27 nov 2010

Escarlate II #30 - O Presente

Submitted by bardo

É tarde da noite e da janela da mansão, Zand vê a cidade de Gurian. Vê a cidade e vê uma figura distorcida e bestial se afastando no céu ao longe. A cidade está ali, mas a figura que foge é o que ficou gravado na sua memória de algumas horas atrás. “Ela fugiu”.

Sofás e cadeiras em todos os cômodos. Alguns têm uma cama de casal. Zand entra em um deles. A Lua ilumina muito pouco e ele se senta na cama, apoiando a cabeça nas mãos.

Algumas lágrimas caem de seu rosto. Tão perto! Esteve tão perto! E tudo recomeça do zero agora. Novamente não sabe onde ela está. Voltou para Beniw? Para Wimow? Fugiu para um novo lugar? Não há como saber.

E ele se lembra de Eve, que deixou no castelo. Ainda não sabe se fez bem ou mal. Era bom ter companhia, mas há tempo que não pode ficar em paz com seus próprios pensamentos e é bom estar assim, agora. Quase distraidamente, saca a E-60. Ainda não a viu em funcionamento.

Um pequeno bastão. Coisa de 20 ou 30 centímetros, com o diâmetro de um cabo de sabre dos mais curtos. Zand procura o símbolo mágico pelo tato e o encontra sem tanta dificuldade. Aponta o bastão para um lugar vazio e desliza o dedo.

A sala se ilumina pela lâmina da E-60. Uma lâmina de pouco mais de um metro. Bem, não exatamente uma lâmina. Um feixe azulado de bordas oscilantes, como se fosse um pequeno “relâmpago esticado”. O quarto se ilumina e Zand pode ver que há uma camada de poeira no lugar. E algo brilha, com um brilho familiar.

Zand encara aquele brilho discreto no chão, com curiosidade se levanta e se aproxima daquilo. Abaixa-se e confirma prontamente sua suspeita.

- Pérolas...

Ele se abaixa e apanha duas delas. Ali um pouco ao longe, umas moedas de ouro. Ele olha embaixo da cama e sorri. Há mais pérolas e moedas espalhadas.

“Era aqui que ela ficava.”

Ele sorri, mas não pelas migalhas do grande tesouro então encontradas; nem tanto por ter rastreado Rubi. Ele sorri de Eve, tendo a certeza de que ela estaria tagarelando até agora se estivesse por ali.

Tão repentinamente como veio, seu sorriso se vai com a lembrança de Knova. “A janela...”

Da janela ele vê os telhados de uma casa e, além, ruas e casas desta cidade. Antes, porém, ainda dentro do terreno onde se encontra essa mansão, há um espaço, uma área, quase um quintal. E algo brilha lá embaixo.

Zand se senta novamente na cama. Pára um pouco, já com E-60 desativada, então despenca de costas naquele colchão.

“E assim tudo recomeça. Sem pistas, sem nada. Os planos de Rubi aparentemente fracassaram, mas até que ponto? Será que ela vai desistir mesmo de Noak? Será que pretende conquistar outro reino? As riquezas ela levou. E Halkond... Não o vi, mas ele deve ter ido com ela. Em algum momento eles jogaram parte do tesouro por aqui e não se preocuparam em recuperar essas pérolas e moedas, que certamente eram migalhas do que tinham. E... O que será lá embaixo?”

Alguém pode ter jogado algo da janela, [e o que lhe ocorre. Então, apenas para passar o tempo, cansado de tudo e dessa jornada infrutífera, Zand desce e caminha à procura do que pode ter caído da janela, talvez parte do tesouro roubado, talvez uma pista de para onde Rubi está indo agora.

Árvores e plantas por todos os lados e não é difícil para Zand identificar o que estava brilhando. Logo a visão lhe rouba qualquer palavra de espanto que pudesse pronunciar, qualquer pensamento mais elaborado. Por um momento ele apenas contempla, ainda de longe. Então se aproxima e toma em suas mãos aquele objeto.

O significado daquilo lhe vem à mente de maneira automática. Uma lira feita de pedras preciosas, com cordas de ouro. Zand chora, abraçando aquilo que acredita ter sido o presente de despedidaque Knova havia feito especialmente para ele. Chora, e a lira parece perfeita em todos os sentidos: em criação e em estrutura.

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