Escarlate #18 - Spark 9

25 jul 2009

Uma casa abandonada de primeiro andar. Talvez tenha sido uma hospedaria rústica anos atrás, talvez o lar de alguma família nobre. Mas está empoeirada e praticamente caindo aos pedaços. Passos no térreo. Passos de um estranho a Cehdiw, mas não a nós. Zand, ainda em seu disfarce de Nazavo.

A escada é de metal, mas não é garantia de que não cai. Ferrugem cobre cada degrau, mas é por essa escada, disposta em espiral, que ele sobe. E chega ao primeiro andar daquele prédio no Número 9 da rua Spark.

Era óbvio para ele que Rubi estaria ali no primeiro andar. A poeira está em todo lugar, mas há marcas de uso recente por onde se possa pisar. O prédio certamente não é tão abandonado quanto parece.


 

- Rubi?

Uma mulher de preto, uma roupa provocante preta. De costas, com seus cabelos ruivos enegrecidos à fraca iluminação do lugar. É óbvio para Zand que se trata dela.

Faz-se silêncio por uns instantes. Palavras não são necessárias para que Zand saiba que Rubi não era quem se mostrava, que ela sabe que ele também não é Nazavo e que ela preparou tudo e já imaginava que ele a seguiria. Não restam palavras a não ser um óbvio pedido de explicações, que fica subentendido, mas é rapidamente entendido por Rubi.

Um olhar triste e distante quando se vira desarma o bardo de qualquer ação brusca. E Rubi lhe rouba um beijo, enquanto, sem que perceba, tira a morningstar de Zand e a joga para o lado, longe dos dois.

- Preciso te contar uma coisa, Zand. - Rubi finalmente deixa escapar. - Eu não sou quem você pensa que sou e a culpa não é sua: eu menti.

- E quem é você então?

- Sou uma aventureira. Não estava cobrando impostos para o meu pai. Estava em busca de informações para uma missão importante que vamos seguir.

- E por que mentiu?

- Ora, isso é pergunta? Você também não é quem parece, isso eu sei muito bem. Tenho certeza de que Nazavo não existe. Quem é você?

- Não importa agora.

- Claro que importa. Estou revelando quem sou. O mínimo que pode fazer em troca é dizer quem é você também. É um bardo, não é?

- Você está certa. Como descobriu?

- Prefiro não dizer para que não tenha raiva de mim. Piadas de ladinos, entende? Mas seu disfarce estava bom. Para um bardo, pelo menos...

- Faça-me o favor...

- Nazavo tem nome verdadeiro ou devo chamar só de bardo?

- Zand.

- É um nome curto. Não me parece um nome apropriado para um bardo. Mais para um guerreiro, mas enfim, não escolhemos nossas profissões levando em conta nossos próprios nomes, não é mesmo? Só queria saber que missão vale tanto esforço assim para você se disfarçar e sair de bar em bar ouvindo histórias...

- Pelo visto você faz bem seu trabalho...

- É claro! É o meu trabalho, não o de um bardo. Mas você tem algum talento, não nego. E é justamente por isso que estamos aqui hoje.

Zand a encara com uma interrogação. Rubi faz uma pausa e se vira de costas, em direção à janela.

- Não sei porque, certamente isso não tem o menor sentido. Mas sinto que posso confiar em você. E que talvez você possa contribuir muito conosco, se estiver à disposição.

- O que quer dizer?

- Estou te convidando para fazer parte do meu grupo. E, aproveitando, quero que conheça meu grupo. Podem aparecer.

Do nada, surgem duas pessoas mais na sala, no canto da janela mais distante de onde Rubi e Zand se encontram.

- Este é Halkond, ele é um aventureiro experiente. E aquele ali é Azkelph, nosso mago. A missão não teria sido o sucesso que foi sem a ajuda deles.

Halkond usa uma roupa social desgastada, e porta um sabre preso ao cinto. Azkelph é precisamente o mesmo granfino que Zand havia visto outro dia perambulando pelo Raposa da Lua. Então eles estavam lá também?

- Você parece preocupado... Tem alguma missão também? Se for algo em que possamos ajudar, e que possamos dividir os ganhos, podemos tratar disso depois do que estamos planejando agora. O que me diz, gatinho? Está no grupo?

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