Escarlate #03 - À Cidade

11 abr 2009

"Knova, Knova... Como é difícil admitir que estava com saudades de mim, hein? É tão fácil dizer: 'Olha, estava passando e vim aqui pra ver como você está'! Mas não... Não pra um dragão. Isso feriria o orgulho deles. Quem costuma dizer que mulheres são complicadas nunca tentou um relacionamento com uma dragoa..."

"Claro, eu sei disso, ela sabe disso. Mas o orgulho é muito mais forte. Claro que eu poderia roubar um beijo ou tentar algo ousado assim. Poderia sim! Mas tem algumas coisas que tenho que fazer amanhã, para as quais estar vivo ajudaria um pouco."

Zand caminha pela estrada deserta que leva à pequena cidade de Erans, onde estava há algumas horas.

"Nem sei porque que eu vou fazer isso. Ajudar a Knova depois de uma abordagem dessas... Fazer o quê, né? Ainda gosto dela, acho. Também, ela não mudou nada! Continua com a mesma beleza e a mesma arrogância de tantos anos atrás..."

"Mas que droga! Não posso chegar a Erans assim... Não hoje. Imagina como deve estar o povo lá! A essa altura todos já devem saber que eu sumi com o dragão. Isso certamente dificultaria as investigações. Pois bem, fato um: acho que vou ter que recorrer a certos talentos antigos; fato dois: esquece. Nada de Erans: vou ter que ir logo a Diwed..."


 

Começa um novo dia na grande cidade de Diwed. Uma cidade conhecida por todo o reinado. Seu nome é tão antigo quanto seus pilares e não traz em si nada de muito grandioso ou interessante. É apenas o nome de seu fundador. Um fundador que queria apenas viver sua vida sossegado perto do mar. Grupos de aventureiros passavam pela região com frequência e logo Diwed resolveu montar uma taverna e oferecer hospedagem. O nome de Diwed ficou famoso naqueles tempos entre os viajantes errantes e a cidade foi crescendo como "Terra do Diwed". Muitos grupos de aventureiros já passaram por ali, e continuam passando.

As portas da cidade sequer abriram e já não é pequeno o número de pessoas à espera. Alguns ainda dormindo, mas a maioria na expectativa. Sem pressa, chega mais um visitante a cavalo. Aproxima-se aos poucos, evitando outros visitantes, sob seu gorro. Atitude que não é estranhada, pois é fato sabido que muitos camponeses simplesmente não confiam em aventureiros. E ali temos dezenas de aventureiros em potencial. Mas o recém-chegado não é um camponês.

A montaria é a mesma de antes: o velho Tornado, Zand teria tido sorte? Não, não um aventureiro de tamanha experiência. Ele tem seus próprios métodos. E vem em direção aos portões, sem chamar muita atenção, justamente no momento em que estão prestes a abrir.

"O colar da rainha Kreez... Deve ter uns 600 anos. Com uma pérola enorme e com textura modificada por processos mágicos. Ouvi falar muito dele. O cajado de Juan Ecyola, mago lendário. Dizem que podia fazer absurdos com ele! Anéis, anéis... Uns dez nessa lista. Pelo menos três eu conheço. Realmente, esse povo fez um bom trabalho! E a Knova estava certa: com certeza seus bens não são vulgares. Vamos ver, por onde começo..."

A cidade está movimentada, mesmo tendo sido aberta há tão poucos minutos. A ala comercial já pode ser vista mais adiante. Nela, dezenas e dezenas de barracas. E algumas lojas em prédios também. Zand não vai a outro lugar.

Por entre as barracas, Zand abre caminho em direção a um lugar que conhece bem. Um arqueiro pára a encará-lo no trajeto, mas continua seu caminho. Zand foi conhecido tempos atrás, mas mudou a aparência desde aquele tempo. Há risco de ser reconhecido, mas o mais provável é que pensem ter se enganado e sigam adiante.

Seu destino é bem definido: a Hospedaria Dragão do Mar. Um nome um tanto estranho, mas um lugar agradável.

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