Como funciona um blog, para leigos

Antes de mais nada, este artigo foi escrito para leigos, que não sabem o que é isso de CMS ou sistema de Blog. Se você sabe o que é CMS, pode ignorar este artigo sem peso na consciência.

Anos 1990

Para entendermos como tudo isso funciona, precisamos voltar no tempo para a década de 1990. Com o início da popularização da Internet, veio a ideia de que qualquer pessoa pode compartilhar algo com o mundo inteiro. Isso era feito, naquele tempo, através de homepages, que eram parecidos com blogs e sites atuais no sentido de que a gente os acessava através de um endereço. Se você pagasse o necessário e tivesse conhecimento de HTML (ou pagasse alguém que tivesse esse conhecimento) poderia ter o endereço minhapagina.com. Parecido com os blogs de hoje, mas com algumas diferenças muito importantes.

1) Você não poderia alterar facilmente o conteúdo das páginas. Tudo era feito diretamente nessa linguagem HTML. Precisaríamos de um programa para acessar o servidor remotamente (geralmente um gerenciador de arquivos remotos via FTP), editar a página em um programa específico (Netscape Composer?), salvar e reenviar para o servidor. Claro que não é tão simples e alguns preferiam pagar pra alguém fazer isso. Claro que se você pagasse pra alguém pra que fizesse isso por você, você ficava preso e teria que recorrer a essa pessoa sempre que precisasse atualizar a sua homepage.

2) Não tinha como ter interação com visitantes. Ao invés de comentários, o que geralmente tínhamos eram livros de visitas, que eram como tópicos em um outro site, mas linkados a partir do nosso, e nesse sim as pessoas poderiam comentar.

Resumindo: não havia interatividade.

O que é HTML?

Agora vamos dar uma pausa para explicar melhor o que é isso de HTML afinal.

Quando você digita google.com e dá ENTER, ou bardo.ws, ou fsf.org, ou trezentos.blog.br e dá ENTER, o navegador vai procurar o servidor correspondente a esse endereço. O servidor então enviará ao navegador um código estranho: o HTML. Estranho para nós, não para o navegador, pois esse código diz exatamente como a página deve ser montada. Ele diz que textos estão na página, que estilo cada porção de texto segue, que imagens estão e onde devem aparecer, quais os links e para onde apontam... Enfim, o conteúdo da página é passado para o navegador nesse formato HTML. O navegador lê esse código, coça o queixo e diz: "Ah, entendi!". Então ele reproduz na tela, para você ver, todo o texto e imagens, tudo devidamente diagramado e formatado.

Na Era das Homepages, o que fazíamos era criar páginas em HTML mesmo e deixar lá no servidor. Quando um navegador chegasse procurando por uma página chamada "sobremim.html", existia um arquivo lá no servidor com esse nome exato e que tinha mesmo um código HTML dentro. Todo o trabalho que o servidor tinha era mandar esse arquivo pro navegador, e todos os demais arquivos que fossem sendo pedidos: as fotos que constavam na página, a outra página quando a gente clicasse num link, etc.

Peraí! E se...

Lembra aquele lance de Livro de Visitas de que falei? Pois bem, ele era bem diferente das homepages. Não era uma página salva em HTML que estava nos servidor, mas sim um programa. Um software que era capaz de ler a partir de um arquivo informações organizadas, como uma tabela contendo informações como: nome, email, homepage e comentário. Assim, sempre que o navegador apontava para aquele servidor, esse programa era acionado. O programa lia o arquivo e criava um código HTML, mandando para o navegador, como se fosse uma página estática antiga. Além disso, esse programa era capaz de gravar novos comentários no final na sua tabelinha. O visitante que chegasse depois veria esse novo comentário acrescentado.

Então alguém deve ter pensado: se um programa pode funcionar em um servidor e guardar comentários... E se a homepage todinha fosse na verdade um programa? Um programa mas que o visitante nunca desconfia que é um programa: ele só vê as páginas normais, como era antigamente. Mas poderia ter um banco de dados com as informações das páginas armazenadas e o programa montaria a homepage de maneira dinâmica! E se a gente pudesse editar essas páginas no próprio navegador sem precisar de editor de HTML nem de FTP?

Foi assim que começaram a aparecer gerenciadores de conteúdo. Aí alguém pensou: e se eu fizesse um diário, com os artigos sendo publicados em ordem de defasagem: os mais novos empurrando os mais antigos para baixo? E se cada artigo desses permitisse que os visitantes comentassem, complementando, discordando ou ratificando cada artigo?

Assim foi que a Internet de blogs e sites como conhecemos hoje foi se desenhando. Hoje são raros os endereços que guardam páginas com código HTML. A grande maioria dos endereços hoje encontram programas capazes de gerar esse código dinamicamente. Blogs são programas, wikis são programas. As redes sociais são programas que rodam no servidor. O sistema de busca é um programa

Sistemas de Blog e CMS

Existem sistemas prontos para atender os usuários sem que eles saibam nada sobre programação ou administração de sistemas. E há alguns gratuitos que são assim. O próprio Google oferece o Blogger, nesses moldes.

Para quem tem seu próprio endereço e prefere gerenciar seu site com minúcia, existem bons softwares livres que fazem as vezes de blogs (e wikis, e CMSs...). Os softwares para gerenciar blog mais famosos de hoje em dia creio que sejam o Wordpress, Joomla, Plone e Drupal.

O Wordpress nasceu como um sistema para gerenciar blog, mas hoje suporta diversos outros recursos além desse. O legal é que há um serviço de blog gratuito usando o Wordpress para quem quer usar a feramenta e não quer ter que instalar e gerenciar num servidor próprio: wordpress.com.

Joomla é o grupo dissidente do Mambo. É um gerenciador de conteúdo bem completo, o que quer dizer que oferece recursos de forum, envio de arquivos, dentre vários outros.

Plone é outro bastante completo e muito utilizado aqui em Alagoas, em especial pelo Governo e pela UFAL. Um lado negativo para usuários menores é que a estrutura necessária para fazê-lo funcionar não é exatamente trivial: exige alguns programas mais difíceis de instalar do que os outros que apresentei.

E o Drupal, claro! O Drupal é o CMS que utilizo no Bardo WS. Ele oferece diversos recursos também e tem me atendido desde que comecei a utilizá-lo.

Bom, deu pra entender um pouco como funcionam blogs por dentro? Algumas dúvidas mais? Pode mandar ver!

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