Escarlate III #24 - Armadilha

17 jun 2012

Escarlate III #24 - Armadilha

As cores do dia aos poucos vão voltando ao normal. Eve se levanta e só então que percebe o quanto tudo ficou quente em um instante.

Numa olhada rápida, os grifos estão muito feridos. Há guardas caídos perto da entrada do prédio. Estavam vindo quando foram atingidos? Todos estão mortos?

- Zand!?

Ela se joga perto do bardo, que está caído no chão.

- Oi... - Ele fala com dificuldades e Eve sorri ao perceber que ainda está consciente.

- Calma, você vai ficar bem.

Zand aponta para o lado e Eve segue com o olhar naquela direção. Viex está caído também. Perto dele a Janliet ainda fumaçando. Sua roupa, exceto por algumas poucas partes, destruída. Rasgada ou desintegrada por fogo. Ao contrário de Zand, ele está inerte.

Eve se aproxima e percebe que tudo foi ainda pior. A pele do bardo de Noak está cheia de queimaduras profundas. Aproximando-se de seu rosto, Eve percebe que ele ainda respira, mesmo com dificuldades.

- Ele está bem? - Zand pergunta, sentando-se lentamente.

- Ei, calma aí! Não se mova, Zand! Ele está vivo, é só o que posso dizer.

- E os outros?

- Eu... Não sei.

Antes que Eve se levante para procurar pelos arredores, Zand pede que lhe traga a lira. Ela o atende.


“Uma armadilha. Uma bomba mágica. Nessa Azkelph se superou. Quem diria que ele seria capaz de algo assim? Um truque bélico tão planejado?”

Eve corre com E-60 em punho – o escudo simplesmente sumiu.

A cena que vê não é nada agradável. Há mais soldados espalhados pelos corredores. Caídos, todos aparentemente mortos. Nenhum sussurro ou lamento ela ouve enquanto procura por vida.

“Onde os dois foram se meter numa hora dessas? Zand!”

Ela para por um instante enquanto passava diante de uma porta para o pátio. Dali o vê sentando perto de Viex tocando lira.

“Que canção é esta? Ah, dane-se! Tenho que encontrar os dois! Podem ser a única salvação de Viex ou, mais provável, estar à beira da morte também.”

Ela encontra a escadaria e segue apressada rumo ao topo de uma torre. Sabe muito bem que lugar é este: aqui fica o quarto de Azkelph.

Sua entrada no quarto serve apenas para confirmar sua impressão e o que Zand dissera mais cedo: ele se foi.

“Que jogada de mestre! De alguma forma ele sabia que a gente viria pra cá e nos esperou. Deixou a armadilha preparada esperando o momento certo. E o que fez? Foi para Wiogee! Outro golpe de mestre! O reino mais distante e por isso mesmo o que menos espera por um ataque surpresa.”

Dali de cima observa a cidade. Tudo parado, silêncio e vazio. Qual seria o alcance exato desta bomba? E que poder Azkelph realmente tem?!

“Será que ele sabia que estávamos vindo para cá? Não havia como saber...”

“Que jogada, hein? Estamos realmente numa disputa de estratégia. Estamos mesmo em uma guerra.”

“Só queria que houvesse sobreviventes, principalmente alguém de Noak mesmo. Um soldado antigo. Teríamos nele um bom aliado. Quem não fica puto com uma traição dessas de seu chefe?”

“Bardos, aguentem aí...”

- Droga! - Ela deixa soltar, frustrada, quando vê que a sala de cuidados médicos está destruída também, que todo o material que seria tão útil neste momento está inutilizável.

Pensa em quantos homens devem ter morrido – e estarão morrendo neste instante – nas batalhas marítimas e nas fronteiras. Tudo isso apenas para que se pudesse construir este momento, mas foi em vão.

“Agora está em Wiogee. Será que consegue subjugar o exército do Norte tão depressa assim? Eles viriam contra os de Surdi, pegando-os de surpresa pela retaguarda. O exército de Surdi então seria aniquilado, esmagado entre Noak e Wiogee. Que filho da mãe!”

“Espere!”

Aproveitando a proximidade do quarto de Rubi, ela entra. Dentro do guarda-roupas há algumas peças pouco danificadas. Especialmente as que estavam dobradas. Ela aproveita para trocar de roupa e levar algumas peças consigo.

Seu primeiro pensamento é fazer primeiros socorros, estancar o sangue, mas lembra que há pouco sangue para estancar. O maior problema são as queimaduras.

Ela volta por onde havia partido. Em uma nova roupa, em tons de amarelo e preto.

- Vocês!?

Seu espanto se mistura a alegria ao ver intactos seus aliados que haviam sumido. Ubaen olha para ela brevemente com frieza, logo voltando a se concentrar em Viex. Gloanloi acena. Zand continua tocando a mesma canção e ela sorri.

Avalie: 
No votes yet

Comentar