13 mai 2013

Escalando

Submitted by bardo

Mas quanto que custa
U'a lança de justa
Sublime e robusta
Pro meu pelotão?

E quanto dinheiro
Me paga um arqueiro
De tiro certeiro
Perfeita visão?

E um grupo guerreiro
Exército inteiro
Armado e ligeiro
De espada e canhão?

Pois bem menos custa
A quem você assusta
Se uma causa injusta
For o seu brasão

-- Cárlisson Galdino

11 mai 2013

Cada parte da casa é um mundo...

Agenda Mundial #12 - A Reforma

Claudia e Herbert passam pelas cerâmicas, chegando ao restaurante que se esconde dentro da loja.

- Cadê ele?

- Não sei. Ele disse que estaria aqui.

- Já é uma e cinco.

- Eu sei... Bom, vamos nos sentar. Não sei quanto vai demorar essa reunião e a gente tem o que fazer ainda. Se ele não vier, paciência.

Os dois vão ao self-service e voltam para uma mesa, com os pratos feitos.

Logo que se sentam, veem um homem caminhar rápido por entre as prateleiras.

- É ele.

Caio os cumprimenta amigavelmente e vai fazer seu prato. Pouco depois, volta e se senta junto com os dois.

- Boa tarde. Desculpe-me pela demora. Quem é ele?

- Meu namorado.

- Entendo, e...

- É, ele está sabendo do...

- Tudo bem! Olha, quero que vocês vejam isso.

Ele estende para os dois um panfleto colorido, como se fossem propagandas de material de construção, mas há uma caixa de texto em fonte pequena no rodapé.

- O que é isso?

- Vejam! Leiam o panfleto todo. Achei interessante.

“Dicionário? Salvador: banheiro; Arapiraca: quarto; Brasília: jardim; Recife...”

- O que é isso?

Caio apenas gesticula para que continuemos a leitura.

- É, parece mesmo interessante, Claudia. - Herbert se anima. - Quer dizer que há risco de infiltração?

- Pois é... Falei com o pedreiro e ele disse que tem risco sim. Só no quarto que a infiltração não está aparecendo, mas a estrutura está toda comprometida.

- Hmmm...

- E é época de chuva. Na próxima chuva que tiver ele garantiu que já vão aparecer as manchas, se ninguém fizer nada.

- E o que a gente faz então?

- Ele disse que vocês tem que trocar o telhado.

“Trocar o telhado... Trocar o telhado... Entregar o aparelho!? Peraí!”

- Mas eu não vou trocar o telhado antes de saber qual o problema dele!

- Ora, senhorita... Talvez o telhado esteja gasto, ou talvez seja de um material arriscado de se ter em casa hoje em dia.

Claudia se aproxima de Caio e fala baixo:

- Não dá pra ser direto?

- A senhorita que preferiu um local público. - Caio responde, também falando baixo, logo voltando ao seu tom normal. - O pedreiro falou de um lugar que está com uma promoção ótima. Ele consegue tudo por mil reais.

Claudia balança a cabeça preocupada.

- Claudia, olha aqui! - Herbert fala baixo, apontando para o panfleto.

“Preço: x10. Gastar: receber. Parcelamento: multiplica.”

- Chega dessa palhaçada. O que você quer e o que é exatamente aquilo?

Caio aponta para a própria boca, mostrando que está mastigando e por isso não pode responder.

- Já que está tão preocupada com isso, por que não vamos lá na casa ver o telhado nós mesmos?

Claudia olha para Herbert preocupada.

- Temos compromisso agora.

- Entendo. Só quero que se lembre que a época de chuva está chegando e esse telhado é muito frágil. A casa vai inundar com qualquer chovisco. Por que não quer aproveitar a promoção? Estou aqui só pra resolver esse problema!

- Devíamos levar à polícia!

Caio toma um susto e a encara.

- Não vai ser preciso. Ela vai vir assim que chover e morrer alguém pelo desabamento.

Ele se aproxima dos dois.

- Olhe bem: o que você tem é perigoso e sem utilidade pra vocês. A nossa organização lutou muito para conseguí-lo. Ele atrai muita coisa indesejável. Polícia é apenas uma delas. Vocês definitivamente não estão seguros e assim como eu encontrei vocês aqui, eles estão na pista e vão chegar a qualquer momento.

Ele se endireita na cadeira e limpa a boca com um guardanapo.

- Vão querer sobremesa?

- Preciso de um tempo.

- Talvez vocês não tenham.

- Quero arriscar.

- Tudo bem. Amanhã a gente almoça aqui de novo e vocês me dizem se querem ou não trocar o telhado?

- Combinado.

9 mai 2013

PCManFM: Mudando o padrão

Submitted by bardo

O PCManFM é um gerenciador de arquivos muito bom, que eu já conhecia desde antigamente, quando voltei a usar WindowMaker por um tempo. Ele monta automaticamente dispositivos, é feito em Gtk, tem suporte a abas...

Pois bem, ele é o gerenciador de arquivos padrão do Trisquel Mini e, portanto, do CyanPack rodando em modo Live (a customização que tenho chamado de Toutatis Records).

Apesar de ser um excelente gerenciador de arquivos, tenho enfrentado um problema com ele: o modo default de exibição mostra o conteúdo das pastas em ícone e de forma desordenada. Toda vez tenho que mudar para modo lista e ordenar da forma que eu quero. Adicionalmente, não encontrei nenhuma opção na janela de preferências que definisse isso.

Felizmente, fuçando por aí, descobri que há sim como definir isso, basta editar (com muito cuidado) o arquivo de configuração, que fica em .config/pcmanfm/LXDE/pcmanfm.conf. Mais especificamente a sessão [ui] (não, isso não é uma interjeição, mas a sigla de User Interface).

Olhando o arquivo, encontrei:

[ui]
always_show_tabs=0
max_tab_chars=32
win_width=784
win_height=588
splitter_pos=233
side_pane_mode=1
view_mode=0
show_hidden=0
sort_type=0
sort_by=0

Muito bonito, muito legal! É só mudar view_mode, sort_type e sort_by. ...mas pra que valores?

Então aqui está uma tabela do que significam os números nessas opções! E de quebra, ainda o significado disso para o painel!

Númeroview_modesort_type ou sort_by?sort_byside_pane_mode
0Visão em íconesOrdenar por nome Locais (Marcadores)
1Visão em listaOrdenar por tamanho Árvore de diretórios
2Visão compactaOrdenar por data de modificação  
3 Ordenar por tipo  
4 Ordenar por permissões  
5 Ordenar por dono  

Agora sim, você pode deixar o PCManFM do jeito que você quiser! :-)

6 mai 2013

Paranormal

Submitted by bardo

A toda noite sinto tua presença
Sei que está longe, mas isso não cala
A sua voz, que ouço quando pensa
O seu sussurro, sempre quando fala

É só fechar os olhos e uma imensa
Paz zen me vem pelas flores que exala
Que vence o espaço-tempo e nada a vença
Nem capital, blackout, pane ou bala

Me infectaste com um só olhar
O vírus grego, o vírus menino
E nada há que eu possa, pra escapar

Mas me rejeita seu beijo divino
Dá razão de viver, vida não dá
Como entender tão estranho destino?

-- Cárlisson Galdino

4 mai 2013

Depois de certas coisas, a vida não volta mais ao normal.

Agenda Mundial #11 - Depois da Aula

Tudo começou com um estranho incidente em uma viagem a Fortaleza. Justo na escala em Salvador, Claudia Muniz fora abordada por um estranho sujeito no banheiro feminino, que exigiu dela um favor incomum: ficar de posse de um tablet e procurar um tal de Francis para lhe entregar. A viagem prosseguiu normalmente e Claudia voltou para casa. O tablet veio junto.

Sábado, ao chegar, Claudia e o namorado, movidos por curiosidade, terminaram descobrindo a senha do tablet. Isso foi há dois dias.

 

Mais um dia de aula. Claudia gosta de ser professora, apesar de toda a correria.

A aula termina e os alunos juntam o material para sair.

“Sem perguntas. Eles não estão estudando. E parece que nem prestam atenção na aula.”

Ela pega suas coisas e sai da sala.

“Ou sou eu que não estou conseguindo me concentrar direito?”

Parada à porta da sala, observa as árvores no pátio. A cidade está muito quente, principalmente perto do meio-dia.

- Professora? Está tudo bem?

- Está sim, Ingride, obrigada.

- Então tá.

- Até quarta.

- Até.

São pouco mais de onze horas e Claudia caminha para a saída. Antes mesmo de chegar ao portão da escola, ouve uma voz.

- Senhorita Muniz?

Ela se vira procurando a origem da voz e encontra um homem já de certa idade, com muitos cabelos brancos. A roupa é social leve, com uma camisa listrada azul e branca.

- Pois não?

- Gostaria de conversar, se puder me conceder cinco minutos do seu tempo.

- Diga.

- Para não atrasá-la, poderíamos ir andando.

Claudia suspira.

- Vamos voltar? A gente conversa na sala de professores.

O homem balança a cabeça pensativo.

- Tenho razões para preferir que essa conversa não seja... diante de seus colegas de trabalho ou de seus alunos.

Claudia o encara surpresa, com uma certa inquietação e desconforto.

- Perdão, senhorita. Ainda não me apresentei. Sou Caio.

Agora é Claudia quem balança a cabeça pensativa.

- Caio de quê? Qual o assunto que você quer tratar?

- Sinto pelo seu desconforto. Me acompanha ao menos até próximo ao portão?

“E se houver mais comparsas dele me esperando.”

- Não. Que assunto você quer tratar?

Ele olha para os lados calmamente e fala baixo.

- Não posso falar assim, onde outros possam ouvir. Garanto-lhe que é assunto de seu interesse. E do meu também, claro. E de Francis.

Claudia se esforça para conter a surpresa daquele nome.

- Vejo que estava certo. Parte das perguntas não precisam mais ser feitas. A parte que lhe interessa tem a ver com o risco que a senhorita corre agora, neste momento.

- Risco?

- Sim, e o que eu quero é te ajudar.

- Que risco? E que assunto!?

- Você sabe do que estou falando.

- O tablet...

- Por favor...

A expressão calma de Caio muda e ele olha com desconfiança ao redor, antes de falar novamente.

- Não faça isso. Você não faz ideia do risco que corre.

“Risco... Risco...”

- Cansei dessa história, senhor... Caio. O que quer afinal?

- Você me entrega o que eu quero, nós ficamos todos bem e você se livra desse problema.

“Ele quer o tablet!?”

- Não sei se seria prudente.

- Tudo bem, como podemos fazer então?

- Não sei...

- Tenho uma sugestão: por que não almoçamos juntos e eu conversamos com mais calma, de preferência em algum lugar mais reservado?

- Não, obrigada!

- Olha, senhorita, eu garanto que não estou te enganando: há mais pessoas à sua procura e elas talvez não sejam tão corteses quanto eu. Um almoço?

- Tudo bem. - Responde Claudia, relutante – Mas não agora. Uma da tarde.

- Pode ser. Então uma hora no restaurante da Carajás.

1 mai 2013

Organizado pela colega blogueira Luma, do blog Luz de Luma, o Bookcrossing Blogueiro chegou recentemente à 6ª edição. Para quem não sabe do que se trata, vamos tentar explicar um pouco.

Bookcrossing é como é conhecida a prática de "perder livros", na qual pessoas abandonam livros de propósito em algum lugar geralmente movimentado, para que alguém os encontre e termine pegando gosto pela leitura.

O BookCrossing Blogueiro é uma iniciativa desse tipo, organizada na Blogosfera, incentivando os blogueiros a "perderem seus livros". Cada edição estabelece um período de tempo no qual os livros serão deixados nos locais públicos.

Eu já participei da iniciativa no passado e este ano tentei mudar um pouco a participação. Para os que não sabem, faço parte da Academia Arapiraquense de Letras e Artes como membro efetivo. Assim, aproveitei a última assembleia para anunciar a proposta: "perdermos" livros de acadêmicos. Felizmente, consegui juntar alguns títulos. Vejam só:

  • ACALA - História e Vida (4 exemplares)
  • Chuva Estelar, de Cárlisson Galdino (5 exemplares)
  • Desafio, de Cícero Galdino (3 exemplares)
  • Jasmim, de Cárlisson Galdino (5 exemplares)
  • Meditar é Viver, de Claudio Olimpio (5 exemplares)
  • O Bandeira e as duas Redes Brancas, de de Manoel André (4 exemplares)
  • O Despertar da Existência, de Claudio Olimpio (1 exemplar)
  • Sussurros do Maçacará, de Carlos Conceição (2 exemplares)
  • Um Novo Despertar, de Inês Amorim (5 exemplares)
  • Virtudes da Alma, de Claudio Olimpio (4 exemplares)
  • Além de alguns exemplares do Informativo ACALA. alguns livros de outros autores e cordéis

É, até que foram um bocado de livros! Espero que quem encontrou um desses livros possa apreciar bons momentos com ele.

Special: 
29 abr 2013

Sempre Faltará

Submitted by bardo

Faltará sempre assunto a conhecer
Para todos os que se julgam sábios,
Para quem deixa escapar dentre os lábios:
"Domino toda a fonte do Saber".

Não tão mais perto está quem tenta crer
E com justeza, que o grã dom dos sábios
Não deseja por morada palácios
Que, com arrogância, esbanjam poder

Quem não deseja levitar na asa
Tão divina, magnífica, dourada
Dada apenas àqueles que a merecem?

Sabedoria sabe escolher casa
Não se engana com a prata ostentada
Tem pedras que bem mais que nós conhecem

-- Cárlisson Galdino

27 abr 2013

Será que a curiosidade pode poupar o gato?

Agenda Mundial - Tablet pra Dois

Em casa, Claudia e Herbert se olham sentados no sofá. A dois passos, a mala aberta. Diante deles, o tal tablet que Claudia pegou em Salvador.

- Esse é o tablet?

- É.

- GWDHC... Que marca é essa?

- Não faço ideia.

- Já ligou?

- Já sim. Ligue pra ver.

- Vamos lá...

Herbert liga o dispositivo e espera atentamente a inicialização concluir. A imagem fora de sintonia se mexe, com partes se rearrumando enquanto a sintonia volta, aos poucos. Ao fim, lá está aquela foto de novo.

- Caramba... Era dele?

- Era. Você conhece?

- Não, mas apareceu na televisão que ele foi assassinado, não foi?

- Ai, Herbert, é disso que eu estou falando! Ele foi morto por causa disso! E quem matou queria que eu encontrasse um tal de Francis para entregar.

- Vamos ficar calmos, tá? Isso pode ser algo grande. Pode ter a ver com o Governo, já que estava com um político, não é? Tipo, pode ter a ver com a Ditadura ou algo como Wikileaks...

- Wikileaks...

“Se fosse wikileaks não estaria com um político, estaria? Ainda mais um antigo. Estaria com algum grupo que divulga as coisas. … Poderia ter sido roubado de alguma ONG pelo político, mas... E a foto dele? Não, isso é dele.”

- Acho que não, Herbert. E esse GWDHC?

- Pode ser um produto chinês. Você já viu as marcas que aparecem por aí? Cada uma mais estranha que a outra!

- É, eu pensei nisso também...

- Já tentou entrar?

- A gente devia entregar isso à polícia.

- Está maluca? E se esse Francis aparecer atrás dele?

- Hmmm...

- Vamos ver... 12345.

- O que está fazendo!? Tá doido?

- É uma senha comum de se usar!

- Pare com isso!

- Ah, não foi. Qual o partido dele mesmo?

- PSDB.

- Ah, você conhece?

- Pesquisei um pouco sobre ele, mas...

- Não foi também.

- Para com isso! E se bloquear?

- O que acontece? Nada demais ué! A gente já tá lascado mesmo!

Os dois se olham com cara de espanto e logo sorriem.

- Tá, tudo bem. Vamos pesquisar sobre ele. - Claudia se levanta e é seguida pelo namorado até o computador.

 

- Pelo menos tem algo bom: até agora ainda não bloqueou.

- É verdade.

- Ele era do PFL e foi para o PSDB. A senha não é nenhum dos dois partidos.

- Podemos começar a usar números que ele usou em campanha.

- Vamos ver se descobrimos.

 

- Foi!

“O primeiro número de candidato que ele usou, seguido do partido atual, separado por exclamação.”

A tela abre mostrando alguns ícones. Há um aplicativo “Notes”, uma... Calculadora? No final dos aplicativos há cinco arquivos. Devem ser arquivos, já que o ícone dos cinco é o mesmo. Os nomes, porém, são códigos estranhos.

- Vírus?

– Arquivos.

- E por que os quatro estão com o nome assim?

- Quatro?

Herbert aponta para o primeiro deles. Está escrito “Água”.

Os dois olham com um frio na barriga. No fundo da tela, o ícone da GWDHC como marca d’água.

22 abr 2013

BR-Láctea

Submitted by bardo

A vida na luz dos sonhos reluz
Tudo o que produz é pra si amparo
No raro momento de paz ao vento
Sem o tormento de estar em apuros

A alma com furos em pleno escuro
No muro futuro se sente segura
A esperar a volta do próprio existir
Existindo sempre pelo que há de vir

E os sonhos que sempre se mostraram sem defeito
Ao ver que nenhum deles foi satisfeito
Vê que não tem mais jeito: terá que seguir

E a estrada tão distante tão irreal
Que nos leva ao país do carnaval
Nos espera com seu asfalto negro-jasmim

-- Cárlisson Galdino

Engenho: 

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