Escarlate #41 - Chegando na Serra
O dia amanhece e Zand está na varanda da pousada olhando a paisagem. Com Eve-64 nas mãos, avistando os primeiros sinais de vida na pequena cidade de Vigu.
Dedos delicados deslizam por seus cabelos.
- Já acordou? - Pergunta a Rubi.
- O que houve, meu “Nazavo”? - ela sorri enquanto se senta perto dele. - É por causa do dragão? Não se preocupe. Vamos nos libertar desse monstro. Você sabe que é a forma de vivermos em paz...
“Você é uma boa pessoa. Você já se meteu nisso, mas tenha cuidado com a forma como as coisas caminham.” A voz vem de Eve e somente Zand ouve, dentro da cabeça.
- Sei... - Zand olha para ela um pouco e desvia o olhar para o horizonte.
- Você está tão aéreo... Tou começando a ficar com ciúmes dessa espada...
Zand dá um sorriso discreto e beija Rubi.
- Está tudo bem...
- Cansei de andar a pé... - Azkelph reclama.
Zand nem ouve mais Eve falar dele. Daqui já se pode ver a Serra do Fogo.
- Então da outra vez vocês entraram pela gruta principal... - Zand comenta com Rubi.
- Foi.
- Tiveram sorte de a Knova não estar em casa...
- Verdade. Mas ela estava por perto, tenho certeza.
- Dessa vez ela deve estar em casa. Temos que pensar em um outro caminho.
“O covil do dragão fica naquela montanha maior. A noroeste há um lago enorme no vale. A erosão deve ter cavado a terra. Ẽ bem provável que haja passagem para o salão principal ou que esta passagem seja facilmente providenciada.”
- Pra quê que a gente tem que se preocupar em entrar ou não pela porta principal? - Halkond pergunta. - A gente não está vindo pra dar cabo mesmo desse dragão?
- Um bom aventureiro precisa ter sorte, mas não confia totalmente nela. Faz sua parte. - É Willen quem responde.
- Eu me lembro de um lago mais à frente. Certamente há cavernas ligando o lago à casa de Knova. - Zand fala para o grupo. Além da sugestão de Eve, ele próprio também se lembra desse lago.
- Quer dizer que a gente vai ter que dar a volta isso tudo pra chegar na caverna? - Halkond protesta.
- Faz parte...
- Vai demorar muito!
- Não vai. Temos provisões suficientes. - Rubi entra na conversa.
- Ora, que pressa a sua! - Willen fala novamente. - Eu que estou indo pra minha última aventura, isso depois de anos parado, não estou tão nervoso e ansioso assim! Se acalme que tudo vai dar certo. Tudo a seu tempo.
Rubi segura a mão de Zand e cochicha em seu ouvido.
- Me leva no braço? Estou cansada...
Ele sorri e a abraça em resposta.
- Não se preocupe. - Ela completa, antes de beijá-lo. - Não preciso ser carregada por ninguém. Você sabe que eu tenho muita energia...
- Falta muito ainda, droga! Por que em viagem o destino é sempre muito mais longe do que parece? - Azkelph caminha reclamando.
- Ainda levaremos pelo menos duas horas pra chegar lá. - Rubi comenta.
“ Três e meia, no mínimo.”
- No mínimo. Na verdade, pelo tipo de terreno, eu diria que perto de quatro horas... - Willen complementa.
Azkelph para um pouco, pensativo, então fala.
- Ei, vamos em busca de um lago... Isso significa que teremos que passar por ele?! Mas eu não sei nadar!
“Eu odeio mesmo magos...”
- Vocês todos! Prestem atenção! - É Rubi quem chama. - Estamos nos aproximando cada vez mais do covil. A cada passo aumenta o perigo. Vamos agir como aventureiros de juízo e fechar a boca, pode ser?

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