Escarlate III #18 - Em Rhidewar
Uma cidade abandonada, uma cidade fantasma. Era uma cidade relativamente grande, ao que se nota. A maioria das casas que ainda estão de pé estão sem o telhado ou parte dele. Eve os conduz até um casarão, onde eles entram com seus cavalos. Lá fora, ruídos de criaturas da noite.
- Então... - Zand deixa escapar, mas não continua, quando estão todos reunidos em um quarto com areia e sem móveis.
- Então a grande Eve teve a chance de acabar com tudo e deixou passar! Tudo o que fez foi um corte no braço daquele mago, não foi?
Eve respira fundo e encara Zand.
- Lembra quando chegávamos a Noak? Lembra que a frota de Noak se afastava do continente?
- Lembro sim.
- Parece que todos por aqui esqueceram, mas no meu tempo havia uma lenda que falava de outros reinos além do mar. A lenda dizia que, por castigo, os deuses separaram esses reinos por água e bloqueios mágicos. Pois bem, descobriram um novo continente ao Sul do nosso. Pelo que entendi, o contato foi através de magia há alguns anos e eles se denominam Klavorini e nos chamam de Klavorini Norte.
- E como são esses povos? - Epowi pergunta, curioso.
- São um povo rude, pelo que pude entender. Eles não conheciam a Magia, mas talvez justamente por isso desenvolveram armas de guerra pesadas.
- Eles adoram algum deus?
- Eu não sei, sacerdote. Não sei. O que sei é que os Raxx fizeram uma aliança com eles.
- Que aliança?
- Os Raxx? Estão mortos! - Zand protesta.
- Nem todos. - Eve retruca. - Halkond tinha um irmão, que foi justamente aquele que iniciou essa aliança.
- Um irmão!?
- Kokond, general do mar de Noak. Ele levou a frota lá para ajudá-los em uma guerra interna, especialmente com magia. Em troca, a turma lá do sul mandaria armamento e alguns soldados para a guerra dele.
- Que seria? - Viex pergunta preocupado.
- A turma lá do sul está concluindo um golpe no poder atuante e pretende criar o Reino Unificado de Jex. Eles querem unificar os reinos daqui também, criando o Reino Unificado de Raxx.
- Caramba...
- Os planos eram chegar esta semana aqui, mas Azkelph veio antes dos outros para ir preparando tudo. Depois de ver que o poder foi desfeito em Beniw, ele conseguiu resposta do clã Dessurdi, que era a aliança que faltava aqui no norte, e começou a retomar tudo.
- Espere um pouco. Nesta semana!?
- Sim, eles já devem ter chegado.
Os outros param pensativos. Não há muito o que dizerem a respeito de tais revelações. É tudo muito maior do que qualquer um deles tivesse pensado.
- Isso é... Terrível! - Viex fala por fim. - Seria loucura, não fossem essas alianças novas. Agora, tudo está no plano do realizável! Temos que pedir ajuda.
- Sim. - Eve responde, tranquila – É o que precisamos fazer. Estamos no meio de uma guerra de proporções colossais e isso está muito além de nós. Por isso mesmo devemos marcar uma reunião para daqui a duas semanas, uma reunião entre as autoridades máximas de Klavorini Norte.
- Haha! Já adotou mesmo o nome que eles nos deram, né? - É Krid quem se diverte um pouco, tentando quebrar o clima de tensão.
- Por isso – Eve continua, o ignorando – amanhã pela manhã devemos nos dividir. Minha sugestão é que Zand procure o rei de Wimow em Ey Vudeon, já que o conhece; Viex procure o rei de Surdi em Phyuge; enquanto eu irei a Cyad Woe em busca do rei de Wiogee.
- E como será essa reunião? - Viex questiona – Onde...
- Ofy. É uma cidade de Surdi que fica no estreito entre Wimow e Wiogee, equidistante dos dois. Creio que seja a melhor cidade para isso.
- Mas não contatamos ainda ninguém de lá? - Viex protesta. - Onde exatamente será?
- Esta questão é urgente, bardo. Não precisamos complicar. A reunião será na casa do gestor da cidade, do conde. Mesmo que ele seja pego de surpresa, não haverá problemas se você tiver cumprido sua parte de trazer o rei de Surdi a essa reunião.
- E nós? - Krid pergunta.
- Vocês... Não sei, só os conheci hoje. Façam o que acharem melhor. Por ora, devemos todos descansar para partirmos amanhã cedo. - Ela se vira então para Zand. - Zand? Precisamos conversar.
- Tudo bem.
- E quanto a vocês, descansem.
Ela sai puxando Zand para um quarto ao lado, enquanto os outros da sala se olham sorrindo em silêncio.
Mal entram no outro quarto, destruído e cheio de poeira, de móveis se desfazendo ao mínimo toque, os dois se dão um abraço demorado.

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