Escarlate #20 - O Casarão na Estrada

8 ago 2009

Uma criatura com cara de lagarto é rasgada em duas por uma espada veloz. Halkond salta para golpear mais uma dessas criaturas. O lugar está repleto de lagartos humanóides. Não parecem grande coisa, mas são muitos. E o grupo se vira como pode.

Azkelph os golpeia usando um cajado com ponta metálica. Rubi utiliza uma espada curta e um punhal. E Zand ainda usa a morningstar que comprara em Diwed. Preferia a espada, mas também sabe manusear armas de impacto muito bem.

Lugar: aquele maldito casarão onde supostamente se encontra o Cetro da Adversidade. Um artefato realmente inútil para um aventureiro, mas muito importante para agricultores.

- Quantos desses tem aqui? - Azkelph grita - Já matei uns cem!

É claro que mente. Ele matou bem menos criaturas do que os outros três. Mas que seus oponentes não parecem diminuir em número é uma verdade.

A bola de metal da morningstar de Zand arremessa um deles para longe. Bem perto, um barulho de carne sendo perfurada: é Azkelph usando seu cajado como se fosse uma lança.

- Tudo bem, foi fácil entrar e chegar no salão principal. Mas e agora? De onde vem tanta criatura?! Será que esta mansão é uma entrada para uma cidade subterrânea dessas criaturas das trevas? - Rubi pergunta a Halkond do outro lado da sala, não tirando os olhos de Zand.

- “Lanoas são criaturas
Sem pai nem mãe conhecidos
Filhas do Mal e da Noite
Para atormentar os vivos

Protegem grandes tesouros
Quando é assim, lutarão
São muito frágeis, porém
Se mortas, mais surgirão

O que anima esses seres
Monstros cara de lagarto
É uma estranha engenhoca
De conhecimento arcaico

Enquanto as lanoas lutam
Sugam força dos rivais
Com mana, sangue e magia
Produzirá outras mais”

- É claro! - Azkelph grita ao ouvir a canção que Zand entoa durante o combate. - A criadora de lanoas! Deve ter uma aqui!

- E você vem me dizer isso agora! - Halkond reclama.

- Eu havia me esquecido... Realmente! Também com essa musiquinha agora não esqueço mais!

- Como a gente localiza essa máquina?

- De onde as lanoas estão vindo?

- Daqui! - grita Rubi, apontando para um corredor na lateral direita do enorme salão, enquanto avança naquela direção.

- Espere! Não vá sozinha! - Zand grita e avança naquela direção por entre as criaturas com cara de lagarto, conhecidas por essas terras como lanoas.

Mas Rubi não espera. Quando faltam duas criaturas a Zand para chegar ao tal corredor, Rubi já adentrou. O barulho de golpes continua intenso por todo o salão, inclusive no corredor. Zand se apressa. Não demora pra que a alcance. Em pouco tempo, os outros dois chegam ao mesmo quarto de onde nascem as criaturas.

Uma engenhoca estranha, parece movida a lenha e esferas mágicas. Um líquido esverdeado estranho desce de uma ampulheta ligada à máquina. Algumas tubulações a ligam ao chão, passando através do piso até sabe-se lá onde.

Eles vêem ainda uma criatura sendo feita. Um bolo de carne verde cresce num recipiente de vidro que faz parte da máquina e fica ao seu lado esquerdo. A massa ganha dedos, cara estranha, pernas, garras e sai do globo.

Um golpe e a cabeça é arrancada do corpo.

- Vamos, Alkelph, desligue isso logo! - É Halkond, voltando-se mais uma vez para o corredor, em cuja entrada estão Rubi e Zand, tentando impedir a entrada dos lagartos que estavam no salão principal e os seguiram até ali.

Os dois já derrubaram várias dessas criaturas, mas elas se dissolvem e se decompoem com uma velocidade inacreditável. Pelo menos são mesmo frágeis como diz a antiga cantiga que Zand lembrara. Nenhum dos quatro foi atingido por uma delas até o momento.

- Calma aí, não é tão fácil assim. Tenho que encontrar uma... - Azkelph reclama, olhando atentamente as conexões da máquina com os três cristais que brilham na parte mais baixa.

A ampulheta explode a um golpe da espada de Halkond. Azkelph olha assustado. A máquina faz mais dois gemidos e pára.

- Você está louco? Você sabe o que uma atitude impensada dessas pode gerar como consequência?

- Funcionou, não funcionou? Então vamos lá. Para onde agora?

- Você é muito imprudente, Halkond! Temos sorte de ainda estamos vivos depois disso. De qualquer modo, enquanto ainda houver lanoas por aqui, não teremos paz. - Azkelph pega seu cajado e vai em direção ao corredor. - Vamos acabar com elas agora que estão em número finito.

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