Escarlate II #49 - Chega de Conversa

9 abr 2011

- Olha, Zand, você já rendeu o que tinha que render e já fez o que podia ter feito. Você interrompeu o meu sono e cá estamos nós, o dia amanhecendo e nós dois aqui com cara de besta.

“Tenho que manter o controle...”

Algumas janelas ao longe já se abrem timidamente para mostrar aos moradores mais ousados a rara batalha que acontece em uma cidade tão calma.

- Eu estou começando a ficar com sono e preciso dormir mais. Já basta, sabia? Por que não desiste logo? Uma morte rápida e pronto, te deixo em paz! Simples! Ah, a propósito... Bonita sua armadura, Nazavo guardou umas escamas para Rubi?

Por pouco a música não se perde em outros caminhos. “Como ousa...” Uma flutuação rápida na música e em seu encanto, que Zand logo retoma para o que vinha tocando. Ao invés de perder o controle da melodia, ele tenta se erguer. Com enorme sacrifício, mas ele consegue ficar de pé, ainda tocando a lira.

- Ai, você é persistente! Mas acabou.

Rubi também se levanta empunhando a E-64 e corre enquanto Zand faz a única coisa que consegue planejar por instinto nesse momento. Utilizando o controle pela música, Zand ordena que a mantícora ataque Rubi.

Em uma fração de segundos ele pensa nas possibilidades. A lança está na casa de Rubi ou na de Halkond? Conhecendo-a como conhece hoje, Zand sabe muito bem da alta probabilidade de ela ter blefado. A cama onde Rubi dormia era de casal, afinal de contas. Será que Halkond tinha realmente uma casa à parte da dela?

Por outro lado, ele acredita que sabe mais ou menos onde a E-60 foi parar. Então, restam três opções: procurar uma lança que não sabe se está lá e nem onde exatamente está, caso lá esteja; procurar uma espada mágica que ele também não sabe com precisão onde caiu, que não conseguirá aparar a E-64 em um confronto direto, e ele próprio não tem mais condições de se esquivar; ou ficar apenas olhando e torcendo para a mantícora derrotar Rubi.

Procurar a lança usando uma canção de busca de sua lira é algo que realmente lhe passou pela cabeça, mas isso provavelmente o faria perder o controle sobre a mantícora e tudo poderia estar perdido desde então.

Antes mesmo que a mantícora parta em direção a Rubi, que também mostra os primeiros passos largos de um ataque rápido como a morte, Zand decide ir à casa em busca da lança. Nessas horas a mente é muito mais rápida que o corpo e todo esse planejamento e ação não durara mais do que um quase nada.

Zand se lembra, para reafirmar sua escolha, que “Rubi é aventureira. Se não achar a lança, devo achar qualquer outra arma que sirva”. E, no instante em que a mantícora parte, ele próprio começa a correr, forçando a perna machucada, em direção à casa de Rubi. A mantícora parece obedecê-lo e partir em direção à antiga mestra, que vem empunhando a espada-lar de Eve. E Zand corre dali em direção à casa de Rubi. O sangue deixa sua perna como um rio, mas ele vai, acima da dor, depositando na Roph-Raph sua última esperança.

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