Jasmim #31 - Armas

A despeito do corte em sua armadura, Jasmim segue em estado de alerta completo. Caminha ao lado de Azawagh e à frente dos irmãos Ceix.

Sem desviar a atenção de Azawagh, os olhos de Jasmim procuram sinais de fogos na cidade. Enquanto vigia todas as direções para procurar fumaça ao longe ou cinzas por perto. Nunca vira seu rival, mas sabe que ele usa uma arma afiada e gosta de queimar as coisas. Azawagh já bate com uma das características, eis porque a preocupação.

Poderia perguntar sobre a Rússia, sobre o que ele faz nesta cidade em ruínas ou qualquer outra coisa, mas se for ele seu rival, com certeza mentirá e esperará que ela baixe a guarda.

- Como se chamam? - Azawagh pergunta de repente.

- Quem? - Jasmim o encara, em reação rápida.

- Não me disseram seus nomes.

- Ah, é verdade! Que gafe a nossa, né Jasmim? Eu sou Ceix Aeze-Yo e ele é Ceix Kao-Wi, somos irmãos. Sei que não parece, eu sou bem mais bonito que ele, mas fazer o quê. E ela ali é a Jasmim.

- Jasmim... Bonito nome. Combina com você. Tenho certeza de que você não é delicada como uma jasmim, mas tem uma beleza suave nos tons claros da sua pele, seu cabelo, seus olhos...

Um movimento rápido. A mão esquerda de Jasmim segura a mão direita de Azawagh, impedindo-a de tocar seu rosto como Azawagh pretendia, para acariciá-la. Os dois se encaram parados. Nenhum movimento mais, mas as outras mãos de ambos já estavam em suas respectivas armas.

- Com licença... Vocês dois não vão brigar agora, não é? Já, já vamos embora de vez. Não tem pra quê ter briga. - Kao-Wi se esforça para restaurar a paz.

- Desculpe-me, Jasmim. - Azawagh puxa a mão de volta e recomeça a caminhar. - Realmente gostei do seu nome e acho que combina com você. Se não posso tocar seu rosto por você ser comprometida, a religião não permitir ou por você ter aversão a mim, minhas sinceras desculpas.

Jasmim apenas o olha inexpressiva, com o canto dos olhos. Aversão... Não é bem a palavra... É certo que se sentiu atraída por ele de alguma forma. Mais certo ainda é que não vai querer nada com ninguém enquanto há trabalho pela frente que possa ser prejudicado por qualquer romance infantil. Menos ainda com alguém alvo de tantas suspeitas de sua parte. Seria imprudência demais para ela.

- Dói muito? - Ele aponta calmamente para o corte que Jasmim recebera da vampira ainda há pouco. - Tem que tratar disso logo.

- Não preciso.

- Precisar, precisa sim. Se não quer, tudo bem. Mas vai acabar piorando.

- Quando encontrarmos os sobreviventes paramos um pouco para cuidados assim.

- Pois não, capitã.

Jasmim sorri levemente das claras tentativas de aproximação do estranho espadachim de manter um clima mais leve. Provavelmente conseguiria em outras ocasiões, mas não agora.

- Parece que estão começando a se entender...

- Wi, sei não... Espera mais uns minutos pra eu dizer o que acho a respeito. Ainda não sei dizer. Sabe de uma coisa?

- O quê?

- Tou achando que levo trambolho demais. Essa besta mesmo...

- Ué, combina com você.

- Sério? Por quê?

- Deixa pra lá.

- Não sei, talvez eu deva usar meu poder em facas e ser um atirador de facas, o que acha?

- Talvez seja bom como uma opção a mais.

- Está louco? Já estou querendo me livrar dessa tralha!

- Uma arma não substitui a outra. Faca é mais difícil e o alcance é limitado.

- Sei... Mas mesmo assim!

- Por que eu ando com tanta arma? Já parou pra pensar?

- Porque gosta de ser burro de carga! Por que mais?

- Cada arma que levo tem uma razão e não pode ser substituída por outra dentre elas.

- Tá, então me diz: pra que três revólveres?

- Dois de cano longo. Difíceis de manusear, mas eu sei usá-los ao mesmo tempo. O outro é compacto, para emergências.

- Tá, mas ei! A rua é essa! E a casa é aquela lá!

- Vamos então. - Jasmim fala, conduzindo o grupo lado a lado com Azawagh. E de armas a postos.

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