6 mar 2010

Escarlate #50 - O Olhar de Knova

Submitted by bardo

Tudo aconteceu rápido demais... Um corpo enorme de dragão vermelho repousa assassinado em seu próprio lar. Ferido mortalmente por aquele em que confiava e enfim eliminado por uma arma que já matou outro dragão: a Roph-Raph.

Gravado nos olhos de Zand, aquele olhar triste e surpreso de Knova traz fim à dúvida que ele sempre teve: “Ela gosta mesmo de mim?”. Ao vê-lo, ela podia cospir fogo ou girar o corpo para esmagá-lo, mas ao invés disso apenas o olhara...

“O que foi que eu fiz...”

Ele abaixa a cabeça e se apoia no corpo de Knova, enquanto o sangue de dragão ensopa suas vestes. Nem ao menos ouve as palavras de Eve dentro de sua cabeça; nem as de Willen, fora.

Os dois questionam onde andam Rubi e Azkelph, que não se encontram na cena do crime. Apenas Halkond, que já recolheu a Roph-Raph e dá alguns passos adentrando mais a caverna.

Sofás e tapetes pegando fogo, mal iluminando o lugar. Finalmente Zand consegue ouvir uma voz distante...

“Zand... Zand... Está aí? Você está bem? Zand...”

“Eve?”

“Acorde.”

“Acabou...”

“Não, não acabou. Olhe.”

Zand ergue os olhos cheios de lágrimas e vê Rubi e Azkelph retornarem para perto de Halkond. Halkond traz, flutuando, algumas esferas de energia estranhas e em sua mão mais um cajado.

Halkond beija Rubi enquanto Azkelph gesticula e balbucia palavras mágicas. Rubi ainda sorri um riso triunfante para Zand, antes de desaparecerem os três em um globo verde, deixando apenas a destruição no lar de Knova...

“Zand...”

“O que eu fiz?!”

“E eu deixei fazer... Me desculpe.”

“A culpa é minha.”

Willen caminha lentamente em direção ao lugar onde Rubi estava agora há pouco, até chegar a um enorme aposento vazio. Então volta.

Seu coração está feliz em parte por ter finalmente participado de uma grande aventura para coroar sua carreira de guerreiro. Mas nunca pensou que seria a esse preço.

Não precisa falar para Zand que sente muito pela traição de sua “namorada”, nem precisa falar que provavelmente aqueles globos que Azkelph trazia eram todo o tesouro de Knova, sob efeitos mágicos que facilitassem o transporte.

Willen sente a ruína em que seu pupilo está. Simplesmente apoia a mão em seu ombro por uns segundos e, sem dizer uma palavra mais, se afasta pela entrada principal, pelo grande corredor, para deixar Zand só.

“Zand?”

Eve pergunta ao perceber a mudança. Zand de repente enxuga as lágrimas e seu olhar e expressão mudam.

Ele se levanta, com raiva e com a força de um insano, começa a arrancar as escamas do corpo de Knova.

“O que está fazendo?

“...”

“Vai querer fazer uma ar...”

Zand arranca mais uma escama com raiva.

“Rubi vai me pagar, Eve! Pode apostar! Quem morreu nesta caverna hoje não foi Knova. ...Foi Zand.”

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