Escarlate #19 - A Missão

1 ago 2009

- Deixe-me ver se entendi. Vocês precisam do Cetro da Adversidade porque era um sonho do seu pai ter o cetro, Halkond?

- Exato.

- Isso não me parece fazer sentido algum.

- Mas é a pura verdade. Você sabe o que o cetro é capaz de fazer?

- “No fundo do mar barulhento
Um cetro foi feito a mão
Por seres estranhos, do mar
Nas mãos de sereia e tritão

E um poder um tanto incomum
Foi posto no cetro invulgar
As pragas e qualquer mau tempo
Ele poderia aplacar”

- Vejo que conhece a história...

- É... - Azkelph comenta – Tem lá sua vantagem ter um bardo no grupo.

- Que bonitinho... - Rubi acaricia o cabelo de Zand.

- Mas espere aí! - Zand corta a animação de todos. - Esse cetro é só uma lenda!

- Como você sabe?

- “O bravo guerreiro Etwau
Enfrentou cada desafio
Em busca do cetro sagrado
No fim vitorioso surgiu

E o cetro que tanto queria
Para salvar a plantação
Mostrou que era só de enfeite
E as plantas morreram no chão”

- Que bonitinho...

- E isso foi há cerca de dezessete anos.

- Você sabe onde o cetro estava, não sabe? - Halkond pergunta. - Sem cantoria dessa vez, por favor.

- Ah, deixa ele cantar. - Rubi abraça o pescoço de Zand. - É fofo. Parece um menininho.

- Etwau o encontrou nas ruínas de um casarão na estrada que leva ao Lago Estrangeiro, protegido por diversas criaturas mágicas.

- E se eu te disser que o casarão ainda está lá, com as mesmas criaturas mágicas?

- Hmmm...

- O cetro que Etwau resgatou pode ser falso! Pode ser que ele tenha pego o cetro errado lá na mansão, um cetro falso feito justamente para despistar saqueadores. Ou pode ser que ele tenha forjado um para enganar quem o contratou. Não importa o que houve, o casarão continua lá com as mesmas criaturas.

- Essa história me parece estranha, mas o que você quer com esse cetro afinal de contas?

- Já disse: era um sonho do meu pai.

- Mas não era seu sonho, então por que não deixa isso pra lá e vai fazer alguma coisa mais produtiva?

- Meu pai era fazendeiro e obter esse cetro é uma questão de honra.

- Você é teimoso.

- Quem você acha que contratou Etwau há dezessete anos?

- Tudo bem, segundo seu plano o grupo vai e recupera o cetro. Mas o que os outros integrantes vão ganhar com isso?

- Azkelph, Rubi e eu nos entendemos. Quanto a você, a proposta é que você nos ajuda nessa missão e nós te ajudamos na missão em que você está.

- É, senhor Nazavo... - Rubi comenta. - Nazavo está praticamente perdido na sua missão, seja lá qual for ela. Dá pra notar de longe...

O mago apenas observa, com seu nariz pontudo e suas lentes arredondadas aparecendo parcialmente sob o capuz.

- Estou em uma terra estranha. Que garantia tenho de que vocês são confiáveis.

- Está com medo, bardo? - Halkond ironiza.

- Pensei que confiasse em mim. - Rubi se afasta e vira as costas.

- Também pensei. - Zand responde. - Mas não é tão fácil confiar em ladinos quando trabalhamos juntos há anos. O que dizer de ladinos recém-conhecidos.

Ela se vira parcialmente, olhando-o com um sorriso misterioso no rosto.

- De qualquer forma, esta é nossa proposta. Você não precisa confiar em mim ou em Halkond ou em Azkelph. Você é que decide se topa a não fazer parte disso.

Há várias formas de um grupo de aventureiros se formar. Eles podem ser pegos por uma situação em que, mesmo sem se conhecerem, precisem cooperar. Quando estão todos em busca de um mesmo objetivo, ou todos são vítimas igualmente de uma mesma situação ou entidade do mal. Podem ser contratados, ser conhecidos de infância, colegas de formação... Podem ter sido apresentados por alguma autoridade que seja amiga de todos os membros... Ou de várias outras maneiras. Dentre elas, pode ser dessa forma que Halkond, Rubi e Azkelph propoem: uma troca de favores. E Zand se questiona se esta seria uma forma correta.

- Tudo bem. Ainda não entendi como posso ter um papel especialmente relevante a ponto de justificar o convite a essa altura, mas vamos ver no que isso vai dar.

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