Escarlate #42 - Passagem

9 jan 2010

Uma refeição rápida ou meia refeição, depende do ponto de vista. Isso e logo eles chegam diante do lago. A água é morna e a paisagem é quente. Bonita, avermelhada, mas quente.

- Agora temos que mergulhar pra procurar uma passagem? - Azkelph pergunta.

- Talvez. - O mestre Willen responde.

Quando se dão conta, Rubi e Zand já foram adiante, contornando o lago. Eles e Halkond, que haviam se sentado para descansar, se levantam para acompanhá-los.

- Pra onde estão indo? - Halkond pergunta.

- Procurar uma passagem que possamos utilizar sem precisarmos mergulhar no lago. - Rubi responde.

- Boa idéia. - Azkelph comenta então. - Não estou muito a fim de me molhar, sabe?

“Fresco.” Zand ouve a voz de Eve e fica pensando... Se Eve fosse viva, Azkelph já estaria morto a essa altura...

O lago é mesmo muito maior do que haviam pensado, mas à medida em que o contornam, veem as pedras da montanha fazerem um desenho diferente nas proximidades do lago: há possibilidade de isso ser uma passagem alternativa para o interior da caverna.

- Se não tiver entrada a gente faz o quê? - Azkelph pergunta.

- Tentamos dentro da água e por cima, escalando. - Rubi responde, sem nem olhar para ele.

É como se Azkelph estivesse com um pouco de má vontade ou talvez insegurança por não ter podido utilizar a magia de teletransporte.

Levam um bom tempo para chegarem até lá. Os pés na água até os joelhos e eles vão se aproximando do que ao longe parecia ser uma abertura.

- Esse lago é imenso! E parece tão raso...

- Ora, mago - Willen responde -, pode ser raso sim, a água não se movimenta em um lago, vai ver por isso tem pouca erosão.

- Faz sentido...

- Que ótimo! - Rubi dentro da água, só com a cabeça de fora, analisa o pé da montanha. - Isso é mesmo uma passagem! Estamos com sorte!

- Ótimo! Então vamos... - Halkond se apressa, mas Rubi o impede.

- Espera. Deixe-me buscar armadilhas.

- Armadilhas?! Que criatura insana botaria armadilhas numa montanha, num lago? Aqui não tem nenhuma construção artificial, está vendo não?

- É a força do hábito. Pode haver uma armadilha sim. Eu mesma não quero arriscar.

- Deixe Rubi tentar. - Zand intervém. - É sensato e não custa nada.

Rubi agradece com um sorriso e começa a estudar os relevos das pedras, tentar ver o que há sob a água...

- Não precisava. A gente está perdendo tempo demais! - Halkond fala, já sem a presença de Rubi.

- Calma lá. Ela sabe o que faz. - Willen responde. - Estamos em uma missão em equipe. Não se consegue nada em equipe se não confiamos uns nos outros. Armadilhas são o ofício dela, então não vamos nos meter no que não entendemos.

Mais de quinze minutos se passam no exame cuidadoso de Rubi. O grupo espera encostado nas pedras. Enfim, ela se mostra, toda molhada.

- Pronto. Podemos ir. Não há armadilhas.

- Sério!? - Halkond pergunta, zombando. - Jura? Nossa! Agora estou realmente muito surpreso!

Rubi o encara por alguns segundos e puxa o braço de Zand.

- Vamos andando que a viagem é longa.

É um espaço por onde mal passam duas pessoas. O teto muito baixo e muitas curvas. Saem da água, para depois voltarem a mergulhar até perto da cintura. Vão Rubi e Zand na frente, seguidos por Willen, Azkelph e, por último, Halkond. Halkond leva a tocha.

Ideia de Rubi, por precaução. Há muitas curvas e não há como saber em que curva cairão em um outro ambiente, talvez onde esteja Knova até. Melhor usar o mínimo de luz possível para evitarem ao máximo serem vistos.

- Que pena que não estamos só nós dois aqui... - Rubi cochicha para Zand. - Essa água morna está me dando umas ideias...

Zand sorri em resposta. Ela cola seus corpos e o beija, quase conseguindo trazê-lo de volta de seus pensamentos.

- Em pouco tempo estaremos livres. - Ela fala em seu ouvido.

Zand suspira e a abraça forte. Ele sabe disso. O plano era este mesmo. O que ele não sabe mais, agora que estão cada vez mais próximos de Knova, é se ele quer realmente “ser livre”...

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