18 mar 2012

Escarlate III #11 - De Volta às Origens

Já é metade da manhã quando Zand chega à pequena cidade de Uah. Seus olhos contemplam aqueles terrenos, aquelas plantações, e trazem de volta momentos da infância. Sim, ele já trabalhou aqui. Ele já viveu aqui, há muito tempo.

Plantações diversas, mas poucas comparando com outros lugares. Um povo simples, que vive do que planta e da pesca. O excedente que não vire impostos é o que garante utensílios, móveis e construções, quando são necessárias.

Cães começam a latir quando Zand se aproxima de uma casa de barro. Logo um rapaz forte e de jeito simples aparece à porta.

- Bom dia!

- Bom dia.

- Pode me dizer se o senhor e senhora Fangyat se encontram?

- Ah, eles não moram aqui não, moram mais ali pra frente.

- Então se mudaram... - Zand comenta, pensativo.

- Não que eu saiba, mas vá lá que não tem erro não. É só seguir ali direto.

Zand agradece e segue vendo a paisagem. Seu caminho o leva por uma pequena elevação, de onde ele pode ver o mar ao longe.

“Como está tudo diferente... E aquele pequeno castelo ali? As coisas estão mesmo diferentes.”


- Bom dia?

- Oi.

Para decepção de Zand, quem o recebe na casa é uma menina de dez anos.

- Aqui é a casa dos Fangyat?

- É sim.

- Gostaria de vê-los.

- Quem é o senhor?

Zand fecha os olhos e suspira. A menina desiste da resposta e corre pra dentro de casa chamando “mãe”.

Uma mulher aparece desconfiada. Jovem, ao menos tanto quanto ele próprio.

- É a senhora Fangyat?

- Sim, e você quem é?

- Não pode ser... Qual seu nome?

- Sou Xepyana. O que você quer afinal?

- Xepyana... Xepyana...

Zand tenta se lembrar desse nome, mas nada lhe vem à mente.

- O que é isso aí? - Ela pergunta.

- É uma lira.

- Hmmm... Qual o seu nome?

- Bom, eu acho que errei de endereço. Me chamo Zand.

- Zand Fangyat.

- Isso mesmo. Como sabe?

- Globru me falou de você. De como tinha saído pelo mundo em busca de aventuras. Vamos, entre!

Zand puxa da memória e finalmente recorda. Claro! O primo que morava perto da praia! Era dois anos mais velho e muito mais interessado em trabalhar e juntar dinheiro do que qualquer outra coisa.

Zand deixa a montaria e eles entram e se sentam num jogo de sofás.

- Ora, Globru falou de mim?

- Sim, claro! Vez ou outra ainda se lembra e comenta “como estará meu primo, Xepyana? Nunca mais tivemos notícias.”

- Que bom! Mas lembro que ele nunca se interessou por aventuras, que achava meus sonhos fantasia demais para um adulto.

- Que nada! Ele te admira muito! Vai ficar muito feliz em vê-lo! Ei, Fran, venha cá! Esse é seu primo Zand!

A menina que o atendeu vem correndo e o cumprimenta desconfiada. E vai para perto da mãe.

- Quer alguma coisa? Café, água, bebida...

- Aceito água, obrigado.

- Pega lá pro primo, Fran!

- Então você e Globru é que são o senhor e senhora Fangyat...

Xepyana o encara pensativa por um tempo. Abaixa a cabeça e coça a nuca, antes de olhar de novo para ele.

- Acho que estou entendendo. Você esteve fora muito tempo, não é? Deve ter vindo à procura dos conhecidos, dos parentes. - Faz uma pausa, como se estivesse escolhendo a melhor forma de falar. - Bem, é que lamento dizer. Eles se foram.

- Como? - Zand pergunta, surpreso.

- É sim. Os seus pais, tios do Globru, faleceram faz já alguns anos... Sinto muito.

Zand mergulha em pensamentos, quando a Fran volta com um copo de água. Zand bebe.

- Bom, estou preparando o almoço. É claro que você vai ficar pra almoçar com a gente! Não faria uma desfeita dessas com seu primo, não é?

- Claro. - Zand sorri, meio sem graça.

- Bem, então vou lá preparar o almoço. Se quiser se deitar um pouco pra descansar da viagem, o quarto é ali e pode ficar à vontade. O que precisar pode pedir pra Fran, tá?

- Tá... - Zand responde, triste, e Xepyana vai à cozinha. Ainda quase tropeça em um dos cachorros da casa antes de chegar lá.

“Então aconteceu mesmo. Terminei ficando tanto tempo fora que nem pude falar com meus pais antes que eles se fossem.”

- Primo?

Zand olha pra Fran, ainda sentada no sofá onde estava com a mãe agora há pouco.

- É de música isso?

- É sim!

- Que legal! Toca um pouquinho, vai!

Ele pega a lira de Knova e começa a dedilhar, com um sorriso sutil no rosto. De qualquer forma, a música é sempre um bom bálsamo.

17 mar 2012

One Shot

Submitted by bardo

Silêncio logo depois da banda Blood and Metal Candles. É a quarta edição do La Temet Ion, evento de metal com um nome estranho. Um nome para parecer exótico e impactante que nada mais é do que “Noite Metal” escrita ao contrário.

BMC foi a quarta banda do show e agora, por volta das três da manhã, o público espera pela grande atração da cidade: a banda de Melodic/Black Metal Shotgun Shells. Uma banda muito querida pelos metaleiros de todo o estado. Uma banda que nasceu do sonho de um jovem chamado Félix Gomes, baixista que preferia ser conhecido como Zombie. Ele e seu irmão JG, o tecladista, praticamente levantaram a banda do zero até transformá-la no que é hoje.

Na plateia, alguns conversam, outros vão comer alguma coisa. A maioria simplesmente espera pela Shotgun Shells, inclusive alguns que não costumam ir a shows de metal. A entrevista na televisão local falando do lançamento do seu primeiro CD despertou curiosidade de alguns jovens de públicos avizinhados. Mas há também os fãs.

Um som de guitarra e uma voz chamam a atenção da plateia, mas não tanta assim. Estão apenas ajustando o som. A banda está toda ali. Pelo menos toda a Shotgun Shells de hoje: Zombie não está mais lá. Zombie não está mais acima da terra. Há quase um ano ele morreu em um acidente de ônibus. Justamente por isso a capa do primeiro álbum da banda traz a foto maquiada e editada do seu irmão JG, como se ele fosse um zumbi e tivesse acabado de levar um tiro na testa. Em diagonal, embaixo, o teclado manchado de sangue. No rodapé, o nome do álbum escrito em letras que lembram algum estêncil agressivo,:quase uma pichação The Reverse Land: When Life is Death.

No palco, o novo baixista Moloch discute alguns detalhes com JG, enquanto Darklord acena para alguém ao longe, talvez perto dos banheiros. Ele é o vocalista. Tyrant se senta diante da bateria e bebe alguma coisa. Parece água. Vodka? Cachaça? É bem mais provável que seja algo do tipo.

No canto do palco está o último integrante. Com olhar de sociopata, ele apenas olha a discussão entre Moloch e JG. Olha e analisa. Zealot é seu nome e seu rosto traz maquiagem de cadáver. Provável homenagem a Zombie e referência ao álbum TRL:WLD.

A essa altura, os que se afastaram já estão de volta. Uma turma no canto ensaia uns gritos de guerra de sua própria tribo, enquanto no palco a Shotgun Shells faz seus últimos ajustes.

Começou!

Que melhor começo do que You're not safe? Esta foi a primeira música que trabalharam. Composta por Zombie, com uma base de guitarra pulsando e o teclado inconstante. Uma música que fala de um suposto ataque de zumbis, um apocalipse zumbi, e mostrando como ninguém está seguro em lugar algum.

Mesmo sendo no final da noite – e talvez por isso mesmo – alguns se animam e vão para a frente apreciar melhor.

Mal termina a música, eles já emendam com outra: The Evil Remains. Essa música densa e mais arrastada, que foi composta por Zealot, e fala de demônios prestes a subir na terra para nos perseguir pela noite quando estamos sem saber para onde ir.

Não poderia ser diferente. A banda está agradando, como previsto. Há alguns que apenas observam de longe. Especialmente os que não costumam ir a shows de metal e vieram por curiosidade.

A música para. Zealot executa um tema frenético e todos vibram. O teclado complementa e logo a banda inteira entra, de forma perfeitamente encaixada, na música One Shot. A música fala de um irmão que matou a irmã depois de uma longa e macabra história. É uma música um tanto longa e tem seus momentos de pausa, para retomar com animação.

Como a You're not safe, esta é uma música muito conhecida. Alguns até arriscam acompanhar o vocal gutural de Darklord. A plateia simplesmente vibra. Batem cabeça e se empurram na paz.

Mas não é na paz que um deles se aproxima no palco no exato momento de pausa no vocal de Darklord para o solo de Zealot.

Esse fã – ou seja lá o que for – coloca um pé no palco e aponta um revólver para Zealot, que não para de tocar enquanto o encara, esperando o desenrolar da cena. Darklord vê o sujeito e recoloca o microfone no pedestal para se aproximar do fã. Ele ergue a mão e parte para segurar o graço do maluco e impedir que faça alguma besteira.

Mas tudo acontece muito rápido e a besteira que podia ser feita não é impedida.

Um disparo que todos notam, mais visualmente do que auditivamente, e Zealot é jogado para trás.

O slow motion termina com um soco violento na cara do fã, que larga a arma e cai do palco de costas. O palco não era muito alto. As pessoas se aproximam para ver o que aconteceu, como está Zealot.

De repente a guitarra grita e todos levam um susto. Zealot se levanta e continua tocando de onde parou. Com olhar mais vivo e trazendo como única diferença uma mancha discreta arrocheada na testa, em meio à maquiagem de zumbi que já trazia.

Alguns gritam quando o veem de pé, então logo tudo vira uma grande festa, mesmo que ninguém entenda exatamente o que aconteceu. Era uma jogada de marketing o zumbi levar um tiro do mesmo jeito que na capa do CD? Darklord chegou a tempo e conseguiu por pouco desviar a mão do meliante milésimos de segundo antes do disparo? A plateia não sabe. Eles simplesmente aproveitam o show.

Pouco depois vem os seguranças do evento levar o agressor, já desacordado e pisoteado. Está desacordado por hoje ou desacordado pra sempre? Ninguém sabe.

Zealot foi mesmo atingido ou não? Ele próprio é o único que sabe. E sorri enquanto destila solos com sua guitarra com mais energia do que antes. Uma energia que, com o tempo traria efeitos colaterais. Mas ele não quer saber. Não agora. Só depois é que essa energia toda demoraria alguns dias para deixá-lo até mesmo dormir.

16 mar 2012

Enfim chega o imponente cavaleiro JavaScript montado em sua imponente… bicicleta de aro circular…

Cavaleiro JS fala com Dragão: Me diga seu nome, Dragão!

Princesa sai para a janela.

Cavaleiro JS fala com Princesa: Me diga seu nome, Princesa!

Princesa fala reservadamente para Dragão: Eu acho que ele tem problemas…

Dragão fala reservadamente para Princesa: Só… Eita, deixa eu fazer um teste.

Dragão agora é conhecido como T-Raptor.

Cavaleiro JS fala com T-Raptor: Me diga seu nome, T-Raptor!

Princesa fala reservadamente para T-Raptor: É, ele tem problemas… Vou tirar mais um cochilo. É mais emocionante do que essa conversa.

Princesa volta para dentro do quarto.

T-Raptor fala com Cavaleiro JS: Meu nome é o grande dragão vermelho que seqüestrou a princesa bonita

Cavaleiro JS fala com T-Raptor: Seja bem-vindo, Meu nome é o grande dragão vermelho que seqüestrou a princesa bonita!

T-Raptor fala com Cavaleiro JS: Bem-vindo?! Mas quem vem vindo é você e… Ei, esse não é meu nommm…

Cavaleiro JS fala com T-Raptor: Eu vim matá-lo, Meu nome é o grande dragão vermelho que seqüestrou a princesa bonita!

T-Raptor: Agora deu a peste!

Cavaleiro JS fala com T-Raptor: Mas antes vote em mim para o prêmio iPeste! Conto com seu voto, Meu nome é o grande dragão vermelho que seqüestrou a princesa bonita!

T-Raptor devora Cavaleiro JS.

T-Raptor: É, ele tinha mesmo problemas…

P. S.: publicado inicialmente em 2007 no extinto blog Arcanoide.

Special: 
15 mar 2012

Há muito tempo, antes mesmo de aparecer o Shrek, havia um escrito anônimo e antigo dizendo o que o programador de cada linguagem faria para matar o dragão e salvar a princesa. Hoje apresento a versão refatorada e atualizada por mim. Com vocês, matando o dragão

Java Chega, encontra o dragão, desenvolve um framework para aniquilamento de dragões em múltiplas camadas, escreve vários artigos sobre o framework mas não mata o dragao.

.NET Chega, olha a idéia do Javanes e a copia, tenta matar o dragão, mas é comido pelo réptil.

C Chega, olha para o dragão com olhar de desprezo, puxa seu canivete, degola o dragão, encontra a princesa, mas a ignora para ver os últimos checkins no cvs do kernel Linux.

C++ Cria um canivete básico e vai juntando funcionalidades até ter uma espada complexa que apenas ele consegue entender … mata o dragão mas trava no meio da ponte por causa dos memory leaks.

COBOL Chega, olha o dragão, pensa que tá velho demais para conseguir matar um bicho daquele tamanho e pegar a princesa e, então, vai embora.

Pascal Se prepara durante 10 anos para criar um sistema de aniquilamento de dragão … chegando lá descobre que o programa só aceita lagartixas como entrada.

Shell O cara chega no dragão com um script de 1 linha que mata, corta, stripa, empala, pica em pedacinhos e impalha o bicho, mas na hora q ele roda o script aumenta, engorda, enfurece, e coloca alcool no fogo do dragão.

PERL Vai até o CPAN e baixa uma espada de luz anti-dragão-seqüestrador-de-princesa. Escreve o procedimento para matar o dragão em apenas 7 caracteres e tenta. Erra por um milímetro. Tenta modificar para poder acertar o dragão, mas não consegue mais entender o que escreveu…

PHP Tenta fazer uma espada do zero usando madeira e papel alumínio, devidamente recoberta e pintada, que fica muito bonita, embora não pareça nem lembre de nenhuma forma uma espada. Antes de tentar matar o dragão com ela, tenta aplicar uma maquiagem para melhorar o “skin” do dragão. O dragão, vaidoso, gosta do serviço e deixa o programador ir embora vivo. (mas a princesa ainda acha que ele devia ter usado menos blush)

VB monta uma arma de destruição de dragões a partir de varios componentes, parte pro pau pra cima do dragao e, na hora H, descobre que a espada só funciona durante noites chuvosas…

PL/SQL Coleta dados de outros matadores de dragão, cria tabelas com N relacionamentos complexidade ternaria, dados em 3 dimensões, OLAP, demora 15 anos para processar a informação. Enquanto isso a princesa virou lésbica.

Ruby on Rails Para matar o dragão cria em 5 minutos uma estrela da morte com todas as funcionalidades básicas implementadas: raio da morte, quarto com espelhos pra quando salvar a princesa e RSS. Ao disparar contra o dragão nota que só funciona se o dragão, a princesa e o castelo estiverem acessando a web.

Smalltalk Chega, analisa o dragao e a princesa, vira as costas e vai embora, pois eles são muito inferiores.

ASSEMBLY Acha que ta fazendo o mais certo e enxuto, porém troca um A por D, mata a princesa e transa com o dragão.

Fortran Chega, desenvolve uma solução com 45000 linhas de codigo, mata o dragão vai ao encontro da princesa … mas esta o chama de tiuzinho e sai correndo atrás de programadores que trabalhem na Microsoft ou no Google. (depois de maria-chuteira teremos maria-compiler?)

FOX PRO Desenvolve um sistema para matar o dragão, por fora é bonitinho e funciona, mas por dentro está tudo remendado, quando ele vai executar o aniquilador de dragões lembra que esqueceu de indexar os DBF.

ANALISTA DE PROCESSOS Chega ao dragão com duas toneladas de documentação desenvolvida sobre o processo de se matar um dragão genérico, desenvolve um fluxograma super complexo para libertar a princesa e se casar com ela, convence o dragão que aquilo vai ser bom pra ele, e que não será doloroso. Ao executar o processo ele estima o esforço e o tamanho do estrago que isso vai causar, a assinatura do papa, do buda e do Raul Seixas para o plano, e então compra 2 bombas nucleares, 45 canhões, 1 porta aviões, contrata 300 homens armados até os dentes, quando na verdade necessitaria apenas da espada que estava na sua mão o tempo todo.

CLIPPER Monta uma rotina que carrega um array de codeblocks para insultar o dragão, cantar a princesa, carregar a espada para memória, moer o dragão, limpar a sujeira, lascar leite condensado com morangos na princesa gostosa, transar com a princesa, tomar banho, ligar o carro, colocar gasolina e voltar pra casa. Na hora de rodar recebe um “Bound Error: Array Access” e o dragão come ele com farinha.

Python Desenvolve uma arma mortal. Mata o dragão, a princesa e a si mesmo.

P. S.: Publicado inicialmente em 2007 no extinto blog Arcanoide.

Special: 
14 mar 2012

Devido muito provavelmente à mais profunda, sincera e completa falta do que fazer, um programador resolveu utilizar o código-fonte do Doom (liberado anteriormente pela fabricante) para fazer um variante onde os inimigos são… Os processos executando neste momento! Ou seja, os Daemons.

Isso significa que quando você mata um personagem no jogo, o processo correspondente é morto no sistema. E aparentemente, da mesma forma que você pode matar os processos, eles também podem te matar. Neste caso, o usuário não é assassinado instantaneamente pelo sistema. Pelo menos, esperamos que não…

Conheça Doom: The Aftermath, do qual tive notícia através do VivaLinux!

P. S.: Publicado inicialmente em 2007 no extinto blog Arcanoide.

Special: 
13 mar 2012

Cammile e Kennerly tocando Zelda

O jogo mais esperado de 2011 pelos fãs da Nintendo sem dúvida foi The Legend of Zelda - Skyward Sword, para Wii. Super Mario 3D Land e Mario Kart 7 poderiam competir pela posição de mais esperado, mas não acho que superaram Zelda, mesmo porque o 3DS é um console novo comparado ao Wii.

Skyward Sword é um jogo incrível em vários aspectos. Bem construído e longo como um bom RPG (apesar de muitos não considerarem jogos da franquia Zelda como RPG). Algo que facilmente chama a atenção é o aspecto artístico do jogo. Desde o visual, que busca o Impressionismo (estou falando de escola artística) ao invés do fotorrealismo (que parece ser a febre da indústria de games hoje em dia, e que muitos bitolados defendem ser o "único caminho aceitável"), até a trilha sonora.

Como já é tradição na franquia Zelda, há um instrumento musical no jogo (o Link sempre teve bons níveis de Bardo). Desta vez é o que eles chamam de Harpa, mas na verdade é uma lira. Como acontece em outros jogos da série, no decorrer da história Link vai aprendendo novas canções para lhe abrir caminhos ou realizar certos feitos no jogo.

Uma das canções mais interessantes, que é inclusive o tema do jogo, é a Balada da Deusa - Ballad of the Goddess. É uma música perfeita, muito bem construída e legal de se ouvir.

Pois bem, existem duas gêmeas harpistas que você precisa conhecer: Camille e Kennerly. Elas tocam músicas da cultura Pop em harpas (dessa vez harpas mesmo, não liras). Fantasma da Opera, Cranberries, U2, Guns N' Roses e até Lady Gaga estão em seu repertório. E elas fizeram uma versão própria da Balada da Deusa e, como costumam fazer, colocaram um video no YouTube. Caracterizadas como sempre, dessa vez vestidas com a mesma roupa que a Zelda usa no jogo. Confiram a Balada da Deusa pelos dedilhados dessas duas artistas:

Special: 
11 mar 2012

Escarlate III #10 - Num Quarto em Evy

Num quatro de uma pequena pousada em Evy, reino de Noak, uma mulher de nome assemelhado ao da cidade se exercita em flexões, quando alguém entra.

- Bom... Bom dia, Eve! - É Viex quem chega e olha para o chão espantado. - Trouxe comida.

Eve se senta na cama e enxuga o rosto com uma toalha.

- Bom dia. E como está a formação do grupo?

- Estou tentando... Está difícil encontrar pessoas de confiança. A maioria deve ter fugido para Wimow ou Surdi.

- Então?

- Sempre há alguns mercenários bêbados, mas é perigoso envolver esse tipo de gente em tramas secretas.

- Certamente não convém.

Viex deixa o prato e talheres na escrivaninha do quarto e se senta próximo.

- Sabe uma coisa que não entendo? Como é que o Zand deixou você ir embora assim e não quis ir junto.

Eve se levanta e passa por ele até a escrivaninha. Começa a comer.

- É, porque não é todo dia que se encontra uma mulher assim, tão repleta de qualidades. Desde...

- Já faz uma semana.

- O quê?

- Que estamos aqui! - Ela para o almoço e se vira para encarar Viex. - E tudo o que você traz são notícias de bêbados! Durante toda essa semana é a mesma coisa. Quando vamos ter o grupo? O tempo passa e cada dia perdido traz um prejuízo irreversível.

- Estou tentando, Eve! Estou tentando! Não é tão fácil. O que espera que eu faça?

- Eu não sei! Usar sua flauta talvez? Ler mentes pelas ruas em busca de possíveis aliados?

- Na verdade, há algumas pessoas e estou me aproximando aos poucos.

- Explique-se.

- São oito até agora que têm perfil de aventureiros e parecem sempre indignados com o golpe em Noak.

- E por que não os contactou?

- Porque dez ainda é um número muito pequeno e nenhum deles parece ser de alto nível. Não vale a pena revelar segredos conspiratórios cedo demais.

- Que ótimo... Quando teremos gente suficiente?

- Não sei. Temos que juntar mais alguns e aí marcamos uma reunião já pra agirmos. Eu rastreei todos eles e sei precisamente onde encontrá-los quando chegar o momento.

- Quando?

- Daqui a umas duas semanas no máximo.

- Duas semanas!?

- Precisamos de tempo para juntar gente em momentos assim. Já mandei mensagens para amigos de Fyulet e Kreuk. Também espero resposta deles.

- Que ótimo... - Eve balança a cabeça e volta a comer.

Viex se levanta e coloca as mãos suavemente em seus ombros, falando com mansidão.

- Não precisa se preocupar, Eve. O tempo não está a nosso favor, mas uma ação prematura pode sepultar de vez nossas chances. Precisamos juntar uma força mínima antes de investirmos.

Eve continua seu almoço, alheia a Viex. Ele então se levanta e caminha em direção à porta.

Antes que a abra para deixar o quarto, porém, Eve chama seu nome.

- Viex.

- Diga, minha bela.

- Fique juntando seu bando por quinze dias sozinho. Amanhã cedo eu parto para Beniw.

- O quê?! Você não pode estar falando sério.

Eve ergue o olhar para Viex e o encara com frieza e determinação.

- Estou.

- É uma missão suicida! O que pode uma mulher sozinha fazer lá no meio daquele bando de...

- Mais do que aqui.

- Não, olha! Vamos fazer o seguinte: amanhã a gente fala com essa turma que eu te disse e daqui a gente pode ir pra Fyulet recrutar mais gente por lá e seguimos de cidade em cidade juntando gente até...

- Boa sorte. Não te falei isso pra pedir sua opinião. Estou apenas comunicando o que decidi.

- Não faz isso. O que você quer que eu faça pra você não ir?

- Nada que faça ou deixe de fazer me fará mudar meus planos. Eu cansei de esperar em vão.

- Então vá! Se prefere se matar em Beniw a esperar só duas semanas até termos força suficiente, vá em frente! Boa sorte pra você também!

Viex deixa o quarto batendo a porta. Eve continua sua refeição e sorri.

Tem se sentido inútil e enferrujada nessa cidade parada enquanto forças se alinham e aumentam longe de seus olhos. Talvez seja melhor ir a Beniw ainda hoje...

10 mar 2012

O Monstro da Igreja

Submitted by bardo

Cidade de Jetitotú. Uma cidade comum, com sua praça, sua igreja ao deus Kualkèr e sua taverna. Claro, e seus moradores. Pessoas sofridas que vivem sua vida do campo, plantando e colhendo. Pessoas que têm que se esforçar para viverem cada dia e, como se não bastassem as dificuldades, ainda tem que lidar dia a dia com um monstro.

Mas a aflição tem seus dias contados, pois pela estrada vem o bravo guerreiro Pruph com seu cachorro Oko.

Ele não entra pela entrada principal da pequena cidade, mas logo vem ele pela entrada que passa perto da prefeitura. Com seu machado nas costas e sua cara de mal ele não para até chegar à praça.

Pelo caminho já ouve o que anuncia o seu destino exato.

As pessoas reclamam.

- Quando é que ele vai embora?

- É verdade que ele matou o Eguelú pra ficar no seu lugar?

- Ninguém sabe! Ninguém sabe! É mesmo uma criatura horrenda!

Pruph infla o peito e grita:

- Onde está o monstro?!

Todos apontam para o seu destino: a igreja.

- Oko?

Mas o pobre cão apenas se senta e começa a coçar a orelha.

- Oko!?

O animal não reage.

- Oko!

Girando a cabeça lentamente na direção de Pruph, o cachorro começa a rosnar. Logo se deita.

- Oko!

Pruph bota seu machado dentro da mochila (é, ele é maleável) e caminha até o pobre dorminhoco animal. Então o levanta do chão e o joga também dentro da mochila, comentando com desprezo a situação.

- Oko! Onde está o monstro!

Com satisfação o herói caminha em direção à tal da igreja para dar cabo do sujeito maligno que assusta a cidade. Sim, é a ingrata tarefa dos heróis lidar com essas bestas estranhas e ele não teme.

À porta do templo ele para e pega novamente o machado. Em um golpe, estilhaços da porta se espalham e a luz ilumina o lugar.

- Quem está aí?

- Eu sou Pruph, matador de monstros!

- Mais outro... Bem, temos que lidar com isso, não é mesmo? Pelo menos você sabe falar!

Há cinco fileiras de bancos e, lá na frente, o monstro terrível espera. Uma múmia azul.

- É uma vida muito ingrata essa de monstro. Não temos nem com quem conversar. De onde você vem?

- Onde está o monstro!

- Tudo que é bom dura pouco mesmo... Devia ter imaginado que não sabe falar mais nada. Humanos são deprimentes. Heróis são mais ainda.

- Eu sou Pruph, matador de monstros!

- Tá, e a mocinha sabe falar mais alguma coisa?

Pruph para por instante, então joga a mochila no chão para fazer deslizar seu conteúdo, incluindo seu querido animal, que gira no chão como uma trouxa de pano.

- Oko!

O cachorro levanta a cabeça, olha ao redor e arqueia uma das sobrancelhas com desdém. Logo volta a dormir.

- O que você quer aqui? Me derrotar? Criatura estúpida! Nunca vai conseguir me vencer! Eu sou superior!

- Eu sou Pruph, matador de monstros!

Tomado de fúria, Pruph corre em direção ao maligno, cravando o machado no pé enfaixado azul. Só então ele percebe algo novo. O monstro é enorme! Tem mais de dois metros de altura, apesar de ser uma múmia (e apesar de ser azul).

O monstro abre a boca, mostrando seus dentes (que não são azuis, naquele tempo ainda não havia essas tecnologias todas).

- Você! Você é mais forte do que eu pensei que fosse! Mas não vai me derrotar, como eu já disse!

Com grande violência, a múmia ergue seu braço e desce velozmente contra Pruph. O pobre herói vê aquele golpe inevitável prestes a acontecer e faz a única coisa que poderia nessa situação.

- Arghhh! Você me mordeu!? - Horrorizado, o monstro recolhe a mão, olhando para Pruph ofegante. - Você me mordeu, criatura estúpida! Você! Você é um herói! Quem devia morder era ele!

Oko abre os olhos, ainda deitado à porta da igreja, olha um pouco a cena e volta a dormir. Pruph sorri malicioso diante do comentário. Pena que esse sorriso não consegue protegê-lo de um belo chute da múmia, que faz com que ele voe alguns bancos depois.

- Eu sou superior! Já disse! Não acredito que você me mordeu! Droga! Olha só pra isso!

Ele caminha até o altar, mancando com o pé machucado e com a os esparadrapos azuis da mão se soltando.

Pega um frasco vermelho pequeno que estava ali na mesinha e o toma. A mão se cura e os esparadrapos se fecham misteriosamente, deixando a mão totalmente ilesa e sadia.

Então ele se volta para Pruph e o vê ainda jogado, tentando se levantar.

- Agora tenho que dar um jeito em você, criatura estúpida! Não saia daí.

Antes que consiga se aproximar, porém, Pruph já está de pé heroicamente. Pronto para cumprir com sua nobre missão de eliminar essas criaturas monstruosas. Em especial, essa criatura monstruosa azul.

- Eu sou Pruph, o matador de monstros!

- Tá, tá, você já disse isso, criatura estúpida! Você acha mesmo que vai conseguir me derrotar?

Num grito bárbaro de “Okoooooooo!” Pruph salta novamente com seu machado. O monstro arregala os olhos e tenta pôr as mãos na frente para defender o golpe, mas o golpe ainda assim o acerta em cheio.

Instintivamente, o monstro vira as costas e olha a mesinha no altar. Não há mais outro frasco como aquele de antes. Ele olha novamente Pruph, que vinha atacando de novo. O machado acerta o chão e o monstro encara novamente a mesinha. E o Pruph. E a mesinha. E o Pruph. Ele simplesmente não sabe mais o que fazer.

- Para! Por que você quer me matar, criatura estúpida!? Eu sou um ser soberano, sou um nobre descendente da dinastia dos Monstros-Múmia Azulânticos e nada fiz contra você, apenas estou aqui na minha cidade, na minha casa e...

O machado cai em sua cabeça, dividindo-a em duas e o derrubando no chão. O fluido azul de seu sangue se espalha rapidamente por ali. Após um brilho em Pruph e Oko, Pruph tira o machado e encara o monstro derrotado. E antes de ir embora dali ,ele ainda, com aquele mesmo olhar malicioso de antes, fala:

- Criatura estúpida!

Special: 
9 mar 2012

Onslaught Arena

Vocês se lembram daquela página 404 que fiz pro Bardo WS? Em estilo RPG eletrônico clássico? Naquele tempo eu falei que a base foi um artigo do site Lost Decade Games. Pois bem, o projeto maior desse grupo, que é um jogo que está disponível para web, Android e iPhone, foi lançado como Software Livre!

Onslaught Arena não tem nada a ver com RPG exatamente. Apesar do visual parecido com RPG, trata-se de um jogo de tiro com temática em fantasia medieval, com desafios, chefes, pontuação e ítens que modificam o tipo de tiro.

Quem se interessar por esse projeto, que é feito em HTML 5, e quiser fuçar, pode ver no Git do projeto.

Fonte: Free Gamer.

Páginas

Subscribe to Cordeis.com RSS