4 mar 2012

Escarlate III #09 - Codebar

- Tudo bem, estamos chegando em Beufu. Qual é mesmo o plano, Breig?

Breig e Uglu estão a cavalo ainda nas imediações da cidade litorânea de Beufu. Breig olha ao redor e diz:

- O que você acha?

- Eu acho que a chance de a DiaboM estar por aqui é mínima.

- Claro que não estão, mas não há muito o que possamos fazer. Temos que sair daqui logo, de preferência para Wimow.

- Você acha que eles estão lá?

- Diria que é o mais provável. Por isso, meu plano é procurarmos uma embarcação que nos tire daqui.

- Mais ou menos fazendo o caminho de volta.

- É, mais ou menos.

- Ei, Breig! Você já viu a Rubi antes?

- Não.

- E como você a reconheceu?

- Não vi, mas já me falaram muito dela nessas últimas semanas.

- Tem razão. Você acha que era mesmo ela?

- Não sei, Uglu, não sei! Já disse que cansei dessa confusão toda. Vamos nos preocupar com nossas próprias vidas. Hmmm... Codebar...

Breig desce do cavalo e o amarra em uma das colunas daquele prédio engraçado. Uglu o acompanha. Codebar é o nome esculpido em madeira que se vê sobre a porta.

Breig e Uglu entram e vão confirmando gradualmente a informação de que ali tem mesmo comida.

- Bom dia, gostaríamos de almoçar aqui. - Breig fala com o velho do balcão.

- Não são dessas terras, hã?

- Hã, não.

- E que peguem seus pratos ali e se sirvam. É uma peça o almoço.

Breig sorri e vai fazer seu prato. Ele se lembra de quando deixou a DiaboM com Zand. Bem que ele falara que o sotaque o denunciaria.

Tanto faz, de qualquer forma. Eles vão até uma das sete mesas – todas vazias – fazer sua refeição.


- Duas peças.

- Sim, aqui estão.

- Grato em ser útil.

- Olha, senhor... Como bem notaste não somos daqui. Precisamos voltar para nossas terras.

Uglu sai do lugar para verificar os cavalos enquanto Breig conversa com o velho.

- Estão bem longe, posso ver.

- É, estamos. Precisamos ir a Wimow. Sabe onde podemos procurar um barco que nos leve lá?

- Wimow? Ihhhh... Vocês podem tentar arrumar um barco! Mas é difícil arrumar um barco. Aqui em Beufu não temos barcos muito grandes, só os da marinha, mas nunca mais os vimos.

- Bom, é justamente de um barco que precisamos. Sabe onde podemos encontrar um?

- Ihhhh... - O velho se encosta na cadeira e coça o queixo barbudo. - Você vai até a praia e procura os pescadores. E que eles talvez saibam de algum, mas acho difícil ter.

- Onde eles ficam?

- No mar... - Os olhos do velho vão longe em pensamentos, enquanto Breig espera uma resposta. De repente, o homem se dá conta da incompletude da resposta. - Eles deixam os barcos fora da cidade: é que é a lei! Tente no caminho pra Beufy, por ali! Talvez tenham sorte.

- Ah, muito obrigado senhor.

- Vão ao caminho do Sol.

Breig para por um instante. “A caminho do Sol? Não é na direção que ele apontou...” De repente ele se lembra de quando esteve por ali há uns dois meses. Sorri.

- Do Sol vamos!

O velho acena enquanto eles se afastam da Codebar.

- Vamos sair de Beufu.

- Com, Breig!? Arrumou um barco por acaso? Acabamos de chegar!

- O velho da Codebar disse que os pescadores é que devem saber onde há barcos grandes, que nos levem até Wimow.

- Pescador não gosta de aventureiros!

- É o que podemos fazer.

- Poderíamos simplesmente tomar um barco deles emprestado, não é?

Breig olha para Uglu por um instante tentando identificar o grau de seriedade e de humor da sua ideia.

- Não... - Diz, por fim, sem chegar a uma conclusão.

- Tá, e a gente tá indo pra onde?

- Pra fora de Beufu, já disse.

- Hmmm! Que bom! Pro norte! Na pior das hipóteses a gente chega a Wimow a pé mesmo!

- Também não é pra tanto. Vamos caminhar bem pouco, eu espero. Só até as casas dos pescadores.

- Pescadores... Não gosto dessa gente!

- Acho que a gente nem chega a Beuf-V.

- Onde?

- Hahahaha! Estamos saindo de Beufu em direção a Beufy, o que pode haver no caminho?

- Ainda não entendi.

- Ah, deixa pra lá...

3 mar 2012

Um Herói Paulistano

Submitted by bardo

Nove horas da manhã, segunda-feira. Ele sai de casa como todo dia, de terno e com uma pasta. Em sua cabeça, os problemas de contabilidade da empresa onde atua. Contas que não batem. E como se não bastassem todos esses problemas, ainda tem a sua esposa: os dois tem brigado muito ultimamente. Seus pais, que são do interior, exigiram que ele fosse para as festas de comemoração aos trinta anos de casados, e justo nesse dia há uma apresentação importante na empresa, e o chefe exigiu a presença de todos.

Com tanta coisa na cabeça, como Fred prestaria atenção ao seu redor? É claro que não notou o moleque se aproximando como quem não quer nada.

- Ei! Ladrão!

Grita, mas para quem? O moleque corre com a pasta, levando os papéis e o notebook, antes de Fred chegar ao carro. Fred bota a mão na cabeça. Tão distraído que não viu a aproximação do moleque. Nem viu que o ar estava mais puro por ali, a paisagem não estava tão cinza.

O delinquente mirim vira a esquina, olhando para os lados desconfiado, quando bate na parede e cai.

Parede? Ele se levanta assustado e pega a pasta novamente. Olha para a frente e não há parede alguma. “Tenho que pegar leve com a cola, véi” Ele corre de novo e bate mais uma vez na parede invisível.

Atordoado, ele se levanta devagar e olha para trás. Tudo que vê são as pessoas ao seu redor paradas, olhando para cima. Olha para cima...

- Tufão...

Tufão vem descendo suavemente no ar, com aquela roupa azul brilhante. Um azul tão bonito e forte, é como se até o Sol brilhasse com mais gosto para ele. A visão dura pouco, pois logo em seguida ele leva um soco de um punho invisível. Tufão aterrisa. A pasta vem voando até sua mão e ele caminha, dobrando a esquina.

Fred já vinha, com expressão assustada ao ver a reação das pessoas por ali. Tufão lhe entrega a pasta.

- Espero que ele não tenha quebrado nada.

Fred recebe a resposta e não tem palavras para agradecer. Tufão se vira de volta, sempre com aquele ar imponente e com um sorriso discreto no rosto. Um sorriso de quem faz o que gosta de fazer. Dá alguns passos apressados até a esquina e olha o corpo do jovem delinquente caído.

- Bom, pessoal! O show terminou! Tenho que ir entregar uma encomenda na Febem. Tenham um bom dia, cidadãos!

Um pequeno tufão se forma em volta do corpo do jovem por uns instantes e logo que ele se encontra a alguns centímetros do chão, o pequeno ciclone some. Tufão sobe pelos ares e o corpo do jovem sobe junto. Os dois logo somem de vista.

Pouco a pouco a cidade vai voltando ao normal. Inclusive a poluição reaparece aos poucos. Aquela velha poluição que quase se pode pegar, a velha marca da cidade que é uma das maiores do mundo.

Fred vai para o trabalho como um robô, ainda sem saber como reagir a tudo o que aconteceu. A multidão se desfaz aos poucos e só se ouve comentários do tipo “você viu o que ele fez?” “É bom a cidade estar protegida!”

Todos espantados seguem no seu dia a dia de sempre. Não tem como não manter um pouco de sorriso no rosto. Eles vão naquela sensação de que estão em uma cidade ao menos um pouco mais segura...

Special: 
2 mar 2012

FreeDroid RPG

Arthur HuilletEm 2002 Arthur Huillet (que parece, como eu, também gostar de usar um fedora preto) começou um projeto de um jogo de RPG eletrônico, a ser feito como um software livre. E assim foi que nasceu o FreeDroid RPG, um jogo que vem evoluindo cada vez mais (recendo até mesmo contribuições via projeto Google Summer of Code).

No estilo Diablo, FreeDroid RPG mostra um mundo pós-apocaliptico dominado por uma megacorporação, que espalhou seus robôs por todo lugar, subjugando a humanidade. O personagem principal é ninguém menos que o Tux, que tem como missão descobrir como pará-los.

O jogo está bem avançado e é estruturalmente bacana. O que me causou estranheza e fez com que eu não me interessasse tanto por ele de início foi justamente o fato de a história girar em torno do Tux. Apesar de eu defender Sofware Livre, o Tux não me atrai. Preferências à parte, o fato de o RPG ainda servir como conscientizador para a causa do Software Livre é muito bacana e vou jogar de novo quando tiver um tempinho livre.

Segundo a apresentação mais recente no FOSDEM, o FreeDroid RPG rende 12 horas de jogo, tem 60 personagens para interagir, uma trilha sonora composta por 14 músicas originais e traz diálogos somando mais de 60.000 palavras. Pena não ter em português ainda (tradutores são bem-vindos).

O jogo está disponível para Windows, MacOS e GNU/Linux (inclusive já tem pacotes nos repositórios oficiais do Trisquel). Então, recomendo que teste o FreeDroid RPG! Jogue e tire suas conclusões (comentando aqui no Bardo WS, se desejar, o que seria também bem-vindo).

FreeDroid RPG talvez seja o mais perto que temos de "um open Diablo", pena que não seja multiplayer. Seria bom também termos um "open Castlevania", "Open Zelda" e, por que não, um "open Pokémon". E mais importante ainda: com enredos, personagens e mundo próprios e não apenas réplicas genéricas.

Tela do jogo FreeDroid RPG

Se quiser conhecer mais sobre o FreeDroid RPG, inclusive sobre como ele foi feito, dá uma olhada na apresentação do Arthur no FOSDEM (estão liberados os slides, além de video e audio da palestra).

1 mar 2012

Emuladores e ROMs

Submitted by bardo

 

Emulador é um enganador. É um tipo de programa que "faz-de-conta" que você está usando um outro ambiente (que não o ambiente que realmente está usando). Está confuso?

Se você usa algum Unix (como o GNU/Linux), certamente já viu atalho para um programa chamado Terminal, xterm, gnome-terminal ou algo do tipo. O terminal propriamente dito é aquele modo de uso do computador onde vemos só letras monoespaçadas, a famosa tela preta. Esses programinhas que tem no modo gráfico na verdade são emuladores de terminal, pois permitem que programas feitos para executar apenas em terminal executem neles como se eles próprios fossem terminais, mas eles não são.

Ainda está confuso? Tá bem, tá bem, então vamos ao ponto onde eu quero chegar hoje: videogames. Um emulador de videogame é um programa que faze de conta que você está em um videogame. E aí? Como se joga? Você precisa de imagens dos jogos. Não falo de imagens gráficas como JPEG ou PNG, estou falando de cópias exatas do conteúdo de um cartucho ou CD de jogo. Quando você transforma um CD-ROM em um arquivo (sem conversões e compressões), o arquivo ISO é a imagem do CD. Quando estamos falando de videogames e cartuchos, essa imagem é o que a gente costuma chamar de ROM.

Vamos a um exemplo mais específico: você quer jogar Super Mario Bros no computador, aquele jogo para Nintendinho (também chamado de NES ou Famicom; ou, no Brasil, de Turbo Game, Dynavision, Phantom System...). Você precisa de um emulador de NES e de um ROM do Super Mario Bros.

Ao executar o emulador com o ROM, o emulador utilizará os recursos do seu computador e criará um comportamento similar ao do NES, imitando o do NES. Assim, ele pega o ROM e consegue executá-lo para você poder jogar. O jogo, que não passa de um software feito especificamente para a arquitetura do NES, encontrará todos os recursos de que precisa e funcionará na boa, achando que ele próprio está dentro de um cartuxo e que está sendo executado verdadeiramente por um videogame NES.

Legal, não é? Esta técnica permite imitar vários ambientes e videogames. Claro que para uma arquitetura de videogames diferente (entenda como um "console" diferente), você precisará de um emulador diferente. Claro, há casos de emuladores muito bem projetados, capazes de emular vários hardwares diferentes sozinho, mas estes funcionam na prática como vários emuladores fundidos em um.

Aí você que não conhece emuladores vai perguntar: E isso funciona direitinho? A resposta é: depende! A arquitetura dos videogames não é publicada, nem emuladores são necessariamente desejados ou autorizados pelos fabricantes de videogames. Então, o que temos são equipes que de boa vontade tentam fazer o melhor que podem para que o emulador engane adequadamente os jogos para esse ou aquele console. Às vezes conseguem resultados maravilhosos, às vezes nem tanto.

Curioso é que a Nintendo tem abusado do uso de emuladores. O Nintendo Wii é capaz de emular todos os consoles anteriores dela (exceto pelo GameCube, mas o Wii roda jogos do GameCube em mídia) e mais outros (como os da Sega, por exemplo). Os jogos são comprados em sua loja virtual e instalados no videogame. O Nintendo 3DS também oferece funcionalidade semelhante, mas aplicável aos videogames portáteis antigos.

Falando-se de computadores, o mundo dos softwares livres tem vários emuladores, para as mais variadas arquiteturas. Aqui listo alguns:

  • ZSNES - Emulador de Super-Nintendo
  • FCEUX - Emulador de Nintendo 8 bits
  • Gens - Emulador de Mega Drive
  • Yabause - Emulador de Sega Saturn
  • DeSmuME - Emulador de Nintendo DS
  • Mupen64plus - Emulador de Nintendo 64
  • Stella - Emulador de Atari

Todos estes são softwares livres para emular consoles de videogame, inclusive estão no repositório do Trisquel (Sistema Operacional baseado em GNU e Linux, distribuído também no CyanPack). Lembrando que emulação de videogames é um assunto controverso. Recomenda-se emular apenas jogos pelos quais você tenha pago.

P. S.: Foto original do post é de barité.

Special: 
29 fev 2012

Há algumas décadas era fundamental para qualquer sujeito cursar datilografia. O tempo foi passando e a datilografia foi sendo substituída pouco a pouco pelos cursos de digitação. O princípio prevalecia: o usuário praticava para ter familiaridade com o teclado, tornando-se capaz de atingir alto desempenho com um teclado alfabético na frente.

O tempo foi passando mais um pouco e os cursos de informática foram ofuscando os de digitação. Hoje não se faz mais cursos de digitação. Resultado é que é comum leigos se admirarem quando veem alguém da outra geração digitando mais do que três caracteres por segundo ou digitando sem olhar para o monitor. Foi uma das perícias que se perderam com a evolução.

Mas se você perdeu o bonde e não teve oportunidade de fazer um curso de digitação, não tem problema! Existem softwares que viabilizam um curso autodidata de digitação. Um deles é o Klavaro.

Você pode obter o Klavaro a partir do site do projeto. Ele tem suporte a português (além de vários outros idiomas) e tem versão para GNU/Linux, MacOS X e Windows, além de vir junto no CyanPack, caso você o tenha baixado.

O Klavaro (cujo nome significa teclado, em Esperanto) apresenta cinco modos:

  1. Introdução: explicando como dispor os dedos no teclado e boas práticas na digitação.
  2. Curso Básico - treinamento inicial
  3. Adaptabilidade - prática com teclas aleatórias
  4. Rapidez - prática com palavras aleatórias
  5. Fluidez - prática com textos inteiros

Quem não tinha acesso a um curso de digitação agora não tem mais desculpa: basta instalar esse excelente software e mandar ver!

Curiosidade: o Klavaro também oferece curso e práticas com o teclado Dvorak ao invés do QUERTY-ABNT2.

Special: 
28 fev 2012

Dynasty Warriors

Submitted by bardo

Dynasty Warriors DS

Hoje mais uma grande franquia de jogos faz aniversário. Trata-se da Dynasty Warriors, uma franquia de jogos de estratégia tática criada pela Tecmo Koei, inspirada no Romance dos Três Reinos, que completa 15 anos hoje.

Nos jogos da série, você escolhe um entre três reinos (Wu, Shu ou Wei) e segue china afora derrotando rivais menores e, por fim, derrotando os genearais dos outros dois reinos. Para isso, usa-se estratégia do avanço através do mapa, combinado com ação nos momentos de confronto, contra os soldados e arqueiros do oponente. O objetivo final é conseguir a unificação da China.

O título mais recente da série é o Dynasty Warriors 7, para Playstation 3, Xbox 360 e Windows. O curioso é que apenas a partir do segundo, o jogo passou a ter esse formato hoje conhecido. O primeiro título era um jogo de luta tipo Tekken, tanto que a série de estratégia no Japão se chama Shin Sangokumusou e tem uma contagem diferente da ocidental: por exemplo, Dynasty Warriors 3 lá é Shin Sangokumusou 2.

  1. Dynasty Warriors (1997) - Playstation
  2. Dynasty Warriors 2 (2000) - Playstation 2
  3. Dynasty Warriors 3 (2001) - Playstation 2 e Xbox
  4. Dynasty Warriors 4 (2003) - Playstation 2, Xbox e Microsoft Windows
  5. Dynasty Warriors (2004) - Playstation Portable
  6. Dynasty Warriors Advance (2005) - GameBoy Advance
  7. Dynasty Warriors 5 (2005) - Playstation 2, Xbox e Microsoft Windows
  8. Dynasty Warriors Vol. 2 (2006) - Playstation Portable
  9. Dynasty Warriors DS: Fighter's Battle (2007) - Nintendo DS
  10. Dynasty Warriors 6 (2007) - Playstation 3, Playstation 2, Playstation Portable, Xbox 360 e Microsoft Windows
  11. Dynasty Warriors: Strikeforce (2009) - Playtation 3, Playstation Portable, Xbox 360
  12. Dynasty Warriors Next (2011) - Playstation Vita
  13. Dynasty Warriors 7 (2011) - Playstation 3, X-Box 360 e Microsoft Windows

A série se estende por vários títulos mais, inclusive com uma variante (com vários títulos também) onde se joga com mechas (aqueles robôs gigantes controláveis dos animes e mangás): Dynasty Warriors Gundam.

Aqui está o trailler do Dynasty Warriors 7:

Detalhe que no Japão eles não devem comemorar esses 15 anos, já que a série Shin Sangokumusou só começou no ano 2000, no que há dois anos eles comemoraram 10 anos da série.

Special: 
25 fev 2012

Warning Zone #34 - T. A.

Submitted by bardo

Warning Zone #34 - T. A.

No episódio anterior, Pandora e Darrel se veem dentro de um carro desconhecido. Descobrem que foram salvos pelo Júnior, estagiário da antiga SysAtom Technology. Antiga porque, devido ao terrível acidente envolvendo o AtionVir, ela foi destruída.

Hoje, a base está lá, mas tem muito menos a apresentar no quesito Construção do que antes do acidente. Reerguida na forma de uma “oca de metal” (oca indígena, bom ressaltar), hoje abriga o Grupo Satã, liderado por Tungstênio. E é lá o Grupo Satã que discute suas próximas ações.

Tungstênio: Vocês perceberam quanto estamos fortes, não perceberam?

Enxofre: Claro, chefia!

Tungstênio: Pois está na hora de dar continuidade com o plano.

Enxofre: Vamos invadir Brasília?

Tungstênio: Ainda não. Vocês não viram os gráficos?

Montanha: Vimos, mas já faz um bom tempo. Acho que ninguém lembra mais.

Tungstênio: Então basta OLHAREM A PAREDE!

Montanha: Ah!

Enxofre: E o que quer dizer TT?

Seamonkey: Vamos tentar twittar até ficarmos famosos? Hehe.

Tungstênio: Transporte Terrestre.

Montanha: Cale-se, molher-mulhada, para de interromper o chefe.

Tungstênio: De qualquer forma, não era isso que queria mostrar, mas o próximo passo. O Transporte Terrestre nós já temos.

Seamonkey: Tá, agora vamos procurar Transporte Aéreo.

Tungstênio: Exato. O TA.

Enxofre: E o RM é o quê, chefe? Quer dizer que a gente vai dar rm no Cigano?

Montanha: Isso já devíamos ter feito.

Tungstênio: Recrutar Mercenários.

Seamonkey: Devia ser RH ao invés de RM...

Tungstênio: É o que eu quiser que seja. Será que podemos falar do plano logo?!

Montanha: Desculpe a gente. Vá em frente, chefe.

Tungstênio: Obrigado! Pois bem, como vocês sabem não é qualquer transporte aéreo que serve pra nós. Não temos uma pista de pouso adequada e, por outro lado, estamos muito pesados hoje em dia.

Enxofre: Diaxo! E o que é que a gente vai pegar dessa vez? Um avião-cegonha?

Tungstênio: Precisamos de um helicóptero militar.

Montanha: Perfeito! Um daqueles que tem duas hélices!

Enxofre: Todo helicóptero tem duas hélices, né meu fío?

Montanha: Ah, tem as do lado! Eu quero dizer dos que tem duas hélices em cima!

Seamonkey: Aquilo não é hélice.

Montanha: Ah, vai ver se eu tou na esquina!

Tungstênio: Seria bom um desses grandes mesmo. Assim poderemos nos deslocar com mais facilidade.

Enxofre: Que massa! Peraí, onde a gente guarda ele?

Tungstênio: Encontramos um jeito. Podemos usar o terreno vizinho.

Enxofre: Mas como se tem uma empresa lá?

Tungstênio muda para uma expressão maligna.

Tungstênio: Por enquanto...

Enxofre: Gostei!

Seamonkey: E onde a gente vai achar um desses? Num container?!

Tungstênio: Eu tenho um plano. E de qualquer forma, você não vai mesmo. Este é um trabalho para homens.

Montanha: Claro, né? Vamos lidar com o exército.

Seamonkey se levanta com raiva e sai para o lugar que ela chama de quarto.

Tungstênio: Vamos até a Base Aérea de Salvador.

Enxofre: E tem isso é? Onde fica?

Tungstênio: Claro que tem. A gente descobre onde fica.

Montanha: É nessas horas que faz falta alguém que mexa em computadores.

Enxofre: E o notebook?

Montanha: Você sabe que a Semonkey queimou dois. E você quebrou um.

Enxofre: Mas eu tou falando é do outro!

Montanha: O outro a gente deixou guardado pra uma necessidade.

Enxofre: Tou ligado.

Tungstênio: De qualquer forma a culpa foi sua mesmo! Se você tivesse conseguido sequestrar alguém no pólo tecnológico enquanto estávamos no porto não teríamos esse problema hoje.

Enxofre: Pô, foi mal! Já falei!

Montanha: Temos um problema. Bases militares são muito protegidas. Como vamos fazer? Se formos até lá em um caminhão cegonha, antes de chegarmos na base já vamos ver tanques e soldados.

Tungstênio: Isso é verdade. Talvez tenhamos que arrumar um caminhão-baú.

Enxofre: E cabe a gente num caminhão-baú?

Montanha: Podemos tentar. E se lá não houver um helicóptero desses, o que a gente faz?

Tungstênio: Você acha que se não tiver um desses lá isso vai ser um grande problema? Eles têm muito brinquedo lá! De qualquer forma a gente vai encontrar algumas coisas divertidas, mas eu acho que tem sim. A Base de Salvador deve ser uma base grande.

Montanha: Ok, então a gente vai lá e...

Enxofre: Podíamos sequestrar o coronel!

Montanha: E aeronáutica tem coronel?

Enxofre: E tem o quê?!

Tungstênio: Quietos vocês dois! Não vai ser fácil chegar lá na base, imagine descobrir quem é que comanda pra sequestrar. Estamos sem Internet, esqueceram?

Enxofre: Ih, é!

Seamonkey: Essa missão de vocês não vai dar certo.

Seamonkey volta à sala, com ar triunfal.

Montanha: Por quê, sabichona?

Seamonkey: Primeiro porque um helicóptero de transporte é um alvo muito fácil para as forças armadas. Segundo porque se eu não for com vocês, quem é que vai dirigir?

Os outros três se olham espantados, procurando o que dizer em resposta.

P. S.: Publicada inicialmente na Revista Espírito Livre.

24 fev 2012

Antes de mais nada, este artigo foi escrito para leigos, que não sabem o que é isso de CMS ou sistema de Blog. Se você sabe o que é CMS, pode ignorar este artigo sem peso na consciência.

Anos 1990

Para entendermos como tudo isso funciona, precisamos voltar no tempo para a década de 1990. Com o início da popularização da Internet, veio a ideia de que qualquer pessoa pode compartilhar algo com o mundo inteiro. Isso era feito, naquele tempo, através de homepages, que eram parecidos com blogs e sites atuais no sentido de que a gente os acessava através de um endereço. Se você pagasse o necessário e tivesse conhecimento de HTML (ou pagasse alguém que tivesse esse conhecimento) poderia ter o endereço minhapagina.com. Parecido com os blogs de hoje, mas com algumas diferenças muito importantes.

1) Você não poderia alterar facilmente o conteúdo das páginas. Tudo era feito diretamente nessa linguagem HTML. Precisaríamos de um programa para acessar o servidor remotamente (geralmente um gerenciador de arquivos remotos via FTP), editar a página em um programa específico (Netscape Composer?), salvar e reenviar para o servidor. Claro que não é tão simples e alguns preferiam pagar pra alguém fazer isso. Claro que se você pagasse pra alguém pra que fizesse isso por você, você ficava preso e teria que recorrer a essa pessoa sempre que precisasse atualizar a sua homepage.

2) Não tinha como ter interação com visitantes. Ao invés de comentários, o que geralmente tínhamos eram livros de visitas, que eram como tópicos em um outro site, mas linkados a partir do nosso, e nesse sim as pessoas poderiam comentar.

Resumindo: não havia interatividade.

O que é HTML?

Agora vamos dar uma pausa para explicar melhor o que é isso de HTML afinal.

Quando você digita google.com e dá ENTER, ou bardo.ws, ou fsf.org, ou trezentos.blog.br e dá ENTER, o navegador vai procurar o servidor correspondente a esse endereço. O servidor então enviará ao navegador um código estranho: o HTML. Estranho para nós, não para o navegador, pois esse código diz exatamente como a página deve ser montada. Ele diz que textos estão na página, que estilo cada porção de texto segue, que imagens estão e onde devem aparecer, quais os links e para onde apontam... Enfim, o conteúdo da página é passado para o navegador nesse formato HTML. O navegador lê esse código, coça o queixo e diz: "Ah, entendi!". Então ele reproduz na tela, para você ver, todo o texto e imagens, tudo devidamente diagramado e formatado.

Na Era das Homepages, o que fazíamos era criar páginas em HTML mesmo e deixar lá no servidor. Quando um navegador chegasse procurando por uma página chamada "sobremim.html", existia um arquivo lá no servidor com esse nome exato e que tinha mesmo um código HTML dentro. Todo o trabalho que o servidor tinha era mandar esse arquivo pro navegador, e todos os demais arquivos que fossem sendo pedidos: as fotos que constavam na página, a outra página quando a gente clicasse num link, etc.

Peraí! E se...

Lembra aquele lance de Livro de Visitas de que falei? Pois bem, ele era bem diferente das homepages. Não era uma página salva em HTML que estava nos servidor, mas sim um programa. Um software que era capaz de ler a partir de um arquivo informações organizadas, como uma tabela contendo informações como: nome, email, homepage e comentário. Assim, sempre que o navegador apontava para aquele servidor, esse programa era acionado. O programa lia o arquivo e criava um código HTML, mandando para o navegador, como se fosse uma página estática antiga. Além disso, esse programa era capaz de gravar novos comentários no final na sua tabelinha. O visitante que chegasse depois veria esse novo comentário acrescentado.

Então alguém deve ter pensado: se um programa pode funcionar em um servidor e guardar comentários... E se a homepage todinha fosse na verdade um programa? Um programa mas que o visitante nunca desconfia que é um programa: ele só vê as páginas normais, como era antigamente. Mas poderia ter um banco de dados com as informações das páginas armazenadas e o programa montaria a homepage de maneira dinâmica! E se a gente pudesse editar essas páginas no próprio navegador sem precisar de editor de HTML nem de FTP?

Foi assim que começaram a aparecer gerenciadores de conteúdo. Aí alguém pensou: e se eu fizesse um diário, com os artigos sendo publicados em ordem de defasagem: os mais novos empurrando os mais antigos para baixo? E se cada artigo desses permitisse que os visitantes comentassem, complementando, discordando ou ratificando cada artigo?

Assim foi que a Internet de blogs e sites como conhecemos hoje foi se desenhando. Hoje são raros os endereços que guardam páginas com código HTML. A grande maioria dos endereços hoje encontram programas capazes de gerar esse código dinamicamente. Blogs são programas, wikis são programas. As redes sociais são programas que rodam no servidor. O sistema de busca é um programa

Sistemas de Blog e CMS

Existem sistemas prontos para atender os usuários sem que eles saibam nada sobre programação ou administração de sistemas. E há alguns gratuitos que são assim. O próprio Google oferece o Blogger, nesses moldes.

Para quem tem seu próprio endereço e prefere gerenciar seu site com minúcia, existem bons softwares livres que fazem as vezes de blogs (e wikis, e CMSs...). Os softwares para gerenciar blog mais famosos de hoje em dia creio que sejam o Wordpress, Joomla, Plone e Drupal.

O Wordpress nasceu como um sistema para gerenciar blog, mas hoje suporta diversos outros recursos além desse. O legal é que há um serviço de blog gratuito usando o Wordpress para quem quer usar a feramenta e não quer ter que instalar e gerenciar num servidor próprio: wordpress.com.

Joomla é o grupo dissidente do Mambo. É um gerenciador de conteúdo bem completo, o que quer dizer que oferece recursos de forum, envio de arquivos, dentre vários outros.

Plone é outro bastante completo e muito utilizado aqui em Alagoas, em especial pelo Governo e pela UFAL. Um lado negativo para usuários menores é que a estrutura necessária para fazê-lo funcionar não é exatamente trivial: exige alguns programas mais difíceis de instalar do que os outros que apresentei.

E o Drupal, claro! O Drupal é o CMS que utilizo no Bardo WS. Ele oferece diversos recursos também e tem me atendido desde que comecei a utilizá-lo.

Bom, deu pra entender um pouco como funcionam blogs por dentro? Algumas dúvidas mais? Pode mandar ver!

Special: 
23 fev 2012

Watchmen

Submitted by bardo

Watchmen

Eu não conhecia Watchmen até um dia que me deparei com o filme. Só este ano pude ler a Graphic Novel que começou toda a história. Não é difícil se envolver e terminar apaixonado por essa história, principalmente quando passamos a perceber a influência que ela teve no mundo dos heróis. Sabe aqueles marcos que dividem eras? Nos quadrinhos, existe o mundo antes e depois de Watchmen.

A história de Watchmen parte do questionamento de como seria se houvesse heróis de verdade no mundo real (e até mesmo um super-herói). Você pode dizer “Tá, grande coisa! Histórias como Batman e Homem-Aranha tratam exatamente disso!”, mas não. Os quadrinhos tradicionais são (ou, mais precisamente, eram) muito limitados como exercícios de previsão e lógica. Prova disso é a forma como os anos se passam nos quadrinhos a uma velocidade muito menor do que no mundo real e, no entanto, eventos e tecnologias do mundo real são transferidos para os quadrinhos.

Então o que temos é um mundo transformado profundamente pela presença dos heróis em plena época da Guerra Fria. Tudo começa com um herói fantasiado, que termina inspirando outros a fazerem o mesmo. Criam um grupo chamado Homens-Minuto. Vários anos depois disso acontece um grande evento: o surgimento de um super-herói (alguém com superpoderes incontestáveis). A partir daí, temos as maiores mudanças no mundo: como se sentiriam os heróis anteriores? Como reagiria o governo? Como reagiriam as nações inimigas? E a polícia? E a população? O que aconteceria com o mundo?

A história Watchmen tenta responder todas essas perguntas e muito mais, em um roteiro genial com personagens altamente bem construídos.

O filme difere do Graphic Novel, como sempre ocorre. Há alguns pequenos furos e mudanças sutis que não há nos quadrinhos. O principal é que em termos de estética visual o filme está muito fiel. O roteiro está muito próximo, apesar das pequenas mudanças. O filme é realmente algo para apreciar. Recomendo, porém, se você tiver acesso ao Graphic Novel, não exite em lê-lo.

Além dos quadrinhos que narram a história em 12 volumes, numa narrativa que nos prende sem dó, há vários textos. Por exemplo: um dos heróis da velha guarda (os Homens-Minuto) se aposentou e escreveu um livro, revelando sua identidade. O Graphic Novel já no episódio 1 traz páginas desse livro fictício. E há vários textos interessantes que complementam esse mundo tão bem construído de Watchmen. Sem contar o fator replay (aquilo abstrato que nos leva a reapreciar uma obra – reler, jogar novamente, reassistir) altíssimo.

Watchmen influenciou toda a geração atual dos quadrinhos e além. Você gostou da série Heroes? Nota-se a influência de Watchmen (além da óbvia influência de X-Men). Os Incríveis são uma produção bacana, não? Muitos dos aspectos do universo dos Incríveis também tem um pé em Watchmen.

Para quem gosta de RPG, há uma adaptação de Watchmen (1) para o brasileiro Sistema Daemon (3). E há mais sobre o assunto no Nerdcast 151.

P. S.: Foto original do post é de Steve Rhodes.

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