24 dez 2011

Redblade #04 - O Olho do Furacão

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Redblade #04 - O Olho do Furacão

Mortos devem continuar
Mortos, sem tentar caminhar
Assim que a vida acontece
Assim a que a gente conhece

Mas hoje o mundo mudou
E se pode ver onde for
Mortos atacando os vivos
Sem vergonha, preguiça ou motivos

Foi tudo muito rápido. São as primeiras palavras que se repetem sempre, a cada nova tragédia. Esta não poderia ser diferente. Sim, realmente foi tudo muito rápido. Ninguém sabe de onde vieram nem como vieram, mas em pouco tempo, mortos-vivos tomavam a cidade. Muitos morriam e voltavam como mais mortos-vivos.

Professor Álvaro e eu estávamos ainda conhecendo a cidade. O evento aconteceria no hotel onde estávamos. Havíamos locado um automóvel, que o professor dirigia e tínhamos deixado a umas duas ruas dali. Afinal, o hotel onde havíamos nos hospedado ficava do outro lado da cidade.

Nossa sorte foi termos saído para conhecer a cidade antes do tal evento. Estávamos na praça quando tudo aconteceu. Passamos por um sujeito estranho, que levava uma espada. Coisas desse tipo não se deveria ver hoje, em pleno século XX. Mas vimos sim.

- Cuidado! - professor Álvaro havia se virado para mim para falar qualquer coisa turística, mas espantado apontou para trás. Virei-me e vi. Só depois entendemos que a causa do nosso terror na verdade não era o perigo, mas a salvação. - Ele está louco!

Era o homem estranho, que havia tirado a espada. Se ouvia gritos por todos os lados, numa confusão terrível. Parecia-nos que os gritos eram por alguém ter sacado uma arma em plena praça. Talvez alguns gritos fossem por essa razão, mas nem todos. Logo estávamos ali, protegidos justamente por aquele sujeito. Provavelmente por sermos os viventes mais próximos.

Em inglês, o professor perguntava o que estava havendo. Ao que o estranho respondia apenas que estava tudo bem ou qualquer coisa do tipo. No fim vimos que tudo realmente estava sob seu controle. Não sei até agora o que era mais estranho. Ele derrubar mais de uma centena de mortos-vivos sozinho ou ele ter tanta confiança em seu próprio potencial a ponto de previamente já saber que seria assim.

Após o espetáculo, Jörg chegou e começaram a conversar. Ainda bem que o professor é fluente em inglês. Eu entendo um pouco, claro, mas não o bastante pra levar uma conversa com um britânico de nascença.

Atendendo ao convite de Jörg, fomos até o hotel ali perto ver em que situação estava. Nada animador: Tvs fora do ar, telefone sem linha... Ninguém vivo. Resolvemos ir ao nosso hotel. Richard e Jörg nos acompanharam. Jörg comentando o ocorrido, enquanto Richard permanecia calado.

Foi no momento em que nossos mundos ruíam que criamos um forte laço entre nós quatro. Bem, pelo menos o mundo em que o professor e eu vivíamos – e o de Jörg também. Não posso falar nada sobre o mundo de Richard. Ele pouco fala sobre si próprio...

O engraçado é que aquelas “besteiras” que falavam sobre o fim do mundo lá em Portugal não eram fruto de nenhuma estratégia hiperousada hollywoodiana, como muitos estavam pensando. Era a mais pura verdade. Mortos saiam pra disputar espaço com vivos. E ali, exatamente ali, em meio a toda essa baderna, estávamos nós, bem ali, no que parecia ser o olho de um furacão.

P. S.: Publicado inicialmente na Revista BrOffice.org #13

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