24 jul 2010

Escarlate II #12 - Todos a Bordo

Submitted by bardo

- Capitão Ched. Em que posso ajudá-lo? - O homem de óculos olha para Zand preocupado, como se estivesse tentando descobrir o que se passa em sua mente. Do seu lado um homem sem uma orelha olha em volta, antes de encarar Zand da mesma forma. Os outros olham com alguma curiosidade também.

Não é difícil para Zand deduzir que está diante de um grupo de aventureiros.

- Preciso ir a Noak.

- A Noak mesmo? - Eles se olham, cada um com uma expressão diferente.

- Estou indo a Beniw.

- Sinto muito, mas não vai encontrar uma embarcação que te leve lá. - Um outro na mesa fala, de barba rala e chapéu curvado, com ar esnobe. - Beniw não é uma cidade costeira. Hahaha!

- Been... - O capitão Ched o repreende, então continua. - Ok, senhor, não me interessa no momento saber o que busca em Beniw. Só me interessa saber duas coisas. Primeiro, o que a marinha de Noak achará disso. Segundo, o que está propondo em troca.

- Estou indo para um acerto de contas. E eu vou pagar pelo serviço.

- Sabe que lá o clima não está muito bom, não sabe?

- Pouco me importa.

- Então tem mais causas para ir do que para não ir...

- Correção. Tenho muitas causas para ir, nenhuma para não ir.

- Bem, vamos acertar valores...


 

A embarcação é um tanto grande. Tem canhões e uma tripulação um tanto grande. Zand vai até o Diabo M com os 14 tripulantes que estava na Praia.

Capitão Ched, Been e outros tantos. Gwat é o nome daquele sem orelha. Não saiu de perto de Ched em nenhum momento da negociação e era constantemente consultado com o olhar.

“E pensar que antigamente meus pais queriam que eu fosse marinheiro...”

“Eles não me parecem exatamente marinheiros...”

“Eve...”

“Oi...”

“Você continua se intrometendo em meus pensamentos.”

“Foi sem querer. É difícil saber quando você está falando comigo e quando não está.”

“Você me irrita.”

“Cuidado com esse povo todo.”

“Eu sei o que estou fazendo.”

“Espero que dessa vez sim.”

“O que quer dizer com isso?”

“Não nada...”

“Olha, eu devia aproveitar a viagem pra jogar você no meio do mar.”

“Você não teria coragem.”

“Você acha que...”

- Tzarend! - Um homem vestido com uma capa vinho se aproxima com um livro na mão. Zand olha, tentando lembrar seu nome. - Breig! Chamo-me Breig!

- O que há?

- Já estamos partindo, amigo. - Seja bem-vindo à embarcação.

- Por que Diabo M?

- É uma história interessante. Eniu ainda vai cantar essa história uma noite dessas.

- Eniu?

- Nosso amigo bardo. Mas adianto que é tão antiga que é anterior ao capitão Ched. - Ele faz uma pausa para ver melhor a expressão de Zand – É, meu amigo, é uma longa história... A Diabo M não é uma embarcação construída ontem. Há viventes neste navio que são mais novos que ela. Bem vi que és um guerreiro experiente. Posso te fazer uma pergunta?

- Depende.

- O que trazes sob o manto é mesmo o que penso que é?

Zand olha com um ar de desinteresse sequer em formular uma resposta.

- Uma armadura de escamas de dragão vermelho?

- Por quê?

- Não, só curiosidade! Bem, preciso estudar. Prazer tê-lo a bordo e vamos chegar em Beufy em dois tempos.

“Beufy...”

“E Beufu... As duas cidades costeiras mais próximas de Beniw.”

“É, Eve, eu conheço essas cidades.”

“E Beufan, um pouco mais distante... As costeiras de Noak. Como as cidade Ey Vudeon e companhia em Wimow...”

“Beufan? Não existe mais. Virou Kreuk.”

“Sério?”

“Sério.”

- E aí Been! Eu ganhei! - O tal de Breig fala ao longe com aquele sujeito de chapéu curvado. - É uma armadura de dragão vermelho.

- Ah não, sério? Droga! E eu que invento essas apostas pra depois perder...

- Depois você me dá a adaga de prata.

- Droga!

Pouco depois, a Diabo M deixa Ey Vudeon e segue rumo a seu novo destino...

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