CyanPack 12.0 - Mitromorpha Azorensis

31 jan 2012

CyanPack 12.0

  • Novo estilo para a série Mitromorpha do CyanPack (a série de 2012);
  • Reorganizado o conteúdo em várias páginas HTML ao invés de apenas uma.
  • Sumatra substituído pelo Evince 2.32.0.
  • Substituído wxDownloadFast por uGet 1.8.0.
  • Substituído Deluge por Qbittorrent 2.4.0.
  • Removido WinDjView (Evince lê arquivos DjVu).
  • Excluídos Putty, BrModelo, Stellarium, Avidemux, TuxPaint.
  • Atualizados: Firefox 9.0.1, LibreOffice 3.4.5, Pidgin 2.10.1, Klavaro 1.9.4, Blender 2.61.
  • Incluido Gtk2 Runtime - necessário para o uGet

Como acontece todo ano, o CyanPack em 2012 terá um novo universo para seus codinomes. Depois da família de formigas Technomyrmex, é a vez dos moluscos Mitromorpha, iniciado pelo Mitromorpha Azorensis.

Esta não é a única novidade. Mais uma mudança sutil no versionamento do projeto. De início seguia o estilo Canonical, com versões na forma ano.mês. Então, o padrão foi mudado para uma contagem incremental simples no segundo número, o primeiro continua sendo o ano. O padrão continua, mas a partir de agora começará do zero ao invés do um. Assim, a versão Mitromorpha Azorensis, a primeira de 2012, é a 12.0.

O projeto CyanPack, junto com o site CarlissonGaldino.com.br, completa 5 anos agora, na virada de janeiro para fevereiro. Como se não bastasse, completa também 50 releases com a Azorensis, contando desde a primeira versão pública e incluindo as duas edições especiais feitas para o Flisol. Tal evento resultou na promoção Super 5, falada mais adiante.

Com a mudança de tema (agora Mitromorpha), o estilo do CyanPack mudou e mudou também sua organização. A navegação pelo conteúdo do CD/DVD não está mais restrita a uma página HTML: há várias páginas, uma por tipo de conteúdo. A lista de softwares livres para Windows está apresentada em formato de tabela, trazendo bem mais informações que a lista não-numerada, usada nas versões anteriores. Foi expandida a sessão de livros digitais para incluir livros digitais de minha autoria (para que a mídia funcione, até certo ponto, também como uma apresentação pessoal). Foi criada uma sessão de papéis de parede, inclusive incluindo todos os papéis de parede que consegui obter, anteriores do projeto (desde a época em que se chamava NTI-CD). Há, inclusive, alguns papéis de parede comemorativos: confira!

Outra novidade diz respeito à seleção de softwares, tanto no Windows como no Trisquel. A ideia agora é unificá-los ao máximo quanto ao conjunto de softwares oferecidos, de modo que os usuários encontrem os mesmos programas tanto no Trisquel quanto para instalar no Windows. O princípio para isso é que facilitará migração futura de usuários Windows que venham a se acostumar com o CyanPack. Foi assim que o SumatraPDF foi substituído pelo Evince, no Windows e o Banshee substitui o Exaile no Trisquel, por exemplo.

Enfim, o CyanPack continua firme e ainda mais interessante. Disponível em CD (softwares livres para Windows, livros e revistas digitais, papéis de parede) e DVD (incluindo, além do conteúdo do CD, código-fonte dos softwares livres para Windows e o sistema operacional Trisquel, baseado em GNU e kernel Linux-libre). Baixe lá o seu Azorensis!

Baixe via torrent:

  • CyanPack 12.0 DVD (54) - contém softwares livres para windows + código fonte + livros e revistas digitais + trisquel gnu/linux
  • CyanPack 12.0 CD (40) - contém softwares livres para windows + livros e revistas digitais

Baixe via link direto

  • CyanPack 12.0 DVD - contém softwares livres para windows + código fonte + livros e revistas digitais + trisquel gnu/linux -stats
  • CyanPack 12.0 CD - contém softwares livres para windows + livros e revistas digitais -stats

MD5Sum para checagem:

  • CyanPack 11.8 DVD - 854c78b1cce3b507639dad2a5e6c389f
  • CyanPack 11.8 CD - f6413a73ba6bba24bc2203c19a5fb2b4

O arquivo com o DVD ficou bem maior que anterior principalmente devido às mudanças no Trisquel. Veja o conteúdo exato do CD (DVD):

Softwares desta edição:

SoftwareVersão WindowsVersão Trisquel
7-Zip9.20Use o File Roller
Audacity1.2.61.3.13
Banshee2.2.02.0.0
BkChem0.13.00.13.0
Blender2.612.49.2
Evince2.32.02.32.0
FBReader0.12.100.12.10
Firefox9.0.19.0.1
Geany0.210.20
Gimp2.6.112.6.11
Gtk2 Runtime2.24.82.24.4
InfraRecorder0.52Use o Brasero
Inkscape0.48.20.48.1
Klavaro1.9.41.7.4
Lbreakout22.4.12.6.1
LibreOffice3.4.53.3.4
LyX2.0.22.0.0
MD5 Summer1.2.0.05Use md5sum
MyPaint1.0.00.9.0
Pidgin2.10.12.7.11
Python2.7.22.7.1
Qbittorrent2.4.02.6.9
SpeedCrunch0.10.10.10.1
SuperTux0.1.30.3.3
uGet1.8.01.6.2
Ultra VNC1.0.9.6.1Use Remmina
VirtuaWin4.3Desnecessário
VLC1.1.111.1.9
WinCalendarTime1.0Desnecessário

Leitura

  • CyanZine #6
  • Revista Espírito Livre #32 e #33
  • Revista Nintendo Blast #25
  • Revista Programar #32
  • Revista OverMundo #4
  • Revista Nintendo Blast #26 e #27
  • Revista Playstation Blast #1
  • Dentre outros (incluindo cordéis)

CyanZine #06

31 jan 2012

CyanZine #06

Início de 2012. Alguns diziam que será o nosso último ano. Felizmente, apesar da opressão e do desejo por poder e controle demonstrado pelos reis do mundo, as pessoas parecem bem otimistas. Os protestos contra o poder (como foi o caso do StopSOPA) parecem dar novo ânimo a todos nós e apontar que há sim uma esperança de não irmos ainda mais fundo nesse abismo.

A polêmica Ana de Hollanda, que do alto de seu ministério prefere apoiar a Indústria do Copyright e pisar com os dois pés a cultura nacional, continua rendendo assuntos.

A edição deste bimestre do CyanZine trata de algumas leis preocupantes (incluindo, certamente, a própria dupla SOPA/PIPA). A propósito, a poesia desta edição é justamente um cordel tratando do assunto. Se você ainda não entendeu do que se trata tudo isso, dá uma olhada lá no Cordel da Pipa e da Sopa!

Uma novidade do CyanZine nesta edição é que voltei a editoriar todos os artigos, como fiz nas primeiras edições da revista. Como vocês sabem, os artigos são coletados de blogs que permitam redistribuição sob licenças permissivas: este é o prerrequisito. Agora os estou revisando um a um antes da publicação.

Falando desses blogs, os blogs que tem mais artigos publicados nesta edição (com critério de desempate sendo o total de artigos considerando todas as edições anteriores) estou colocando o ícone/logo/imagem na capa da revista, para referência e divulgação. Espero que nenhum dos blogueiros se aborreça com isso. Caso alguém prefira não ser apresentado, basta falar que eu não coloco mais. E se alguém tiver interesse em manter uma coluna bimestral temática, entre em contato!

Enfim, Feliz 2012 para todos! Sobre as lutas, um aviso: vencemos o SOPA (vencemos mesmo?), mas o ACTA está por aí. Temos que estar atentos a isso também ou o estrago vai ser grande...

Cárlisson Galdino
http://cyanzine.bardo.ws/

Foto desta edição: http://www.flickr.com/photos/dok42dok/6754313435/

 

Baixe o CyanZine #6:

  • ePub (49) (livro digital)
  • PDF (83) (distribuição alternativa)
  • Texto Plano (28) (inclui edições anteriores)
  • ODF (28) (código-fonte)

Promoção Super 5 - 3/5 dos ganhadores

30 jan 2012

Saudações!

Os soreteios da Promoção Super 5 aconteceriam ontem, não fosse o Twitquero, que não me deixa autenticar para realizá-los. Já cansei da mensagem "Ops! Não conseguimos nos conectar ao Twitter. O que será que aconteceu? Vamos fazer assim... tenta ai de novo."

Sendo assim, já que a promoção envolve sorteios para assinantes do nBardo também, aqui estão os 3 ganhadores do kit nesse sorteio:

  1. marciopedro@...
  2. poetalimajunior@...
  3. deboraaniel@...

Os outros dois kits, que serão sorteados via Twitquero, continuarei tentando sortear. Quando conseguir eu aviso.

Special: 

Apolo e a ninfa Dafne

30 jan 2012

Apolo andando pelo bosque encontra Eros descansando e diz: "Ô menino... Que é que cê faz com essas flechinhas? Isso é coisa de gente grande, moleque! Dá aqui pra mim, dá?"

E ele responde: "você não sabe o que é isso... Tuas flechas podem matar qualquer homem mas as minhas são mais poderosas, pois podem ferir até você, mesmo sendo um deus"

Apolo diz: "Ah, é? Essa eu quero ver!"

Eros então dispara uma flecha dourada em Apolo. Tava passando Dafne, uma ninfa da floresta, na hora, e Eros pega uma flecha de bronze e dispara em Dafne

Apolo viu Dafne e se apaixonou, Dafne viu Apolo e temeu. Aí sai apolo doido atrás da Dafne e Dafne fungindo de Apolo pela floresta. Quando Apolo estava prestes a pegá-la, Dafne pede a seu pai "Socorro! Pelamordezeus! Não deixa ele me pegar!" e o pai dela a transforma em um loureiro.

Apolo ficou arrasado, pegou um ramo de loureiro, colocou na cabeça e adotou, a partir daquele dia, o loureiro como seu símbolo oficial

* ninfas são deusas menores, que vivem nas florestas ou em rios, são como fadas
* Eros tinha dois tipos de flechas. as douradas provocavam amor, as de bronze provocavam repúdio

P. S.: Foto do post de gogoloopie.

P.S. 2: Publicado originalmente no extinto blog Magia da Terra.

P. S. 3: Os sorteios da promoção Super 5 ainda não ocorreram devido a problemas técnicos no site Twitquero (não estou conseguindo autenticar desde ontem). Continuo tentando e tão logo consiga eu informo aqui quem foram os ganhadores.

Escarlate III #04 - Reunião no Templo

29 jan 2012

Escarlate III #04 - Reunião no Templo

Beniw, capital do reino de Noak. Um homem se aproxima do templo que é cuidado pelo monge Oacos. Um homem encapuzado a cavalo se aproxima. Ele para diante do pequeno templo, desmonta e caminha calmamente em direção à entrada.

- Boa tarde, meu amigo! - É como é recebido o visitante pelo monge.

O visitante tira o capus, mostrando seus cabelos loiros e seu rosto conhecido. É descendente de uma linhagem de bardos de Noak conhecida em todo o continente. Herdeiro dos talentos dos Woate. Dos talentos e da flauta Janliet.

- Boa tarde, Oacos! Como vai?

- Vou bem, na medida do possível. Vamos, entre! Não fique parado aqui na entrada que não convém.

- Tenho certeza que não, ainda mais com o clima na cidade.

O monge o conduz até uma sala no fundo do prédio, onde está Uglu limpando vasos.

- Viex? - Ele olha com estranheza.

- Boa tarde, meu amigo. Sinto muito pelo seu irmão e queria aproveitar o momento para me desculpar. Não agi bem com você naquele dia.

- Eu entendo. Queria botar as mãos nos Raxx. Aqueles... - Ele abaixa um pouco a cabeça, mas logo se recompõe. - O que o traz aqui?

- As notícias me conduzem. - Viex olha ao redor. - Onde está Breig?

- Ele saiu para fazer compras e aproveitar pra caminhar um pouco.

- Os dois tem me ajudado muito esses dias. - Oacos revela, enquanto se senta à mesa.

- É, vejo que sim! - Viex olha para Uglu com expressão de estranhamento.

É engraçado ver um sujeito que era tão irracional e feroz em um outro momento, agora concentrado limpando vasos.

- Na verdade – Uglu deixa os vasos de lado por um momento. - estamos prestes a ir embora. Já estamos bem e com saudades do mar.

- Oh... Mas vão tão cedo? Sabem que o templo é pequeno, mas que são bem-vindos aqui. Se quiserem ficar...

- Não, Oacos. Agradeço muito, muito mesmo! Quem é do mar não esquece o mar, é como dizem. Temos que procurar a DiaboM e voltar a fazer parte da tripulação. Mas a gente não vai agora fugindo: vamos daqui a uma semana ou duas.

Viex olha para os dois por um momento. Oacos e Uglu percebem a seriedade do assunto que virá. Então, ele começa.

- Vocês sabem que Beniw tem poucos aventureiros...

- Claro – Oacos responde -, depois do golpe e da perseguição feita pelos Raxx, quem não foi assassinado fugiu para longe.

- Exato. Acontece que as coisas hoje não são bem assim.

- O que quer dizer?

- As pessoas ainda não perceberam, mas a cidade está infestada de aventureiros.

- Como é possível? Quando foi que...

- Faz muito pouco tempo. Eles estão escondidos por aí, nas sombras.

- E quem são eles?

- Assassinos, mercenários, ladrões...

- Não estou entendendo.

- O castelo foi retomado.

- Os Raxx...?

- Talvez, mas desta vez penso que tenha ligação com a guilda Dessurdi.

- De Surdi?! - Oacos exclama.

- Não, Oacos. - Uglu responde por Viex, com ar sério. - Os Dessurdi realmente surgiram em Surdi, mas são hoje a maior guilda de bandidos da terra. Sempre há pequenos grupos em todas as principais cidades.

- Como eu nunca ouvi falar disso?

- Ora, meu amigo – Viex fala, com tom irônico -, você é um abençoado! Vive no seu templo e pouco conhece do mundo exterior, especialmente do que ocorre às escondidas por aí.

- Mas é normal haver bandidos desse tipo nas cidades. O que leva você a crer que eles tomaram o castelo?

- Não há uma rua aqui em Beniw que não tenha um grupo deles. Eu vim com Janliet, mas notei que ela estava atraindo muito a atenção dessa turma. Tive que sair da cidade e entrar pelo outro lado para evitar um confronto.

Uglu sorri abafado.

- Não sei quanta experiência você tem como aventureiro, meu amigo Uglu, mas se tem algo que não se deve subestimar é uma cidade nas mãos de uma guilda poderosa. Não se sabe quantos são, mas são inúmeros. E se escondem bem.

- Nós lutamos com soldados lá no castelo...

- Com soldados. Não lutamos contra uma cidade.

- Mas...

- Além do mais, no pouco tempo em que ouvi seus pensamentos, entendi parte dos seus planos: estão vigiando em busca de aventureiros para garantir que todos os aventureiros que existam na cidade sirvam a eles. Você e Breig correm perigo aqui, como eu também corro.

- O que você vai fazer?

- Não há como enfrentá-los assim como estamos. Precisamos partir daqui, nós três. Sugiro que nos reunamos em Dri Gnat, por ser próxima.

- Céus! Façam isso mesmo! - Oacos se espanta – Se o que diz é fato, vocês correm grande perigo!

- Vamos esperar Breig. - Uglu decide. - Quando ele chegar, nós partimos. Só tem uma coisa.

- O quê?

- Pode ser que Breig pense diferente, mas por mim a gente sai da cidade junto, mas ao invés de Dri Gnat a gente parte pra costa pra procurar a DiaboM. Tou com saudades daquele povo doido.

Redblade #08 - Fire!

28 jan 2012

Redblade #08 - Fire!

Le Mans já mostrou
Seus corpos do além
A gente escapou
Como? Não sei bem...
Mas não acabou.
Há em Chartres também?!

Desespero. Puro desespero é o que sinto. Não há palavrais mais precisas do que esta sozinha. Zumbis vindo dos dois lados da rua, saindo das ruas transversais e desaguando na rua onde está o carro prateado. O desespero não é somente pela quantidade assustadora de criaturas de tão terrível categoria. O desespero é por eu pensar automaticamente em “rota de fuga” ao ver os zumbis e perceber que não há uma.

- Dance, Redblade!

E Richard salta para um dos lados da rua. Mais precisamente o lado de onde viemos.

Olhando agora, ele não me parece muito humano. A velocidade com que se movimenta é irreal, vertiginosa!

O barulho de carne sendo rasgada com a maior facilidade do mundo... O cheiro que vai ficando cada vez mais forte. Tudo é muito irreal.

- Come on!

Ele grita e, claro, o seguimos. O professor segue com olhar assustado, carregando a cesta com metade das coisas que tinha tirado da loja. Logo Jörg nos acompanha trazendo seu arco e umas poucas flechas. Ele para um pouco, olha pra trás. Eu paro tentando entender o que ele pretende. Uma... Farmácia?!

Por pouco não tropeço em um dos tantos corpos que agora se estendem pela rua, graças a essa tal de Redblade.

- Jörg! Ei! Danger! Come on!

Acredito que tenha sido realmente pouco tempo que ele passou lá dentro, mas numa hora dessas não existe “pouco tempo”. Qualquer espera é uma eternidade. Ele teve sorte de não ter encontrado um desses mortos lá dentro. Mas ele precisava de... não sei o quê.

Um cantil? Um frasco pendurado como um cantil, usando ataduras... Um saco de outra coisa amarrado na calça.

- Fire?

- What?

- Fire?!

Não sei o que ele quer dizer. Não faço a menor idéia. Onde diabos tem fogo?! Ele percebe minha falta de compreensão e corremos os dois para junto do professor, que já se aproximava da esquina. Ele acena e aponta para a rua lateral, a entrada à esquerda.

Como é que Richard vai conseguir dar cobertura pra gente...

Richard grita e aponta para a parede. Há uma escadinha de uns seis degraus, que leva à entrada da casa. Ele quer que esperemos ali?

O professor corre para lá e nós o seguimos. Ficamos encostados na porta, assistindo.

- Ele quer um isqueiro.

- O quê?

O professor aponta para Jörg. Então era isso que ele queria dizer com “Fire! Fire!” Se tivesse gesticulado “um cigarro” teria sido muito mais fácil...

- Não tens um, Fábio? Há anos que não fumo...

- Não...

Mortos por todos os lados... Roupas urbanas... Bolsos...

- Espera.

Eu desço da escada e me aproximo de um corpo sem cabeça. Um corpo de mulher, um corpo que parece ser de fumante.

Céus... A coisa é muito mais terrível quando estamos perto. Talvez como as catástrofes que acontecem mundo afora vez ou outra. A gente vê nos jornais e não percebe o quanto as vítimas sofrem. Quanto mais perto chegamos mais percebemos como aquilo é realmente terrível.

Um corpo humano. Era uma pessoa viva há algumas horas! E sabe-se lá como, virou uma criatura dessas... Um morto ambulante. O cheiro, a pele rasgada em algumas partes mas o sangue não é normal... Está negro e grosso de uma maneira que é bem fácil provocar enjôos só de olhar.

Volto para a escada com a bolsa verde.

- E aí?

Abro. Um celular. O professor o toma da minha mão. Batom... Maquiagem... Espelho... Não sei o que é isso... Pasta de dente? Perfume... Aqui! Caixa de cigarros! Entrego a Jörg e ele segura ansioso. Mal tiro o isqueiro e ele o toma da minha mão.

Agora é que senti cheiro de álcool.

Jörg guarda a carteira de cigarros no bolso e acende a ponta de uma flecha, enrolada com algodão, certamente úmido. Mira um dos zumbis distantes de Richard, que ainda está fazendo seu trabalho, exatamente daquela maneira incrível que eu descrevi em outra ocasião.

- Não há sinal!

- Professor?

- Já desliguei e tornei a ligar o aparelho e não há sinal algum de torres de celular!

- Talvez devêssemos esperar isso já, não?

- Talvez, mas que droga! A realidade é que o caso é muito mais sério do que me parecia.

Olho para o lado e vejo entre os zumbis distantes um caminhando com a camisa começando a inflamar. Parece não fazer muita diferença para ele...

- ...E olha que o quadro já me parecia terrível o suficiente, hein!

O fogo começa a ficar mais forte naquele zumbi e os zumbis próximos a ele começam a se afastar, mas sem deixar de vir. Ou melhor... Alguns estão voltando. É, acho que eles não sabem bem o que fazer. E daí? Nós também não sabemos...

P. S.: Publicado inicialmente na Revista BrOffice #19

A História do Bardo WS

27 jan 2012

O site carlissongaldino.com.br está para completar 5 anos de vida, mas minha presença na Internet é bem anterior a isso. Aqui faço uma retrospectiva rápida e simplificada dessa história.

Dark Songs

Quando ingressei no curso de Ciência da Computação na UFAL, em 1998, criei minha primeira "homepage". Seu nome fazia referência a um dos primeiros contos que já escrevi: Dark Songs.

Não lembro que serviço de hospedagem gratuita utilizei, mas um dia, de hora pra outra, o site não estava lá. Eu estava atualizando com frequência e ele só trazia textos meus. Até hoje não sei porque motivo, razão ou circunstância cismaram com Dark Songs e o removeram de lá. Deixa pra lá, no ano seguinte eu iria tentar de novo.

Abaskantto

Abascanto é uma habilidade que aparecia no RPG GURPS, que significava resistência a magia. Quem tem abascanto é imune a magias nocivas que sejam lançados diretamente contra ele; mas também das benignas. Este conceito de antimagia eu aprecio bastante e o utilizo até hoje em alguns cenários/histórias.

Abaskantto nasceu provavelmente em 1999 e foi mantido até o ano 2000. Hospedado no Angelfire, curiosamente a homepage continua no ar até hoje (inclusive, diga-se de passagem, boa parte do material que está lá eu já nem tinha mais comigo: foi muito bom poder ter acesso a essas criações antigas).

Andarilho d'Catar

Dia 30 de abril de 2001 nascia Andarilho d'Catar. Criei a homepage apenas como "Andarilho", mas ele usava o serviço de hospedagem do serviço de busca brasileiro Catar.com.br, daí a origem do nome. Nem adianta visitar o Catar.com.br de hoje: pelo que me lembro o site sumiu mesmo e só muito depois voltou, provavelmente com outro dono.

Curiosamente, depois criei um personagem andarilho de Qatar. Um personagem misterioso que aparece no romance Sinas, que ainda estou escrevendo mas que pode ser lido aqui no Bardo WS até onde já escrevi.

Bardo.Com.BR

Dia 30 de agosto de 2004 eu registrei o domínio Bardo.com.br e comecei a publicar lá. Só comecei. Aconteceu que a empresa onde hospedei o site (e que registrou o domínio para mim, já que na época registro de domínios .com.br era restrito a quem tivesse CNPJ) deu claros sinais de mal profissionalismo. Então, resolvi cair fora.

Bardo.Cyaneus.Net

Cyaneus vem de uma família de pássaros. Mais precisamente do Saíra Beija-flor, o Cyanerpes Cyaneus. Foi dele que veio a ideia do nome da empresa que eu criaria com amigos: Cyaneus Soluções Web. Uma empresa focando soluções com software livre. Não necessariamente criações ou, pelo menos, não sempre. A empresa simplesmente não saiu do chão, mas o domínio ficou, e o nome gerou herdeiros como CyPasswd e CyanPack,

Aproveitando o problema com o Bardo.com.br, criei o Bardo.Cyaneus.Net dia 21 de outubro de 2004. Foi exatamente aí que começou a se desenhar o que hoje é o Bardo WS, com suas várias sessões: poesia, contos, etc.

Bardo.CastelodoTempo.com

Preocupado com o nome "difícil" Cyaneus.net, tanto pelo Cyaneus quanto pelo .net, registrei um novo domínio. Mais longo, é verdade, mas mais fácil de ser memorizado por outros além de mim. Assim nasceu o Castelo do Tempo.

Não lembro exatamente quando o criei, mas ele durou algum tempo.

Foi na época em que o Bardo.Cyaneus.Net deixou de existir e nasceu o Cyaneus.net como um blog. Nessa época cheguei a ter cinco blogs ao mesmo tempo: Bardo.CastelodoTempo.com, Cyaneus, WMaker Cyaneus, Arcanoide e Magia da Terra. A ideia disso foi separar o conteúdo do antigo Bardo.Cyaneus.net por áreas de interesse, para que públicos diferentes pudessem acompanhar apenas assuntos que lhes interessasse. Não deu muito certo no fim das contas...

CarlissonGaldino.com.br e Bardo WS

Tentando tornar minha presença na Internet algo mais profissional e, ao mesmo tempo, acabar com essa zona de um milhão de blogs, no dia 29 de janeiro de 2007, há aproximadamente 5 anos, criei o CarlissonGaldino.com.br, que se mantém até hoje. Sério: ter muitos blogs pode ser legal para organização, mas é muito difícil manter. Tanto pelas atualizações da infraestrutura como pelos cuidados com conteúdo, enfim, não deu certo ao menos para mim. Todos os blogs foram unidos em CarlissonGaldino.com.br

Depois veio o Bardo.WS, um domínio criado para servir de atalho rápido para algumas partes do CarlissonGaldino.com.br.

Para ver posts sobre Escarlate, você pode visitar escarlate.bardo.ws, para acompanhar os episódios de Warning Zone, wz.bardo.ws e assim por diante. A lista completa dos atalhos está reunida nesta página. Alguns serviços funcionam diretamente no Bardo.WS: X-Bardo e nBardo.

Enfim: é isso. Este é o resumo desses cerca de 14 anos de Internet, aqui representados pelos últimos 5 no domínio atual. Vamos em frente até onde o Homem nos deixar!

Imagens do post: Piano e Saíra Beija-flor.

Special: 

Cyber Editor e os tutoriais receita-de-bolo

26 jan 2012

<yber Edi+or

Quando cursava Computação na UFAL, terminei me deparando certo dia com uma revista que trazia o Delphi. O Delphi 1, para ser mais exato. Claro, estava bem desatualizado, já que o Delphi estava na versão 5, se não me engano. Claro que eu poderia conseguir uma cópia pirata, até mesmo com os colegas de turma, mas eu me preocupava com essas coisas. Pensava assim: se eu não sou capaz de respeitar direitos do outros, como posso exigir que respeitem os meus quando eu me formar?

Hoje o que penso sobre pirataria como um todo mudou bastante, mas não em relação a software. Continuo contra pirataria de software, apesar de as razões para isso terem mudado. Hoje eu sei que ao usarmos softwares piratas, nós estamos nos capacitando no uso daquelas ferramentas e isso se torna um problema com o tempo. Ficamos dependentes.

Mas não é disso que quero falar hoje: é dos tutoriais estilo receita de bolo.

Naquela revista com o Delphi 1, veio um tutorial exeplicando passo a passo como construir um editor de textos. Ensinava como montar a janela e o menu (isso é até intuitivo), mas ensinava também que códigos usar para abrir e salvar um documento, para copiar e colar e para procurar textos. Com base nisso, fiz um editor de textos simples e depois comecei a personalizá-lo. Assim nasceu o Cyber Editor (ou <yber Edi+or, para ser mais exato), o editor para a quem só o texto importa.

Ele tinha dois modos de apresentação: o modo normal e o modo Cyber. No normal, ele era uma janela simples; no Cyber ele mudava para tela cheia, aumentando a área útil para edição. Seu visual com texto verde sobre o fundo preto era algo de que eu gostava bastante naquele tempo.

Eu me lembro também de ter implementado duas funcionalidades interessantes para ele.

A primeira era a opção de adicionar comandos, como um editor para programador. Você poderia definir, por exemplo, um comando no menu que abriria o navegador web com a página que você está editando no momento, ou um compilador.

Outra funcionalidade bastante útil eram os SSC, os scripts de Substituições Sucessivas Cyber. Havia comandos para acrescentar linhas no início e no fim do arquivo, para remover linhas e, claro, para substituir. Assim, poderíamos transformar HTML em texto, texto em HTML, texto em RTF e outras brincadeiras mais, utilizando simplesmente esse script.

O <yber Edi+or era meu editor padrão no Windows naqueles tempos e senti saudade dele à medida em que fui vivendo cada vez mais em GNU/Linux. Não havia Lazarus para portar.

Uma coisa muito legal sobre o <yber Edi+or é que ele apareceu um dia no caderno especial da Revista Veja. Aquele caderno que eles lançavam pelo menos uma vez por ano, trazendo recomendações de download diversas, divididas por categoria. Certo dia eu vejo o <yber Edi+or lá, na página de Editores de Texto! "Se só o texto importa, o Cyber Editor é uma opção". Bons tempos aqueles!

Isso tudo que estou falando hoje é para reforçar a importância de tutoriais estilo "receita de bolo". São muito bons! Se a gente consegue fazer o básico e entendê-lo completamente, fica fácil expandir esse básico e incorporar novas ideias. Não tenho visto com frequência tutoriais tão bons quanto aqueles e realmente gostaria de ver. Faço então um apelo: se você domina uma ferramenta de desenvolvimento, por que não fazer um tutorial desses? Explique como funciona uma calculadora básica, como fazer um jogo de quebra-cabeças básico, como criar um desklet que leia notícias a partir de um RSS, ou um cliente básico de Twitter. Você pode, sem perceber, estar contribuindo para o nascimento de um novo grande software.

Quanto ao <yber Edi+or? Bom, depois das substituições sucessivas e tudo o mais, eu tinha muitas boas ideias. Acontece que ele havia sido feito de um jeito "tão Delphi", sem muita organização, que eu planejei refazê-lo do início. Era o Projeto Simbionte: um editor que se integraria completamente ao usuário, um projeto ousado, modular, complexo. Nunca escrevi uma linha de código efetiva para o Simbionete. Este projeto morreu antes mesmo de nascer, por excesso de planejamento e de diagramas.

Special: 

Homebrew nos Videogames

25 jan 2012

O mundo dos videogames sempre foi um mundo excessivamente restrito. No início somente o fabricante do console podia lançar jogos no mercado. O tempo foi passando e hoje existem várias softwarehouses por aí desenvolvendo jogos para os diversos consoles de videogame. O problema é que para desenvolver um jogo de console você precisa da autorização do fabricante. Uma autorização que inclui as ferramentas de software necessárias para ajudar no desenvolvimento e que custa uma fortuna.

Acontece que os fãs hackers dos videogames sempre dão um jeito de resolver esses problemas. Desenvolvem-se bibliotecas alternativas a partir de engenharia reversa e desbloqueios dos aparelhos, de modo a permitirem que desenvolvedores pequenos criem seus próprios programas.

Você pode se perguntar: Quais as vantagens disso? Primeiro, que aplicativos desse tipo podem permitir outros usos do videogame. Pode-se usar um Nintendo DS como uma agenda pessoal, rodar filmes em DVD no Wii ou usar o PSP como controle remoto da TV. Há players multimídia, editores de texto, organizadores pessoais, leitores de livros digitais, ferramentas de internet, enfim, um universo de programas para estender a utilidade dos videogames muito além do que seus fabricantes pretendiam.

O problema principal disso são justamente os fabricantes. Como se não bastasse muitas vezes os hackers terem que se virar para descobrir como se faz um programa para aquela arquitetura, ainda têm que enfrentar bloqueios e algumas vezes até mesmo ataques judiciais. A principal causa da insatisfação dos fabricantes com esses hackers diz respeito à pirataria: se é permitido escrever qualquer programa para um console, é fácil fazer com que um programa o engane e o faça aceitar jogos piratas. Os próprios emuladores são uma dificuldade, especialmente para a Nintendo, que tem como estratégia de negócios emular consoles antigos e vender jogos através de download.

Numa olhada geral, há distribuições GNU/Linux que rodam em Nintendo Wii e outras que rodam no Sony Playstation 3, não sei quanto à família X-Box. A propósito, a notícia de um Playstation (primeiro) rodando GNU/Linux é antiga e foi bem divulgada na época.

Sei é que, no fim das contas, apesar de muitas vezes nos animarem com belos trabalhos de entretenimento, todas essas empresas são nocivas para a nossa liberdade, infelizmente.

P. S.: Foto do post, de Ken Gerrard.

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