosa mulher de vestido vermelho acompanhando notícias sobre as ações do grupo maligno.

Tungstênio: Está feliz?

Mulher de vestido: Tá, mas faltou falar do prefeito.

Narrador: Eu falaria se você deixasse.

Mulher de vestido: Até parece…

Olha, o Grupo Satã sequestrou um pessoal aí e apareceu de repente o cigano com não sei o quê na mão.

Darrell: Garrafas!

Pandora: Hahaha!

Tá, é isso! Já deu! Estamos no último episodio, caramba! Quem quiser saber dos detalhes dos acontecimentos anteriores, deixe de preguiça e volte pra ler desde o começo. Vamos pro episódio.

Darrell: Isso acaba agora.

Tungstênio: Você já falou isso.

Todos olham surpresos para Darrell, com duas garrafas de cerveja nas mãos.

Tungstênio: Pega ele, Montanha!

Montanha salta em direção ao Darrell, mas não o encontra. Então ele para e coça o queixo confuso, com impressão de ter sido tratado como um cachorro. Para disfarçar, tem que parecer confuso com outra coisa.

Montanha: Nunca me acostumo com esse poder estranho do Cigano! Volta aqui!

Darrell sai pela porta e os dois vilões vão atrás.

Seamonkey: Achei você.

Darrell para diante da inimiga. Percebe os outros dois vindo do quarto e encara Seamonkey com ar de desafio.

Nem precisa falar nada para ela perceber o que ele está pensando: “Você é de água, não é?”

Ele corre em sua direção se preparando para esbarrar nela. Surpresa, ela tenta ajustar sua fluidez para o que seria mais inteligente.

“Muito fluido! Não, e se eu sumir? Muito sólido! Mas aí eu caio e a gente se machuca. Ai… Chegou.”

Ela coloca os braços na frente esperando pelo impacto, mas não acontece nada.

Darrell: Ei, ainda estão aí?

Montanha e Tungstênio quebram parte da parede para chegarem rápido no corredor do lado de fora da casa.

Darrell está ali em cima do muro com as mesmas duas garrafas na mão.

Seamonkey: Espere um pouco. Onde está o xFencer?

Montanha: Quem se importa, maluca?

Montanha soca a parede para derrubá-lo. Tungstênio acompanha Darrell com os olhos, enquanto este salta para o outro muro por cima dos três. Ele força um pouco a vista. Parece que escorregou uma garrafa…

A garrafa acerta em cheio o rosto de Tungstênio, quebrando-se e respingando seu conteúdo por todo lugar.

Tungstênio: Arghhhhhh!

Montanha: Que foi, chefe? O que tinha nessas garrafas?!

Tungstênio cai de costas no chão, rachando o piso e estremecendo um pouco a estrutura do prédio. Seu rosto parece estar derretendo.

Montanha: Chefe?! O que é isso?

Cigano sorri de cima do muro, enquanto balança a outra garrafa, como quem diz “Quer descobrir?”

Tungstênio: Ele…

Montanha: Ele? Ele o quê?!

Tungstênio: …

Montanha: Ele o quêêêêê!?

Darrell: Parece que ele se foi.

Montanha: Não! Não pode!

Darrell: Tenho uma proposta para você. Solte os reféns e abra uma passagem do outro lado da casa, sem passar por aqui, e eu não jogo esta segunda garrafa em você.

Montanha: Nunca, eu… Posso pensar?

Darrell: Só um pouco.

Montanha olha ao redor tentando encontrar uma solução. Então se abaixa para ver como está o chefe. Parece mesmo morto.

Darrell: Não sei se vou aguentar segurar essa garrafa muito tempo…

Montanha: Tá legal, eu me rendo!

Montanha volta para a sala dos reféns e solta os três. Em seguida, esbarra contra a parede para abrir uma passagem. Quase cai de susto com o que vê.

xFencer: Não vai fugir!

Darrell: Para! Ele já se rendeu!

xFencer abaixa a marreta, junto com outras doze pessoas vestidas igual. Do seu lado, um homem das forças armadas dá voz de prisão ao sobrevivente.

Pandora: Sabia que meu amor ia voltar pra me salvar! Hora de ganhar o beijinho!

Mulher de vestido: O que é esse monte de gente com martelo?

xFencer: É o Big Boss Tracker Team!

Os outros doze levantam suas marretas em saudação.

xFencer: Pena não termos sido necessários...

E assim tudo voltou ao normal. Com o Grupo Satã derrotado e Montanha preso, nossos heróis voltam para Stringtown para tentar viver sua vida de normalidade.

O Big Boss Tracker Team se tornou uma academia de artes marciais coordenada pelo Junior.

Seamonkey nunca mais foi vista.

 

FIM

Warning Zone #49 - Últimas Notícias

No episódio anterior, Tungstênio, Stormdancer e Steve Silva, prefeito de Stringtown, discutiam sobre o propósito daquele sequestro e qual seria o próximo passo do Grupo Satã. Paralelo a isso, o grupo estava distribuído em sentinela, aguardando a volta do cigano a qualquer momento.

Horas depois, já cedo da noite, uma televisão clareia os mesmos três enquanto inicia o jornal.

Apresentador: Boa noite. Informações revelam que o grupo de supervilões que sequestrou o prefeito de Stringtown se encontra no Piauí. Nossa equipe de reportagem conseguiu com exclusividade essas imagens.

Tungstênio: Olha lá! Sou eu!

Pandora: É… Imagem exclusiva coisa nenhuma! Deve de ter sido o povo no Twitter.

Tungstênio: Dá pra fazer silêncio?

Ministro: As Forças Armadas já estão em operação para enfrentar esses bandidos.

Tungstênio se levanta e vai até a janela preocupado.

Repórter: Vocês preveem que eles possam ainda estar no Piauí?

Ministro: Nem se preocupe que está tudo sob controle. O Governo Brasileiro está fazendo todo o possível para solucionar este problema.

Apresentador: Hoje a presidência do país está com o Ministro do Supremo, já que a presidente viajou para reunião na Alemanha…

Tungstênio: Que balela! Não tem nada de exército lá fora.

Stormdancer e Prefeito: Pssssiu!

Apresentador: ...no Rio de Janeiro, o presidente da Câmara viajou para reunião com opositores na Venezuela e o presidente do Senado foi a uma visita diplomática para Angola. Este afastamento quase coletivo foi muito criticado pela oposição.

Deputado: Isso é vergonhoso! Ver tanta gente importante que não honra as calças que veste!

Tungstênio: Hahaha! É mesmo! Estão morrendo de medo da gente!

De repente, um barulho de confusão vem lá de fora. Parece uma mulher protestando. Tungstênio aperta o mudo da televisão.

Stormdancer: Ahhh…

Prefeito: Ei, eu queria ver a matéria!

Montanha: Olha só quem eu encontrei por aqui.

Ele joga a mulher no quarto, que grita “Ai”.

Enquanto ela se levanta, se recuperando da queda, Tungstênio encara todos na sala, um a um, e se vira para o Montanha.

Tungstênio: Tá. Era pra eu saber quem é ela?

Montanha: Sei não, chefe. Ela tava fuçando por aí, só sei disso. Tava tentando passar por mim sem ser vista pra vir fazer não sei o quê.

Tungstênio: Ai meu saco de metal… Outro refém pra eu me preocupar!

Ele agarra o braço da mulher de vestido vermelho e a arrasta até a mesma janela onde estão Stormdancer e o prefeito.

Prefeito: Como é que é? Tem outra janela pra ela não?

Tungstênio: Se ajeitem aí?

Stormdancer: Como é que a gente dorme, caramba?

Mulher de vestido: Para de me apertar!

Tungstênio: Quem é você e o que quer por aqui?

Mulher de vestido: Nada! Eu só estava passando aqui perto, eu moro por aqui.

Tungstênio: Sei…

Montanha sussurra para Tungstênio.

Montanha: Chefe, ela pode ser da imprensa.

Tungstênio: Ou do Exército, o que é pior. Vê se ela tem algum sinalizador.

Montanha dá um passo e para.

Montanha: Ei, chefe! E como é um sinalizador?

Tungstênio: Sei lá! Você nunca viu em filme?

Montanha sorri e continua em direção à mulher de vestido vermelho e expressão assustada.

Tungstênio: Procura qualquer coisa que pareça um celular ou que tenha uma anteninha.

Darrell: Isso acaba agora.

Todos olham para trás surpresos. Ali está Darrell, em pé diante da televisão, sozinho e com duas garrafas de cerveja na mão.

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