Escarlate II #05 - Buscas sem Fim

5 jun 2010

Manhã em Ey Vudeon. Zand desperta e lava o rosto diante do espelho. Quase não se nota quão abatido está. Sua face inexpressiva sob barba desajeitada. Troca-se e pega Eve-64 antes de sair continuando sua jornada.

“Você devia aparar a barba.”

“Ah, cala a boca!”

“Hahaha! Qual boca?”

“...”

“É sério, Zand...”

“Tzarend!”

“Tá... Tzarend! Estar maltrapilho vai te atrapalhar nas buscas. Você sabe que pessoas e preconceitos são coisas quase indissociáveis...”

“Que seja.”

“Além do mais, já estamos aqui há quase um mês...”

“Nem tanto assim.”

“Vinte e seis dias. Não são quase um mês para você? Para mim são!”

“Não faz tanto tempo assim...”

“Claro que faz! Já fomos em todos os bairros dessa cidade, todos os bares, todos os hotéis, todas as praças e pousadas e lojas de armas e jóias. E o que encontramos? Nada!”

“Faz parte da busca. Mas você está enganada. Ainda não vasculhamos tudo...”

“Está falando de quê? Do Palácio por acaso?”

“Também... Você sabe tão bem quanto eu quão grande esta cidade é. Quantos hotéis, pousadas e lojas existem por aí que nem passamos por perto?”

“Passamos em todos os points de aventureiros, Zand.”

“Pára! Dá pra parar de me chamar de Zand?!”

“Tudo bem... Se essa loucura te deixa mais feliz, vou tentar só te chamar de Tzarend daqui por diante.”

“Agradecido!”

“Ainda acho que eles não estão por aqui.”

“Rubi falou de Ey Vudeon...”

“Ei! Acorda, aventureiro! Ela estava representando quando falou de Ey Vudeon!”

“Como você pode saber?”

“Eu simplesmente sei! Há quanto tempo estamos convivendo? Compartilhando pensamentos...”

“Não me lembre.”

“Tudo bem então.”

Zand segue em direção a um bar frequentado por aventureiros, chamado simplesmente A Praia. Apesar de não ser à beira-mar, há uns quatorze ou quinze anos era, quando se mudou mais para o centro, mantendo o nome.

Marinheiros e aventureiros em geral costumavam frequentá-lo. Depois da mudança de endereço, outros pontos passaram a ser mais frequentados, porém estranhamente, devido à fama adquirida, mesmo sendo perto do centro, muitos aventureiros fazem questão de ir ao bar-pousada A Praia. E terminou se tornando um lugar especial, onde se encontra mais a elite dos aventureiros de Wimow. Aventureiros novatos costumam ficar pela praia mesmo, mas os veteranos vêm à Praia.

“Nós já viemos aqui.”

“Eu sei.”

“Umas dez vezes...”

“Eu sei!!!”

“Alguém pode te reconhecer. Já pensou nisso, por acaso?”

“Agora sei porque você ficou tanto tempo naquela masmorra! Ninguém aguenta um mês com você tagarelando!”

“Agora você passou dos limites!”

“E vai fazer o quê?”

“Já aguentei seu mau humor até agora, mas chega!”

- Traz rum!

- Pois não.

Zand bebe ali no balcão, em solidão. Ainda há pouca gente no bar. Só um maltrapilho num canto e um grupo de aventureiros em uma mesa. Três magos, um bárbaro e um paladino discutindo qualquer coisa sobre missões recentes. Um grupo peculiar, não somente pelos três magos em um mesmo grupo, como pela presença de um guerreiro sagrado.

- Então sobraram 5409 pados. - O paladino fala. Pado é a moeda adotada em Wimow. - Não precisamos de tanto. Devíamos deixar no templo...

- Está louco?! - Um dos magos interrompe. - Podemos nos equipar, podemos investir... Podemos precisar desse dinheiro no futuro.

- Pra mim tanto faz, desde que me deem minha parte. - o bárbaro se pronuncia.

- Vamos dividir. É o normal em todo caso, não acham? - Outro mago fala.

- Vamos lá. Somos cinco. 5400 por cinco dá 1080 para cada. As outras nove a gente paga A Praia o que a gente consumir. Que dá pra tudo e sobra até gorgeta.

- Por mim tudo bem. - O mago que falara primeiro concorda, tomando outro gole de cerveja em seguida.

- É o justo.

- Tudo bem! - O paladino fala. - Eu farei a doação com a minha parte. Cada um faz o que quer e depois arca com as consequências de sua decisão.

- Tá, então vamos lá no palácio? - O mago fala. Zand ouve e fica ainda mais atento à conversa. Discretamente tomando seu rum.

- A gente não devia ir. - O outro mago que falara é quem reclama. - Não se confia em aristocracia, que dizer então da monarquia? Por mim, a gente continua para Wiogee.

- Vamos lá! A gente não precisa aceitar! A gente só ouve a proposta deles! - O primeiro mago fala.

- Nós devemos ir. - O paladino fala, decidido. - Não somos um grupo de mercenários. Temos que prezar pelo Bem. E onde há injustiça, não temos o direito de ficar calados.

- Temos... - O primeiro mago. - Mas não vem ao caso. Votação simples. Quem topa?

Junto com os dois, o bárbaro também levanta a mão.

- Pronto. Então vamos lá agora mesmo. - O paladino se levanta.

- Calma lá! - O mago que propusera a votação interrompe. - Está muito cedo! Vamos terminar a cerva! Depois a gente vai.

Zand nota que o paladino olha para um lado do bar, meio decepcionado antes de se sentar. Na direção do banheiro.

Ele se levanta e vai ao banheiro, para na volta ver o cartaz com a marca real pregado mesmo ali perto.

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