Amanhecer de uma Era

“No alvorecer de mais um dia, uma figura espantosa chama a atenção de milhares de mortais. Uma figura magnífica. Um homem alado é visto vindo do horizonte. A Terra treme sob sua sombra e o homem receia perante seu esplendor. E teme. Teme que finalmente tenham vindo quitar seus pecados.”

Jornais de todo o planeta tentam registrar o momento. Padres e cristãos choram em desespero. Jamais se viu algo que afetasse todo a Terra dessa forma. Hoje os pecadores, que há tanto buscavam consolo, não conseguem acreditar no que ouvem, no que vêem. Não conseguem acreditar que os céus finalmente enviaram seu carrasco.

A Terra jamais foi a mesma depois daquele dia. A visão de um ser sobrenatural por toda a população do mundo com certeza o muda para sempre. Alguns tentaram contestar o que parecia óbvio para todos. Diziam que essa entidade não era divina. Uns afirmavam se tratar de um humano com órgãos extra. Esses sempre entravam em conflito com os anatomistas. Outros diziam que, como um organismo aparentemente tão frágil quanto um humano, seriam seres como nós, porém de outro planeta. A igreja e muitos outros mais se digladiavam com os detentores dessa idéia.

Esse anjo logo mostrou-se mais real que um anjo de nossos sonhos. Não parecia ser imortal ou invencível. Outro detalhe muito importante: ele não sabia falar nenhum dos nossos idiomas, mas outro totalmente diferente e desconhecido dos maiores lingüísticos do mundo. Ao contrário de Gabriel que, segundo a Bíblia, comunicava-se sem problemas com os mortais a que aparecia. Um ponto para a teoria do extraterrestre.

Ele não teve dificuldades para aprender a se comunicar através do inglês, mas depois de aprender algumas palavras, uma nova revelação foi feita: ele tinha amnésia. Não sabia de onde veio nem aonde ia. Após isso o mundo formado a seu redor caiu. A esperança de saber como é o céu, de que houvesse justiça. Tudo foi por água abaixo. O mundo voltou ao seu funcionamento normal. Seguindo sempre cada um por si e deus por todos. E o pior, o caso logo foi esquecido pela população ou, pelo menos, fingiram tê-lo esquecido.

Em um complexo seguro e cercado por militares dos mais poderosos, aquele ser não sabia o que o destino lhe reservava. Nas salas de acesso restrito, possuidores da ciência se reuniam. Recebiam naquele momento uma missão. Uma missão de importância primordial: uma autópsia precisava ser feita. Eles, totalmente convicto de que o ser tratado era extraterrestre, precisavam saber como exatamente funcionava. Como podia ter asas. Como elas se ligavam. Precisavam saber disso, para o bem da humanidade, pensando em um futuro próspero.

Pelos corredores corriam boatos de que o anjo havia vindo à Terra em uma espécie de espaçonave. E que ela havia sido tomada pela NASA. Mas isso agora não importava. Além da amnésia, o anjo tinha os dias contados. Exatamente três dias após ocorreria seu assassinato e sua dissecação.

Impossibilitado de manter minha posição de impassividade, agi. Faltando dois dias para a execução do projeto, tentei sabotar todos os equipamentos. Claro que, como uma pessoa prudente, não podia deixar isso para a véspera. Mas mesmo agindo com antecedência, não consegui terminar meu trabalho. Uma última idéia me veio minutos antes da hora combinada. Como havia posto minhas mãos em tudo, poderia forçar uma passagem aérea e atordoar a equipe enquanto o anjo escapava. Não parecia um bom plano, mas foi o único que me surgiu de última hora com alguma chance de funcionar. Coloquei-o em ação. O anjo percebeu o que tramavam para ele quando a equipe chegou levando um equipamento pesado, com um olhar frio. Após libertá-lo e atordoar quase todo o grupo, o anjo finalmente conseguiu fugir.

Como em débito, resolveu me levar junto. E agora que saímos tudo simplificou. Se consegui vencer cientistas, por que não conseguirei lutar contra todas as forças armadas estadunidenses?

União Livre (de quem?)

"O objetivo desse projeto é descontinuar as atuais distribuições Linux do Brasil." É com essas palavras que o site do projeto União Livre começa a anunciar sua intenção: que o Brasil tenha uma distribuição GNU/Linux só.

Essa ideia de que existe um excesso de distribuições e que uma distribuição única seria a solução parece genial a um novato na área, mas se você analisar bem o cenário percebe facilmente o quanto é falha.

O grande problema dessa ideia é que o fato de haver muitas distribuições não é o problema. O problema acontece quando uma distribuição é criada e se mantém sem uma razão sólida. São duas situações distintas e que devem ser separadas.

Uma ideia de "unificar" ignora que distribuições tem seus motivos de existirem, não se resumem a "juntar usuários". Há distribuição que existe para atender a necessidades de certo perfil de usuários, outras que focam a divulgação de certas ferramentas ou ideais e por aí vai. É também frequente que os motivos de uma conflitem diretamente com os motivos de outra. Um exemplo simples? Uma distribuição quer facilitar ao máximo para os usuários enquanto outra quer se alinhar ao máximo com os conceitos de Software Livre. O que temos? "Facilitar ao máximo" exige abrir mão de certas liberdades, levando a equipe a embutir Adobe Flash, drivers fechados, dentre outras "facilidades". Isso não é conciliável com a outra meta.

Foi apenas um exemplo. Se considerarmos outras guerras como KDE versus GNOME (versus Unity versus GNOME 2 versus MATE versus...), por si só já justificaria divisões. Não adianta argumentar que elas podem entrar em concenso, pois as razões muitas vezes são complexas. Um dirá que adora a API do GTK+ e de todo o GNOME, enquanto outro dirá que a identidade visual do KDE é mais sólida; outro dirá que prefere o GNOME antigo, enquanto outro entende e aceita as vantagens que a Canonical defende para justificar seu Unity. Entendem? Geralmente não é só uma questão estética (só no caso de algumas ditas distribuições, que não passam de seleção de pacotes e criação de papéis de parede).

Você pode dizer: "Beleza, então faz uma distribuição que junte tudo num pacote só e fica todo mundo feliz." Será? O tamanho da distribuição resultante também pode ser um objetivo de algumas distribuições. Outras podem estar muito presas a certas distribuições internacionais específicas. Se uma distribuição quer "a melhor performance possível", não vai abrir mão de ser derivada do seu Arch Linux (suposição).

A despeito disso, "uma distribuição única" costuma ser algo pedido pelos usuários, por terem a percepção de que há desperdício de forças em um cenário tão amplo. Há mesmo? Muitas vezes sim, mas há outras soluções para isso. Os projetos podem se ajudar mais, trocar informações e ferramentas menores entre si, publicar mais o que é feito (muitas vezes ferramentas interessantes são criadas por pequenas distribuições e mantidas como "diferencial" ao invés de serem amplamente divulgadas como ferramentas para serem incorporadas por outros projetos).

Percebem como a multiplicidade de distribuições é algo complexo? Se ainda quiserem ver mais sobre a ideia de unificar distribuições, leiam uma discussão antiga minha com Sergio Tucano. Pois bem, vamos voltar ao caso específico da União Livre. O que vemos aqui? Um chamado anônimo aos mantenedores das milhares (?) de distribuições nacionais. Ao invés de assinar embaixo (identificando-se o/os autor/es da proposta perante a sociedade), ele(s) cria(m) um abaixo-assinado.

Por que não, ao invés de querer unificar, fazer uma consulta a cada distribuição, fazendo um levantamento das razões de sua existência? E a partir daí se tentar um MMC das distribuições (o que provavelmente não significaria uma distribuição única)? Não é preciso uma fundação para isso, nem é preciso unificar todas em uma só (e uma nova, ainda mais).

O que vejo é uma distribuição relativamente antiga no Brasil e uma mais nova: respectivamente, Big Linux e SimbiOS. As duas parecem ter os mesmos objetivos de agradar usuários leigos, agregando facilidades, de modo que não duvido que a ideia tenha surgido entre eles. E é uma boa ideia as duas integrarem esforços (mudando ou não de nome), só acho que não havia necessidade desse auê todo. Toda prepotência.

E ainda adotando o pomposo nome de União Livre (que adota drivers, browsers e outros aplicativos privativos). Quem vai entrar nessa canoa?

Convertendo centenas de imagens em alguns PDFs com Python

Se você não tem nada a ver com programação, nem tem interesse no assunto, simplesmente ignore este artigo.


Mike Driscoll tem um blog dedicado a Python chamado The Mouse vs. the Python e eventualmente há excelentes artigos por lá.

Esta é uma tradução livre do artigo Reportlab: Converting Hundreds of Images Into PDFs e modifiquei sutilmente algumas coisas, incluindo os exemplos. Agradeço ao Mike pelos excelentes artigos e me desculpo pelas liberdades que tomei na tradução (incluindo a mudança no nome do artigo). Vamos a ele!


Recentemente me pediram para converter algumas centenas de imagens em páginas de um PDF. Um amigo meu desenha comics e meu irmão queria poder lê-lo em um tablet. Acontece que se você tem um monte de arquivos nomeados assim:

'Jia_01.Jpg', 'Jia_02.Jpg', 'Jia_09.Jpg', 'Jia_10.Jpg', 'Jia_11.Jpg', 'Jia_101.Jpg'

o tablet Android vai reordená-los mais ou menos assim:

'Jia_01.Jpg', 'Jia_02.Jpg', 'Jia_09.Jpg', 'Jia_10.Jpg', 'Jia_101.Jpg', 'Jia_11.Jpg'

E se torna muito confuso ler com os arquivos fora de ordem desse jeito. Infelizmente, até mesmo o Python ordena os arquivos desse modo. Tentei usar o módulo glob diretamente e então ordenar o resultado e resultou no mesmo problema. Assim a primeira coisa que eu tinha que fazer era achar algum tipo de ordenação que organizasse os arquivos corretamente. Deve ser notado que o Windows 7 pode ordenar os arquivos corretamente no sistema de arquivos, mas o Python não.

Depois de uma pequena busca no Google, encontrei o seguinte script no StackOverflow:

import re
 
#----------------------------------------------------------------------
def sorted_nicely( l ):
    """
    Sort the given iterable in the way that humans expect.
    """
    convert = lambda text: int(text) if text.isdigit() else text
    alphanum_key = lambda key: [ convert(c) for c in re.split('([0-9]+)', key) ]
    return sorted(l, key = alphanum_key)

Funcionou perfeitamente! Agora eu só tinha que arrumar um jeito de colocar cada página da HQ em sua própria página dentro do arquivo PDF. Felizmente, a biblioteca reportlab torna essa tarefa muito fácil de realizar. Você só precisa percorrer as imagens e inserí-las uma a uma em uma página. É mais fácil dar uma olhada no código, assim vejamos:

import glob
import os
import re
 
from reportlab.lib.pagesizes import letter
from reportlab.platypus import SimpleDocTemplate, Paragraph, Image, PageBreak
from reportlab.lib.units import inch
 
#----------------------------------------------------------------------
def sorted_nicely( l ):
    """
    # http://stackoverflow.com/questions/2669059/how-to-sort-alpha-numeric-set-in-python
 
    Sort the given iterable in the way that humans expect.
    """
    convert = lambda text: int(text) if text.isdigit() else text
    alphanum_key = lambda key: [ convert(c) for c in re.split('([0-9]+)', key) ]
    return sorted(l, key = alphanum_key)
 
#----------------------------------------------------------------------
def create_comic(fname, front_cover, back_cover, path):
    """"""
    filename = os.path.join(path, fname + ".pdf")
    doc = SimpleDocTemplate(filename,pagesize=letter,
                            rightMargin=72,leftMargin=72,
                            topMargin=72,bottomMargin=18)
    Story=[]
    width = 7.5*inch
    height = 9.5*inch
 
    pictures = sorted_nicely(glob.glob(path + "\\%s*" % fname))
 
    Story.append(Image(front_cover, width, height))
    Story.append(PageBreak())
 
    x = 0
    page_nums = {100:'%s_101-200.pdf', 200:'%s_201-300.pdf',
                 300:'%s_301-400.pdf', 400:'%s_401-500.pdf',
                 500:'%s_end.pdf'}
    for pic in pictures:
        parts = pic.split("\\")
        p = parts[-1].split("%s" % fname)
        page_num = int(p[-1].split(".")[0])
        print "page_num => ", page_num
 
        im = Image(pic, width, height)
        Story.append(im)
        Story.append(PageBreak())
 
        if page_num in page_nums.keys():
            print "%s created" % filename
            doc.build(Story)
            filename = os.path.join(path, page_nums[page_num] % fname)
            doc = SimpleDocTemplate(filename,
                                    pagesize=letter,
                                    rightMargin=72,leftMargin=72,
                                    topMargin=72,bottomMargin=18)
            Story=[]
        print pic
        x += 1
 
    Story.append(Image(back_cover, width, height))
    doc.build(Story)
    print "%s created" % filename
 
#----------------------------------------------------------------------
if __name__ == "__main__":
    path = r"C:\Users\Mike\Desktop\Sam's Comics"
    front_cover = os.path.join(path, "FrontCover.jpg")
    back_cover = os.path.join(path, "BackCover2.jpg")
    create_comic("Jia_", front_cover, back_cover, path)

Vamos detalhar isso um pouco. Como sempre ocorre, você tem alguns imports necessários que são exigidos para que o código funcione. Você vai notar que nós também temos dentro do código a função sorted_nicely de que falamos anteriormente. A função principal se chama create_comic e recebe quatro parâmetros: fname, front_cover, back_cover, path. Se você já usou o reportlab antes, deve ter reconhecido o SimpleDocTemplate e o Story, que são mostrados no referido tutorial

De qualquer forma, você faz um laço (loop) nas imagens ordenadas e vai adicionando as imagens ao Story, sempre com um objeto PageBreak. A razão de haver um condicional dentro do laço é que eu descobri que se eu tentar construir o PDF com todas as 400+ imagens, termina ocorrendo um erro de memória. Assim eu quebrei o trabalho em uma série de documentos onde cada um tem 100 páginas ou menos. Ao final do documento, você tem que chamar o método build do objeto doc para criar o documento PDF propriamente.

Agora você sabe como eu converti um monte de imagens em alguns documentos PDF. Teoricamente, você pode usar o PyPdf para juntar todos os PDFs resultantes em um PDF único, mas eu não tentei fazer isso. Pode ser que apareça um outro erro de memória. Deixo esse teste como um exercício para o leitor.

P. S.: A foto deste post é de NobMouse.

Special: 

Os Índios e o Monstro do Espaço

Os Índios e o Monstro do Espaço

Os índios olhavam o céu
O céu sempre esteve por lá
Mas a noite trouxe ao lugar
Espanto que ninguém sonhou
Brilhando à luz do luar
Viram um navio baixar
Na floresta o barco atracou

Peri, corajoso, saltou
Correu, galopou para o "cais"
Correu o coração ainda mais
O barco era mesmo tamanho
Junto a força dos ancestrais
Correu com seu povo atrás
O barco tinha um brilho estranho

"Que barco gigante! Medonho!"
Peri via o barco dormir
Logo que chegaram ali
O suor corria da testa
Juntou seus irmãos o Peri
"Como veio o barco até aqui?
Do céu no meio da floresta?"

E o barco mostrou que não presta
Barulho calou seus ouvidos
Pancadas, fumaça, rugidos
"E agora o que será de nós?!"
Os índios olhavam aturdidos
Desacreditando os sentidos:
O barco era um monstro feroz

E o barco gritou logo após
A forma não era de barco
A ilusão passou, viram o casco
De uma tartaruga de aço
E Peri se sentiu tão fraco
Diante do barco - que barco? -
Diante do monstro do espaço

Num giro de pata, um pedaço
Da floresta foi pelos ares
Os índios rolavam aos pares
Fugindo dos golpes da fera
"São fortes as bestas lunares"
Logo não houve mais lugares
Protegidos dessa quimera

Depois do cansaço a espera
Do golpe que finda essa vida
Os índios viram em despedida
Com dor e tristeza no olhar
A fera ainda enlouquecida
Olhando com a pata erguida
Foi quando ele quis chegar

Chegando de qualquer lugar
Disparou com o canhão do braço
Bolas de luz no ser do espaço
Era um ser de aço também
Tiros deixam o monstro em pedaços
E o menino azul dá um passo
E diz se chamar Megaman

E a criança volta pro além
E a tribo respira em paz
Mas essa noite foi demais
Louca demais pra um ser humano
A noite em que seres fatais
Corrompem as regras normais
Com aço animado profano!

Pois viram debaixo do pano
Que o mundo é muito maior
Como podem dormir sem dor?
Como será a noite que vem?
Essa noite um monstro chegou
Na noite que um robô salvou
Quem não esperava ninguém

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Wushu Open RPG

Você conhece os jogos de representação? RPG, para simplificar? Falo dos RPGs de fato, dos jogos de mesa e não dos eletrônicos.

Pois bem, nossa história começa com o primeiro RPG de que se tem notícia: Dungeons and Dragons. Ele foi muito popular desde seu lançamento, até a segunda edição do AD&D se desgastar e o mercado ser preenchido por alternativas: GURPS e principalmente a linha Storyteller (Vampiro, a Máscara; Lobisomem, o Apocalipse; dentre outros).

A volta do D&D aconteceu com alguns eventos interessantes: foi o D&D 3ª edição. Ele trazia simplificação em algumas regras e ampliava o poder de personalização dos personagens, com seu novo conceito de Talento. Mais do que isso, ele veio com uma licença aberta que assegurou a volta do D&D ao topo do universo rpgístico.

Até que resolveram lançar a quarta edição. Nesta edição, o D&D vai se aproximando dos RPGs eletrônicos em termos de mecânica, ao mesmo tempo em que pede o uso de miniaturas (o que era totalmente opcional nas edições anteriores). E o principal: a licença mudou para uma altamente restritiva.

O que podemos fazer agora? Podemos aceitar todas as mudanças (especialmente no quesito licença) ou correr para os RPGs abertos. Sim, eles existem e são vários.

Toda essa conversa comprida foi para falar de Wushu Open, um RPG que tem licença permissiva (baseada na Creative Commons - Atribuição) e traz conceitos simples bastante diferentes dos tradicionais.

Wushu Open é um RPG de ação, especialmente útil para campanhas que lembrem filmes de ação, como os de artes marciais envolvendo personagens míticos (alguém se lembra do Tigre e o Dragão?). Enquanto os RPGs geralmente limitam a quantidade de ações por rodada, Wushu é feito para incentivar que os jogadores detalhem suas ações o máximo possível.

Há muito material disponível para Wushu (em inglẽs) e as regras básicas também estão em português (em formato RTF). Tempos atrás fiz uma versão diagramada em 6 páginas, para impressão de um guia completo do Sistema Wushu Open em apenas 2 folhas (1 folha - 2 páginas - é somente para a licença). É essa versão que estou publicando hoje, caso interesse a alguém Espero que apreciem!

P. S.: Foto do post é de HammerIntoAnvil.

Special: 

Famitsu: 19 jogos perfeitos

Famitsu é uma conceituada revista japonesa que existe desde 1986. Eles são especialmente conhecidos pelo sistema de pontuação que aplicam aos jogos que avaliam: sempre quatro avaliadores dão nota, cada um uma nota de 0 a 10. É de tal modo que até hoje somente 19 jogos tiveram pontuação máxima. Aqui eu mostro a lista desses jogos e alguns comentários e conclusões a respeito (os links são para compra via site eStarland, excelente loja virtual de games que vende também para o Brasil).

  1. The Legend of Zelda: Ocarina of Time (1998, Nintendo, para Nintendo 64)
  2. Soulcalibur (1999, Namco, para Dreamcast)
  3. Vagrant Story (2000, Square Co, que virou depois Square Enix, para PlayStation)
  4. The Legend of Zelda: The Wind Waker (2003, Nintendo, para Nintendo GameCube)
  5. Nintendogs (2005, Nintendo, para Nintendo DS)
  6. Final Fantasy XII (2006, Square Enix, para PlayStation 2)
  7. Super Smash Bros. Brawl (2008, Nintendo, para Wii)
  8. Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots (2008, Konami, para PlayStation 3)
  9. 428: Fūsa Sareta Shibuya de (2008, Sega, para Wii)
  10. Dragon Quest IX: Sentinels of the Starry Skies (2009, Square Enix, para Nintendo DS)
  11. Monster Hunter Tri (2009, Capcom, para Wii)
  12. Bayonetta (2009, Sega, para Xbox 360)
  13. New Super Mario Bros. Wii (2009, Nintendo, para Wii)
  14. Metal Gear Solid: Peace Walker (2010, Konami, para PlayStation Portable)
  15. Pokémon Black and White (2010, Nintendo, para Nintendo DS)
  16. The Legend of Zelda: Skyward Sword (2011, Nintendo, para Wii)
  17. The Elder Scrolls V: Skyrim (2011, Bethesda Softworks, para Xbox 360 & PlayStation 3) - primeiro jogo não japonês a receber tal pontuação
  18. Final Fantasy XIII-2 (2012, Square Enix, para Xbox 360 & PlayStation 3)
  19. Kid Icarus: Uprising (2012, Nintendo, para Nintendo 3DS)

Primeiro, vemos que mesmo a revista existindo há um bom tempo somente em 1998 um jogo ganhou pontuação máxima: o famoso The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Será que foi esse título de nota máxima (precursor da pontuação 40 na Famitsu) que fez com que muitos o considerassem o melhor-jogo-ponto? Olha o gráfico de jogos com nota máxima no decorrer dos anos: Desde 2010 há dois jogos por ano, sendo que o ano de 2012 apenas começou. Quantos jogos perfeitos teremos ao final de 2012, hein?

Jogos perfeitos por ano
Agora vamos dar uma olhada nas franquias. The Legend of Zelda tem 3 títulos! Além do Ocarina of Time, aparecem The Wind Waker e o recente Skyward Sword. Final Fantasy e Metal Gear Solid são outras franquias que também se destacam, mas com dois títulos.

Quando vamos ver quem criou os jogos que são considerados perfeitos pela Famitsu, não dá outra: Nintendo domina. Oito dos 19 jogos foram feitos por ela: quase a metade! Outras como Square Enix e Konami também fazem um bom trabalho. Senti falta de mais títulos da Capcom: apenas um?

Enfim chegamos às plataformas. Quem está com a visão ofuscada pelo fotorrealismo não percebe o que pra mim é óbvio: mesmo com potencial gráfico inferior, o Wii continua tendo qualidade (em termos de diversão, universo de jogos, de espírito) superior. Não dá pra subestimar a Nintendo!

Dos 19 jogos, 5 são para Wii. Há três para PS3 e 3 para Xbox 360, mas na verdade dois desses 3 são compartilhados, ou seja, dois jogos foram lançados simultaneamente com versão para os dois consoles. E aí quem mais tem três jogos "perfeitos"? O Nintendo DS! E o 3DS, que tem menos de um ano de vida, já emplacou o seu: Kid Icarus.

Alguma dúvida de que a Nintendo vai continuar no topo? Que o 3DS vai superar o DS? E que o Wii U vai ser um console e tanto pra se ter?

A quem pretende reclamar que jogo A ou B é muito bom, mas não está na lista, peço apenas que considerem que esse Top19 traz os jogos que receberam pontuação máxima pela Famitsu, ou seja, 40 pontos. Se formos considerar outros jogos que são muito bons para outras plataformas, como argumento de reverter o quadro a favor de outros, lembrem-se que praticamente todas as plataformas têm jogos muito bons que não constam nesse Top19. De qualquer forma, esse Top19 pode ser encarado como um indicativo do que acontece no nível macro no mundo dos games.

Vida Lunática

Quero uma vida lunáticaLágrima Lunar
De muito calor e frio
De escuridão, de vazio
Sempre de ação emblemática

Sei que cê acha patética
A vida do cidadão
Eu mesmo quero amplidão
Além da Lei e da Ética

Não quero asfalto nem rua
Desse tal de "mundo prático"
Lar da Falsidade nua

Por isso vou ser enfático
Prefiro viver na Lua
Que nessa Terra de plástico

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Escarlate III #11 - De Volta às Origens

Escarlate III #11 - De Volta às Origens

Já é metade da manhã quando Zand chega à pequena cidade de Uah. Seus olhos contemplam aqueles terrenos, aquelas plantações, e trazem de volta momentos da infância. Sim, ele já trabalhou aqui. Ele já viveu aqui, há muito tempo.

Plantações diversas, mas poucas comparando com outros lugares. Um povo simples, que vive do que planta e da pesca. O excedente que não vire impostos é o que garante utensílios, móveis e construções, quando são necessárias.

Cães começam a latir quando Zand se aproxima de uma casa de barro. Logo um rapaz forte e de jeito simples aparece à porta.

- Bom dia!

- Bom dia.

- Pode me dizer se o senhor e senhora Fangyat se encontram?

- Ah, eles não moram aqui não, moram mais ali pra frente.

- Então se mudaram... - Zand comenta, pensativo.

- Não que eu saiba, mas vá lá que não tem erro não. É só seguir ali direto.

Zand agradece e segue vendo a paisagem. Seu caminho o leva por uma pequena elevação, de onde ele pode ver o mar ao longe.

“Como está tudo diferente... E aquele pequeno castelo ali? As coisas estão mesmo diferentes.”


- Bom dia?

- Oi.

Para decepção de Zand, quem o recebe na casa é uma menina de dez anos.

- Aqui é a casa dos Fangyat?

- É sim.

- Gostaria de vê-los.

- Quem é o senhor?

Zand fecha os olhos e suspira. A menina desiste da resposta e corre pra dentro de casa chamando “mãe”.

Uma mulher aparece desconfiada. Jovem, ao menos tanto quanto ele próprio.

- É a senhora Fangyat?

- Sim, e você quem é?

- Não pode ser... Qual seu nome?

- Sou Xepyana. O que você quer afinal?

- Xepyana... Xepyana...

Zand tenta se lembrar desse nome, mas nada lhe vem à mente.

- O que é isso aí? - Ela pergunta.

- É uma lira.

- Hmmm... Qual o seu nome?

- Bom, eu acho que errei de endereço. Me chamo Zand.

- Zand Fangyat.

- Isso mesmo. Como sabe?

- Globru me falou de você. De como tinha saído pelo mundo em busca de aventuras. Vamos, entre!

Zand puxa da memória e finalmente recorda. Claro! O primo que morava perto da praia! Era dois anos mais velho e muito mais interessado em trabalhar e juntar dinheiro do que qualquer outra coisa.

Zand deixa a montaria e eles entram e se sentam num jogo de sofás.

- Ora, Globru falou de mim?

- Sim, claro! Vez ou outra ainda se lembra e comenta “como estará meu primo, Xepyana? Nunca mais tivemos notícias.”

- Que bom! Mas lembro que ele nunca se interessou por aventuras, que achava meus sonhos fantasia demais para um adulto.

- Que nada! Ele te admira muito! Vai ficar muito feliz em vê-lo! Ei, Fran, venha cá! Esse é seu primo Zand!

A menina que o atendeu vem correndo e o cumprimenta desconfiada. E vai para perto da mãe.

- Quer alguma coisa? Café, água, bebida...

- Aceito água, obrigado.

- Pega lá pro primo, Fran!

- Então você e Globru é que são o senhor e senhora Fangyat...

Xepyana o encara pensativa por um tempo. Abaixa a cabeça e coça a nuca, antes de olhar de novo para ele.

- Acho que estou entendendo. Você esteve fora muito tempo, não é? Deve ter vindo à procura dos conhecidos, dos parentes. - Faz uma pausa, como se estivesse escolhendo a melhor forma de falar. - Bem, é que lamento dizer. Eles se foram.

- Como? - Zand pergunta, surpreso.

- É sim. Os seus pais, tios do Globru, faleceram faz já alguns anos... Sinto muito.

Zand mergulha em pensamentos, quando a Fran volta com um copo de água. Zand bebe.

- Bom, estou preparando o almoço. É claro que você vai ficar pra almoçar com a gente! Não faria uma desfeita dessas com seu primo, não é?

- Claro. - Zand sorri, meio sem graça.

- Bem, então vou lá preparar o almoço. Se quiser se deitar um pouco pra descansar da viagem, o quarto é ali e pode ficar à vontade. O que precisar pode pedir pra Fran, tá?

- Tá... - Zand responde, triste, e Xepyana vai à cozinha. Ainda quase tropeça em um dos cachorros da casa antes de chegar lá.

“Então aconteceu mesmo. Terminei ficando tanto tempo fora que nem pude falar com meus pais antes que eles se fossem.”

- Primo?

Zand olha pra Fran, ainda sentada no sofá onde estava com a mãe agora há pouco.

- É de música isso?

- É sim!

- Que legal! Toca um pouquinho, vai!

Ele pega a lira de Knova e começa a dedilhar, com um sorriso sutil no rosto. De qualquer forma, a música é sempre um bom bálsamo.

One Shot

Silêncio logo depois da banda Blood and Metal Candles. É a quarta edição do La Temet Ion, evento de metal com um nome estranho. Um nome para parecer exótico e impactante que nada mais é do que “Noite Metal” escrita ao contrário.

BMC foi a quarta banda do show e agora, por volta das três da manhã, o público espera pela grande atração da cidade: a banda de Melodic/Black Metal Shotgun Shells. Uma banda muito querida pelos metaleiros de todo o estado. Uma banda que nasceu do sonho de um jovem chamado Félix Gomes, baixista que preferia ser conhecido como Zombie. Ele e seu irmão JG, o tecladista, praticamente levantaram a banda do zero até transformá-la no que é hoje.

Na plateia, alguns conversam, outros vão comer alguma coisa. A maioria simplesmente espera pela Shotgun Shells, inclusive alguns que não costumam ir a shows de metal. A entrevista na televisão local falando do lançamento do seu primeiro CD despertou curiosidade de alguns jovens de públicos avizinhados. Mas há também os fãs.

Um som de guitarra e uma voz chamam a atenção da plateia, mas não tanta assim. Estão apenas ajustando o som. A banda está toda ali. Pelo menos toda a Shotgun Shells de hoje: Zombie não está mais lá. Zombie não está mais acima da terra. Há quase um ano ele morreu em um acidente de ônibus. Justamente por isso a capa do primeiro álbum da banda traz a foto maquiada e editada do seu irmão JG, como se ele fosse um zumbi e tivesse acabado de levar um tiro na testa. Em diagonal, embaixo, o teclado manchado de sangue. No rodapé, o nome do álbum escrito em letras que lembram algum estêncil agressivo,:quase uma pichação The Reverse Land: When Life is Death.

No palco, o novo baixista Moloch discute alguns detalhes com JG, enquanto Darklord acena para alguém ao longe, talvez perto dos banheiros. Ele é o vocalista. Tyrant se senta diante da bateria e bebe alguma coisa. Parece água. Vodka? Cachaça? É bem mais provável que seja algo do tipo.

No canto do palco está o último integrante. Com olhar de sociopata, ele apenas olha a discussão entre Moloch e JG. Olha e analisa. Zealot é seu nome e seu rosto traz maquiagem de cadáver. Provável homenagem a Zombie e referência ao álbum TRL:WLD.

A essa altura, os que se afastaram já estão de volta. Uma turma no canto ensaia uns gritos de guerra de sua própria tribo, enquanto no palco a Shotgun Shells faz seus últimos ajustes.

Começou!

Que melhor começo do que You're not safe? Esta foi a primeira música que trabalharam. Composta por Zombie, com uma base de guitarra pulsando e o teclado inconstante. Uma música que fala de um suposto ataque de zumbis, um apocalipse zumbi, e mostrando como ninguém está seguro em lugar algum.

Mesmo sendo no final da noite – e talvez por isso mesmo – alguns se animam e vão para a frente apreciar melhor.

Mal termina a música, eles já emendam com outra: The Evil Remains. Essa música densa e mais arrastada, que foi composta por Zealot, e fala de demônios prestes a subir na terra para nos perseguir pela noite quando estamos sem saber para onde ir.

Não poderia ser diferente. A banda está agradando, como previsto. Há alguns que apenas observam de longe. Especialmente os que não costumam ir a shows de metal e vieram por curiosidade.

A música para. Zealot executa um tema frenético e todos vibram. O teclado complementa e logo a banda inteira entra, de forma perfeitamente encaixada, na música One Shot. A música fala de um irmão que matou a irmã depois de uma longa e macabra história. É uma música um tanto longa e tem seus momentos de pausa, para retomar com animação.

Como a You're not safe, esta é uma música muito conhecida. Alguns até arriscam acompanhar o vocal gutural de Darklord. A plateia simplesmente vibra. Batem cabeça e se empurram na paz.

Mas não é na paz que um deles se aproxima no palco no exato momento de pausa no vocal de Darklord para o solo de Zealot.

Esse fã – ou seja lá o que for – coloca um pé no palco e aponta um revólver para Zealot, que não para de tocar enquanto o encara, esperando o desenrolar da cena. Darklord vê o sujeito e recoloca o microfone no pedestal para se aproximar do fã. Ele ergue a mão e parte para segurar o graço do maluco e impedir que faça alguma besteira.

Mas tudo acontece muito rápido e a besteira que podia ser feita não é impedida.

Um disparo que todos notam, mais visualmente do que auditivamente, e Zealot é jogado para trás.

O slow motion termina com um soco violento na cara do fã, que larga a arma e cai do palco de costas. O palco não era muito alto. As pessoas se aproximam para ver o que aconteceu, como está Zealot.

De repente a guitarra grita e todos levam um susto. Zealot se levanta e continua tocando de onde parou. Com olhar mais vivo e trazendo como única diferença uma mancha discreta arrocheada na testa, em meio à maquiagem de zumbi que já trazia.

Alguns gritam quando o veem de pé, então logo tudo vira uma grande festa, mesmo que ninguém entenda exatamente o que aconteceu. Era uma jogada de marketing o zumbi levar um tiro do mesmo jeito que na capa do CD? Darklord chegou a tempo e conseguiu por pouco desviar a mão do meliante milésimos de segundo antes do disparo? A plateia não sabe. Eles simplesmente aproveitam o show.

Pouco depois vem os seguranças do evento levar o agressor, já desacordado e pisoteado. Está desacordado por hoje ou desacordado pra sempre? Ninguém sabe.

Zealot foi mesmo atingido ou não? Ele próprio é o único que sabe. E sorri enquanto destila solos com sua guitarra com mais energia do que antes. Uma energia que, com o tempo traria efeitos colaterais. Mas ele não quer saber. Não agora. Só depois é que essa energia toda demoraria alguns dias para deixá-lo até mesmo dormir.

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