Jasmim #46 - A Orbe

Lá está a orbe, bem diante de Jasmim. Um globo com cerca de um metro de diâmetro. Entre o transparente e o branco, que forma algo parecido com nuvens.

A sala tem mais coisas: duas estantes fechadas e alguns móveis mais afastados da orbe.

Jasmim desliza seus dedos sobre a orbe para constatar que é mesmo como um globo maciço de alguma pedra semi-preciosa. Suspira e se volta para as estantes. Afinal, se esta orbe precisa de uma chave, provavelmente a chave está em algum lugar por aqui, numa dessas gavetas, numa dessas portas. Embora tenha o problema de saber exatamente que objeto seria a chave...

- Pare, Jasmim!

- Que é agora, Klaitu?

- Não mexa nesse monte de portas e gavetas. São armadilhas contra caçadores de tesouro.

Jasmim franze a testa. "O que tem de mais interessante e provavelmente mais valor por aqui é essa tal da orbe. Pra que armadilhas nos móveis e não na orbe?!"

- Eu não disse que não tinha armadilhas na orbe. Além do mais... É complicado...

- Tá, e como é que te liberto?

- Não precisa de "chave" para...

- Tá, e precisa de quê? Dá pra falar logo?

- Calma, Jasmim. Se acalme senão não vai conseguir, ora! Há uma chave, mas não é uma "coisa". A chave é um ritual que você vai ter que fazer.

- Um o quê?!

- Calma, Jasmim! Já disse! Tenha calma que eu instruo você, eu explico tudo e você vai conseguir.

Jasmim respira fundo e se aproxima mais uma vez da orbe.

- Sente-se e se acalme. Agora coloque a morningstar na sua frente. Isso. Abra os braços e feche os olhos. Curve o corpo até encostar a cabeça no chão.

Jasmim faz conforme Klaitu lhe pede. "Mas que droga! Por que não basta eu tacar a morningstar nessa pedra estúpida? Ter que fazer esse teatro todo..."

- Nem pense em fazer isso, Jasmim! Essa orbe tem magias poderosas protegendo e nem eu sei do que são capazes. Melhor fazer tudo direitinho para não correr risco, não é? Eu lembro de uma antiga história de um explorador que...

- Klaitu! Não temos tempo!

- Abaixa a cabeça! Isso! Não se mexa. É, temos não, vamos logo acabar o ritual, mas você quase estragou foi tudo. Por que você é tão esquentada, hein menina?

- E agora?

- Agora você diz "Phyug Wai Iugruph" e se levanta numa perna só.

- Phyug Wai Iugruph.

- Isso. Coloque a mão esquerda na cintura e a direita na testa, aberta para fora, e diga "Huoflipoz".

- Huoflipoz.

- Com a mão da testa faça o desenho de um triângulo na orbe, com os olhos fechados. Agora abra a mão e a coloque sobre o triângulo imaginário que você traçou com o dedo. E diga: "Wopi Klaitu Kriakem".

- Wopi Klaitu Kriakem.

Numa explosão Jasmim é arremessada para trás. A orbe se desmonta em fatias como as de uma abóbora, liberando uma forte luz branca. Jasmim ouve um estrondo e vê apenas uma calda enorme, como a de uma serpente, verde e lilás, subindo e atravessando o teto.

- Klaitu?

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