Escarlate #23 - O Cetro da Adversidade

29 ago 2009

Cehdiw. Zand desperta naquela mesma pousada de antes. Vai comer qualquer coisa. Pelo menos tem o alívio de não precisar se passar por ninguém mais e chega ao bar como Zand mesmo e não mais como Nazavo.

A missão foi cumprida com sucesso e o grupo marcou para se encontrar no mesmo lugar de antes: Spark 9.

Claro que a ideia de ser um truque para se afastarem e para que conseguissem fugir depois de Zand ter colaborado o preocupou. Mas não tanto, afinal ele é um bardo e agora ele sabe o rosto de todos do grupo. Seria bem mais fácil seguir o grupo de aventureiros do que seguir uma fidalga a partir de Diwed. Além do mais, Zand preferiu utilizar isso como um teste.

Desde que acordou, apesar de tudo, a expressão de Zand é séria. Isso porque depois de uma noite de sono, uma velha suspeita ressurgiu em um insight noturno.


 

A mesma meia-luz de antes. Azkelph sentado num canto, perto da janela. Halkond deitado um pouco além. Rubi de pé já o esperava quando Zand aparece subindo as escadas.

- Olá! - Rubi vai até Zand e o recebe com um beijo. - Dormiu bem? - Pergunta enquanto acaricia seu cabelo.

- Dormi, obrigado. E você?

- Temos um problema. - Halkond intervém, se sentando.

- E o que houve? - Zand se aproxima, acompanhado por Rubi.

- Subestimamos Etwau.

- Como assim?

- Provavelmente cometemos o mesmo erro dele. O cetro que trouxemos é falso.

- Mas o... Ele – aponta para Azkelh – não tinha testado lá se era mesmo um objeto mágico?

- Esse foi nosso erro. O maldito antigo dono do cetro colocou um cetro falso bem-feito. O que trouxemos é mesmo mágico, mas é muito fraco. Sua magia faz com que funcione como uma arma mágica de combate das mais vagabundas. Só o suficiente para que o maldito cetro passasse em um teste de detecção de magia.

- Então foi em vão que fomos?

- Praticamente.

- Não foi em vão... - Zand se afasta um pouco do grupo. - Na verdade, seu pai nunca esteve atrás do cetro. Quem contratou Etwau foi um nobre de Noak, dono de uma vasta plantação de arroz. E ele morreu sem deixar qualquer herdeiro.

Zand se vira para o grupo. Eles permanecem onde estão. Rubi, que é a única de quem Zand consegue ve o rosto, por estar mais próxima, sorri um sorriso bastante amigável.

- Falem a verdade: vocês são o grupo que eu venho seguindo e a história de missão conjunta em busca do cetro foi só uma forma que vocês encontraram para conhecer minhas habilidades e testar se eu representava algum perigo ou não.

- Muito bem! - Rubi fala. - Realmente. Como suspeitei, você foi mandado pelo dragão para nos perseguir. Agora posso dizer que você fez muito bem seu trabalho de bardo, ao descobrir tudo assim, do nada, com base em puro conhecimento histórico. Afinal, acho que conseguimos cumprir a missão sem te deixar pistas, não é?

- O que não entendemos ainda foi qual suas motivações – Halkond completa. - Por que está ajudando aquele monstro?

- Não fale assim de Knova.

- Knova... - Rubi fica pensativa. - Knova!? É um dragão fêmea! Não me diga que você...

Uma pausa silenciosa e de repente os três do grupo irrompem em gargalhada.

- Não acredito nisso. - Halkond é o primeiro a falar. - Não vai dizer que você se envolveu com o dragão! Com tanta mulher no mundo, logo com um monstro daqueles!

Continuam a rir. Zand, sem graça, apenas encara o grupo. Então se afasta e encontra um quarto com uma janela aberta. Poeira por todo lado, uma cadeira provavelmente quebrada e Zand apenas se aproxima da janela pensativo.

Dali vê a algumas outras casas e a rua. O céu azul com poucas nuvens...

Uma mão desliza suavemente por seu ombro e peito. É Rubi que está ali junto com ele.

- Eu deveria te prender e levar até Knova. - Ele deixa escapar, quase num desabafo.

- E daí? Eu deveria te matar quando tive chances. Ou, no mínimo, fugir de você, mas nem sempre conseguimos cumprir com nossos deveres. - e deita a cabeça em seu ombro, o abraçando forte. - Além do mais, no fundo você também confia em mim. Você sabe que eu sou uma ladina e que ladinos matam facilmente pelas costas...

- Rubi, o que faço com você? - Zand abraça os braços de Rubi.

- Preciso mesmo dizer? - Ela sussurra em seu ouvido, com sensualidade.

No céu algumas aves vão passando e as poucas nuvens pouco se mexem nesse início de manhã...

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