29 mar 2008

Jasmim #03 - Contra Fogo

Submitted by bardo

Jasmim, que já estava perto da porta, rapidamente deixa a sala do professor Nicolau. Em apenas alguns segundos está de volta com o extintor de incêndio que vira no corredor.

A estante perto do professor está em chamas; o professor, totalmente imóvel jogado no chão. Mas aquela estranha criatura de fogo em forma humanoide continua lá. Se ela tivesse sido fruto da imaginação, o fogo não era e o extintor teria sido, de qualquer forma, necessário, eis o que pensou Jasmim. Como esse ser alto de fogo parece ser real, Jasmim segue com a outra ação que havia planejado.

Enquanto caminha iluminando e produzindo estalos em direção ao professor, a criatura é surpreendida por uma fumaça branca em suas costas. Em um giro rápido de braço, ela se livra do incômodo.

Jasmim é arremessada contra uma das estantes do outro lado da sala. O extintor bate na parede, cai rolando no chão. Jasmim ergue a cabeça enquanto alguns livros caem sobre suas costas. Seu plano não deu certo e seu pescoço dói. Em uma olhada rápida na sala, outra ideia lhe ocorre. Levanta-se.

A criatura em chamas vem em sua direção. O extintor não parece ter produzido qualquer efeito nela, mas não importa. Jasmim espera o momento certo... Esquivando-se da criatura, salta para a mesa onde conversava com o professor há tão pouco tempo. Suas mãos vão direto para dentro da caixa que trouxera e seguram com firmeza a Morningstar. Metade do trajeto concluído, Jasmim não espera para dar dois passos girando a arma no ar, mirando a peça que o professor utilizara como incensário.

Situações estranhas exigem raciocínio estranho. Se o monstro saiu daquela peça como parece ter saído, pode haver uma ligação vital com ela de alguma forma, eis o plano.

Um movimento mal calculado e a bola de aço encontra o chão, estilhaçando alguns azulejos. A criatura se volta e vem em sua direção.

Morningstar erguida e outro golpe, desta vez atingindo o alvo. A peça se quebra no meio, bem como a mesa pequena de madeira onde estava.

Com o pescoço doendo, Jasmim se vira um pouco para o lado, na esperança de que o monstro tenha desaparecido. Para sua decepção, tudo o que vê é a tal criatura, já assustadoramente próxima, com um dos braços vindo em golpe. Instintivamente, Jasmim ergue a arma como uma defesa. O golpe a arremessa para próximo à mesa de há pouco. Jasmim afasta a cadeira e se ergue. Sente que desta vez não recebeu todo o golpe, como se tivesse conseguido apará-lo com a Morningstar e apenas a força da criatura a jogou para longe.

Empunha com firmeza usando as duas mãos, enquanto a criatura se aproxima mais uma vez. Pelo canto dos olhos, vê de um lado o professor ainda inerte; do outro, olhos assustados já se agrupam na porta a assistir à cena.

Num movimento de rebatedor de Basebol, Jasmim atinge o ser de fogo. Desta vez é ele quem vai ao chão, perto do objeto quebrado e dos restos da mesa, no canto de onde viera.

Não havia ocorrido a Jasmim que esse estranho ser de fogo pudesse ser ferido por uma arma assim. Golpeá-lo agora foi o que se podia chamar de ação desesperada. Um leve sorriso se forma em seu rosto enquanto ela reempunha a arma. Um sorriso sutil, pois apesar de saber como ferir o inimigo, ele ainda existe.

Jasmim salta sobre ele no momento em que ele ainda se levantava. O ombro direito de Jasmim recebe o impacto de um braço flamejante logo depois que a Morningstar alcança o chão.

Jasmim ergue a Morningstar já aplicando outro golpe. Outro golpe que não atinge o oponente. Desta vez, porém, não há tempo para revidar. Três golpes mais vêm rapidamente e todos atingem o monstro de fogo, que cai já com o brilho mais fraco.

Jasmim o atinge mais algumas vezes até que ele se desfaz em uma fumaça densa.

Os olhos azuis da vitoriosa guerreira acompanham, desconfiados, a fumaça. Prestes a atacar novamente a qualquer sinal de "vida". Mas a fumaça se dispersa pela janela. Acabou, e ela se deixa cair sentada no chão.

- Seu cabelo está pegando fogo!

Não é o cabelo, é a camisa, perto de onde o monstro a atingira.

Jasmim tira a camisa. Bate duas vezes no chão e apaga o fogo que ela trazia. Passa a mão no cabelo e está normal. Solto a essa altura, sujo e bagunçado, mas sem sinal de fogo. Seu ombro, entretanto, traz uma bela queimadura.

- Você está bem? Já chamaram a ambulância.

As pessoas já entraram na sala. A maioria está além do balcão, olhando...

- Professor?

- Ele está vivo. Fique parada, você não está bem. A ambulância chega já.

Jasmim abaixa um pouco a cabeça, pensativa. Agora seu ombro começa a doer de fato. Quase não pode mexer o pescoço também sem piorar a dor nele. Sua preocupação, porém, é na correlação entre o que houve e o sonho. Foi real? Se foi, como estará realmente o mundo lá fora?

Seus olhos veem que, da cintura pra cima, está apenas de sutiã. Na mão direita, a camisa preta ainda está enrolada, como ela lembrava. Mas a mão esquerda ainda segura firme a Morningstar.

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