Jasmim #16 - Visita ao Professor

"Din-don!" A silhueta de um lobo uivando diante da Lua Cheia. É a camisa vinho de Jasmim que, com o cabelo em trança, espera diante da porta branca de madeira. Expressão séria e pensamentos distantes. A caixa de madeira está no chão, bem perto...

A porta se abre e mostra uma mulher já de certa idade. De vestido verde e cabelos pretos, ela analisa a visita com cuidado.

- Professor Nicolau está? - Jasmim pergunta.

- Quem gostaria?

- Sou Jasmim. Ele sabe quem sou.

A mulher faz um sinal lento com a cabeça e, sem mudar a expressão no rosto, responde:

- Certamente. Eu também sei. - Abre a porta e a convida para entrar.

Passam pela sala com seus belos móveis, tomam um corredor e, enfim, alcançam a biblioteca, onde está o professor, sentado numa poltrona lendo.

- Bem? Tem uma visita pra você.

- Quem... Jasmim?

- Vou trazer chá.

Jasmim se senta na cadeira diante do professor enquanto aquela senhora deixa a biblioteca.

- Não está mais dando aula?

- É, Jasmim... Depois daquele acidente... Eu já podia estar aposentado há tempos, não tinha me aposentado ainda de teimoso. Depois daquilo decidi que já era hora mesmo de admitir a derrota pro relógio e viver quieto aqui em casa o que ainda me resta de vida...

- ...

- E quanto a você? O que te traz aqui?

- Estou indo à Turquia.

- Turquia... Já estive em Istambul. É interessante. Mas faz muito tempo que fui, depois o governo começou a incentivar as empresas e deve estar muito diferente hoje em dia... Não deixe de visitar Troia também, estive lá na muralha. Estar lá traz aquela história toda da guerra com os gregos pra cabeça da gente. É um lugar especial. Como sei que você gosta dessas coisas, dessas histórias de magia...

- Você não se lembra?

- De quê? Do acidente? Foi um começo de incêndio e qualquer coisa que você ache que viu foi provocada pelo stress. Sobre sua viagem, não sei se é uma boa ideia viajar pra onde quer que seja nos dias de hoje. Isso de guerras e confusões pode ser mentira, mas pode muito bem estar havendo alguma coisa lá fora. É perigoso.

- Preciso ir. Estou numa missão.

- Entendo. Espero que saiba o que está fazendo.

- Eu sei. - Jasmim se levanta. - Até mais então, professor.

- Ei, Jasmim! Nem faço ideia de que missão é essa. Nem sei o que há com o mundo. Mas se for pra fazer diferença e entrar pra História, você sabe que poucas mulheres conseguiram... Use isso como incentivo. Se você conseguir, seu nome terá um brilho bem maior sendo você mulher do que se fosse um homem. Boa sorte no que quer que esteja tentando.

- Obrigada.

- Ei, não vai tomar o chá? - A esposa do professor Nicolau chega à sala.

- Não, obrigada. Já vou.

- Mas isso é uma desfeita!

- Alina, não seja mal educada!

- Tudo bem, preciso mesmo ir. Obrigada.

- Sendo assim, deixe-me acompanhá-la até a porta.

As duas voltam pelo caminho por onde vieram. Ao chegarem à porta, Alina sai também.

- Jasmim... Não sei o que houve com vocês na universidade, mas imagino o que pode ter acontecido. Tenho visto muita coisa estranha ultimamente. Já joguei alguns artigos esotéricos fora. Nicolau não acredita nessas coisas...

- Queria não ter razões para acreditar.

- Entendo, deve ser um choque. Mas agradeça a Deus por saber um pouco da verdade, pelo menos. Você tem muita força, posso sentir. Uma força intensa e firme.

- ...

- O que você tem nessa caixa é mágico, não é?

- É, quer ver?

- Não, não precisa. Eu sinto daqui. É muito poderoso. Sabe, comecei a perceber essas energias faz pouco tempo. Mas é curioso. Você tem muito poder, tem que direcionar bem.

- Estou indo à Turquia, numa missão.

- Entendo... Bom, tenho que cuidar do almoço. Antes, deixa só eu te dizer uma coisa: o poder é seu. Quanto mais poder se tem mais sábio é preciso ser pra não ter risco de esse poder terminar trazendo sua ruína. Cuidado para não tentarem te controlar usando seu poder. Senão a culpa será sua também.

- Tudo bem. Estou indo acabar com isso pro mundo voltar ao normal.

- Não sei se isso é possível ou desejável mas, de qualquer forma, boa sorte!

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