Escarlate #13 - Jantar

20 jun 2009

No quarto de hotel está Zand. As luzes mágicas acesas. E como é bom tomar banho! Já restaurou a tatuagem e espera o tempo passar estendido na cama, pensando na vida.

Seus pais queriam que fosse marinheiro, falavam que ia ter futuro essa profissão. Mas o que sempre lhe atraia era a vida de aventureiro. Não que marinheiros não fossem aventureiros, de certa forma, mas a vida em alto mar lhe parecia muito parada.

Sempre ouvia as histórias que os viajantes tinham para contar e em pouco tempo se tornou o “contato” em seu pequeno povoado, ainda adolescente. Contava histórias recordando os detalhes e foi tecendo aos poucos um conhecimento que transcendia até mesmo o reinado. Sem perceber, tornava-se aos poucos um bardo.

Alguns bardos com que teve contato notaram seu potencial e começaram a lhe ensinar algumas coisas quando passavam por lá. Atalpion foi o mais frequente. Sempre dava um jeito de fazer seu grupo de aventureiros passar uns dias ali quando viajava por perto.

Zand sorri se lembrando desses tempos. Altapion chamava seu grupo de três integrantes de Besouro Invisível. Os outros dois não pareciam gostar muito da ideia, mas deixavam, talvez por pensar que assim Altapion ficaria feliz e seria mais útil ao grupo. Foi Altapion quem lhe deu seu primeiro instrumento musical, uma lira.

Tanta coisa aconteceu... Zand se tornou bardo e entrou para um grupo de aventureiros, que chamou de Besouro Fino. Depois foi para um segundo, onde passou pouco tempo até o Besouro de Metal, onde conheceu Knovatsareinm...

- Está na hora.

Zand se levanta, confere no espelho se está devidamente arrumado e deixa o quarto para encontrar Rubi.


 

Lá está ela, na mesma mesa. Com um vestido preto de alça e uma fita vinho no pescoço, sustentando um medalhão de prata.

- Boa noite, cavalheiro! - Cumprimenta-o com seu sorriso mais simpático.

- Boa noite, Rubi. - Zand se senta.

- Como foi sua tarde? Conseguiu resolver tudo o que precisava?

- Nem tudo...

- Que bom! Assim Nazavo não precisa ir embora amanhã de manhã e pode ver Rubi amanhã de novo!

Zand responde com um sorriso.

- E Rubi? Conseguiu cobrar de todo mundo?

- Faltam algumas lojas. Os donos não estavam. É assim mesmo, esse povo faz de tudo para evitar tirar dinheiro do bolso. Mas Rubi é persistente! E aí? Vamos comer o que hoje? Nazavo quer mais peixe?

- Tudo bem.

- Ótimo!

Rubi pede ao garçon os pratos e vinho suave para acompanhar. O bar tem uma iluminação um tanto fraca que confere um ar quase romântico ao ambiente. São gravuras nas paredes que iluminam.

- Sabe, quando era criança eu sempre quis conhecer o mundo, viajar por aí... Visitar montanhas, praias, florestas...

- Nazavo entende.

- Parece que tem hora que a vida foge do nosso controle. Escapa da mão da gente e começa a correr para outro lado... Queria viajar o mundo e agora estou aqui, em Diwed.

- Fica assim não. Um dia Rubi consegue realizar o sonho.

- É, também espero. É pra isso que vivo.

Enxuga as lágrimas e refaz o sorriso. É neste instante que o jantar vem à mesa.

- Pronto, chega de tristeza. - Diz, se reanimando. - Hoje é pra gente falar de coisas felizes. Olha aqui! Peixe é uma coisa feliz!

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