Escarlate III #17 - Resgate?

Escarlate III #17 - Resgate?

- Ora, olha quem temos aqui! - O sujeito magro comenta apoiado no cajado. Suas roupas elegantes e seu ar que mistura arrogância com ingenuidade não nega sua natureza.

- Azkelph!?

- Também é um prazer revê-lo, Zand. A que devemos a honra dessa visita?

Azkelph encara “Rubi”, que desfaz a expressão de espanto. Ele sorri com sua surpresa.

Do outro lado, os cinco estão cercados e, agora, à mostra de todos. Zand não encontra palavras para confrontar o mago.

“Ele está vivo!? Não tinha sido assassinado pelos Raxx e substituído por Protages?”

- Zand, olha lá! Poderia pedir ao seu coleguinha bardo para parar de tocar flauta? Não estou com paciência para música e hoje também não tou afim de pagar cover artístico.

Viex para e olha pra Zand, que lê uma mensagem em seu olhar. Uma mensagem difícil de decifrar. Como quem está no controle da situação.

- Boa noite, Azkelph e Rubi. - É Viex quem toma a dianteira. - Sou daqui de Noak mesmo, como bem podes ver, e estou aqui com meus amigos para questionar o porque de a sua guarda interromper um culto religioso. Estávamos em um culto de adoração quando homens, creio que seus, atacaram o lugar, sem mais nem menos. Revolvemos correr até aqui para perguntar qual a razão disso. Por acaso, no novo reino de Noak que vocês vão construir está proibida a religião?

Azkelph olha por um tempo, como se estivesse procurando uma resposta, e termina soltando uma gargalhada.

- Vocês bardos me divertem, sabiam?

Sem uma resposta em palavras, ele gesticula algo para os outros. É nesse instante que o grupo se arma instantaneamente. Viex aciona sua Janliet para nublar a visão dos inimigos, dificultando que dardos os atinjam. Zand salta contra dois dos tais “soltados de Azkelph”, golpeando-os com sua Roph-Raph. Os outros três se posicionam para entrar também na briga.

Zand, já desmontado, luta de maneira praticamente automática, com medo de pensar em quem seria aquela mulher ao lado de Azkelph. Sim, Azkelph está vivo e este é um mistério, mas isso não tem qualquer importância para ele perto do mistério da identidade daquela mulher.

Ela veste uma roupa de couro, ressaltando suas curvas. Nas mãos, duas luvas brancas, as mesmas que usava quando Zand a encontrou em Froik. Em apenas uma das luvas, a direita, há uma pedra inserida, que muda de cor a depender do ângulo em que é vista. Suas mãos se movimentam lentamente, sem que ninguém perceba e alcançam um pequeno bastão escrito “E-60”.

- O quê?! - Azkelph grita espantado quando vê seu cajado voar de sua mão para longe e nota o corte em seu braço. Antes que a guarda possa fazer alguma coisa a respeito, aquela mulher já está descendo a escada em velocidade, indo em direção ao grupo.

- Zand, vamos! É Eve. - Viex fala, por medo de um desentendimento terminar numa tragédia. Zand a vê chegar. A lâmina azulada da E-60 corta dois meliantes e ela salta, montando Tornado.

- Me sigam. - Ela diz simplesmente, enquanto segue em uma direção.

A lâmina da E-60 oscila e falha por uns instantes, como se estivesse perdendo seu efeito. Eve prepara um golpe contra três brutamontes que bloqueavam o caminho. Por uma fração de segundo e exatamente no momento do golpe, a lâmina se expande num impacto violento, arremessando os três para longe, já inconscientes. Depois disso, a lâmina é desativada e guardada.

- Vamos! - Ela olha rapidamente para o grupo, em especial para Zand, já que está com sua montaria. Então segue rápido até alguns cavalos parados e muito pouco precisa esperar pelo grupo.

Guiados por Eve através de um estranho trajeto, entrando em ruas apertadas, finalmente eles saem de Beniw.

A saída é pela estrada que leva a Dri Gnat, mas Eve os guia por um caminho alternativo, uma estrada de pouco uso que leva a uma cidade que não mais existe, e que é usada nos dias de hoje por quem quer ir a Jaq Lanol ou Fyulet com mais sossego.

Só depois de muito adentrar na escuridão por essa estrada, quando estão longe o suficiente da capital de Beniw, é que Eve reduz a velocidade de sua montaria e conversa com os cinco.

- O que vocês pensam que estão fazendo?!

- Viemos te resgatar, Eve. - Zand responde, com naturalidade.

- Me resgatar!? Vocês estão malucos! Vocês iam morrer!

- Mas a gente conseguiu, não foi? - Krid fala alegre.

Nenhum sinal de alegria vem ao rosto de Eve.

- Não! Quase todas as ruas estão tomadas. Vocês iriam ser mortos facilmente ali sem ajuda de alguém que presenciou discussão dos últimos planos de preenchimento da cidade.

- Ah, é? Agora acredita quando eu digo que não temos condições de enfrentar aquele pessoal? - Viex pergunta e Eve o ignora. Ela respira fundo e conclui

- O que está feito está feito. Enquanto me passei por Rubi, tive acesso a informações ainda mais preocupantes. Não estamos em um bom lugar para conversar a respeito, entretanto. Vamos nos apressar para chegar a Rhidewar o quanto antes. Lá conversamos.

- Você sabia que essa cidade não existe mais? - Viex provoca.

Eve responde com um olhar de desprezo e galopa em seguida. Zand vai logo atrás, seguido pelos outros quatro.

O primeiro encontro de Mandros com o padre

Mandros

- Padre, eu só vim aqui pedir algum dinheiro. Eu preciso.

- Para que, meu filho? Para comprar mais bebidas e logo ficar sem nada?

- Eu preciso, padre. Eu preciso deixar a cidade! Claro, eu preciso beber também, mas isso nem é o principal.

- Pois pode ir embora, que eu não tenho dinheiro pra vagabundo. E eu tenho que levar os cristãos para a capital.

- Padre, padre... Eu não estou pedindo dinheiro.

- Ah, não?

Ele se levanta de cabeça baixa, com os dedos da mão direita sustentando a testa.

- O que quis dizer foi que isso não era um pedido.

O padre treme na cadeira espantado quando o homem estranho pega a faca que estava na mesa, uma faca de serra.

- O que está fazendo, meu filho?

- Estou pensando em suas palavras.

- Você está nervoso, meu filho, se acalme e passe aqui semana que vem que a gente vê o que pode fazer a seu respeito.

- De fato... É uma proposta interessante, mas o que você diria se eu lhe dissesse que não gostei muito dela?

- Olha, meu filho, eu...

- Senta aí!

Ele empurra o padre de volta no momento em que ele tentava se levantar. Enquanto o padre olha para ele ofegante, ele gira o olhar através da sala.

Há um oratório num dos cantos, com imagens de santos diversos e um crucifixo no topo. Do outro lado, perto da porta do banheiro, uma estante parecida com aquele oratório, com um espelho, com um terço suspenso por um prego. Pelo espelho se vê parte da parede que leva à porta da escada, que leva à rua. Então olha novamente o padre.

- Meu filho, eu já estou bem velho, tenho idade para ser seu avô, me deixa em paz por favor, em nome de Deus!

- Paz... Paz... Padre, esse pedido seu não é prático, não é realizável. Já olhou o mundo lá fora? Ah, mas o que eu estou falando? Você ouve! As pessoas se confessam, não é, padre? Você sabe muito bem que não dá pra ter paz nesse mundo. A não ser... Por acaso o padre estaria me pedindo mesmo para te deixar em paz? Na paz do Senhor?

- Meu filho, o que é isso? Vamos, volte a si, você é um homem bom!

- Bom? Hahahahaha! Claro que sou bom! Nunca vi ninguém fazer isso melhor do que eu!

Com a mão direita, ele tapa a boca do padre, que se debate na cadeira com os olhos arregalados. Com a esquerda ele manuseia a faca que havia sobre a mesa, em direção ao pescoço do pobre sacerdote.

Lá fora cinco pessoas esperam, perto do pequeno e velho ônibus. Esperam por quem os leve até a capital. Esperam que seja o padre, mas quem surge é um outro homem, recém-saído do banho. Ele desce aquela escada e fecha a porta à chave. Então fala para os presentes, com um sorriso estranho no rosto.

- Quem vai comigo pra capital?

- Não era o padre que nos levaria?

- O padre, o padre! Eu lá tenho cara de padre!? Vamos, estou trabalhando para ele hoje. Ele está, como diria, meio indisposto.

Eles entram no veículo receosos enquanto aquele estranho prepara para partida. Alguns ainda olham pra janela do primeiro andar antes que o pequeno ônibus vire a esquina.

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Kirby, um herói não convencional

Bolo de aniversário no formato do Kirby

Um monstro assola a população, que não tem como se defender. Uma profecia fala de um guerreiro valoroso e corajoso que virá das estrelas para salvar o povo sofrido. Todos esperam e surpresa! É um balão cor-de-rosa.

Kirby com o poder do fogoKirby em essência é uma piada com as expectativas de heróis. Ao invés de um corpo definido, é uma bola; ao invés de transmitir confiança e imponência, é "fofinho"; e ainda é cor-de-rosa. Mas não subestimem esse herói, que tem poderes fabulosos.

Primeiro, que ele pode inflar o próprio corpo como um balão e voar por aí (devagarinho, mas voa). Segundo que ele é resistente pra caramba, como se seu corpo fosse feito de uma borracha especial. E terceiro, claro, que ele tem o poder de absorver os poderes de inimigos que ele engula.

Boa parte da diversão de jogar com esse carismático personagem da Nintendo está nessa última habilidade. Você enfrenta um espadachim e o absorve, Kirby ganha uma espada; absorve um monstrinho de fogo e Kirby ganha poderes de fogo também. Sempre mudando o visual um pouco. Foram diversos e diversos poderes que Kirby já teve graças a essa habilidade (quer ver? dá uma olhada na edição 25 da Revista Nintendo Blast). Sem contar que, se alguém conseguir fatiá-lo, ele se torna uma multidão de Kirbies (como no jogo mais recente para Nintendo DS: Kirby Mass Attack).

Kirby com a espadaKirby estrelou no Game Boy e já passou por diversos consoles, incluindo os recentes Nintendo DS e Wii (haverá versão para 3DS?), mas sua presença não está restrita aos seus próprios jogos: ele participa desde a primeira edição do Super Smash Bros, ainda para Nintendo 64. E é um competidor de peso. Sua habilidade de absorver poderes funciona também nesse jogo de luta (com a diferença de que o inimigo não é exatamente engolido, mas devolvido). Isso rende Kirby vestido de Link, Kirby-Mario, dentre outros.

Kirby, que hoje completa 20 anos, tem representado no universo Nintendo inovação e criatividade. Seja com o Canvas Course do Nintendo DS, onde o controle sobre o herói é indireto; ou com o altamente premiado Kirby Epic Yarn, que faz do jogo uma tela viva de bordado.

Veja o trailer desse belo jogo para Wii:

É isso aí! Parabéns! Feliz aniversário Kirby das Estrelas!

Special: 

glTron: Pegue sua Motoluz e corra para vencer

Desde a primeira edição de 2012 (a 12.0 - Azorensis), defini que cada nova edição do CyanPack trará um jogo livre diferente. O da edição 12.1 é o glTron.

Tron?

Tron é um filme da Disney de 1982. É um filme de ação que envolve um mundo virtual, onde programas são obrigados a participar de jogos. O filme é bem interessante, tanto que terminou ganhando uma continuação em 2010 e está para ganhar uma série.

Dentre os diversos jogos que aparecem em Tron, um que se destacou bastante foi o de motoluz (light cycle) e é justamente esse jogo que é simulado pelo glTron.

Nele você controla uma dessas motos do mundo virtual e tem que derrotar seus oponentes fazendo com que se choquem com algumra parede. Cada moto deixa uma parede atrás de si, que só desaparecerá por inteiro quando o participante que a criou for derrotado.

Apesar de o projeto ter parado há alguns anos, ainda é possível se divertir um pouco com glTron, que tem versão para Windows, GNU/Linux e Mac OS. Inclusive com disputas online.

O maior e-mail alfabético do mundo

http://www.abcdefghijklmnopqrstuvwxyzabcdefghijklmnopqrstuvwxyzabcdefghijk.com/

É um serviço de email gratuito que oferece um email no endereço abcdefghijklmnopqrstuvwxyzabcdefghijklmnopqrstuvwxyzabcdefghijk.com. Isso mesmo! De A a Z duas vezes, seguido de de A a K.

Você deve se perguntar: por que alguém em sã consciência criaria um email louco desses? Um "jose.silva" "arroba" isso tudo aí? O site dá a explicação. Segundo eles, um email desses é tão grande que:

  • Alguns formulários web não conseguirão lê-lo
  • Alguns softwares de email não conseguirão ser configurados
  • Pessoas levarão muito tempo para escrever seu endereço de email, e não se lembrarão dele
  • Companhias acharão que seu endereço de email é falso
  • É o maior endereço alfabético da Terra.

Talvez seja útil para quem quer fugir de spam, talvez não. De qualquer forma é gratuito, apesar de oferecer apenas 6M. Hoje em dia que os encurtadores de URL já são um hábito pra muita gente, vale a pena ter um email desse tamanho?

Demandas Legais no Desenvolvimento de Software sob uma visão tecnológica

Em março, meu amigo Claudio Filho publicou um ebook com uma temática interessante: licenciamento de software. Claudio Filho, para quem não conhece, foi praticamente o cara que iniciou os projetos de tradução do GIMP, BrOffice (a fundação era um projeto dele) e Mozilla. Hoje, na era pós-BrOffice, está afastado do LibreOffice, mas por razões próprias. Mantém hoje o projeto Escritório Livre e está apoiando o Apache OpenOffice (que ainda não foi lançado em versão estável).

Pois bem, o assunto aqui é o ebook, que está sendo distribuído sob licença Creative Commons - Atribuição - Uso não comercial - Compartilhamento pela mesma licença. Ainda não li por conta e ter uma fila de pendências de leitura, mas pretendo ler em breve, mesmo porque licenciamento de software também é uma temática de me u interesse, sobre a qual tenho inclusive alguns cordéis (Do Livre e do Grátis, por exemplo) mesmo também não tendo nenhum pé na área jurídica...

O ebook Demandas Legais no Desenvolvimento de Software sob uma visão tecnológica pode ser baixado do blog do Claudio (o link direto também já está na sessão Livros Digitais deste site aqui).

Depois de Chegar

Um dia sonhar com o lugarLágrima Lunar
Distante de tudo no mundo
E ao se passar mais um segundo
Perceber que já chegou lá

Saber que todos só desejam
Desde que se possa lembrar
Estar hoje no seu lugar
Que não cansam por mais que vejam

Pois longe só podem enxergar
Pensam que é o lugar melhor
Esse onde você está

E hoje ao olhar ao redor
O que cê faria ao notar
Que está e vai continuar só?

-- Cárlisson Galdino

Special: 

Escarlate III #16 - Dueto e Estrada

Escarlate III #16 - Dueto e Estrada

“Maldito Zand precipitado! E Eve precipitada! Esse povo de Wimow parece que nasceu de sete meses!”

Os cinco seguem em direção à capital de Noak, a maioria deles a contragosto. São Krid, Epowi e Tierby, três aliados de Viex, e Zand.

“Isso não faz o menor sentido, mas quem sabe repetimos a sorte que tivemos da outra vez... Não fosse exatamente o Zand... Um outro bardo, mas com ótimo treinamento de guerreiro, com uma armadura de escamas de dragão, uma lira divina feita pelo amor desse mesmo dragão e uma lança tão famosa. São ingredientes demais para uma batalha no mínimo inesquecível.”

- Viex?

- Fala, Zand.

- Consegue distrair os ladinos com Janliet?

- Não acho que eles caiam fácil nesses truques.

- E se eu ajudasse?

- Como?

- Tocando lira para preencher mais sua canção.

- Talvez funcione. Podemos tentar.

- Comece.

Tierby e Epowi se olham e dão de ombros, enquanto Viex toma sua flauta Janliet e começa a tocar uma melodia suave.

Zand dedilha a lira, fazendo um dueto com Viex. Uma lira e uma flauta.

Os três outros aventureiros se admiram da beleza do som. O som vai diminuindo, enquanto eles se olham, até que...

- Onde estão os dois!?

- Não acredito que nos deixaram aqui. -Krid protesta. - Eu queria ir também!

- O que você acha que aconteceu?

- Eles devem ter se teletransportado.

Os três param. Antes que a discussão prossiga, eles ouvem duas gargalhadas mais adiante. Olham e veem que são os dois bardos.

- Pelo menos sabemos que isso funciona.

- O que vocês fizeram? - Epowi pergunta intrigado.

- É uma canção, uma canção de bardos – Viex responde. - Ela afeta a mente de quem está por perto e faz com que não nos vejam.

- E nós?

- Podemos fazer com que o tema da canção alcance vocês também.

- Mas não podemos perder a concentração. - Zand completa. - Vocês adotarão um papel fundamental nessa empresa: não temos certeza de quantos ladinos serão afetados por esta canção, então vocês vão ter que ficar de olho e a postos para nos dar cobertura.

- De fato uma boa ideia. - Viex fala. - Assim, se virem alguém fora do efeito da canção, vocês dão cabo deles, mas lembrem-se que não podem se afastar muito de nós ou sairão do tema.

- Tudo bem.

Tudo devidamente planejado, o grupo segue apreensivo, quando Zand começa a tocar a Canção do Repouso. Todos notam facilmente seu efeito, que tranquiliza a mente e revigora o corpo, numa baixa intensidade.

Os planos terminam mudando um pouco: Krid arranca uma roda de carroça logo que entram na cidade. Seu objetivo é usá-la como escudo contra possíveis projéteis. E que pena os outros dois não terem força suficiente para fazerem o mesmo.

Eles caminham por uma rua quase deserta. Já é quase noite. Não é difícil ver pessoas caminhando sob o abrigo da escuridão, dentro de prédios, nos telhados, becos... E triste é pensar que esta é apenas uma fração do pessoal da Dessurdi que tomou a cidade.

Um dardo acerta Krid de repente, vindo de uma das casas. Ainda não chegaram ao castelo de Beniw e Krid pende do cavalo..

- Nos notaram. Acho que ele foi envenenado. - Tierby murmura enquanto Epowi se aproxima do caído companheiro e coloca a mão sobre sua cabeça.

Ele ora para os deuses por sua saúde e os deuses lhe atendem. Krid está bem novamente e a canção não para. Zand faz, com a cabeça, sinal para prosseguirem, enquanto Viex gesticula em uma direção. Os três voltam seus olhos para lá.

Um casal jovem encapuzado – cujos rostos não se consegue ver com clareza passa em uma rua transversal, a dois metros dos cavalos de Zand e Viex, que vão à frente.

O casal não os nota, mas pelo porte e pela forma como andam, não há que lhes negar a natureza de assassinos.

A entrada em Beniw continua e com ela vem a preocupação: não há mais interrupções. Alguém certamente os vira e tentara derrubá-los com dardo – ou era apenas um teste – e nenhuma ocorrência mais houve. A preocupação pode ser resumida em uma pergunta: por quê?

Depois de percorrer mais ruas da cidade, finalmente eles se encontram diante da escadaria que serve de entrada para o castelo. Também encontram a resposta para aquela pergunta.

O ladino que os vira certamente veio e anunciou sua chegada ao casal que comanda Noak agora e que está no topo da escadaria, rodeado por uma guarda de bandidos.

Um sujeito elegantemente vestido em manto colorido que não é estranho aos olhos de Zand. A seu lado está...

- Eve?

O Espectro

Buzinas e pessoas desesperadas. O ar está pesado. A cidade suporta o peso do fim do mundo.

Carros parados sem ter como sairem. Caos, fumaça, barulho.

É quando o medo domina a cidade que aparece aquela imponente figura, vindo não se sabe de onde. É Octaville, o grande herói. Com sua roupa prateada e capa azul ondulante. A faixa também azul em sua testa, prende seus cabelos negros, sobre um rosto que expressa pura determinação. Ele para no ar a vários metros do chão para encher de esperança os corações das pessoas. Então parte para enfrentar o grande mal.

O inimigo não parece ter forma ou consciência. É um ciclone negro que devora a superfície da terra. Ele vem vindo em direção à cidade.

Octaville vê o ciclone tragando homens, casas e carros. Pela primeira vez em muitos anos, ele sente medo.

Ele sabe que sua força nada pode fazer contra aquela coisa. Sabe que as lâminas de aço que protegem seus braços não significam nada contra esse mal. Somente o voo lhe pode ser útil, mas não para derrotar a ameaça. Para fugir. Ele sente medo e sabe que nada pode fazer.

Mergulha até um morro, onde encontra uma torre de antena de transmissão. Ele a arranca tenta golpear o ciclone.

A torre não gira, ela simplesmente é sugada, quanse o levando junto. Octaville se afasta e observa assustado.

Seu coração bate forte e ele se lembra dos amigos. Alguns heróis já foram sugados. Esse ciclone, que Magician chamava de "espectro", vem sugando cidades. Magician já se foi.

"O que eu estava pensando quando escolhi esse caminho? Por que ser um super-herói? Agora estou preso entre o povo e o ciclone."

Como parar algo assim? Não é um ciclone comum, é como se fosse uma entidade do além, uma entidade com fome de vida, que devora tudo. E ela vem em direção à cidade.

Octaville faz o que pode. Sentindo-se péssimo como nunca antes na vida, ele voa e se afasta do ciclone. Pessoas o veem se afastando e não entendem o que está acontecendo. Alguns mudam a expressão para raiva, enquanto outros pedem calma, lembrando que heróis às vezes vão em busca de algum objeto especial ou de alguém para terem sua volta triunfal. A volta triunfal não vai acontecer desta vez.

Octaville vai até uma montanha onde vivia quando criança. Ele se senta e chora, olhando o lago e as verdes montanhas ao longe. Com as mãos apoiando a cabeça, ele não é mais um super-herói. Não é mais do que uma criança de cinco anos com medo do monstro do armário.

O que mais doi são as certezas que agora tem. Tem certeza de que o ciclone vai destruir a cidade e todas as pessoas que ele ama. Que o ciclone já matou seus colegas super-heróis. "Só vou sobrar eu?"

Ele sente que não vale a pena viver sozinho. Pensa em se jogar no ciclone para morrer junto com todos, mas não tem coragem disso. Tem medo. E chora.

De repente, ele percebe que o ar também está pesado ali, no seu local de repouso. Ergue a cabeça cheia de lágrimas e vê, em desespero, a face do medo ali, diante de si. O ciclone chegou e o encara,enquanto bebe todo o lago, sem deixar vida.

Ele o quer.

Octaville se levanta e tenta correr do ciclone. Não consegue voar. O ciclone está também do outro lado. Olha para cima e vê aquela escuridão se aproximando lentamente, mas sem chances de fuga.


Ronaldo desperta assustado. Senta-se na cama. Respira fundo e vai até o guarda-roupas. Destrava o compartimento secreto e contempla aquele uniforme prateado e azul.

Ele encosta a cabeça na parede preocupado.

Foi tudo um sonho. Não existe o ciclone.

Provavelmente Magician e todos os outros ainda estão vivos, lutando contra o crime e os perigos que ameaçam a paz.

Mas ele se questiona se é digno de ser chamado de Octaville, de ser chamado ainda de super-herói.

O ciclone não existia, mas suas atitudes existiram, seu medo. Como num sonho, todo aquele cenário de destruição ficou lá, mas esse medo Ronaldo trouxe com ele.

-- Cárlisson Galdino

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