19 fev 2011

Escarlate II #42 - Boa Noite, Velho Amigo

Submitted by bardo

Debaixo de uma árvore, um cavalo se deita. A árvore não está tão exposta, é um pouco afastada da rua principal. Zand se despede de Tornado, por ora. Não o prende. A qualquer momento, no dia seguinte, os dois se encontrarão de novo, é o que planeja. Zand deixa Tornado porque Froik está logo ali.

Froik é uma cidade pequena. Não muito diferente das cidades pequenas de Wimow. Por essas ruas pequenas, Zand passa tocando uma suave cantiga de ninar com sua lira.

Suave e discreta, para a cidade que dorme.

Tudo está deserto. Absolutamente ninguém nas ruas e os bares fechando. E ainda nem é tão tarde assim...

Caminha até a frente de um pequeno templo e se senta, encostando-se na entrada, num lugar discreto.

“Como é bom se encostar em algo depois de tanto tempo a cavalo...”

A viagem tem sido longa e cansativa, exceto pela Canção do Repouso, que ajuda um bocado a minimizar o cansaço. Zand se encosta e descansa um pouco, o descanso real, não mágico.


 

“Taberna de Froik”. É isso o que está escrito na placa daquele estabelecimento. Mal dá pra ler e o estabelecimento está quase vazio. Tem sido assim nos últimos meses. A cidade é uma cidade pacata, mas tem se mostrado ainda mais pacata do que de costume.

Um homem sai e caminha devagar pela calçada. Ligeiramente tonto, mas nem tanto. Ou talvez caminhe devagar por achar que assim disfarce melhor a ligeira embriaguez.

Segue com seu casaco verde de listras amarelas inclinadas, de mãos no bolso. Um lenço amarelo claro preso ao pescoço e um jeito esguio. Olhando para baixo num ângulo muito discreto, ele segue.

Em sua mente pouco preocupada, pensa em seus planos.

“Awra parece não ser um lugar tão sossegado quanto eu pensei... De qualquer forma, tudo está correndo bem. Em quinze dias teremos resposta da Guilda Dessurdi... A Guilda Runamat já declarou apoio.”

“Também, só falta esperar a galera da 20 Horas voltar para que tenhamos ainda mais força. Creio que em dois meses estejam aqui. E assim teremos o apoio de três grupos enormes de ladinos, a coisa vai seguir muito bem, além de tudo aquilo que conseguiremos. De qualquer forma, dois meses... É um bom período para descans...”

- Boa noite...

Aquela voz o surpreende e traz num flash lembranças indesejadas. Ele se recompõe e se vira para o lugar de onde a voz veio.

“Claro que não pode ser ele. Não aqui, não agora.”

Do templo, sentado, o estranho continua imóvel.

- O que você quer?

- Você sabe o que quero. - Ele se levanta, ainda escondido pelas sombras da noite. Suas mãos se movimentam um pouco e um som suave preenche o lugar, uma música de lira.

- Não tenho trocado. - Seu coração começa a bater mais depressa.

- Não importa. - Ele dá alguns passos e finalmente deixa as sombras. - …Halkond.

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