Escarlate II #27 - Chegada da Tropa
Os três galopam por Beniw, buscando a saída da cidade. Enquanto Zand segue imerso em pensamentos, os outros dois conversam.
- Quer dizer que você usava essa E-60 antes da...
- Janliet! Isso mesmo.
- E quem deu esse nome?
- Meu avô. Quando projetou e a encomendou de um reino do além-mar. Você não imagina como é difícil fazer um instrumento desses. Envolve armeiro, ferreiro, artistas, magos...
- E antes dela, como você fazia?
- Como é tradição entre os bardos de Noak, eu já tocava pífano. Ainda tenho uns na casa da minha mãe.
- Interessante...
Breig coça a nuca e olha para o céu por um instante.
- Viex...
- Oi.
- O que você falou lá no castelo, sobre o que o mago lançou em mim... É verdade mesmo?
- Claro que sim.
- Acho que vou desistir de querer ser mago. É muito complicado. Além do mais, tem suas vantagens não ser mago.
- Você pode ser um farsante. Um guerreiro que se veste e age como mago. Pode ser muito perigoso em alguns momentos, mas pode ser muito vantajoso em outros, como foi hoje.
- Tem razão! Sabe que não é má ideia?
- Depois posso te contar algumas histórias de magos e algumas coisas mais sobre magos, pra você melhorar seu disfarce.
- Obrigado.
- Esperem.
Viex faz sinal pra que parem. Então, conduz, devagar, os três por uma rua.
Poucos segundos depois, os outros dois ouvem o galope de uma tropa se aproximando.
Zand olha discretamente e vê que os cavalos vêm trazendo guerreiros em armaduras salmão. E à frente deles, uma figura conhecida. Zand sai do “esconderijo”, sob o protesto silencioso de Viex e pára no meio da estrada.
O grupo logo pára diante daquele guerreiro com uma armadura de escamas de dragão vermelho.
- Tzarend!?
- Plórius!
- O que faz aqui?
- Vim resolver assuntos pessoais com os Raxx. Assuntos que se resolvem à espada.
- Que bom! Então podemos ir todos até o palácio!
A esta altura, Breig e Viex já estão ao lado de Zand, acompanhando a conversa.
- E esses dois?
- Esses são Breig e Woate, aliados.
- Não pode ser. Woate já deve estar bem velho, se ainda estiver vivo.
- Sou descendente dele, sou Viex Woate.
O general olha com um certo desprezo, e prossegue.
- Que seja! Bom, Tzarend, vamos! Não temos tempo a perder!
- Espere! Eles não estão no castelo. Estão em Gurian.
- Como sabe?
- Derrotamos Protages, o líder deles.
- Nesse caso...
- Senhor... - Um subordinado lhe chega e fala, discretamente. - Deveríamos verificar se o que dizem é verdadeiro.
- Não, rapaz! - Plórius fala, olhando para qualquer lugar onde não haja uma pessoa. - Quem está falando é Tzarend, um guerreiro que respeito e com quem já trabalhei, e ao lado de um descendente de Woate. São nobres o suficiente para não andarem mentindo à toa: vamos todos para Gurian! Ou melhor...
- Mas senhor...
- Tá, pensei melhor! Junte dois homens e vá ao castelo. O restante me acompanha. Vocês três avaliem completamente a situação e voltem para me acompanhar. Caso a situação esteja realmente complicada no castelo e exija ação urgente, mande os dois comunicarem às tropas da fronteira e venha sozinho para Gurian. Afinal, vai demorar até vocês nos alcançarem, já que temos que partir rápido.
- Entendido, senhor!
- Vamos!

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