Escarlate #49 - O Ataque Final

A adrenalina distorce o tempo e os passos apressados de Zand contrastam com seus pensamentos distantes. À sua frente, cada vez mais a cena de batalha se torna clara.

“Já pensei tanto se o que sinto por Rubi não é fruto de um tempo de solidão. Não há como ser, há?”

“Sempre há.”

“Ainda está me ouvindo, Eve? É estranho... Essa pergunta era uma pergunta retórica para mim mesmo...”

“Entendo. Desculpe minha intromissão, mas enquanto eu estiver contigo você não estará sozinho. Isso tanto na forma de algo positivo como não. Já fez sua escolha?”

“Já. Vamos continuar com o plano.”

“Tudo bem. Então veja.”

Zand ajusta a visão e já consegue distinguir entre as sombras e, iluminado pelo fogo nas paredes: Knova luta contra os três. É Rubi quem rola no chão e salta sobre um sofá com uma agilidade felina, esquivando-se da garra de Knova, enquanto Azkelph forja um globo mágico para proteger a si e a Halkond de mais um sopro de fogo.

“Vamos acabar com isso rápido. Afaste-se dez metros à esquerda de seu mestre e continue correndo. Eu te guiarei até um ponto vital do dragão.”

“Entendido.”

A voz de Eve tranquiliza o espírito de Zand. Ela está certa: o momento é difícil. E pior que isso, não consegue se concentrar em nada agora, menos ainda num plano. Eve como guia foi o que melhor podia lhe acontecer.

Zand e Willen continuam correndo, chegando cada vez mais perto de Knova.

- Zand, entendi. - Seu mestre lhe fala ao perceber o distanciamento de Zand, que seguia as instruções de Eve. - Vou te dar cobertura. Aproveite.

Halkond trava uma disputa rápida, trocando golpes, com esquivas, usando a Roph-Raph. Aparando as garras de Knova e tendo seus golpes aparados por ela.

Isso prossegue até que Knova percebe a aproximação de mais guerreiros e, num movimento rápido, cospe fogo em Halkond, jogando-o para longe. Ao mesmo tempo, Knova gira o pescoço acertando de surpresa as pernas de Willen, que saltava para lhe aplicar um golpe. Sua espada arranha um pouco Knova, mas muito pouco.

Era o tempo de que Zand precisava. Zand salta e, após apoiar por um instante o pé no joelho de Knova para tomar impulso, crava a Eve-64 em algum lugar entre suas escamas.

Knova grita de dor, enquanto vira a cabeça em direção de quem a agrediu.

Ainda no ar, apoiado apenas por Eve-64, antes mesmo de aterrissar no corpo de Knova, Zand vê aqueles olhos. Naqueles olhos a expressão de surpresa.

Tem a impressão de ver lágrimas naqueles olhos gigantes. É nesse instante que ainda mais cenas passam rapidamente por sua cabeça. Passado, presente e futuro se misturam. E ele relembra, em fração de segundo, o pouco de vida que teve ao lado dela.

Aqueles olhos... Era sempre um olhar parecido, um olhar que cativara o aventureiro e até hoje ainda parecia exercer poder sobre ele.

E é nesta ocasião do golpe, em especial, que Zand finalmente entende aquele olhar. E esse entendimento gela seu coração. Ele percebe que, mesmo com todas as ameaças, a dona daqueles olhos nunca seria capaz de lhe ferir. Que a solidão que aquela alma defendia não era só por arrogância, mas também por medo. Medo de mostrar um sinal de fraqueza a uma criatura tecnicamente inferior. Naquele instante, aqueles olhos lhe ferem mais do que ele a seu corpo...

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