21 ago 2010

Escarlate II #16 - Dias de Paz

Submitted by bardo

De novo em alto mar. Zand sorri olhando o horizonte. Não um sorriso completo. Sorri aproveitando horas de paz, que se tornaram mais frequentes desde que comprou um baú em Ey Vieo para servir de “casa” para Eve-64.

Já se sente um tanto à vontade junto da tripulação. Os irmãos encrenqueiros, o bardo com tambor, o bárbaro mudo de nascença... Aquele barco negro parece realmente bom e, agora que está distante de Eve, experimenta uma paz especial.

“Meus pais estavam certos sobre o mar? Eu devia ter sido marinheiro?”

Observa, pensativo. Ainda é cedo do dia e alguns ainda dormem.

“Ainda não pensei no que vou fazer depois disso tudo. Só tenho pensado em Rubi. Isso não é bom. E depois? Está aí um caminho: depois posso virar marinheiro.”

Sorri olhando ao redor. O capitão está chegando. Vai em direção ao leme para que Edrio possa ir dormir. Edrio, o bárbaro mudo. Parece boa pessoa, de qualquer forma.

A essa altura já sabe também que existem três pessoas de nome Phri na Diabo M: um ladrão, um pirata que adora encher a cara e um dos rapazes que ajudam na embarcação. Isso é um pouco confuso no início, mas depois passa e fica muito normal quando Phri, Phri e Phri se tornam Croan, Xovi e Pyau. Claro que nenhum gosta de ser chamado pelo segundo nome e, no fim das contas, quase que apenas o Phri adolescente que é tratado assim, como Pyau.

Zand se dirige ao capitão, que nota sua presença de longe. É outra coisa também facilmente percebida a essa altura por Zand: o quanto Ched é paranóico.

- Bom dia! - Zand cumprimenta.

- Bom dia, Tzarend!

- Como estamos?

- Bem. Creio que ainda hoje chegaremos a Ey Dlir.

- Ey Dlir...

- Sim, será nossa última parada antes de entrarmos em território de Noak. Não se preocupe: vamos deixar você lá em Noak, em praia tão perto de Beniw quanto possível. Vamos sim ou meu nome não é Ched!

- Muito grato.

Zand se afasta lentamente...

“Como são calmos os dias sem Eve por perto... Se estivesse comigo, estaria tagarelando até agora.”

Olha as águas ondulando ao lado do navio, sendo cortadas por ele. E as ondas naturais do mar.

“Talvez ela tivesse algo interessante a dizer ou questionar a respeito de Ey Dlir. Para falar a verdade, às vezes até faz falta sua presença.”

E Zand segue até a cabine. Passa por Eniu, o bardo, ainda jogado no chão com uma garrafa de rum quase no fim, desacordado.

“Esse não tem jeito mesmo. É uma vergonha para a profissão.”

Desce as escadas, passa pelas grandes caixas de madeira da entrada e chega perto do seu colchonete. Tira a chave do cordão em seu pescoço, senta-se diante do baú e o abre. Ali está a bela Eve-64 em seus tons de azul. Do cabo à lâmina, passando pela inscrição “E-64” cujo relevo, mesmo nessa iluminação pouca, dá um lindo efeito nos seus tons de azul. Ele a pega.

“Bom dia, Eve!”

“Bom dia... Bom dia? Você me deixa trancada aqui há dias! O que pensa que está fazendo? Além do mais, você sabe muito bem o que acontece quando eu fico largada num canto por muito tempo...”

“O barco está em movimento, Eve.”

“E eu sei lá! Quer que aqui vire um navio fantasma? Até que ia combinar com o nome. Agora se você tivesse um mínimo de respeito e consideração, você...”

Zand solta a espada novamente dentro do baú a tranca novamente. Levanta-se, olha um pouco para o baú...

“Ela também não tem jeito.”

E caminha até as escadas para voltar à popa...

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