Depois de Chegar

Um dia sonhar com o lugarLágrima Lunar
Distante de tudo no mundo
E ao se passar mais um segundo
Perceber que já chegou lá

Saber que todos só desejam
Desde que se possa lembrar
Estar hoje no seu lugar
Que não cansam por mais que vejam

Pois longe só podem enxergar
Pensam que é o lugar melhor
Esse onde você está

E hoje ao olhar ao redor
O que cê faria ao notar
Que está e vai continuar só?

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Escarlate III #16 - Dueto e Estrada

Escarlate III #16 - Dueto e Estrada

“Maldito Zand precipitado! E Eve precipitada! Esse povo de Wimow parece que nasceu de sete meses!”

Os cinco seguem em direção à capital de Noak, a maioria deles a contragosto. São Krid, Epowi e Tierby, três aliados de Viex, e Zand.

“Isso não faz o menor sentido, mas quem sabe repetimos a sorte que tivemos da outra vez... Não fosse exatamente o Zand... Um outro bardo, mas com ótimo treinamento de guerreiro, com uma armadura de escamas de dragão, uma lira divina feita pelo amor desse mesmo dragão e uma lança tão famosa. São ingredientes demais para uma batalha no mínimo inesquecível.”

- Viex?

- Fala, Zand.

- Consegue distrair os ladinos com Janliet?

- Não acho que eles caiam fácil nesses truques.

- E se eu ajudasse?

- Como?

- Tocando lira para preencher mais sua canção.

- Talvez funcione. Podemos tentar.

- Comece.

Tierby e Epowi se olham e dão de ombros, enquanto Viex toma sua flauta Janliet e começa a tocar uma melodia suave.

Zand dedilha a lira, fazendo um dueto com Viex. Uma lira e uma flauta.

Os três outros aventureiros se admiram da beleza do som. O som vai diminuindo, enquanto eles se olham, até que...

- Onde estão os dois!?

- Não acredito que nos deixaram aqui. -Krid protesta. - Eu queria ir também!

- O que você acha que aconteceu?

- Eles devem ter se teletransportado.

Os três param. Antes que a discussão prossiga, eles ouvem duas gargalhadas mais adiante. Olham e veem que são os dois bardos.

- Pelo menos sabemos que isso funciona.

- O que vocês fizeram? - Epowi pergunta intrigado.

- É uma canção, uma canção de bardos – Viex responde. - Ela afeta a mente de quem está por perto e faz com que não nos vejam.

- E nós?

- Podemos fazer com que o tema da canção alcance vocês também.

- Mas não podemos perder a concentração. - Zand completa. - Vocês adotarão um papel fundamental nessa empresa: não temos certeza de quantos ladinos serão afetados por esta canção, então vocês vão ter que ficar de olho e a postos para nos dar cobertura.

- De fato uma boa ideia. - Viex fala. - Assim, se virem alguém fora do efeito da canção, vocês dão cabo deles, mas lembrem-se que não podem se afastar muito de nós ou sairão do tema.

- Tudo bem.

Tudo devidamente planejado, o grupo segue apreensivo, quando Zand começa a tocar a Canção do Repouso. Todos notam facilmente seu efeito, que tranquiliza a mente e revigora o corpo, numa baixa intensidade.

Os planos terminam mudando um pouco: Krid arranca uma roda de carroça logo que entram na cidade. Seu objetivo é usá-la como escudo contra possíveis projéteis. E que pena os outros dois não terem força suficiente para fazerem o mesmo.

Eles caminham por uma rua quase deserta. Já é quase noite. Não é difícil ver pessoas caminhando sob o abrigo da escuridão, dentro de prédios, nos telhados, becos... E triste é pensar que esta é apenas uma fração do pessoal da Dessurdi que tomou a cidade.

Um dardo acerta Krid de repente, vindo de uma das casas. Ainda não chegaram ao castelo de Beniw e Krid pende do cavalo..

- Nos notaram. Acho que ele foi envenenado. - Tierby murmura enquanto Epowi se aproxima do caído companheiro e coloca a mão sobre sua cabeça.

Ele ora para os deuses por sua saúde e os deuses lhe atendem. Krid está bem novamente e a canção não para. Zand faz, com a cabeça, sinal para prosseguirem, enquanto Viex gesticula em uma direção. Os três voltam seus olhos para lá.

Um casal jovem encapuzado – cujos rostos não se consegue ver com clareza passa em uma rua transversal, a dois metros dos cavalos de Zand e Viex, que vão à frente.

O casal não os nota, mas pelo porte e pela forma como andam, não há que lhes negar a natureza de assassinos.

A entrada em Beniw continua e com ela vem a preocupação: não há mais interrupções. Alguém certamente os vira e tentara derrubá-los com dardo – ou era apenas um teste – e nenhuma ocorrência mais houve. A preocupação pode ser resumida em uma pergunta: por quê?

Depois de percorrer mais ruas da cidade, finalmente eles se encontram diante da escadaria que serve de entrada para o castelo. Também encontram a resposta para aquela pergunta.

O ladino que os vira certamente veio e anunciou sua chegada ao casal que comanda Noak agora e que está no topo da escadaria, rodeado por uma guarda de bandidos.

Um sujeito elegantemente vestido em manto colorido que não é estranho aos olhos de Zand. A seu lado está...

- Eve?

O Espectro

Buzinas e pessoas desesperadas. O ar está pesado. A cidade suporta o peso do fim do mundo.

Carros parados sem ter como sairem. Caos, fumaça, barulho.

É quando o medo domina a cidade que aparece aquela imponente figura, vindo não se sabe de onde. É Octaville, o grande herói. Com sua roupa prateada e capa azul ondulante. A faixa também azul em sua testa, prende seus cabelos negros, sobre um rosto que expressa pura determinação. Ele para no ar a vários metros do chão para encher de esperança os corações das pessoas. Então parte para enfrentar o grande mal.

O inimigo não parece ter forma ou consciência. É um ciclone negro que devora a superfície da terra. Ele vem vindo em direção à cidade.

Octaville vê o ciclone tragando homens, casas e carros. Pela primeira vez em muitos anos, ele sente medo.

Ele sabe que sua força nada pode fazer contra aquela coisa. Sabe que as lâminas de aço que protegem seus braços não significam nada contra esse mal. Somente o voo lhe pode ser útil, mas não para derrotar a ameaça. Para fugir. Ele sente medo e sabe que nada pode fazer.

Mergulha até um morro, onde encontra uma torre de antena de transmissão. Ele a arranca tenta golpear o ciclone.

A torre não gira, ela simplesmente é sugada, quanse o levando junto. Octaville se afasta e observa assustado.

Seu coração bate forte e ele se lembra dos amigos. Alguns heróis já foram sugados. Esse ciclone, que Magician chamava de "espectro", vem sugando cidades. Magician já se foi.

"O que eu estava pensando quando escolhi esse caminho? Por que ser um super-herói? Agora estou preso entre o povo e o ciclone."

Como parar algo assim? Não é um ciclone comum, é como se fosse uma entidade do além, uma entidade com fome de vida, que devora tudo. E ela vem em direção à cidade.

Octaville faz o que pode. Sentindo-se péssimo como nunca antes na vida, ele voa e se afasta do ciclone. Pessoas o veem se afastando e não entendem o que está acontecendo. Alguns mudam a expressão para raiva, enquanto outros pedem calma, lembrando que heróis às vezes vão em busca de algum objeto especial ou de alguém para terem sua volta triunfal. A volta triunfal não vai acontecer desta vez.

Octaville vai até uma montanha onde vivia quando criança. Ele se senta e chora, olhando o lago e as verdes montanhas ao longe. Com as mãos apoiando a cabeça, ele não é mais um super-herói. Não é mais do que uma criança de cinco anos com medo do monstro do armário.

O que mais doi são as certezas que agora tem. Tem certeza de que o ciclone vai destruir a cidade e todas as pessoas que ele ama. Que o ciclone já matou seus colegas super-heróis. "Só vou sobrar eu?"

Ele sente que não vale a pena viver sozinho. Pensa em se jogar no ciclone para morrer junto com todos, mas não tem coragem disso. Tem medo. E chora.

De repente, ele percebe que o ar também está pesado ali, no seu local de repouso. Ergue a cabeça cheia de lágrimas e vê, em desespero, a face do medo ali, diante de si. O ciclone chegou e o encara,enquanto bebe todo o lago, sem deixar vida.

Ele o quer.

Octaville se levanta e tenta correr do ciclone. Não consegue voar. O ciclone está também do outro lado. Olha para cima e vê aquela escuridão se aproximando lentamente, mas sem chances de fuga.


Ronaldo desperta assustado. Senta-se na cama. Respira fundo e vai até o guarda-roupas. Destrava o compartimento secreto e contempla aquele uniforme prateado e azul.

Ele encosta a cabeça na parede preocupado.

Foi tudo um sonho. Não existe o ciclone.

Provavelmente Magician e todos os outros ainda estão vivos, lutando contra o crime e os perigos que ameaçam a paz.

Mas ele se questiona se é digno de ser chamado de Octaville, de ser chamado ainda de super-herói.

O ciclone não existia, mas suas atitudes existiram, seu medo. Como num sonho, todo aquele cenário de destruição ficou lá, mas esse medo Ronaldo trouxe com ele.

-- Cárlisson Galdino

Um time de livros em campo para o 4º Book Crossing Blogueiro

Book Crossing Brasil

Entre os dias 16 e 23 de abril de 2012 ocorre o 4º Book Crossing Brasil, um evento especial na blogosfera incentivando a prática do Book Crossing.

Esta prática consiste em perder livros. O que se quer é incentivar a leitura, deixando-se livros estrategicamente posicionados em certos locais para que pessoas os encontrem e os adotem, e os leiam.

Já faz tempo que eu gostaria de participar deste tipo de iniciativa, mas terminei adiando o momento. O momento chegou: estou "perdendo" aqui em Arapiraca onze livros (metade da minha autoria), aproveitando este evento, que orbita em torno do blog Luz de Luma. São exemplares de:

  • Jasmim, de Cárlisson Galdino
  • Chuva Estelar, de Cárlisson Galdino
  • As Valkírias, de Paulo Coelho
  • O Caso de Charles Dexter Ward, de HP Lovecraft
  • A Utopia, de Thomas More
  • O Caipira e o Onze e Meia, de Ronaldo Oliveira
  • O Melhor da Poesia Brasileira, de quatro grandes autores

Se você encontrou algum destes livros deixados por mim, comenta aí sobre suas impressões! :-)

É isso aí! E aproveitando que estamos falando de livros: conhecem o Skoob, a rede social de leitores? Eu também estou lá.

CyanZine #7

CyanZine #7

Cárlisson Galdino
http://cyanzine.bardo.ws/

Este ano está sendo o ano do abuso de poder e da luta pela Cultura (contra a imposição de leis de controle). No primeiro mês do ano, tivemos os projetos PIPA e SOPA, que foram afastados (mas não eliminados) por pressão popular e de grandes empresas como o Google.

Àquela mesma época aconteceu um ataque incoerente ao Megaupload. Os responsáveis pelo famoso site de compartilhamento de arquivos foi preso em operação polêmica. Alguns artigos desta edição do CyanZine tratam justamente desse estranho incidente.

Como se não bastasse, o ACTA veio com força, mostrando-se uma ameaça ainda mais perigosa que a PIPA e SOPA, dado seu alcance global. E no Brasil temos mais uma vez o MinC da Ana de Hollanda, que se perpetua no poder, demonstrando claramente que, além de saber exatamente o que está fazendo, a presidenta Dilma está mesmo em apoio de interesses comerciais internacionais, colocando a Cultura em segundo plano.

Para concluir, informo que esta provavelmente será a última edição do CyanZine, ao menos por algum tempo.

Foto desta edição: http://www.flickr.com/photos/thesuttonfamily/7006796239/

Baixe o CyanZine #7:

  • ePub (livro digital)
  • PDF (distribuição alternativa)
  • Texto Plano (inclui edições anteriores)
  • ODF (código-fonte)
Special: 

CyanPack 12.1- Mitromorpha Biplicata

CyanPack 12.1 - Biplicata

  • Removidos os jogos da edição anterior. Jogo desta edição: GLtron.
  • Removido LyX por questão de espaço.
  • Atualizados: Audacity 2.0, Banshee 2.4.0, Blender 2.62, Firefox 11.0, LibreOffice 3.5.2, Pidgin 2.10.3, Qbittorrent 2.9.5, Ultra VNC 1.0.9.6.2, VLC 2.0.1
  • Acrescentado seguinte material para leitura: Bala de Fuzil (poesia), Caderno PoliGNU Volume 1, Como incentivar mulheres a usarem e permanecerem no Linux (How-To), Demandas Legais no Desenvolvimento de Soluções de TI (Claudio Filho), Desafio a Pedro Cevada (cordel), Dil-Má (cordel), Miragem (cordel), O Castelo do Rei Falcão (cordel), Olhares da Rede (vários autores), Peleja de Pelé contra Roberto Carlos (cordel), Piratas e Reis (cordel), Revista Espírito Livre 34 e 35, Revista FOSSGIS Brasil 4, Revista Nintendo Blast 28, 29 e 30, Revista Overmundo 5, Revista Programar 33, Seu Papai Noel (cordel), Um Conto no Oeste (cordel), Você tem os fontes também (cordel)

A edição 12.1 do CyanPack traz como jogo Gltron, um simulador daquela clássica disputa de “motoluz” do primeiro filme Tron. A cada edição do CyanPack pretendo trazer um novo jogo livre.

O objetivo desta versão 12.1 era trazer o Trisquel 5.5 (Brigantia), porém ele atrasou. Após 1/3 do mês de abril e nada do Brigantia ser lançado, tentei preparar o CyanPack com o 5.5 RC. Acontece que não deu muito certo, então só me restou voltar ao Trisquel 5.0 mesmo. O que vem nesta edição do CyanPack é quase que o mesmo Trisquel da versão anterior, mas com os pacotes atualizados (e os dois jogos da versão anterior do CyanPack substituídos pelo jogo desta).

Criado inicialmente para facilitar a atualização dos computadores em meu local de trabalho, o hoje o CyanPack serve como um cartão de visitas do Software Livre, já que a seleção de softwares oferecidos é de qualidade e de utilidade geral (além de serem softwares livres). Se você está organizando o Flisol em sua cidade e quiser distribuir DVDs com Software Livre, fique à vontade com o CyanPack!

 

Baixe via link direto

  • CyanPack 12.1 DVD - contém softwares livres para windows + código fonte + livros e revistas digitais + trisquel gnu/linux -stats
  • CyanPack 12.1 CD - contém softwares livres para windows + livros e revistas digitais -stats

MD5Sum para checagem:

  • CyanPack 12.1 DVD - fa05fb72d9e6597f776fdacdb465ad46
  • CyanPack 12.1 CD - 3bdc27c7d8e83d26bd9bf7a984b858a0

Softwares para Windows contidos neste CD (DVD):

Software

Versão Windows

Versão Trisquel

7-Zip

9.20

Use o File Roller

Audacity

2.0

1.3.13

Banshee

2.4.0

2.0.0

BkChem

0.13.0

0.13.0

Blender

2.62

2.49.2

Evince

2.32.0

2.32.0

FBReader

0.12.10

0.12.10

Firefox

11.0

11.0

Geany

0.21

0.20

Gimp

2.6.11

2.6.11

GLtron

0.70

0.70

Gtk2 Runtime

2.24.8

2.20.2

InfraRecorder

0.52

Use o Brasero

Inkscape

0.48.2

0.48.1

Klavaro

1.9.4

1.7.4

LibreOffice

3.5.2

3.3.4

MD5 Summer

1.2.0.05

Use md5sum

MyPaint

1.0.0

0.9.0

Pidgin

2.10.3

2.7.11

Python

2.7.2

2.7.1

Qbittorrent

2.9.5

2.6.9

SpeedCrunch

0.10.1

0.10.1

uGet

1.8.0

1.6.2

Ultra VNC

1.0.9.6.2

Use Remmina

VirtuaWin

4.3

Desnecessário

VLC

2.0.1

1.1.9

WinCalendarTime

1.0

Desnecessário

Special: 

As Asas da Águia, o Livro

As Asas da Águia

Hoje está sendo publicado Lágrima Lunar, geralmente com uma poesia por segunda-feira. Você conhece As Asas da Águia? Este livro foi publicado integralmente aqui no Bardo WS. Está disponível à venda via Bookess.

Leiam! E se gostarem comprem o livro! Não sai tão caro, mesmo porque o frete é grátis! ;-)

Veja a primeira poesia do livro:

O Último Falcão

Lá se vai o último falcão
Chega ao chão mais uma pena torta
Depois de tanta perseguição
Vai ao chão como uma folha morta

O céu muda a cor para abraçar
Seu querido filho ora alado
Que somente por poder voar
Já se encontra todo estraçalhado

Foi-se o tempo da inocente dança
Só silêncio sapateia o chão
Trespassado por tão fria lança

Toda a luta por paz foi em vão
Já se foi a última esperança
Lá se foi o último falcão

-- Cárlisson Galdino

A Menina das Estrelas

Sempre que ela adormeciaLágrima Lunar
Ela buscava as estrelas
Nos sonhos, na fantasia
É onde queria estar

E a vida era poesia
Olhos fechados, sorriso
Mas enfim amanhecia
Não tinha como evitar

E a vida de correria
De olhos abertos que era
Problemas do dia a dia
Tão ruins de solucionar

Na lembrança ela só via
Estrelas, Lua e cometas
Do momento em que dormia
Saudades desse lugar!

O mundo só contraria
Quis lhe tirar a esperança
Mas ela não desistia
De sonho, estrela e luar

Acordada ou se dormia
Gostava tanto de estrelas
Eram a sua alegria
As estrelas a brilhar

Tanto ir ao espaço queria
Visitá-las acordada
E já que ir não podia
Quem sabe venham pra cá

Quem sabe num belo dia
Chegando perto do espaço
Sorrindo estrelas colhia
Para fazer um colar

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Escarlate III #15 - À Beira do Rio Cretoa

Escarlate III #15 - À Beira do Rio Cretoa

Quatro cavaleiros em três cavalos no meio da estrada param.

- E agora? O que vamos fazer? Está tudo perdido. - Tierby, um homem baixo e de cabelos escuros, lamenta, de seu cavalo que divide com Epowi.

- Ainda não. - Viex responde prontamente.

- Agora é que temos que agir. Isso ou nunca mais conseguirei voltar para o meu templo. - É o sacerdote Epowi quem fala.

- Então vamos pra Beniw resolver logo isso. - Krid opina.

- Não faz o menor sentido, Krid. Não tínhamos força suficiente para uma investida dessas lá no templo, o que dizer agora que somos somente quatro? O que temos que fazer é escolher uma outra cidade e montar uma nova base de operações. Sorte termos conseguido escapar.

- Pra onde então, Viex?

- Deixa eu pensar...

Viex olha o horizonte pensativo. Antes que uma resposta venha, nota a rápida aproximação de alguém.

- Rápido, vocês são viajantes e eu um artista tocando por uns trocados.

- Como!?

Antes que os outros três entendam com mais clareza o plano, Viex puxa a Janliet e começa a tocar uma música suave. Enquanto tenta ouvir pensamentos, pensa em qual será o próximo passo.

“Talvez o mais prudente seja voltarmos e nos aproximarmos da Floresta Noaknezt. Poderíamos ir para Cyiat, mas os únicos caminhos diretos a partir daqui passam por Evy ou Beniw e isso certamente não é prudente. Só se cruzarmos o rio e voltarmos pelo outro lado. O caminho que vai de Fyulet a Flovecrai passa suficientemente longe de Evy e nos deixa tão perto da entrada da floresta quanto Cyiat.”

“Não acho que estaremos em condições de entrar nessa guerra em menos de um ano. A guerra será longa e teremos que manter uma base de operações. Mais sensato talvez seja nem mesmo ir a Cretoa, mas acampar na floresta...”

E eis que o aventureiro se aproxima o suficiente para que Viex abandone seus pensamentos e até mesmo a composição que executava com Janliet.

O vulto avermelhado se aproxima a cavalo, com uma lança presa às costas e uma lira suspensa por uma tira de couro.

- Zand?!

Os três desfazem sua cara de “apreciadores da cultura popular” - ou o que eles acreditavam serem caras de apreciadores – e assumem uma expressão de espanto e alívio.

- Você o conhece?

Zand reduz sua velocidade e se aproxima do grupo após avistar Viex.

- Ora, quem encontro aqui no meio da estrada?

- Prazer revê-lo também. Está a passeio?

- Estou indo em missão de resgate e não tenho tempo a perder.

- Resgate?

- Sim. Estou indo a Beniw.

Enquanto Epowi e Tierby quase caem do cavalo, Krid não pode evitar um pequeno riso.

- Eve?

Zand o encara esperando que Viex prossiga.

- Ela esteve aqui há alguns dias. Estávamos tentando montar um grupo, mas ela desistiu e foi sozinha a Beniw antes da hora.

- E você deixou que ela fosse sozinha?

- Foi uma ação totalmente precipitada. Não tínhamos ainda gente suficiente para confrontar a Dessurdi.

Zand simplesmente gira o tornado e se volta para continuar no caminho que seguia. Os três aliados de Viex apenas olham, ainda mais espantados, aquele guerreiro com uma armadura de escamas de dragão se preparando para ir embora.

- O que você está fazendo?

- Eu vou resgatá-la.

- Você está maluco?! Os Dessurdi tomaram Beniw! Dri Gnat e até mesmo Evy já foram tomadas também. Estamos deixando Evy agora logo depois de o clã nos encontrar e atacar a base!

- Você já foi mais corajoso.

- Não é falta de coragem: é prudência! Da outra vez estávamos lidando com guerreiros e não com ladinos, além do que a tropa de Noak estava na fronteira. Era o momento mais apropriado.

- E quando será o momento mais apropriado dessa vez? - Zand o encara por um tempo, mas Viex não tem resposta.

- Está bem, está bem. Eu sei que vou me arrepender disso, mas você vai precisar de ajuda. Vamos a Fyulet e partimos amanhã cedo, ok?

Zand respira fundo antes de dar uma resposta. Em sua mente vem as palavras de Eve sobre Tornado em outra ocasião.

“Ele estaria reclamando que está sendo forçado a caminhar mais de dezesseis horas por dia quase sem parar. Você quer perder o animal também?”

Então pensa em como isso pode ser um truque para ganhar tempo, para tentar convencê-lo a uma abordagem mais lenta. Então se decide.

- Não. Vou agora mesmo. Se quiserem me acompanhar, venham, senão eu vou sozinho.

- Cara, como vocês são mesmo parecidos! Está bem! Está bem! Eu vou. E vocês?

Krid já se movimenta com um sorriso. Afinal, uma abordagem direta era tudo o que queria desde o começo.

- Já tivemos ação demais para um dia, não acham? - Epowi fala timidamente. Sabe que não vai conseguir convencer aquele guerreiro a mudar de ideia. Tenta só por tentar. - Está bem, mas vamos conversando sobre um plano. Não podemos chegar assim sem nada na cabeça.

- E você, Tierby?

- Vamos nessa.

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