31 mai 2008

Jasmim #12 - Klaitu

Submitted by bardo

Um vento frio passa por seu corpo num estranho assovio. Em um segundo Jasmim está de pé com a morningstar nas mãos. Antes mesmo de sentir com clareza que estava deitada sobre pedras. Antes de perceber que está tudo escuro. Como um soldado veterano e paranoico, lá está em prontidão tão logo se percebe consciente.

A névoa chega até seus joelhos como o gelo seco de uma casa de shows e, ao seu redor, nada. Apenas céu escuro sem estrelas e névoa, que se estendem indefinidamente até onde seus olhos são capazes de enxergar.

- Sim, você está sonhando. - É uma voz aguda que preenche todo o lugar.

Jasmim se vira rapidamente para vários lados, tentando descobrir quem fala.

- Acalme-se, Jasmim. Você está em um sonho. - A voz volta a falar. Parece não vir de nenhum lugar em especial. Após o que parece um suspiro, a voz tão estranha, que não se parece com nada humano, continua. - Se continuar agitada assim, vai terminar acordando. E não te falo o que preciso falar.

Jasmim abaixa a morningstar até encontrar as pedras. Então percebe que está utilizando os dois anéis. Enfim nota-se sem roupas.

- Os anéis... Sei que quer saber sobre eles, mas tudo a seu tempo.

- Quem é você?

- Chamo-me Klaitu.

Jasmim olha para cima com mais calma. Não há nada mesmo além de escuridão.

- Você foi escolhida para uma missão. Um mal que deve acabar e para isso é que você tem tido esses sonhos estranhos. Essa arma que você carrega é uma arma mágica, como você já deve ter percebido.

- Os símbolos...

- Vejo que entende bem o que quero dizer. Quanto aos símbolos, ela esteve sem uso por séculos. Suas habilidades ainda estão despertando, pouco a pouco. Vejo que já despertaram duas! Você não notará tanta diferença nessas habilidades, só se ficar sem elas por qualquer motivo. A morningstar te protege de golpes, mas não é muita coisa... E você pode ver o que não quer ser visto.

- Pode ser mais claro?

- Há magias que conferem invisibilidade. Elas serão em vão para os seus olhos enquanto você estiver com a arma em mãos.

- Tá, e o que é pra eu fazer?

- Calma, Jasmim...

- Ou você bolou esse sonho nesse cenário idiota só pra se apresentar sem nem mostrar a cara? O que quer afinal?

- Não gostou do cenário? Tão simétrico, sutil, sem desviar a atenção, bem iluminado... De outra vez tento um cenário melhor.

Na falta de quem encarar, Jasmim baixa a cabeça, de olhos fechados, tentando conter sua irritação.

- Klaitu!

- Está bem, está bem... Na verdade vim só me apresentar mesmo e explicar seus sonhos, o que está acontecendo, essas coisas... Mas parece que você não gostou muito, né?

Jasmim olha atentamente os anéis em seus dedos, já sentada, como forma até de tentar se acalmar.

- Os anéis... Os anéis... Se quer um conselho, não use agora. Eles serão muito úteis no momento certo. Se usar agora, provavelmente trarão mais problemas do que ajuda. Vai por mim! Sei o que estou dizendo.

Jasmim franze a testa e começa a tirar os anéis.

- Calma! Isso não vale praqui não! Aqui é um sonho! Estou falando para não usá-lo no seu plano!

- Escuta aqui, Klaitu. Tem algo importante a dizer ou era só isso?

- Bom, pelo jeito estou te aborrecendo, né? Desculpa, mas eu tinha que falar com você em algum momento, né? Bom, deixa ver... Ah, sim, você vai ter que viajar.

- Pra onde?

- Ah, mas não é agora... Ainda tem coisa pra resolver por aqui.

Um suspiro que mais parece um bufar de algum animal selvagem. É Jasmim, apertando o cabo da morningstar com as duas mãos, e um olhar furioso.

- Tá, eu sei que sou eu que estou preparando esses seus sonhos, mas só sou um, né? Se eu tivesse todo o plano traçado, mandava tudo de uma vez. Sei que você...

Na escuridão do seu quarto, Jasmim se levanta segurando ainda a arma. Vestida de pijama do mesmo jeito que quando foi dormir. Caminha em direção à cozinha.

Um copo d'água, um comprimido. O timbre agudo de Klaitu ainda ecoa, e só piora essa dor de cabeça que apareceu.

"Que droga! Não perguntei sobre quem mais sabe dos sonhos!"

Volta em passos lentos para sua cama, onde pretende descansar o que lhe resta de noite. De preferência, livre desse tal de Klaitu.

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