9 out 2010

Escarlate II #23 - Infiltração

Submitted by bardo

- Então, eu soube que os Raxx estavam tentando dominar uma mantícora...

- É verdade... Também ouvi esses boatos. - Viex responde a Breig, pensativo. - E, sinceramente, não duvido que sejam verdade, sendo o general deles quem é.

- E quem é?

- O mago Protages.

- Quem? - Zand pergunta.

- É um mago que se tornou popular só nos últimos anos. É frio e tem um grande conhecimento sobre artefatos mágicos e estudou com Uabwed Woa.

- Quem?!

- Se você quer ser mago, Breig, é bom conhecer alguns nomes...

“Que interessante!”

“???”

“Ah, se eu não estivesse presa nessa espada! Podia encomendar outra espada para mim!”

“Se não tivesse sido presa nessa espada, Eve, você teria morrido de velhice há uns quinhentos anos.”

“É, eu sei... Mas custa sonhar um pouco?”

- É bastante conhecido por catalogar criaturas monstruosas, estudar tais criaturas. E esse Protages, que foi seu pupilo um dia, é o braço direito dos Raxx.

“Tzarend? E o...”

- Não havia um outro mago?

- Não conheço, só se houver um aliado antigo, de outros tempos. Por ora, o único nome de confiança para os Raxx é Protages.

“Será que é Azkelph?”

“Como assim?”

“Ele pode ter trocado de nome, como você!”

“Pra que ele faria isso, Eve?! Para de falar besteira!”

“Aposta quanto que é o mesmo Azkelph?”

“Eve?!”

“É claro! Ele era um péssimo mago! Faz sentido se considerarmos que sua especialidade não era magia de combate, mas de confecção de objetos.”

“E que objetos ele fez? Eles não usavam nenhum!”

“Boa questão...”

“Fica calada, por favor!”

- Olha! - Di aponta para o longe.

- Sim, estamos chegando em Beniw. Aquele é o famoso castelo, o coração do governo de Noak.

O castelo fulgurava no horizonte. Uma construção de torres arredondadas. Cinza claro, mas não totalmente. Algumas partes denunciavam uma cor quase como chumbo, levando a pensar se o cinza claro não seria dessa mesma cor, após anos de exposição aos raios do Sol.

Detalhes, como metais nas janelas e telhados, eram de um vermelho que também parece já ter sido muito vivo.

- Nosso plano é o seguinte: eu vou tocando a Janliet e conseguiremos entrar sem sermos percebidos.

- Como fará isso?

- Confie em mim!

“Janliet?! Hahaha!”

“Que é, Eve!?”

“É a música que ele vai tocar ou a flauta?”

“Sinceramente não sei, mas agora pouco importa. Quer se calar de uma vez antes que eu a abandone no mato?”

“Devia saber! É um bardo também!”

“...”

“Bardos costumam dar nomes assim a suas flautas?”

“Melhor que arrogantemente fazer auto-homenagem.”

“Está falando de quê?! Ah... E-64?”

“E de que mais?”

“Mas quem disse que o E é de Eve?! Vocês que inventaram essa história no decorrer dos anos.”

“E de que era?”

“Já pensou que poderia ser de 'Espada'?”

“É de Espada?”

“Agora não digo mais!”

“EVE!!!!”

Viex começa a tocar a flauta. Uma melodia suave e melancólica, enquanto cavalgam.

Os cinco se aproximam dos portões, onde já se vê guardas armados. Os irmãos se olham, nervosos, já de mão nas armas, mas Zand faz sinal para que esperem.

“Você sabe o que exatamente o Viex tá fazendo?”

“...”

“Sabe ou não?”

“...”

“Ah, entendi...”

Todos os sons dão lugar ao som da flauta transversal de Woate. Guardando os portões de entrada, os guardas olham o horizonte, com uma expressão cansada e pensativa. Olham o horizonte enquanto o grupo passa bem diante deles e entra no castelo.

Viex não para de tocar no decorrer do caminho. O grupo passa por casas simples, depois por algumas barracas de comércio. Poucas, muto poucas, para o enorme espaço do pátio que antecede os portões principais do castelo propriamente dito.

Dez guardas enfileirados dos dois lados estão de sentinela tão logo se suba as escadas. Os cinco sobem, já sem os cavalos, e Viex continua a tocar.

Os portões estão logo adiante e o clima é de pura tensão entre todos, menos o próprio Viex. Um dos dez muda a expressão no rosto para uma estranha surpresa. Ele olha para a base da escada. Seus olhos finalmente começam a distinguir algo que não deveria estar ali. Borrões vão se formando cavalos.

- Ei! Tem algo errado aqui!

Basta essas palavras e mais alguém se desvencilha da ilusão de Viex e grita:

- Invasores!

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