19 mar 2011

Escarlate II #46 - A Mantícora

Submitted by bardo

Em movimentos absurdamente rápidos, o salto de Zand foi interrompido. Um dos tentáculos praticamente arrancara o sabre de suas mãos, enquanto uma das patas dianteiras o arremessara longe ao tentar cravar as garras em seu corpo. Apenas sua armadura de escamas evitou o pior.

Zand se levanta ofegante.

- Hahaha! O que está pensando, Zandinho? Eu conheço você. Você não pode derrotar o Uartroat.

- Quem?

- É o nome do mago que criou este ser. Nós usamos o nome dele para nos referir à criatura. Magos são criaturas bacanas, mas são muito perigosas para continuarem vivos depois de atenderem aos nossos pedidos, sabe? Uartroat... É uma criatura maravilhosa, você não acha? E a essa altura creio que seu criador não precise mais do nome... Hahaha!

Zand se levanta e vê aquela Rubi com a boca escancarada a gargalhar, segurando E-64. Diante dela, aquele monstro enorme, quase como uma muralha. Ele sente um arrepio com aquela visão.

- O que aconteceu, Rubi? Por que tudo teve que caminhar desse modo? Parecíamos ir tão bem...

- De que modo? Tudo saiu direitinho como o planejado! Tudo, sabia? Quer dizer, só não esperávamos que Wimow nos atacasse tão cedo lá em Noak. Se tivessem esperado mais uma semana, estaríamos bem, mas parece que adivinharam o momento...

Zand sem o sabre que tirara de Halkond, ativa a E-60. Aquele brilho azulado chama a atenção de Rubi.

- Ora, ora! Que brinquedinho interessante!

Logo em seguida, a mantícora está ali, golpe atrás de golpe tentando atingir Zand.

Zand tenta se esquivar, mas o máximo que consegue é diminuir o estrago que os golpes lhe causariam. Vez por outra atinge partes da criatura com a E-60, mas não parece surtir muito efeito. Muito pêlo branco voa nesses golpes mas, fora isso, nada mais.

Um tentáculo prende seu braço e o arremessa para o alto. Zand vê o céu, a criatura, Rubi. A cidade está deserta ainda, mas certamente as pessoas não estão ali assistindo por puro medo e não por ainda estarem dormindo.

Girando no ar, o corpo de Zand cai no telhado de uma casa próxima. Quebra telhas e cai sobre uma mesa na cozinha.

“Maldita... Meu corpo dói... Ela está brincando comigo. Eu vi como essa criatura destruiu navios a caminho de Awra! Se quisesse, ela teria me matado já. Maldita Rubi...”

- Zandinho? Onde você está?

Zand tenta se levantar, mas as costas doem. Mesmo assim, ele se esforça. Não há outra alternativa. Tem que arrumar um jeito. Não veio de tão longe para perder.

- Zand? Nós estamos esperando, viu? Se não aparecer logo, Uartroat vai aí te buscar!

Zand caminha em direção à saída da casa. Metade dos seus ossos doem. Ele vai, cheio de poeira, em direção à porta. Pode ver, com o canto dos olhos, os moradores da casa olhando para ele assustados, do outro cômodo.

Chega até a rua e percebe que a E-60 não está mais em suas mãos.

“Como derrotar um monstro desses?” Sorri, no meio dessa dor toda, ao se dar conta de que não sabe a qual dos dois monstros se refere.

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