18 dez 2010

Escarlate II #33 - Awra

Submitted by bardo

Dizem que eles já tiveram reis, várias dinastias, e que foram muito desenvolvidos, tecnologica e economicamente. Há séculos. Mas há séculos, pelo que dizem, algo aconteceu e desde então, aquela ilha se tornou o que é hoje. Um lugar cheio de pequenas vilas dispersas, sem política. Sem lideranças oficiais.

As pessoas de Awra têm um certo senso de dever e justiça. Não muito mais do que os do pessoal do continente, mas é um senso maior, de qualquer forma. Elas levam uma vida de trabalho como um coletivo. Todos em função do todo. Sem liderança política, é um tanto estranho manterem acordos com nações. Mas sem liderança política, eles não são inimigos de ninguém. É como se fossem uma “nação café com leite”, que não está ali para disputar de fato tudo aquilo que é sempre objeto de desejo de reis.

Ao sul da ilha se encontram florestas e cultos às divindades da natureza. É terra de druidas e rangers. Ao norte a natureza é igualmente adorada, porém é mais escassa. Não é de forma abrupta, a natureza vai rareando aos poucos à medida em que se aproxima do norte.

Também vão rareando os agrupamentos. As pessoas costumam viver do que a natureza lhes dá.

No extremo norte de Awra há um estranho estreito que separa a ilha de uma pequena porção de terra. É o que divide as terras chamadas pelos nativos de Awra Comum e Awra Sagrada.

Na pequena Awra Sagrada, dizem habitar Dothumlgasoas, um raro, enorme e perigoso espécime de dragão marinho. Lá, ele é adorado como um deus, o deus Doth. A ele devotam suas forças. Anualmente, há o Dia de Doth, onde eles servem oferendas no estreito, como presentes a Doth. Em épocas de crise, já foram oferecidas jovens virgens, lançadas em canoa em direção a Awra Sagrada. Mas já faz décadas em que não se ouve qualquer relato de algo do tipo.

As regras de convivência nos pequenos agrupamentos de pessoas (geralmente agrupamentos familiares, que levam também o nome de cada família) são próprias de cada agrumpamento. Há uns onde existe poligamia, outros não; agrupamentos só de mulheres, agrupamentos de nômades a percorrer toda a ilha... Há de tudo. Todos eles, em comum, respeitam muito o próprio grupo em que vivem e tudo o mais na ilha. Respeitam a natureza e, frequentemente, respeitam os outros grupos também.

O que se pode dizer, de modo geral, é que as pessoas de Awra são conhecidas por serem pessoas de fácil convivência. Só não suportam a sensação de inutilidade. Nem nelas próprias, nem nos outros.

O que Zand não consegue imaginar é o que Rubi foi fazer lá. Claro, é uma ilha! Uma ilha enorme! Longe do continente e relativamente protegida de ataques de Noak. Certamente foi isso.

À frente do grupo, Plórius já enviou um mensageiro ao rei informando todo o ocorrido. Certamente, não haverá tempo a perder. O rei não vai ficar nada satisfeito de saber que os golpistas de Noak estão ali, tão perto da capital de Wimow, tão perto dele próprio. Plórius e Zand galopam entre os soldados, cansados já, mas esperançosos: é só uma questão de tempo até terem esses bandidos nas mãos.

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