29 jun 2013

Primeiramente desculpem pelo atraso no episódio. A vida este ano está mais corrida. Alguns sábados poderão ficar sem Agenda, mas espero que não.

Quantos golpes de sorte podem acontecer em seguida?

Agenda Mundial #16 - São Miguel

Frio... Claudia ergue a cabeça e olha a Lua cheia no céu. Ao seu redor, nada. Parece que ninguém passa por ali mesmo. Pelo menos não a essa hora.

“O que é que estou fazendo?”

Pensando em crimes de oportunidade dos mais variados, que podiam lhe fazer vítima, ela se levanta decidida a encontrar um lugar melhor pra passar a noite.

Sua bolsa ainda está ali. Ela a abre discretamente e encontra o tablet ainda lá. Vasculha mais e acha seu celular: descarregado.

- Droga.

Vai até a calçada da rua deserta e caminha, continuando os passos que iniciaram ao descer da besta, antes de parar ali.

Apesar do medo e frio, esse momento de descanso lhe trouxe uma certa paz, um alívio. Sobreviver exposta e indefesa por algumas horas lhe trouxe ânimo para continuar. A grande questão é: continuar o quê?

Depósitos, algumas casas fechadas, poucas, e terrenos. Indústrias? Não sei... Talvez apenas mais depósitos.

“Esse celular descarregado. Tenho que falar com o Herbert pra ver se ele está bem. Deve estar todo mundo preocupado comigo a essa hora. Quer saber? Grande coisa! Pelo menos depois disso tudo eu terei uma boa história para contar. Quer dizer, se eu sair viva no final.”

 

O cansaço e a fome começam a aparecer. A busca continua por muitos passos mais. E de repente, parece que acabou. ...A zona minimamente urbana.

“O que é aquilo ali na frente? Um rio?! Não acredito!”

Ela corre em sua direção. A água reflete a bonita Lua do céu. Maravilhada, ela se ajoelha deixando a bolsa para trás. Com as mãos em cuia pega um pouco de água para lavar o rosto.

A sensação é tão boa que ela nem pensa no frio e em como vai se enxugar depois.

- Eu não beberia se fosse você.

Claudia se vira assustada, procurando quem falou. Só um nome vem em sua mente: Caio. Mas não é ele. Um homem de barba e casaco um pouco velho, sentado a alguns passos dela.

- De onde você... - A pergunta de Claudia é interrompida pelo pensamento de que faria mais sentido se ele lhe perguntasse isso.

- Está perdida?

- Acho que sim... Estou procurando alguma pousada.

- Hahaha! Pousada?! E como veio parar aqui?

- Não sei. Onde estamos?

- Em São Miguel, onde mais?

- Sei, mas...

- A feira foi ontem.

- Como?!

- Se veio pra feira, ela foi ontem. Lá na cidade.

- Não, é que... Olha, como acho uma pousada?

Inquieta, já de pé, ela aperta com ansiedade a bolsa.

- Não vai encontrar uma aqui. Só na cidade.

- E como chego lá?

- Melhor ir pela manhã. É perigoso ir lá sozinha.

- Mas eu faço o que então?

- De onde você é?

- E isso importa? Você mora por aqui?

O homem se levanta e se aproxima dela. Claudia assustada dá um passo para trás, pronta para correr a qualquer momento.

- Sabia que aqui é terreno particular?

- É? - Claudia olha com mais atenção ao redor. A estrada de barro está cheia de mato e não parece haver cercas. - Não sabia. De quem?

- Não importa. Venha comigo.

- Como!?

- Talvez você possa ficar por aqui essa noite.

- Como é? Não, espera!

- Calma! - Ele segura seus braços com força. - A gente tem um acampamento aqui perto. Talvez ainda tenha um pouco de comida também.

“Um acampamento? Sei...”

O estranho aperta seu braço, conduzindo-a por um caminho à beira do rio.

24 jun 2013

O Bardo e o Guerreiro

Submitted by bardo

Tu te prepares, bravo camarada,
Pois encontrei um mapa de tesouro
Corre pra casa, pega tua espada
Teu escudo e corselete de couro

Que há perigo, o mapa deixa claro
Nós poderemos encontrar dragões
Mas um perigo à nossa altura é raro
Poucos alcançam nossas posições

Nós partiremos durante o crepúsculo
Creio que juntamos experiência
Mesmo com armas de poder minúsculo

Confie então em minha inteligência
Que seguirei confiando em teu músculo
E então rezemos por nossa eficiência

-- Cárlisson Galdino

17 jun 2013

Quem Sou?

Submitted by bardo

Quem Sou?
Sou a energia, a matéria, o vazio
Sou o grito do fantasma que esvicera sua vítima
Sou um, sou todos

Sou os ruídos que te afligem nas noites escuras
Sou as ternas canções de um romance ao luar
Sou o som de seus passos, seu grito de terror
Sou seu desabafo, seu suspiro

Quem sou? Quem quer seja?
Sou o que é raro encontrar
E onde não se encontra o comum
Sou seu sonho e seu pesadelo

Sou o trovador erudito e o cantor brega
O roqueiro da revolta social
Seu reflexo na Casa de Espelhos
Sou muitos, sou um

Sou todos os sons que preenchem o espaço
Sou os sons eternos que viram os milênios
Os sons que sempre existiram
Os sons que sempre existirão

-- Cárlisson Galdino

1 jun 2013

Agenda Mundial #15 - Cerco

Submitted by bardo

Um erro muitas vezes nos empurra para outro

Demorou um pouco para passar outra besta. Enquanto a esperava passar, Claudia curtia um sentimento de ansiedade sem igual, de medo e desespero. Demorou, mas enfim o transporte chegou.

Na viagem ela se lembrou de que estava quase sem dinheiro. Não estava levando roupas, só uma bolsa com seus pertences habituais, além do tablet.

Passado o susto das últimas horas, ela pensa em tudo o que fez.

“É insano isso! Por que eu estou fugindo? Do que estou fugindo afinal? Eu devia ter agido com naturalidade, ter entregue essa porcaria logo e pronto! Me livrava disso! Esse stress, essa... Essa correria que não tem nada a ver comigo! Ou não era pra ter...”

“Mas agora de que adianta pensar nessas coisas? Não tem mais como voltar e dar uma desculpa. Não vai colar... No fim, eles podem simplesmente pegar o tablet e sumir da minha vida, mas podem também achar que eu estou envolvida em sei lá o quê e aí já era.”

“Foi um erro ter fugido. Foi um erro ter pego essa bomba em Salvador...”

E de repente anoiteceu.

 

Ainda estava muito antes de São Miguel quando um assunto na besta despertou sua curiosidade em um dejavú.

- A blitz ainda estava quando você veio?

- Estava sim. Igual a de Arapiraca.

- É estranho isso, né?

- Eles devem estar querendo pegar alguém.

- É verdade. Teve fuga lá em Arapiraca?

- Como!?

- No presídio!

- Não soube de nada não... Mas se tivesse tido fuga os bandidos não iam viajar pra fora assim tão cedo, né?

- É verdade... Mas não sei, às vezes pra ficar perto da família.

- Eu pensei que os presos fossem de Arapiraca mesmo.

- São?

- Não sei. Pensei que fossem.

- De qualquer forma, acho que deve ser algo mais grave. Talvez estejam na cola de um traficante ou algo assim.

- Sequestro?

- Pode ser.

- Espero que acabem mesmo com essa bandidagem.

- Sabe o que é curioso?

- O quê?

- Logo cedo essa blitz não tava aí, só tinha a de Arapiraca.

- Será que eles acham que fugiram de lá?

- Isso deve passar num jornal mais tarde. - Um passageiro comenta.

- Eita! Ia ser bom ver a nossa terrinha no Fantástico!

- Ia nada, só passa desgraça daqui. Cadê que passa coisa boa?

- Podem parar aqui? - Claudia pede, timidamente.

O motorista diminui a velocidade e encosta.

- Aqui mesmo?

- É.

- Não é perigoso não?

- Não, aqui está ótimo.

Ela paga e desce.

A besta vai embora e ela vê o terreno à sua frente. O medo continua igual, mas a causa é outra: o desconhecido. O risco que corre.

E se a polícia não estiver procurando por ela, mas por um assassino em série ou uma loucura assim? E se ele descer por aqui?

Com cuidado, Claudia atravessa a pista e caminha entre as ruas desertas e vazias, quase que somente de terrenos.

Caminha por um bom tempo até encontrar um galpão recuado da rua. Ela se senta, encostada ao portão e chora.

Chora de medo e por não saber o que vai ser de sua vida daqui pra frente. Por não saber o que fazer.

31 mai 2013

CyanPack 13.2 - Gramophone

Submitted by bardo

CyanPack 13.1 - Gramophone

  • Papel de parede da edição baseado em Randomwire, de David, sob licença Creative Commons.
  • Atualizações: Firefox 21.0, Geany 1.23.1, LibreOffice 4.0.3, LibreOffice Magazine #4, Miro 6.0, Python 3.3.2, Revista Nintendo Blast #42 e #43, Revista PlayStation Blast #10 e #11, Thunderbird 4.0.6, VLC 2.0.6 e Zim 0.60

CyanPack é uma distribuição de aplicativos livres para Windows que inclui uma personalização do Trisquel-mini (incluindo a versão GNU/Linux dos mesmos aplicativos), quando executado como Live-DVD.

A nova edição do CyanPack corrige alguns "bugs" em nossa personalização de Trisquel Mini (agora temos gdm em vez de LXDM, gparted está de volta, bem como a ferramenta gráfica de gerenciar usuários e grupos). Os pacotes do Trisquel estão atualizados.

Para o Windows, os seguintes aplicativos foram atualizados: Firefox 21,0, Geany 1.23.1, LibreOffice 4.0.3, LibreOffice Magazine # 4, Miro 6.0, Python 3.3.2, Revista Nintendo Blast # 42 e # 43, # 10 Revista PlayStation Blast e n º 11, Thunderbird 4.0.6, VLC 2.0.6 e Zim 0,60.

Baixe CyanPack 13.2

Visite o novo site do projeto: CyanPack.Sourceforge.Net

Softwares desta edição:

Software

Versão Windows

Versão Trisquel

Licença

7-Zip

9.20

Use o File Roller

GNU LGPL

Audacity

2.0.3

2.0.0

GNU GPL

Ekiga

4.0.1

3.3.2

GNU GPL

Evince

2.32.0

3.4.0

GNU GPL

FBReader

0.12.10

0.12.10

GNU GPL

Firefox

21.0

21.0

MPL

Geany

1.23.1

0.21

GNU GPL

Gimp

2.8.4

2.6.12

GNU GPL

Gtk2 Runtime

2.24.10

2.24.10

GNU LGPL

InfraRecorder

0.53

Use o Xfburn

GNU GPLv3

Inkscape

0.48.4

0.48.3

GNU GPL

KeePassX

0.4.3

0.4.3

GNU GPL

Klavaro

1.9.7

1.9.3

GNU GPL

LibreOffice

4.0.3

3.5.7

GNU LGPLv3

MD5 Summer

1.2.0.05

Use md5sum

GNU GPL

Miro

6.0

4.0.4

GNU GPL

Pidgin

2.10.7

2.10.3

GNU GPL

Python

3.3.2

2.7.3

PSF

Qbittorrent

3.0.9

2.9.7

GNU GPL

SpeedCrunch

0.10.1

0.10.1

GNU GPL

Thunderbird

17.0.6

17.0.6

MPL

uGet

1.10.3

1.8.0

GNU LGPL

VLC

2.0.6

2.0.5

GNU GPL

Xournal

0.4.7

0.4.6

GNU GPL

Zim

0.60

0.54

GNU GPL

27 mai 2013

Chocolates

Submitted by bardo

A noite vem e assim, como quem não quer nada
O sono vaga denso, se espalha no chão
E passam arrastadas, quase sem passar
As horas torturantes quando estás distante

Mas como haver descanso, se a qualquer instante
Seu vulto indefinido e belo vai chegar?
Distante, inalcançável, quase aparição
E a noite sem sentido será transformada

Oh que desejo intenso esse de te ver
Se fecho os olhos, te vejo linda sorrir
De olhos abertos, quase te ouço falar

De quantos chocolates eu vou precisar?
Não vou fechar os olhos, não quero dormir
E ter a chance de não sonhar com você


-- Cárlisson Galdino

25 mai 2013

A luz no fim do túneo quase sempre é mesmo um trem

Agenda Mundial #14 - Retirada

- Já falou com eles?

- Ainda não. Eles foram na escola e devem estar na minha casa.

- Como soube deles?

- Eu vi o carro saindo. A menina da secretaria disse que estavam indo na minha casa.

- E você saiu?

- Disse que ia lá também ver o que queriam.

- Isso é mal, a menos que vá agora. Mas, como eu disse, terá que ser capaz de convencê-los de que não faz ideia do que eles estão falando quando falarem de tudo aquilo. Sabe blefar?

- Sou péssima...

- Foi o que pensei. Nesse caso, o mais seguro é ir comigo.

- Onde!?

- Maceió.

- Está doido?! E meu emprego, e o Herbert?

- Seu namorado... Bom, deixa ver. Se você demorar, eles vão falar com seus vizinhos e pegar informações sobre o seu namorado. Em seguida, vão procurá-lo no trabalho dele. Não sei o que vão dizer nem como ele vai reagir, mas terminarão sabendo de parte da história. Talvez o levem, talvez o deixem. Se deixá-lo, tenha certeza de que ele será grampeado e vigiado por um bom tempo.

- Ai meu Deus...

- Hmmm... Onde você pegou a moto?

- Em frente à escola.

- Vamos! - Ele se levanta, de súbito. Vai até o balcão. - Senhorita...

- Cyntia.

- São irmãs, não são?

Ela faz que sim com a cabeça.

- Ótimo. Se gosta dela e quer que ela viva, nós dois não estivemos aqui.

Ele estende uma nota de cinquenta.

- Está sequestrando minha irmã!?

- Não, estou protegendo. E se lembre: a polícia não vai vir para proteger.

 

Claudia segue com Caio até um hotel algumas quadras depois. Seu coração bate desesperadamente.

Vão partir imediatamente, ou quase isso: ele precisa pagar antes a hospedagem.

O tablet, os agentes, esse tal Caio... Tudo deixa seu coração muito apertado. A cidade de repente ficou muito pequena, pequena demais.

Um segundo de distração e ela foge, deixando Caio no hotel. Corre um quarteirão e pega um taxi até a rua dos transportes para Maceió.

- A moça está bem?

- Estou.

- Notícia de família, né? Vai dar tudo certo.

- Obrigada.

Para sua sorte, uma besta já estava saindo. Ela respira fundo, um pouco mais tranquila, e toma um assento na frente.

“Enquanto não souber o que está havendo, é melhor manter distância desse sujeito. Não faz mal ir pra Maceió mesmo. Lá é mais fácil eu me esconder. Daqui a uns dias eu volto e justifico na escola. Ou não sei...”

- Você viu que encontraram um carro com dois mortos dentro?

- Como assim? - O motorista pergunta ao cobrador.

- Meu pai que tava falando que viu no jornal hoje de manhã. Os dois queimados.

- Onde isso!?

- Lá em Bananeira!

- É, aqui tá cada vez pior. É no que dá a polícia pegar leve com bandido.

- Não é, véi! Nada a ver isso.

- Se eu fosse da polícia queria nem saber de Direitos Humanos nem de nada, queimava essa praga era toda!

- E por que não vai pra polícia então?

- Nada, tem futuro não. O cara também fica marcado...

- …

- Parece que teve acidente aí na frente. Olha os caras cortando luz.

- É nada! É blits.

- Esse povo querendo dinheiro.

- Nada, se não mudaram enquanto eu vinha é da polícia essa aí.

Claudia leva um susto e pede pra parar.

- Vai descer aqui, moça? Mas a gente nem passou do trevo!

- Não, esqueci uma coisa lá em casa.

- Pede pra alguém mandar. Eu ligo pro Paulo, que vem mais tarde, que ele leva pra Maceió.

- Não dá. Só eu sei onde botei.

- Então tá.

“Que droga! Fecharam o cerco!”

Ela caminha por ruas de barro. Mais de meia hora depois é que alcança finalmente a estrada, depois da blitz. Com medo de reencontrar Caio, espera a próxima besta passar.

18 mai 2013

Agenda Mundial #13 - Start

Submitted by bardo

Eu só queria tempo, mas nem sempre nos dão

Agenda Mundial #13 - Start

Várias perguntas passeiam pela mente de Claudia. A principal é se eles devem ou não entregar o tablet. Há outras como: quem realmente está por trás disso? O que exatamente significa? Afinal, aquela história de que “tudo estaria perdido” e que tinha a ver com o bem de todos ela ainda não esqueceu. Pode ter sido conversa de um criminoso desesperado, como pensou a princípio, mas... Polícia será só um dos problemas no futuro. Isso foi uma ameaça ou uma previsão?

Herbert se animou com a conversa. Quer fazer parte disso tudo, acha que tem a ver com “Wikileaks” ou alguma ONG parecida. Claudia, como sempre, está mais cética.

Se há tanta gente assim procurando o tablet, então onde deixá-lo até resolver o que faz com ele? Claro, ela não pretende entregá-lo ainda. Aquela conversa no restaurante foi uma enrolação desnecessária. Quer mais explicações, não aquele ilusionismo com uma tabela de códigos.

Por isso ela pensou por um tempo onde deixaria o tablet. Deixar em casa seria mais seguro, mas seria o mais esperado também.

Andar com ele também não lhe pareceu uma boa ideia. Se encontrasse Caio novamente e ele estivesse disposto a lhe roubar? Achou graça ao lembrar que agora ela pratica Boxe e que Caio já deve ter mais de cinquenta anos, mas um revólver alteraria a balança contra ela.

A casa de Herbert seria outra opção, mas só quando ele voltar do trabalho.

Seu próprio trabalho, mais uma. Mas Caio sabe onde ela trabalha e isso tornaria a escola um ambiente de alto risco.

Talvez justamente por isso seja uma boa opção. Por parecer burrice, talvez seja um canto onde demorariam a procurar.

Por isso ela preferiu a escola mesmo e se aproxima da escola logo que um carro que estava parado à sua frente vira a esquina.

- Claudia? Falou com eles?

- Quem?

- Estavam procurando você. Fez alguma coisa errada?

- Não, por quê?

- Eram da polícia. Disseram que queriam fazer perguntas sobre um crime que você talvez tivesse presenciado. Tá envolvida com tráfico não, né?

- Eu? Claro que não!

- Dei o endereço a eles. Devem estar indo pra sua casa.

Perplexa, sem saber se brigava ou não com a atendente da secretaria, Clauda apenas fala antes de sair.

- Então vou lá ver o que querem.

“Eu sei o que querem. E o pior é que está comigo!”

Ela atravessa a rua e pega um mototáxi.

 

O lugar é estreito, com duas mesas e cadeiras. Na porta, escrito “Céu de Brigadeiro”. Atrás do balcão, uma mulher de cabelos pretos curtos e rosto arredondado sorri ao ver a chegada de sua irmã.

- Claudia! Como é que vai? Tudo bem com você?

- Tudo, quer dizer... Mais ou menos.

- O que houve?

- Estou encrencada e não sei o que fazer.

- Senta aí, vai. Quer alguma coisa?

- Aceito um suco.

- De quê?

- Qualquer coisa.

- Eu quero de manga. - Claudia se assusta com aquela voz masculina. Olha para trás e vê aquele rosto conhecido.

- Caio!? Como você me achou?

“Está me perseguindo!”

- Vi a senhorita passando de moto aqui perto. Parece assustada. Algum problema?

- Não se faça de besta! Você mandou seus homens atrás de mim!

- Hmmm... Aconteceu mais cedo do que eu previa. - Ele se senta. - Primeiro, não são meus homens. É a polícia, não é?

- E eles querem...?

- Sim, exato. Mas eles não tem certeza de que está com você. A não ser que você tenha agido de forma suspeita. Você pode fingir que não está com você e que não tem nada a ver com isso. Se eles acreditarem, vão te deixar em paz.

- E se não?

- Vão pensar que você faz parte da nossa organização. Aí vão encontrar o aparelho e vão levar você e ele. Farão tortura e outras coisas assim.

- Não se faz mais isso hoje!

- Você quer dizer “não se noticia mais isso hoje”...

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