2 out 2010

Escarlate II #22 - Conversas a Caminho de Beniw

Submitted by bardo

- Tzarend... Tzarend... É destas terras mesmo? Nunca ouvi falar.

- Não vem ao caso.

- Certo... - Viex continua, com o capuz posto novamente. E o grupo todo o acompanha pela estrada. - Então me diga, Tzarend... Quem caiu?

- Do que fala?

- Quem era o antigo dono da pele que usa? É daqui mesmo ou do além-mar?

- Daqui.

- Então só pode ser da Serra do Fogo.

- Do que estão falando? - Breig intervém.

- Há apenas três dragões vermelhos aqui no continente: um deles fica nas ruínas de Amep, no reino de Surdi; outro está no topo do Monte dos Deuses, perto de Krokan, também em Surdi; e o terceiro fica na Serra do Fogo, em Wimow. Ou ficava. Porque, ao que sei, embora haja muito mistério a esse respeito, os Raxx mataram o dragão da Serra do Fogo e saquearam todo seu tesouro. Foi o que pagou seu exército mercenário.

- Quer dizer então que essa armadura... - Di se espanta ao ouvir as palavras seguras de Viex.

- Você é bem informado, pelo jeito! - Breig fala, após constatar que Zand não se pronunciará a respeito.

- É a missão de um bardo, meu caro. Vejo que carrega uns livros...

- É, eu estudo...

- Magia, sei... Você parece ter interesse, mas não tem muito jeito de mago não. Tenta andar mais inclinado, assim! E também tem que mudar sua expressão... Está muito séria. Tenta...

“Ele é bem elétrico, não é?”

“É sim.”

“É perigoso eu falar com você perto dele?”

“Creio que não. É pela canção que ele faz a leitura de mentes.”

“Entendo. Já pensou na possibilidade de ele estar mentindo?”

“Claro. Mas as informações se encaixam corretamente. A flauta de Woate é conhecida entre os bardos, assim como o próprio Woate. Só não sabia que Jult Woate tinha se aposentado, mas ele já era um pouco velho quando tive notícias dele.”

“E quem é esse?”

“O filho de Woate e suposto pai dele.”

- E você? É descendente de alguém famoso, né? Deve ser legal!”

- Não exatamente. Eu não conheci muito meu pai.

- Ah, não?

- Aventureiros não se casam. Meu pai é filho de Woate com uma mulher de Surdi. Minha mãe é de Beufu. Tanto meu pai como eu terminamos seguindo essa profissão simplesmente por instinto, porque está no sangue mesmo.

- Nossa...

- E A flauta é passada quando já estamos bem, quando meu avô se aposentou, passou a flauta ao meu pai. Ele, ao se aposentar, passou para mim.

- E só tem você de filho?

- Na verdade, conheço mais três irmãos, mas nenhum deles se interessa por música ou missões. E quanto a vocês? Vocês têm cara de serem do mar!

- Sim, e somos! Nossa embarcação é a Diabo M.

- Diabo M... Diabo M... Já ouvi falar de Diaba M, não seria esta?

- Nossa! Você é mesmo muito bom!

- Eu não sou bom, eu sou um Woate! Mas por que mudaram de nome?

- É uma longa história...

- É uma longa jornada até Beniw! Temos tempo de sobra para uma longa história!

- Se Eniu estivesse aqui, ele a contaria muito bem!

- Eniu...

- É o bardo da tripulação.

- Ah, entendo. Mas se ele a conta tão bem, deve tê-la contado algumas vezes, e deve haver recordações ainda! Não gostaria de me contar essa história?

- Vocês deviam parar de conversar! - Uglu fala, com raiva. - Pode ser perigoso andar por aqui!

- Não se preocupe. - Viex responde, prontamente. - Está tudo em paz. Eu não tiro os olhos e ouvidos da estrada e, acreditem, meus ouvidos são muito bons! Além do mais, eu acabei de vir por este mesmo caminho, e está tudo bem nele. Breig... Não é este teu nome? Que tal me contar a história da sua embarcação?

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