5 fev 2011

Escarlate II #40 - Em Torno de Erans

Submitted by bardo

“Eles não vão sair de lá tão cedo.”

Bem que podia ter esperado com calma o momento melhor de partir, mas foi de jeito que nem o dia amanheceu e Zand deixava Ey Vudeon rumo a Froik. Uma longa jornada.

Era plena tarde do segundo dia de viagem quando ele avistou aquela velha cidade. Não Froik ainda. Froik fica em Surdi, no outro reino, além da fronteira. Zand avistava aquela cidade onde pretendia dormir nessa noite. Avistava Erans.

“Foi bom esse tempo sozinho, até aqui. Pude relembrar muita coisa sobre música. Apesar da pressa, a Lira de Knova tem sido uma excelente companhia. E creio que até ao Tornado venha fazendo bem.”

As mesmas plantações de arroz...

“Já pensei tanto nisso, mas não gostaria de perder mais um dia. Poderia ter ido a Diwed ou Efrea para dormir, mas isso resultaria invariavelmente em mais um dia de viagem. Não, eu tinha mesmo que vir por aqui.”

Sobre seu cavalo Tornado, desta vez com um capuz que esconde a armadura de escamas, e com a lira bem à mostra, ele se aproxima da cidade.

“Eu devia vir disfarçado de Nazavo. Se bem que não adiantaria de nada. Eles me conhecem há muito pouco tempo e por um bom período. O jeito é não entrar na cidade.”

Alguns dos trabalhadores da Agricultura o olham de longe, curiosos. Zand não tem dúvidas de que o reconheceram, mas imagina que eles estejam incertos se é realmente o mesmo morador antigo dessa cidade que se aproxima. Aquele que sumira ao ir de encontro a um dragão vermelho.

“Há um bardo na cidade. Um bardo jovem e incompetente. Medroso, que não pensa em sair. Mas ele tocava lira e gostava de animar festas, quando os comerciantes e fazendeiros não se juntavam para contratar um cantor de fora. Fico curioso sobre que músicas ele pode ter feito ao meu respeito, após o incidente com a Knova...”

- Zand!?

Um rapaz de doze anos corre em sua direção.

- Menino! Para! Não! - Sua mãe protesta, dali, dentre os pés de arroz, com as mãos na cintura e um pano alaranjado prendendo os cabelos. É inútil.

- Zand!? É você mesmo?

- Krazif... Silêncio, tá?

- Tá. - Ele fala, em voz baixa, mas sorrindo.

- Sou eu, mas ninguém pode saber que estou aqui.

- Onde esteve, Zand? Disseram que você tinha morrido! - Ele olha para trás e vê o grupo se juntando ao redor da sua mãe. Estão fofocando sobre o visitante e sobre a imprudência do rapaz.

- É uma longa história. Prometo que te conto no futuro. Olha, gostaria muito de visitar, rever todos, mas não posso. Não ainda. E preciso de um favor.

- O que quer que eu faça, Zand?

- Você poderia comprar comida para mim. Te dou o dinheiro e você vai. Preciso de suprimentos para uma longa viagem.

- Sei... - Krazif fala distraído, alisando o pescoço do Tornado. - Posso ir com você?

- Não, Krazif. É uma missão séria e muito perigosa.

- Mas eu queria... Eu quero ser um guerreiro como você, Zand.

- Tudo a seu tempo...

- Deixa, vai!

- Não. - Zand separa o dinheiro e lhe entrega. - Acho que 20 pados dá...

Então vê o jovem cabisbaixo, com a mão direita descansando entre a crina do Tornado.

- Ei, não fique assim. Prometo que quando voltar eu te treino. Tudo bem, assim?

- Jura!? Sério mesmo!?

- É, mas... Fala baixo! Para todos os efeitos, você só está fazendo favor a um estranho, que não acha correto entrar numa cidade estranha, que não quer ser revistado nem interrogado pela guarda. Só isso.

- Está bem! Chego já! - Ele pega o dinheiro e corre para Erans para comprar o suprimento de Zand.

“Espero que esteja fazendo a coisa certa. De qualquer forma, seria divertido ter um aprendiz.”

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