As Bases de um Poeta Completo

Camões falava de Saber, Engenho e Arte em suas poesias. Considero, ao menos em minha interpretação, estas como as três características fundamentais para um poeta completo. Aqui, falo um pouco de cada uma delas na forma como vejo (não há garantia de que seja a forma como Camões pensava, embora ache até possível que de repente tenha sido).

Saber

Um poeta tem que ter o conhecimento do que vai falar. Para poesias filosóficas, conhecer filosofia; para narrar casos acontecidos, traçar bem o que houve. Enfim, tem que ter o tema. Um poeta de muito saber tem jogo de cintura e conhece vários temas. Se for um repentista, tem uma boa desenvoltura temática.

Engenho

Um poeta que não tem noção de ritmo e métrica não é um poeta completo. Essa é a parte que pode "obscurecer" o que o poeta quer dizer, mas é o caminho mais longo o que nos fortalece.

É difícil eu me afeiçoar com poesias modernas, que são poesias para serem declamadas teatralmente e não seguindo um ritmo.

Todas as regras são convenções e podem ser quebradas, mas quem planeja quebrar regras tem que saber o que está fazendo. Regras devem ser seguidas à risca enquanto não as entendemos. Só quando dominamos as regras é que podemos quebrá-las, se quisermos. Nesse ponto, teremos plena ciência de que estamos quebrando onde queremos um efeito diferente do convencional e, para quem também conhecer as regras, isso ficará muito claro.

Um exemplo mais claro dessa postura de conhecimento é a famosa licença poética, que dá liberdade ao poeta para burlar as regras do Português. Erros vindos do desconhecimento nunca foram nem serão licença poética, ela existe para mudanças conscientes nas regras do Português, mudanças que vêm para atender algum interesse do poeta.

Aplique-se o mesmo a métrica, rima, ritmo...

Arte

Esse é o fundamental de um poeta. Isso porque o Saber pode ser adquirido com leitura e o Engenho desenvolvido com o estudo e a prática. Se você tem Saber e Engenho, mas não Arte, produzirá poesias perfeitas estruturalmente, bem organizadas, mas sem vida, incapazes de despertar emoções no leitor.

Por outro lado, é até comum algumas pessoas que têm Arte, mas não Engenho ou Saber. Muitos desses nem tentam fazer poesias, limitando-se a escrever textos muito bem escritos e de agradabilíssima leitura.

Poetas Perfeitos

Um bom caminho para poetas perfeitos é dos violeiros, que desenvolvem a desenvoltura no Saber e aprimoram de maneira sublime o Engenho, quando atentos a ele (pois às vezes forçam métrica esticando sílabas cá e atropelando sílabas acolá). Se o cabra tiver Arte, não há quem segure.

Se quiser aprender mais sobre o Engenho, pesquise os estilos populares. São dos mais ricos e complexos que encontrei.

Para finalizar, uma estrofe de um galope à beira-mar, de Dimas Batista, que demonstra bem a superioridade do violeiro e repentista diante de muitos ditos poetas por aí...

"Eu acho engraçado um poeta de praça
Que passa dois meses fazendo um quarteto
Com um ano de luta, é que finda um soneto
Depois que termina, ainda sem graça
Com tinta e papel, o esboço ele traça
Contando nos dedos pra metrificar
Que noites de sono ele perde a pensar
A fim de mostrar tão minguado produto
Pois desses, eu faço, dois, três, num minuto
Cantando galope na beira do mar."

Special: 

Escarlate III #17 - Resgate?

Escarlate III #17 - Resgate?

- Ora, olha quem temos aqui! - O sujeito magro comenta apoiado no cajado. Suas roupas elegantes e seu ar que mistura arrogância com ingenuidade não nega sua natureza.

- Azkelph!?

- Também é um prazer revê-lo, Zand. A que devemos a honra dessa visita?

Azkelph encara “Rubi”, que desfaz a expressão de espanto. Ele sorri com sua surpresa.

Do outro lado, os cinco estão cercados e, agora, à mostra de todos. Zand não encontra palavras para confrontar o mago.

“Ele está vivo!? Não tinha sido assassinado pelos Raxx e substituído por Protages?”

- Zand, olha lá! Poderia pedir ao seu coleguinha bardo para parar de tocar flauta? Não estou com paciência para música e hoje também não tou afim de pagar cover artístico.

Viex para e olha pra Zand, que lê uma mensagem em seu olhar. Uma mensagem difícil de decifrar. Como quem está no controle da situação.

- Boa noite, Azkelph e Rubi. - É Viex quem toma a dianteira. - Sou daqui de Noak mesmo, como bem podes ver, e estou aqui com meus amigos para questionar o porque de a sua guarda interromper um culto religioso. Estávamos em um culto de adoração quando homens, creio que seus, atacaram o lugar, sem mais nem menos. Revolvemos correr até aqui para perguntar qual a razão disso. Por acaso, no novo reino de Noak que vocês vão construir está proibida a religião?

Azkelph olha por um tempo, como se estivesse procurando uma resposta, e termina soltando uma gargalhada.

- Vocês bardos me divertem, sabiam?

Sem uma resposta em palavras, ele gesticula algo para os outros. É nesse instante que o grupo se arma instantaneamente. Viex aciona sua Janliet para nublar a visão dos inimigos, dificultando que dardos os atinjam. Zand salta contra dois dos tais “soltados de Azkelph”, golpeando-os com sua Roph-Raph. Os outros três se posicionam para entrar também na briga.

Zand, já desmontado, luta de maneira praticamente automática, com medo de pensar em quem seria aquela mulher ao lado de Azkelph. Sim, Azkelph está vivo e este é um mistério, mas isso não tem qualquer importância para ele perto do mistério da identidade daquela mulher.

Ela veste uma roupa de couro, ressaltando suas curvas. Nas mãos, duas luvas brancas, as mesmas que usava quando Zand a encontrou em Froik. Em apenas uma das luvas, a direita, há uma pedra inserida, que muda de cor a depender do ângulo em que é vista. Suas mãos se movimentam lentamente, sem que ninguém perceba e alcançam um pequeno bastão escrito “E-60”.

- O quê?! - Azkelph grita espantado quando vê seu cajado voar de sua mão para longe e nota o corte em seu braço. Antes que a guarda possa fazer alguma coisa a respeito, aquela mulher já está descendo a escada em velocidade, indo em direção ao grupo.

- Zand, vamos! É Eve. - Viex fala, por medo de um desentendimento terminar numa tragédia. Zand a vê chegar. A lâmina azulada da E-60 corta dois meliantes e ela salta, montando Tornado.

- Me sigam. - Ela diz simplesmente, enquanto segue em uma direção.

A lâmina da E-60 oscila e falha por uns instantes, como se estivesse perdendo seu efeito. Eve prepara um golpe contra três brutamontes que bloqueavam o caminho. Por uma fração de segundo e exatamente no momento do golpe, a lâmina se expande num impacto violento, arremessando os três para longe, já inconscientes. Depois disso, a lâmina é desativada e guardada.

- Vamos! - Ela olha rapidamente para o grupo, em especial para Zand, já que está com sua montaria. Então segue rápido até alguns cavalos parados e muito pouco precisa esperar pelo grupo.

Guiados por Eve através de um estranho trajeto, entrando em ruas apertadas, finalmente eles saem de Beniw.

A saída é pela estrada que leva a Dri Gnat, mas Eve os guia por um caminho alternativo, uma estrada de pouco uso que leva a uma cidade que não mais existe, e que é usada nos dias de hoje por quem quer ir a Jaq Lanol ou Fyulet com mais sossego.

Só depois de muito adentrar na escuridão por essa estrada, quando estão longe o suficiente da capital de Beniw, é que Eve reduz a velocidade de sua montaria e conversa com os cinco.

- O que vocês pensam que estão fazendo?!

- Viemos te resgatar, Eve. - Zand responde, com naturalidade.

- Me resgatar!? Vocês estão malucos! Vocês iam morrer!

- Mas a gente conseguiu, não foi? - Krid fala alegre.

Nenhum sinal de alegria vem ao rosto de Eve.

- Não! Quase todas as ruas estão tomadas. Vocês iriam ser mortos facilmente ali sem ajuda de alguém que presenciou discussão dos últimos planos de preenchimento da cidade.

- Ah, é? Agora acredita quando eu digo que não temos condições de enfrentar aquele pessoal? - Viex pergunta e Eve o ignora. Ela respira fundo e conclui

- O que está feito está feito. Enquanto me passei por Rubi, tive acesso a informações ainda mais preocupantes. Não estamos em um bom lugar para conversar a respeito, entretanto. Vamos nos apressar para chegar a Rhidewar o quanto antes. Lá conversamos.

- Você sabia que essa cidade não existe mais? - Viex provoca.

Eve responde com um olhar de desprezo e galopa em seguida. Zand vai logo atrás, seguido pelos outros quatro.

O primeiro encontro de Mandros com o padre

Mandros

- Padre, eu só vim aqui pedir algum dinheiro. Eu preciso.

- Para que, meu filho? Para comprar mais bebidas e logo ficar sem nada?

- Eu preciso, padre. Eu preciso deixar a cidade! Claro, eu preciso beber também, mas isso nem é o principal.

- Pois pode ir embora, que eu não tenho dinheiro pra vagabundo. E eu tenho que levar os cristãos para a capital.

- Padre, padre... Eu não estou pedindo dinheiro.

- Ah, não?

Ele se levanta de cabeça baixa, com os dedos da mão direita sustentando a testa.

- O que quis dizer foi que isso não era um pedido.

O padre treme na cadeira espantado quando o homem estranho pega a faca que estava na mesa, uma faca de serra.

- O que está fazendo, meu filho?

- Estou pensando em suas palavras.

- Você está nervoso, meu filho, se acalme e passe aqui semana que vem que a gente vê o que pode fazer a seu respeito.

- De fato... É uma proposta interessante, mas o que você diria se eu lhe dissesse que não gostei muito dela?

- Olha, meu filho, eu...

- Senta aí!

Ele empurra o padre de volta no momento em que ele tentava se levantar. Enquanto o padre olha para ele ofegante, ele gira o olhar através da sala.

Há um oratório num dos cantos, com imagens de santos diversos e um crucifixo no topo. Do outro lado, perto da porta do banheiro, uma estante parecida com aquele oratório, com um espelho, com um terço suspenso por um prego. Pelo espelho se vê parte da parede que leva à porta da escada, que leva à rua. Então olha novamente o padre.

- Meu filho, eu já estou bem velho, tenho idade para ser seu avô, me deixa em paz por favor, em nome de Deus!

- Paz... Paz... Padre, esse pedido seu não é prático, não é realizável. Já olhou o mundo lá fora? Ah, mas o que eu estou falando? Você ouve! As pessoas se confessam, não é, padre? Você sabe muito bem que não dá pra ter paz nesse mundo. A não ser... Por acaso o padre estaria me pedindo mesmo para te deixar em paz? Na paz do Senhor?

- Meu filho, o que é isso? Vamos, volte a si, você é um homem bom!

- Bom? Hahahahaha! Claro que sou bom! Nunca vi ninguém fazer isso melhor do que eu!

Com a mão direita, ele tapa a boca do padre, que se debate na cadeira com os olhos arregalados. Com a esquerda ele manuseia a faca que havia sobre a mesa, em direção ao pescoço do pobre sacerdote.

Lá fora cinco pessoas esperam, perto do pequeno e velho ônibus. Esperam por quem os leve até a capital. Esperam que seja o padre, mas quem surge é um outro homem, recém-saído do banho. Ele desce aquela escada e fecha a porta à chave. Então fala para os presentes, com um sorriso estranho no rosto.

- Quem vai comigo pra capital?

- Não era o padre que nos levaria?

- O padre, o padre! Eu lá tenho cara de padre!? Vamos, estou trabalhando para ele hoje. Ele está, como diria, meio indisposto.

Eles entram no veículo receosos enquanto aquele estranho prepara para partida. Alguns ainda olham pra janela do primeiro andar antes que o pequeno ônibus vire a esquina.

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Kirby, um herói não convencional

Bolo de aniversário no formato do Kirby

Um monstro assola a população, que não tem como se defender. Uma profecia fala de um guerreiro valoroso e corajoso que virá das estrelas para salvar o povo sofrido. Todos esperam e surpresa! É um balão cor-de-rosa.

Kirby com o poder do fogoKirby em essência é uma piada com as expectativas de heróis. Ao invés de um corpo definido, é uma bola; ao invés de transmitir confiança e imponência, é "fofinho"; e ainda é cor-de-rosa. Mas não subestimem esse herói, que tem poderes fabulosos.

Primeiro, que ele pode inflar o próprio corpo como um balão e voar por aí (devagarinho, mas voa). Segundo que ele é resistente pra caramba, como se seu corpo fosse feito de uma borracha especial. E terceiro, claro, que ele tem o poder de absorver os poderes de inimigos que ele engula.

Boa parte da diversão de jogar com esse carismático personagem da Nintendo está nessa última habilidade. Você enfrenta um espadachim e o absorve, Kirby ganha uma espada; absorve um monstrinho de fogo e Kirby ganha poderes de fogo também. Sempre mudando o visual um pouco. Foram diversos e diversos poderes que Kirby já teve graças a essa habilidade (quer ver? dá uma olhada na edição 25 da Revista Nintendo Blast). Sem contar que, se alguém conseguir fatiá-lo, ele se torna uma multidão de Kirbies (como no jogo mais recente para Nintendo DS: Kirby Mass Attack).

Kirby com a espadaKirby estrelou no Game Boy e já passou por diversos consoles, incluindo os recentes Nintendo DS e Wii (haverá versão para 3DS?), mas sua presença não está restrita aos seus próprios jogos: ele participa desde a primeira edição do Super Smash Bros, ainda para Nintendo 64. E é um competidor de peso. Sua habilidade de absorver poderes funciona também nesse jogo de luta (com a diferença de que o inimigo não é exatamente engolido, mas devolvido). Isso rende Kirby vestido de Link, Kirby-Mario, dentre outros.

Kirby, que hoje completa 20 anos, tem representado no universo Nintendo inovação e criatividade. Seja com o Canvas Course do Nintendo DS, onde o controle sobre o herói é indireto; ou com o altamente premiado Kirby Epic Yarn, que faz do jogo uma tela viva de bordado.

Veja o trailer desse belo jogo para Wii:

É isso aí! Parabéns! Feliz aniversário Kirby das Estrelas!

Special: 

glTron: Pegue sua Motoluz e corra para vencer

Desde a primeira edição de 2012 (a 12.0 - Azorensis), defini que cada nova edição do CyanPack trará um jogo livre diferente. O da edição 12.1 é o glTron.

Tron?

Tron é um filme da Disney de 1982. É um filme de ação que envolve um mundo virtual, onde programas são obrigados a participar de jogos. O filme é bem interessante, tanto que terminou ganhando uma continuação em 2010 e está para ganhar uma série.

Dentre os diversos jogos que aparecem em Tron, um que se destacou bastante foi o de motoluz (light cycle) e é justamente esse jogo que é simulado pelo glTron.

Nele você controla uma dessas motos do mundo virtual e tem que derrotar seus oponentes fazendo com que se choquem com algumra parede. Cada moto deixa uma parede atrás de si, que só desaparecerá por inteiro quando o participante que a criou for derrotado.

Apesar de o projeto ter parado há alguns anos, ainda é possível se divertir um pouco com glTron, que tem versão para Windows, GNU/Linux e Mac OS. Inclusive com disputas online.

O maior e-mail alfabético do mundo

http://www.abcdefghijklmnopqrstuvwxyzabcdefghijklmnopqrstuvwxyzabcdefghijk.com/

É um serviço de email gratuito que oferece um email no endereço abcdefghijklmnopqrstuvwxyzabcdefghijklmnopqrstuvwxyzabcdefghijk.com. Isso mesmo! De A a Z duas vezes, seguido de de A a K.

Você deve se perguntar: por que alguém em sã consciência criaria um email louco desses? Um "jose.silva" "arroba" isso tudo aí? O site dá a explicação. Segundo eles, um email desses é tão grande que:

  • Alguns formulários web não conseguirão lê-lo
  • Alguns softwares de email não conseguirão ser configurados
  • Pessoas levarão muito tempo para escrever seu endereço de email, e não se lembrarão dele
  • Companhias acharão que seu endereço de email é falso
  • É o maior endereço alfabético da Terra.

Talvez seja útil para quem quer fugir de spam, talvez não. De qualquer forma é gratuito, apesar de oferecer apenas 6M. Hoje em dia que os encurtadores de URL já são um hábito pra muita gente, vale a pena ter um email desse tamanho?

Demandas Legais no Desenvolvimento de Software sob uma visão tecnológica

Em março, meu amigo Claudio Filho publicou um ebook com uma temática interessante: licenciamento de software. Claudio Filho, para quem não conhece, foi praticamente o cara que iniciou os projetos de tradução do GIMP, BrOffice (a fundação era um projeto dele) e Mozilla. Hoje, na era pós-BrOffice, está afastado do LibreOffice, mas por razões próprias. Mantém hoje o projeto Escritório Livre e está apoiando o Apache OpenOffice (que ainda não foi lançado em versão estável).

Pois bem, o assunto aqui é o ebook, que está sendo distribuído sob licença Creative Commons - Atribuição - Uso não comercial - Compartilhamento pela mesma licença. Ainda não li por conta e ter uma fila de pendências de leitura, mas pretendo ler em breve, mesmo porque licenciamento de software também é uma temática de me u interesse, sobre a qual tenho inclusive alguns cordéis (Do Livre e do Grátis, por exemplo) mesmo também não tendo nenhum pé na área jurídica...

O ebook Demandas Legais no Desenvolvimento de Software sob uma visão tecnológica pode ser baixado do blog do Claudio (o link direto também já está na sessão Livros Digitais deste site aqui).

Depois de Chegar

Um dia sonhar com o lugarLágrima Lunar
Distante de tudo no mundo
E ao se passar mais um segundo
Perceber que já chegou lá

Saber que todos só desejam
Desde que se possa lembrar
Estar hoje no seu lugar
Que não cansam por mais que vejam

Pois longe só podem enxergar
Pensam que é o lugar melhor
Esse onde você está

E hoje ao olhar ao redor
O que cê faria ao notar
Que está e vai continuar só?

-- Cárlisson Galdino

Special: 

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