Escarlate III #32 - Azkelph

12 ago 2012

Escarlate III #32 - Azkelph

A porta fica na metade da parede lateral do enorme salão. É por ela que Azkelph sai. A porta dá de frente com um muro, oferecendo duas opções em um corredor a céu aberto. Azkelph escolhe o caminho da esquerda e, ao perceber que está sendo seguido, seu passo acelera.

Quase sem fôlego, ele passa a extensão do salão e encontra um outro corredor, na parede que fica atrás do trono. O prédio que estava à sua direita enquanto corria está agora disponível, com uma porta entreaberta. Não é o destino escolhido pelo mago. Ele corre mais um pouco e chega à porta da construção que fica atrás do trono.

Entra e se tranca.

Pouco demora, Zand chega: a porta está trancada.

Ele investe contra a porta, colocando todo o peso do corpo em um chute forte. A porta estronda, mas não cede.

“Droga, é uma porta muito sólida.”

Ele tenta mais uma vez, sem qualquer sucesso. Então para um pouco e olha ao redor. Bem ali em frente está o mar. Se vê parte de um navio, escondido por aquela outra construção.

Zand caminha lentamente em direção ao mar. Talvez aquele navio represente uma ameaça quase imediata. E deve haver outros.

Seus passos o levam pouco a pouco pela areia, quando algo mais lhe chama a atenção. Não é algo do mar, mas da terra mesmo. É uma palavra riscada na porta daquele outro prédio. Uma palavra escrita duas vezes. Uma em um idioma totalmente desconhecido, que Zand desconfia, com certo sentido, se tratar de uma língua de Klavorini Sul. A outra palavra diz: Arsenal.

 

Mais uma vez a lira de Knova produz aquela canção sem nexo. Está diante da porta que separava Zand de Azkelph e da sua vingança. A canção para e Zand sorri: a porta ainda os separa.

Descansando o instrumento musical, suas mãos procuram o cabo daquele estranho armamento. Uma bola metálica de um metro de raio. Pelo peso, de metal maciço. Não apenas isso, de um peso que Zand não imaginaria caber ali naquele um metro de raio. Talvez até mesmo de um metal ainda desconhecido por essas terras. A arma tem uma haste curvada, também de metal, que parece ajudar a fazer uma alavanca. Zand a segura com as duas mãos e a gira com certo esforço.

Uma volta completada, Zan ontinua o giro em torno de seu próprio corpo, pra ganhar mais velocidade.

Mais uma volta, Zand deixa a arma atingir a porta em cheio.

Não tão em cheio assim. Metade da bola metálica termina batendo na parede. Não que isso seja um problema, já que a bola, ainda assim, termina entrando no lugar.

Um grito de susto vindo de lá de dentro anima Zand, enquanto ele tenta remover o que restou da porta. Remove só uma parte, não consegue remover tudo, mas desiste: já é o suficiente para ele entrar.

Num susto, uma bola de fogo o atinge. Só susto, não é suficiente nem mesmo para atrapalhar sua entrada. Ele sorri, enquanto a vista se acostuma à iluminação do lugar.

Parece um salão também, mas muito menor que o anterior. Utilizado como um quarto, certamente pelo próprio Raxx e seus amigos.

Camas improvisadas, mas com bons lençóis, pequenos móveis, assentos aparentemente confortáveis e, lá no meio, um sujeito magro com a testa suada, apoiado em seucajado.

- Enfim, nos encontramos novamente. - Zand começa a falar. Sabe que deveria resolver isso o mais rápido possível, que atrasos podem mudar o jogo, mas não tem muita pressa. Algo lhe diz: “Está quase terminando sua jornada, aprecie bem o gosto da sua vingança.” A aspecto derrotado do mago também contribui para essa sensação.

Azkelph não fala. Continua na mesma posição, sem arriscar olhar diretamente para Zand. Como alguém que vê um fantasma pela primeira vez e paralisa, na esperança de não ser mesmo um fantassma ou, pelo menos, não ser visto.

- É hoje, bem aqui, que nossa história termina, Azkelph. - Pensa em dizer mais algumas coisas, mas não diz.

É engraçado que o mago esteja assim, tão sem palavras. Onde está o tagarela espirituoso? Onde está o dono da situação? O teleportador?

Num gesto rápido, Azkelph ergue o cajado e Zand, por puro reflexo, arremessa a lança. Não era algo muito sofisticado, ameaçador ou ao menos eficaz o que Azkelph tentava. No instante em que aquela simples bola de fogo começava a se formar, a Roph Raph atravessava seu diafragma.

Zand volta calmamente até a entrada. Azkelph ainda ouve seus passos ses afastarem e, em seguida, se aproximarem de novo. A dor da lança sendo arrancada sem qualquer consideração o faz reabrir os olhos. Com dificuldade, sentindo a vida o deixando aos poucos, abre os olhos para ver o Zand de pé, desequilibrado. Girando...

A bola de metal acerta a cabeça do mago e a vida o deixa de uma vez.

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