Jasmim #26 - Contra a Escuridão

6 set 2008

 

- Quando eu quero, posso fazer um dardo ficar encantado. E ele fica mais perigoso. É por isso que eu ando com uma besta de mão.

É o mais jovem dos dois irmãos chineses, Aeze-Yo, enquanto caminham os três por ruas sombrias.

- Já tentou usar isso em balas? - Jasmim pergunta.

- Ah, não dá certo... Se elas explodem na hora do disparo? Porque o dardo está preso e esticado pra poder sair, né, mas no revólver precisa ter uma explosão pra poder a bala sair, sabe? Legal esse cachorro aí...

- Cachorro? - Kao-Wi se vira na direção apontada. Um cão magro de patas longas está parado ao longe, olhando para os três. Vira-se e vai embora. - Ah, Yo, é só um vira-latas.

- Aqui deve estar mais calmo que onde estávamos, senão não haveria cachorros nas ruas. - Jasmim comenta.

- Faz sentido.

- Jasmim? - Aeze-Yo se aproxima dela. - Não se preocupe que eu protejo você.

- Ha ha ha ha ha! - É Kao-Wi quem gargalha, ainda mais atrás. - Yo, mano querido, mal você consegue proteger o próprio traseiro!

- Wi, por favor...

- É a verdade, ué! Sou eu que te livro sempre! Além do mais, ela não me parece do tipo "donzela em perigo". Estamos todos juntos nessa missão e cada um deve ajudar o outro quando o outro precisar.

- Wi, só estou tentando ser gentil, sou um cavalheiro.

- Tenha cuidado com o tipo de cavalheirismo. Cavalheirismo demais com uma dama independente pode soar grosseiro. Escute seu irmão mais velho!

Os três param na esquina. Tudo está escuro. Ao se virar para Kao-Wi, Jasmim vê seus olhos brilharem vermelhos, enquanto ele parece estar tentando ver algo de especial nas ruas.

- Calma, não se preocupe, Jasmim. Este é o poder do meu irmão... Ele consegue enxergar no escuro. Sinistro, não é?

Ao tentar enxergar na direção que Kao-Wi examina, misteriosamente toda aquela rua escura muda de cor e tudo adquire tons azuis. E nesses tons azuis, Jasmim passa a enxergar com precisão, melhor até do que se fosse dia, muito provavelmente.

- Jasmim?

Ela olha nas outras direções e enxerga tudo. Alguns zumbis caminham calmamente e sem rumo na estrada à direita. Seus olhos baixam e encaram o cabo da morningstar. São quatro símbolos agora. O terceiro lembra um daqueles fractais de flocos de neve. O quarto que, sob esse prisma azul tem um brilho branco forte em suas linhas, também lembra o Olho de Hórus, como o segundo símbolo. Na verdade, agora Jasmim não consegue definir qual dos dois se parece mais com o símbolo egípcio, mas os dois diferem muito entre si.

- Klaitu... - Jasmim deixa escapar baixinho. "Por que não me falou dos novos poderes da morningstar?! Tudo bem, preciso de você não. Eu descubro sozinha!"

- Jasmim? - Kao-Wi chama e Jasmim ergue a cabeça no momento em que sua vista volta ao normal. Com olhar decidido, segura firme a morningstar e dá dois passos rumo à rua da direita.

- Ei! Não vá por aí! Aí tem...

- ...uns quinze zumbis. Por isso mesmo!

- Ei! - agora é Aeze-Yo quem protesta. - Como você sabe? Você enxerga no escuro também?! Mas que droga! Só eu não enxergo!?

- Você é cheia de surpresas, hein? Mas deixa, vamos por aqui porque é o caminho para a escola.

- Escola?

- A missão que estão pagando, lembra?

Jasmim para pensativa.

- Sei, ali tem zumbis e você quer matar as criaturas, mas se a gente for lutar contra todos os zumbis que aparecerem, não vai dar certo. Não vamos chegar nunca, pois o que mais tem nessa cidade é zumbi. Além do que terminaremos chamando a atenção dos vampiros.

Atenta, já de volta, Jasmim olha com curiosidade, esperando a continuação de Kao-Wi.

- É, vampiros! A gente já viu um logo que chegamos. Não quero enfrentá-los. São muito fortes e cheios de truques. Suspeito que eles é que criam esses zumbis, sabia?

- Vocês fugiram?

- É, não tem como enfrentar esses monstros! É sério o negócio, Jasmim!

- Wi, eu disse que a gente dava conta. Você não quis saber! Agora tenho que ver essa moça rindo da gente.

- Até parece... Não lhe dê ouvidos, Jasmim. Eu sou a parte pensante da dupla. Não fosse por mim, já...

- Sangue? - Jasmim percebe um pouco de sangue saindo do nariz de Kao-Wi enquanto conversam. Ele tira um lenço e o coloca na região para conter o sangue.

- Normal. Acontece quando uso meu poder. Agora vamos. Uma escola nos espera.

E seguem os três apressadamente pelo caminho do meio.

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