27 dez 2007

Parte 7 - Chegada

Submitted by bardo

Mal o Catarino termina de falar, abro os olhos. Árvores enormes, de cores diferentes, mais... brilhantes! Mesmo as plantas rasteiras são diferentes do que conheço. O vento frio que vem vindo por entre as árvores se mistura a um medo estranho. Não há possibilidade de dúvidas em afirmar que não estamos onde estávamos. Talvez não estejamos nem mesmo mais na Terra.

O mais estranho é que nada disso parece real. Sabe quando você está num sonho e sabe que é um sonho? É exatamente isso aqui...

Não dá pra ver o céu além da copa das árvores, só um ambiente estranho, mesclando escuridão e brilhos verdes naquele meio mundo de folhas lá em cima. Não sei porque, mas algo me diz que o céu daqui não seria uma visão muito boa...

Pelo visto os outros três estão tão admirados quanto eu. O Jardel está sentado no chão olhando em volta. Deve estar pensando "Como foi que a gente veio parar aqui?". Tá bem, vou parar de tentar adivinhar o que os outros pensam...

A Bella está me chamando para ver uma planta.

- O que foi?

- Olha...

Sua mão toca a folha, mas não consegue empurrá-la.

- Deixa ver...

As folhas são lisas, lisas como se estivessem lubrificadas. E não dá pra empurrá-las. Pequenas, verdes, mas é como se fossem de metal.

- Essas plantas são de verdade? - A Bella pergunta.

Um vento frio bate novamente e podemos ver as folhas agitando ao vento.

- Estamos mais fracos que o vento aqui? - A Bella pergunta, quase como um desabafo, pouco antes de se levantar e ir em direção ao Catarino. - Estamos mortos?

O Catarino responde com um sorriso. Um sorriso de adulto que ouve uma criança fazer uma pergunta besta.

- Não, vocês não estão. Vamos agora?

Seguimos por essa floresta tão estranha. Há um caminho por onde a gente poderia passar sem se preocupar com essas plantas. Acho que um caminho com um pouquinho de mato já seria meio impossível para nós atravessarmos...

- Esperem!

O Catarino pára de repente estendendo o braço em sinal pra paramos também.

- O que foi agora...

- Quietos.

Ele se vira para as árvores de lado, vira a cabeça para cima e para baixo como se estivesse... Farejando!?

Do nada um ataque. Alguma coisa salta dentre as árvores quase atrás de nós, mas se choca com alguma outra coisa e vai bater em árvores mais longe. Na verdade eram três coisas que vinham. Vinham e bateram no Catarino.

Os três se levantam devagar de perto das árvores onde caíram. Não, não me perguntem como o Catarino apareceu do nada atrás da gente se ele estava lá na frente. Até olhei pra frente na hora pra ver se não eram dois Catarinos agora, mas era só um mesmo.

- Puta que pariu... - É só o Jardel tentando descrever a cena a seu jeito. Todo mundo tá surpreso, claro, né? E mais ainda quando vemos o que se levantou.

Três lobisomens, que estão vindo de novo. Olho para o lugar onde caíram, de longe mesmo, e dá pra ver que eles machucam plantas. Não é uma conclusão muito animadora...

Um deles resmunga qualquer coisa para o Catarino. Digo que resmunga pelo tipo estranho de voz que ele tem e pelo tipo também estranho de idioma. Mas a gente ouve tudo bem alto, só não entendemos nada. O Catarino responde no mesmo idioma e a resposta não parece ser a que eles estavam esperando pelo que eles dizem depois.

Catarino se vira pra gente e diz simplesmente: agrupem-se. Nós quatro nos juntamos e ficamos vendo a cena. Tentando ver seria a expressão mais certa. É tudo muito rápido. São manchas distorcidas pela velocidade tentando chegar até nós e esbarrando em algo no caminho, sendo arremessadas para longe.

A situação tão diferente demora... E nós quatro ali, sem saber o que fazer, morrendo de medo de que um desses relâmpagos humanos, ou melhor, nem humanos são essas coisas, termine não esbarrando em nada e vindo até nós.

Tudo acontece muito rápido. Rápido demais. Mesmo nesse pouco tempo, aqueles lobisomens conseguem vir pelo menos umas cinquenta vezes, e esbarram no Catarino. Logo, ao invés de pancadas espaçadas, ouvimos uma sequência muito rápida, como pedal duplo de uma banda dessas de música ligeira e pesada. Mais um pouquinho e ouvimos isso de novo. E de novo.

Pronto. Parou? Lá está o Catarino, com o pé direito sobre um dos três lobisomens. Outro está ali, caído de costas no chão no meio do mato. O terceiro não sei onde está, mas deve ter sido derrubado também. Ou terá fugido?

- Tudo bem, vamos continuar.

Simples assim, ele fala. Como se tivéssemos parado para um lanche num grupo de escoteiros.

- Ah, não, mermão! Qual é?!

Jardel praticamente salta sobre o Catarino.

- Vamos, por aqui.

Ele tenta ir embora simplesmente, mas o Jardel simplesmente não quer deixar. Bella vem pra junto dele, tentando amenizar as coisas.

Lá de lado está ainda o corpo inerte daquela criatura estranha. Parece um lobisomem, mas não se parece com nenhum que eu tenha visto em algum filme. O fucinho lembra uma raposa daquelas mais vagabundas. Sabe, né? Tem vários tipos de raposa... Não é como girafa que é tudo girafa e pronto. Essas parecem daquelas bem esfomeadas, porque tem até umas raposas que são bonitinhas...

- ...a gente continue nessa merda!?

Jardel continua discutindo...

- Calma, Jardel, ele sabe o que está fazendo. Vamos lá, calma que vai dar tudo certo.

- Tudo o quê, Bella! Tudo o quê!? A gente nem ao menos sabe o que é esse "tudo" que tem que dar certo! Que droga!

E o bandido continua ali de pé, olhando para o Jardel e rindo agora. Deve ser riso nervoso. Sabe, quando a gente ri porque está nervoso e não porque está realmente achando alguma graça em qualquer coisa.

O Catarino olha para o grupo. Já havia se dirigido ao caminho de antes.

- Não quero saber! Não dou mais um passo até saber onde é que a gente está?

- Tudo bem. - O Catarino volta e se aproxima do grupo. Parece até calmo para a situação. - Se vocês não entenderem, o problema é de vocês. Vou dizer onde vocês estão.

- Fala logo.

- Vocês não estão mais na superfície da Terra.

- Eu sabia! - Jardel grita, eufórico. - Estamos em outro planeta, não é? Eu bem que desconfiei!

- Errado. - Catarino continua. - Estamos no que chamamos de Intramundo. É um mundo dentro do mundo que vocês conhecem. Ou seria o mundo que vocês conhecem que estaria dentro deste, não sei dizer ao certo. Mas é aqui que vocês estão.

Todos perplexos se olham, enquanto o Catarino volta ao caminho. De lá, ele vira o rosto para trás e diz:

- Fiquem perto de mim, se não quiserem problemas.

Intramundo... Então tá. E por que aqueles lobisomens nos atacaram? Vamos lá todos atrás do Catarino. Afinal, em uma terra estranha, ficar perto de alguém que a conheça pode representar a diferença entre a vida e a morte.

- Mas que droga é isso de Intramundo!? - Jardel resmunga. - Nunca ouvi falar de nada disso! Quer dizer que não estamos em outro planeta... Mas é como se a gente estivesse.

- Jardel, esquece. - É a Bella, tentando mais uma vez acalmá-lo. - Tenta entender não que é pior. A gente tá aqui e pronto.

- Como você fica tão calma?

- Estou encarando isso como mais uma viagem doida. Daqui a pouco acordo e tudo o que precisa fazer sentido vai fazer sentido.

Haha! Boa! Sabe que a Bella mesmo maluquinha como só ela mesmo até que tem umas idéias legais? É interessante o jeito como ela às vezes vê as coisas. Pena que tenha esse problema com drogas... Ué, interessante que nem parece ter problemas do tipo ultimamente. Como já disse, suspeito que seja a presença do Catarino.

Sabe, é uma coisa muito estranha e difícil de aceitar. A presença de alguém funcionar como tratamento anti-dependência? Mas sei lá, agora que descobri que o Catarino não é desse mundo... Ou melhor, é desse mundo, nós é que somos do outro. Enfim...

- É ele? - Uma voz estranha vem de trás de nós. Uma voz aguda e inumana.

Pra quê que eu me viro? Uma abelha de quase meio metro!

- Ahhhh! - A Bella corre pra frente.

- É. - O Catarino responde sem nem ao menos olhar pra trás. A abelha voa olhando pro bandido.

- Peraí, cara! - Jardel de novo. - Que negócio é esse aqui?! Porra, Catarino! Que droga de mundo é esse?! É a Terra do Nunca?

- Terra do Nunca? Que nome estranho! Onde é isso? - A abelha responde se aproximando do Jardel.

- Sai pra lá! Quero negócio com você não!

- Ah, fala assim não... - Bella defende. - Até que é bonitinho... Ou seria bonitinha?

- Oi, meu nome é Vistafera.

- Vista Fera? - Jardel - Que droga de nome é esse?! Nem sei pra que vim pra essa droga de viagem...

- Ei, eu me chamo Isabella, mas pode me chamar de Bella.

- Oi, Bella! Sabe que nossos nomes são um pouquinho parecidos?

- Só falta a abelhinha dizer "pode me chamar de Fera" e pronto. Caímos num conto de fadas. - Jardel comenta e começa a rir, do nada.

Curiosa observação a dele. "A Bella e a Fera", que na verdade eram Isabella e Vistafera. Sabe que até que daria uma história interessante!?

- O que vocês fazem aqui? Era pra vir só um humano.

O Catarino parece incomodado com a tagarelice do seu amigo, mas continua em frente.

- Eu quis vir com eles pra ver o que ia acontecer. - A Bella responde. - Na verdade, a gente quis vir junto mesmo. Sabe que você até que é bonitinho! Ou é bonitinha? Ainda não respondeu! Acho tão legais essas listras amarelas e pretas... Um charme!

- Não entendo o que quer dizer.

- Deixa pra lá...

- Mas acho que vocês não sabem o que estão fazendo. Se meter assim no meio de uma guerra só por curiosidade é complicado, sabiam? Vocês são um povinho corajoso! Ainda mais pra humanos, que são fraquinhos e inúteis em combate...

- Como é que é?

- Vistafera! Agradeço se conseguir se manter quieto até chegarmos lá. - Catarino intervém, com aquele jeito autoritário dele.

- Tudo bem. Desculpa aí, tá? Pensei que eles já soubessem.

- Soubessem de quê?! - É Jardel mais uma vez. - Que droga é essa?! O que vocês estão escondendo!?

- Tudo será revelado no momento oportuno. - Catarino responde.

- É, oportuno pra você! A gente tá entrando num negócio perigoso pelo jeito. E se quando você disser o que há não houver mais volta e a gente tiver na maior fria, como é que fica?

- Calma.

No fundo, é claro que Jardel tem razão. Agora com essa história de guerra então... Onde a gente se meteu. O carinha continua calado, analisando tudo. Seu olhar parece estranho. Se eu fosse o Catarino, ficaria de olho nele. Pra ele endoidar e correr por dentro da mata a qualquer momento não custa muito.

Bella vai pra frente, pra perto do Catarino. Coloca suavemente a mão em seu ombro e pergunta, do jeito mais doce do mundo: "Pra onde está nos levando?"

- Confie em mim. - Quase não ouço sua voz. Ele respondeu bem baixo, só pra Bella, mas de um jeito seguro.

A abelha, esse ou essa tal de Vistafera, vem voando acompanhando a gente. Agora totalmente calada depois da bronca do Catarino. É uma longa viagem essa a pé. Pelo menos pra um grupo que não faz a menor idéia de pra onde está indo

A viagem prossegue por um tempão ainda... Ainda ao longe, se pode ver cogumelos. Mas cogumelos grandes, de mais de um metro e meio. Cogumelos, cogumelos... Só pode ser isso! Tinha que ter algo de bom nessa viagem! Tinha! São aquelas criaturas que o povo fala e que a imprensa não dá muito espaço! Não vejo a hora de ver como são essas criaturas de verdade...

- Que é aquilo lá na frente? - O carinha grita. - São cogumelos mesmo!? Que droga a gente usou pra ver isso tudo!? Porque lobisomem, abelha que fala e agora só faltava cogumelos gigantes! Eu não me lembro de ter usado nada!

- Hahaha! Eles davam um chá legal! - É a Bella que comenta.

Engraçada a observação. É uma piada óbvia, mas achei engraçado na hora. Acho que por querer tanto ver essas criaturas, se forem mesmo o que eu tou pensando.

- Fala assim não, Bella. - Vistafera voa para perto dela. - Eles podem ficar ofendidos.

- Ofendidos?!

São mesmo eles!

A gente caminha justamente em direção aos tais cogumelos. Nos aproximando deles, eles não demonstram qualquer sinal de vida animal. Parecem meros cogumelos. Tem de um metro e meio até uns três metros. Com chapéu pra baixo, pra cima... Com chapéu pequeno, chapéu grande. De cores diferentes também. Muito interessantes esses cogumelos. Será que são violentos ou são criaturas legais? Será que estão vivos? Por que parecem tão parados?

- Mário? - Bella pergunta - Você está bem?

- Estou. Por quê?

- Está com um sorriso besta na cara!

- Enfim vocês chegaram. - Uma voz grave e fofa vem do lado. Como numa "viagem doida", como diria a Bella, todos os cogumelos começam a se mexer. É muito engraçada a cara do povo assustado. A Bella salta pra perto de mim olhando para o lado com a boca aberta, quase caiu! Parece que só o Catarino e eu estamos de boa.

- Mário!? Que é isso!?

- Calma. - O Catarino pede, mas Jardel corre ainda uns três passos até ver que nem tem como sair. - Eles são aliados.

É incrível! Os olhos e bocas apareceram. Fechados, eles somem. Os braços e pernas também saíram como se esses cogumelos fossem transformers daqueles filmes sobre a maldita tecnologia que as crianças gostam...

- O que tá havendo, Mário? Por que está tão calmo?

- Esquenta não, Bella... - Abraço ela pra acalmá-la mais e aliso seu cabelo. - Vai ficar tudo bem. São só um povo diferente.

- Um povo?! - Ela se estica para ver melhor sem que precise se afastar dos meus braços.

É, um povo... E enquanto nós paramos aqui, o Catarino já foi lá à frente conversar com eles. Um cogumelo bem grande se vira paran ós.

- Sejam bem-vindos.

É preciso muita força de vontade pra não gargalhar numa hora dessas. A cara que o Jardel e outro estão fazendo é realmente hilária! Como se fosse uma cara de nojo, misturada com surpresa, com riso de pavor e sei lá o quê... É, acho que só vendo mesmo pra entender...

- Vocês... Vocês... - Bella tenta falar, ainda abraçada comigo.

- Somos ejens.

- Ejens?

- Me chamo D'Lau-dyu. O Rochedo Verde vai se reunir com os irmãos para decidirmos qual a melhor rota de ação.

- Rochedo Verde? Que é isso? - Bella pergunta.

- O amigo de vocês, que vos trouxe aqui.

Catarino? É a pergunta que Bella e eu nos fazemos, um olhando para o outro.

- Ei! Vocês estão bem? - A voz estridente é facilmente reconhecida. É Vistafera que se aproxima.

- Estamos. - Respondo.

- Estamos?! - Jardel volta a si. - Que merda de mundo é esse?! Quero voltar pra casa!!!!

- Ninguém mandou você vir.  - Repreendo. Tem hora que cansa tanta reclamação. - Agora aguente.

- Olha - Vistafera chega no meio de nós. - D'Lau-dyu! Você e Auph-È-Odri podem cuidar dos humanos? Para prosseguirmos com a reunião?

- Decerto que sim.

- E o que está havendo? - Pergunto antes que Vistafera parta.

- Tudo será revelado. A reunião termina já. Volto num instante. Eles são gente fina! Se preocupem não! - Diz, apontando para os ejens que ficaram, enquanto os outros se afastam, juntando-se na tal da reunião...

O que chamam de Auph-È-Odri tem o chapéu pequeno, vermelho e voltado para cima, não é como chapéu de cogumelos comuns, que são curvados para baixo. Também tem uma textura diferente, como se o chapéu fosse formado por grãos. Ele não parece ser de falar muito também. Já o outro é daquele tipo clássico de cogumelos, curvadinho pra baixo. O chapéu dele é azul escuro.

A maioria do povo aqui tem chapéu desse tipo, embora a cor varie e sinceramente não sei qual a cor mais comum. Tem pelo menos um deles que é mais baixo e, em compensação, tem o chapéu bem mais largo.

"Há plantações de todo tipo
De café, de abacaxi
De laranja e de eucalipto
Eu estava perdido em uma
Plantação de cogumelos"

"E todos eles estavam vivos"

Acho que dá uma boa poesia, se eu me lembrar disso depois. Antes de dizer que estavam vivos eu descrevo os tipos tão diferentes que tinha... O legal é que o povo vai pensar que eu estou falando de drogas... Se bem que não sei se isso é necessariamente legal. Acho que vou fazer um livro falando disso tudo. Aí eu deixo claro em algum canto do livro que não tou falando de drogas. Talvez fique legal.

- Que loucura, velho! - O carinha finalmente fala, batendo no ombro do Jardel de leve com um sorriso besta na cara. Um sorriso de quem tá sob efeito de drogas.

- Pois é. - Jardel responde, desconfiado ainda.

- Que mundo é esse, meu irmão?!

- Sei lá! Deve ser algum mundo estranho mesmo, a gente entrou num portal e foi parar em outro planeta...

- Pode crer! Mas o sujeito lá não disse que a gente tava dentro da Terra?

- E ele entende de nada! A gente deve ter viajado pra longe!

- Pode ser... Mas ele deve entender mais do que a gente, né não?

Será que é algum tipo de auto-hipnose? E o cara acha que está drogado sem estar? Porque o Jardel está parecendo normal, pelo menos pro que a gente espera dele a essa altura, mas o outro fala devagar, como não tava falando antes, como quem está sob efeito de alucinógeno ou sei lá... Se não for psicológico, ele se drogou em algum momento sem a gente ver... Só pode.

- Ainda acho que a gente está em outro mundo. - Jardel fala.

A Bella se afastou um pouco do grupo. O que será que ela está fazendo?

- Bella?

Ela não responde e eu me aproximo. Há um galho seco ali adiante e ela parece estar concentrada nele.

O galho está tremendo um pouco. Eu me abaixo do lado dela e fico olhando também. O galho começa a se mover um pouco, deslizando pelo chão. Pára. Começa a tremer de novo e volta a se mexer. Pára.

- Mundo estranho esse, não é Bella?

- Fui eu. - Ela responde séria, com jeito distraído.

- Como assim?

- Eu que movi o galho.

- Mas não é possível isso... - De repente me lembro disso de poderes mentais. É um tema que ficou recorrente nos últimos anos. A Força Russa famosa, por exemplo. - Você...? Como?

- Não sei. - Ela olha para mim com aquele rostinho cansado e assustado ao mesmo tempo.

- Você já fez isso antes?

- Não, é a primeira vez...

Surpresas do mundo vêm do nada, sabe? A gente tá num mundo todo estranho e acha que as surpresas que virão serão daqui mesmo, mas não... Ainda tem que aparecer alguma surpresa que a gente mesmo trouxe. Caramba... Telecinese...

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