19 jun 2010

Escarlate II #07 - A Casa do Mal

Submitted by bardo

O paladino e o bárbaro nasceram na ilha de Awra; os três magos são de Krokan, uma cidade mais a oeste que fica aqui mesmo em Wimow. Pelo que entendi, estudaram juntos. E agora estão os cinco com Zand, já entrando em Ekriot. De fato Ekriot é bem perto de Ey Vudeon. Não mais que duas horas a cavalo.

Zand praticamente não perguntou nada sobre eles, nem tem falado nada a seu próprio respeito: só sobre a missão. Descobrir de onde eram os cinco foi ocasional. Uma ideia de Oatiw, o mago tagarela do grupo. “Vai que ele se abre mais depois de a gente falar um pouco de nós próprios.”

Ekriot especificamente é uma cidade relativamente pequena, como mais uma cidade pequena e normal.

- Onde fica esse lugar? - Oatiw pergunta.

- Rua Clã, 90. - Zand responde, quase de maneira automática.

“Que merda!”

“Quando é que você vai me deixar em paz, Eve?”

“Você tinha que aceitar estar num grupo cheio de magos?!”

“...”

“Era melhor termos vindo só nós dois.”

“É o que eu queria, mas você ouviu.”

“Saco!”

“A viagem toda falando disso! Dá pra ficar quieta um instante ou é pedir demais?!”

- E onde fica isso afinal?

- Calma, estamos chegando.

De fato não demora e estão todos diante do prédio. Uma casa grande de esquina, com ar de abandonada e uma escada levando da rua até a porta. O grupo passa discretamente e amarram seus cavalos a mais ou menos um quarteirão dali. Então voltam a pé, pelo lado da casa.

- O que faremos agora? - Aowo, o mago de chapéu engraçado pergunta, enquanto olha para a casa.

- Phioz, pode ver se sente alguma presença maligna na casa? - Zand pergunta ao paladino do grupo.

- Mesmo! Boa ideia! - Oatiw comenta com um tapinha nas costas de Zand.

“Ai que saco! 'Boa ideia'?! Desde quando o paladino perceber se há mal é uma 'ideia!? Isso é o mais básico dos básicos! Paladinos que ainda usam frauda já fazem isso sem ninguém precisar lembrar! Que droga!”

“Calma, Eve.”

- Qual a experiência de vocês em aventuras? - Zand fala bruscamente, virando-se para eles.

“Boa!”

“Quieta!”

- Bom, nós cursamos por nove anos a escola de magia de...

- Estou falando de experiência prática, não de estudo em jaula.

- Na verdade...

- Temos uma missão maior. - É Phioz, o paladino, que responde então - Os caminhos da justiça nos levam a Wiogee. Estamos nos primeiros passos da jornada.

- É, mas já enfrentamos perigos! - Aowo complementa – Pegamos um grupo de assaltantes da estrada e escoltamos duas vezes comerciantes lá em Awra.

- Isso não é experiência...

- E os nove anos de estudo?!

- Não dá pra viver sem eles, mas isso é só o começo. Perto do mundo real suas academias não valem nada.

- Espera, também não é assim...

- E aí? - Zand questiona de Phioz.

- O quê? Ah, sim! Maldade! Espera que vou verificar...

“Até o paladino pegou a burrice dos magos! É o fim!”

- Há dois focos de maldade.

- Então os espiões estavam certos. - Zand fala. - Onde eles estão?

- Espera, deixa eu desenhar...

- Não precisa! Diga! Apenas diga! Perto da entrada? No fundo da casa? Pelo lado? Eles estão juntos? É tão complicado assim!?

“Calma Zand...”

“Já disse que...”

“Tá, Tzarendo!”

- Estão no fundo, juntos, mais ou menos ali, antes do quintal.

“Eve? Tem como derrubar a parede?”

“Não devia fazer isso, você tem me tratado muito mal.”

“Tá virando 'maga' agora?”

“...”

“...”

“Está bem. Vamos.”

- Vamos.

- E como a gente entra? - Oatiw pergunta.

- Venham e verão. Cerquem para que não fujam. Deixem os homens cuidarem disso. - Fala, especificamente para os três magos.

- Ei!

Não há mais tempo para reclamarem. Zand salta e a um toque de Eve a parede se desfaz em tijolos. Em um instante ele está dentro.

Os olhos vão voltando ao normal e ele finalmente vê os tais dois focos de maldade: duas armaduras completas de metal, com luz vermelha no lugar dos olhos.

“São golens!” Eve, surpresa.

“Provavelmente.”

“Salta!”

Mais por pura confiança na parceira, Zand salta, mas antes, num panorama geral pelas mãos e postura das criaturas, ao constatar que não parecem preparar algo, ele salta justamente contra uma delas.

Decisão acertada. No instante em que salta, ouve a confusão que deixou para trás. Não havia só duas criaturas na casa.

Em alguns golpes, uma das armaduras perde um braço e recebe vários cortes. As luzes no lugar dos olhos apagam: era mesmo um golem.

“Separe o busto!”

“Como assim?”

“Como uma estátua!”

O outro golem se vira assustado, tentando fugir, mas Zand consegue cortá-lo na altura do diafragma, enquanto ouve ruídos estranhos na confusão com a equipe de aventureiros. “São animais selvagens?” Mais dois movimentos e logo o segundo golem está sem os braços. E as luzes continuam acesas, mas agora é inofensivo.

“Não sabia que entendia de golens.”

“Seus amigos maguinhos precisam de ajuda...”

Avalie: 
No votes yet

Comentar