Jasmim #37 - Acompanhante

22 nov 2008

Uma estranha movimentação. Barulho de gente e Jasmim desperta para mergulhar nesse caos. Na cama ao lado, um vestido rosa escuro. Franze a testa e se levanta. Vai ao banheiro lavar o rosto e volta para se vestir.

O barulho não muito distante a deixa inquieta. "Quanta gente há aqui? Precisa isso tudo?"

Sai do quarto e se depara com dois turcos que seguiam pelo corredor em direção à sala.

- Ora, a senhorita já se levantou? - O que é aparentemente mais velho inicia o diálogo. - Sou Joseph Kemal, sou o dono desta casa e quem pagou aos irmãos por esta missão. Este é...

- Mustafa Ceylan, prazer. Eu fui quem contratou os irmãos. Perdi quase tudo o que eu tinha e graças apenas à generosidade de meu grande amigo Joseph é que tenho onde dormir e o que comer. E agora, meu querido pai e minha família junto a mim. Sem falar nos quadros que têm sido da família por gerações. Pena que precisaram ser cortados das molduras para facilitar o transporte, mas apenas por ter tudo isso de volta já me sindo bem melhor, bem mais vivo.

- Mustafa, meu amigo, você merece!

- Obrigado! Temos que agradecer muito aos irmãos Ceix pelo ótimo trabalho realizado!

- Faremos isso tão logo despertem.

- E a senhorita? Acompanhe-nos até a sala! Hoje é um dia feliz de comemorações!

Ainda sem pronunciar uma palavra que seja, Jasmim os segue. Na sala um ar antigo e quente. Algumas poucas pessoas espalhadas conversam sobre tudo. Da janela, Jasmim vê o lado de fora, onde há mais pessoas conversando.

Devem ser nobres locais, amigos de Joseph e Mustafa. Seu corpo ainda dói e não podia ser diferente. E mesmo estando agora sem armadura, Jasmim ainda leva consigo a morningstar, sua arma tão especial.

Do outro lado da sala, vê Leyla acenar desconfiada. Difícil que fosse muito diferente disso, afinal Jasmim lhes parecera tão séria, mal humorada e, enfim, perigosa pelo tempo em que a conheceram...

- Aceita alguma coisa? - Vira-se e encontra um garçom com uma bandeja com doces e salgados. Retira alguns, afinal tem fome.

Mais uma olhada panorâmica na sala e percebe um vaso que parece valer muito. Aproxima-se para apreciá-lo. Há outros objetos enfeitando a sala, mas os outros não lhe chamam tanta atenção quanto este vaso em cerâmica pintada.

- Gosta deste tipo de arte, não é? - é Joseph quem se aproxima. - Tem bom gosto. Também tenho algumas belas obras espalhadas pela casa. Se quiser passear por aí para conhecê-las, fique à vontade.

Jasmim agradece com um gesto e se aproxima mais uma vez da janela, na intenção de saber se há mais gente ou menos gente do que havia ainda há pouco.

- Você viu aquela mulher que anda com eles? - Alguém conversa do lado de fora, perto da janela mas longe do alcance da visão.

- Claro! É muito bem feita!

- É, esses chineses são bons mesmo! Além de cumprirem missões e se aventurarem por aí ainda conseguem proteger uma mulher.

- E que mulher, né?

- É sim! Mas estão certos eles! Dois irmãos andando pelo mundo têm que ter uma mulher com que se distrair entre uma missão e outra.

- Ô! Homens de sorte!

- Não é sorte, meu caro! Eles sabem o que fazem! Agora ouvi dizer que ela ficou toda nervosa com uma das filhas de Devi...

- Gulosa ela, hein? Quer os dois só pra ela!

- Deve estar acostumada a pegar os dois ao mesmo tempo.


 

- Ai! - Aeze-Yo grita, ainda deitado. - Quando é que vai parar de me bater!?

- Agora. - Os dois irmãos se sentam ainda sonolentos. Veem Jasmim em sua armadura e com a morningstar nas mãos. - Só vim me despedir.

- Já? - Kao-Wi fala, esfregando os olhos. - Pensei que pudéssemos formar uma equipe...

- Eu luto só. Adeus.

- Tudo bem então. - Kao-Wi fala, enquanto Jasmim se afasta decidida pelo corredor. - Boa sorte em sua jornada!

Séria, com olhar hostil, Jasmim passa pelos convidados sem ser interrompida ou questionada. Simplesmente se dirige ao portão e vai embora. Ciente de que não pegou sua merecida parte no pagamento pela missão. Deixa a festa e a mansão para trás e apenas se vai às primeiras horas desta tarde...

Avalie: 
No votes yet

Comentar