Escarlate II #21 - Quem vem lá?

25 set 2010

Quatro cavalos trotando pela estrada. É um longo caminho até chegar em Beniw. Já é cedo da tarde e o almoço em Blucei fora totalmente mecânico, apenas por obrigação e para ganhar tempo. Agora, Zand, Breig, Uglu e Di cavalgam para Beniw.

Ao seu redor árvores frutíferas plantadas em ordem. Até agora poucos têm falado. Poucos além de Eve.

“Eu disse que ela era daqui!”

“Não me interessa suas amigas, menos ainda se já se foram!”

“Você é um bardo, devia gostar de conhecimento histórico.”

“Não sou mais. E se ainda fosse, preferia conhecimento histórico RELEVANTE.”

“Mas a Elblur era uma grande armeira. Uma vez ela fez um elmo...”

“CHEGA, Eve!”

Alguém se aproxima a cavalo, encapuzado. Di e Uglu se olham, nervosos, mas os quatro continuam.

Tensão... Cada vez mais próximo... Eles tentam discretamente analisar o estranho, mas não conseguem identificar nada, nem ver detalhes do rosto além de notarem que tem pele clara.

Ele passa sem maiores problemas. O grupo continua sua jornada...

“Terras estranhas, povos estranhos. É como dizem por aí.”

“Quem quer saber? Dá pra se calar?!”

Uma música se ouve de repente. Zand se vira para trás: é o estranho. Está parado, de costas para o grupo, tocando uma flauta transversal.

“Por que todo mundo parou?! Ainda levaremos pelo menos cinco horas até Beniw. Se formos parar para cada louco que aparecer...”

Zand nota o enfeito daquela música. O grupo está quase paralisado. Os três, não ele. É um bardo, um bardo dos bons. Zand move seu cavalo alguns passos à frente, mais para deixar claro não estar sob efeito do encantamento musical do que outra coisa.

O outro vira o cavalo de lado e sorri, pouco antes de descobrir a cabeça, mostrando cabelos loiros, que deslizam até a altura do queixo. Afasta a flauta por um instante.

- Quem são vocês?

- Quem é você? - Zand responde prontamente.

- Se eu estivesse em suas terras – ele sorri, de um jeito quase cortês -, vocês teriam todo o direito de me perguntar isso, mas é o contrário. Quem são?

- O que te interessa?

- O que querem em Beniw?

“Como ele sabe sobre nosso destino?”

- Quem é você? Diga-me!

Ao invés de responder, o estranho reaproxima a flauta transversal e continua a tocar a mesma canção. Então pára...

- Tzarend... - O estranho cavalga devagar, virando-se totalmente de frente para o grupo.

Zand tira a Eve-64 da bainha e se aproxima mais dele.

- Calma... Eu não sou inimigo. Pelo contrário. Acho que mudei de ideia e vou voltar para Beniw com vocês.

- Como é?! Quem é você afinal?

- Sou Viex, descendente de Woate.

“Woate?”

“Você conhece, Tzarend?”

“Um bardo lendário daqui de Noak, que usava uma flauta...”

- Sou neto de Woate. Viex Woate, e vou com vocês até Beniw.

- Por que faria isso?

- Digamos que ninguém nessas terras tem coragem de enfrentar os Raxx. Eu cansei e estava indo para meu autoexílio, mas mudei de ideia.

- O que sabe sobre nós? - Zand pergunta, já bastante preocupado.

- Bem, você deve saber mais seus próprios objetivos do que eu, então no caminho você me explica. O que importa é que Raxx precisa cair e eu vou ajudar vocês. Só me digam uma coisa... Onde ela está?

- Quem?

- A mulher.

- Que mulher?

- Eu senti presença de cinco pessoas, uma é uma mulher. E no entanto vejo apenas quatro.

“Leitura de mentes! Aquela canção também fez isso!?”

Zand ergue a mão e Viex enxerga o “E-64” na espada.

- Não pode ser! Eve-64!?

- Então você a conhece...

- Claro que sim! Que bardo que se prese não conhece sua história? É uma arma muito poderosa! Mas, diga-me, como você aguenta a Eve?

- Ultimamente tenho me feito a mesma pergunta...

- Vamos, o caminho até Beniw é longo e temos que aproveitar o momento.

- Que momento?

- O afastamento das tropas? Não é por isso que vieram agora? Ou vão dizer que foi coincidência e que não estranharam a ausência de soldados...

Zand olha ao redor e vê a expressão espantadas de seus três aliados.

- É, vejo que foi coincidência. Mas vamos! Não temos tempo a perder.

O grupo se olha enquanto Viex abre caminho entre eles e parte de volta a Beniw.

“Quem ele pensa que é?! Essa missão é sua, Tzarend!”

“Deixe que disso cuido eu. Apenas, vamos.”

E o grupo o segue, de perto.

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