20 nov 2010

Escarlate II #29 - Gurian

Submitted by bardo

Uma praça. A intuição de Zand e Viex os leva até uma praça, na pequena cidade de Gurian. Ao redor, já é noite há um bom tempo e a população se reúne na sala de suas casas ou conversa na calçada.

- Ainda não acredito que você não sabe onde eles estão. - O general Plórius reclama, da mesma forma que vem reclamando por toda a viagem.

- Olhe ao redor. Vamos procurar. - Viex responde.

- Como a gente vai procurar, com um bando de soldados junto? Devia voltar imediatamente. Só não faço isso porque já é tarde de qualquer maneira.

- Viex? Perguntar ajudaria? - Breig fala, fitando duas mulheres na calçada.

- Podemos tentar, mas acho muito difícil. Vamos lá.

Viex vai em direção às mulheres, seguido por Plórius e Breig. As duas param de conversar e se levantam, entrando rapidamente e se trancando em casa. Viex volta para os dois.

- Olha, deixa que eu resolvo isso! Fiquem por aqui. Eu volto em dez minutos.

Os dois se olham e, sem opção, aceitam esse plano. Viex saca sua flauta Janliet e some pelas ruas tocando uma melodia suave.

- Que diabo! Isso lá é plano?! - Os olhos de Plórius terminam encontrando os do mesmo soldado que aconselhou a não vir, mostrando-lhe um olhar triunfante. - E vocês sabem mesmo se eles estão aqui? Como podem saber?

- Viex é um bardo talentoso. Ele tem seus métodos.

- Sei...

- E ele é daqui mesmo, não merece algum crédito?

- Está bem!

A tropa já está na praça. Todos desmontados, com os animais também descansando. Descansam os soldados, mas não tiram os olhos de Plórius, de prontidão para qualquer nova ordem.

Os civis de Noak praticamente já deixaram a praça a esta altura. A cidade está ficando mais e mais deserta, com a população se trancando.

- Parece que não somos bem vistos aqui... - Breig comenta, de braços cruzados, perto do cavalo.

- Também, o que esperavam? Um pelotão de país estrangeiro, armado, chega à cidade à noite, no que estamos longe da fronteira! Não dava para ser diferente, é claro!

- Realmente. Mas então por que veio com tantos soldados?

- Ora que pergunta! Vocês disseram que sabiam onde os Raxx estavam! Mas não sabem de nada! Foi só perda de tempo!

- Não é bem assim.

A Lua começa a aparecer acima dos telhados das casas.

- Bem... - Breig completa – Pelo menos no castelo eles com certeza não estão.

- Será?

- Bom, o Viex...

- Vou te falar uma coisa sobre guerra, meu caro mago: em época de guerra vale tudo. Vocês confiam demais nesse sujeito. Você o conhecia antes? Tem alguma prova de que ele seja mesmo um Woate?

- A flauta...

- Pode ter sido roubada, comprada... Além do mais, mesmo que seja descendente de Woate, isso não prova absolutamente nada.

- Ele lutou ao nosso lado lá no castelo.

- Já ouviu falar de perder para ganhar? Como um capitão que manda soldados irem atacar os inimigos para depois bombardear todos com flechas, seus próprios soldados e os dos outros. Já ouviu falar desse tipo de coisa? Em época de guerra, as pessoas não têm preocupações com caráter.

- Talvez, mas não acredito que...

- Estamos perdendo tempo aqui. Onde está o Tzarend?

- Agora que falou... Não faço a menor ideia. Ele estava conosco.

- Tanto faz! Deve estar tentando encontrar os Raxx, fazendo sua parte ao invés de simplesmente conversar ou confiar demais nos outros. Nele eu boto fé. De qualquer forma não deve ser difícil encontrar um sujeito com armadura de escamas de dragão andando por aí.

- O Viex também...

- Falando de mim? - Eles se viram e veem Viex se aproximando. - Já sei onde estão. Venham comigo.

Duas esquinas e encontram uma praça bem menor e mal cuidada. Atrás dela, uma mansão protegida por muros altos. Os portões estão abertos e ao se aproximarem, veem Zand saindo sério e se sentando no único banco da praça.

- Que houve?

- Ela fugiu. Fugiu com a mantícora.

- Como é que é?! - Plórius soca uma árvore.

- Fugiu voando, maldição!

- Cansei disso. Não há mais o que fazer aqui.

Plórius se vira e vai embora, seguido por sua tropa.

- Para onde ela foi? - Viex pergunta, sentando-se perto de Zand.

- Isso importa? Eu a conheço. Com certeza não vai para um lugar na direção em que saiu.

- Realmente. Nesse caso...

- Vamos dormir na hospedaria e voltar amanhã para Beniw.

- Vou ficar por aqui.

- Tem certeza, Tzarend?

- Sim.

- Tudo bem. Breig, vai pra hospedaria ou por aqui também?

- Acho que a gente deveria ficar por aqui, os três. Uma pessoa sozinha não deve ser seguro.

- Vamos para a hospedaria, ué! Lá sempre tem quartos livres.

- Podem ir. Vou ficar por aqui.

- Bem, você que sabe.

Os dois vão e deixam Zand ali sentado, repensando tudo, com os olhos perdidos a passear pelos muros da mansão.

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