O Brasil tá pra Alugar

Da eleição de presidente pra cá
Toda a maldade dos donos do Brasil
Bateu nos pobres para a crise parar
Não acabou, ela só evoluiu
Eles nem deixaram Dilma governar
E a tiraram pra botar no lugar
Um vampiro sem coração e senil

A turma envenenada
Pelo ódio a um partido
Foi pra rua praguejando
Em protesto sem sentido
"É contra a corrupção"
Era o que era ouvido

Mas a razão era outra
E eles nem percebiam
A mudança de governo
Que sem perceber pediam
Era pela salvação
Dos que bem menos sofriam

Eu falo mesmo da Elite
Daqueles que tem mandato
Há duzentas gerações
Mais os banqueiros, de fato,
Dos grandes industriais
E criadores de pato

Já foi bagunçando tudo
Que o vampiro chegou
Diminuiu ministérios
O da Cultura fechou
E só quis criar de novo
Porque o povo protestou

Desde a primeira semana
Fez o povo de otário
Para cada ministério
Colocou um empresário
Que destrua o que é de todos
Pra ter ganho milionário

Pois ele aparelhou tudo
Com capanga e aliado
Sabotando o que podia
Mutreta pra todo lado
Mas nem acabou a crise
Como era o desejado

Notável no seu governo
Era a luta desmedida
Pra proteger os ladrões
E salgar a nossa vida
E o povo nem viu que era
Só o início da descida

Esse vampiro, pensando em congelar
O que se gasta por aqui decidiu
Jogar emenda Constitucional
Por vinte anos, tempo que ele previu
Parando a ajuda que era pro Estado dar
E muita gente parece nem notar
Como essa emenda nos mata a sangue frio

A PEC foi aprovada
Congela sem restrição
O que gasta com Saúde
Assistência, Educação
Segurança, enfim, serviços
Feitos pra população

Vinte ano é muito tempo!
O que ele pretendia?
Que o SUS desapareça
E que logo chegue o dia
Que todo pobre assinava
Um plano ou então morria

Que acabe como é hoje
Uma universidade
Acaba isso de bolsa
Cobrando mensalidade
Se der pra privatizar
É o que ele quer de verdade

Assistência se acaba
Pro sofrer do cidadão
Mesmo que por toda vida
Pague a contribuição
Ninguém mais tenha direito
Pra aposentar ou pensão

Mesmo com gente na rua
Gritando com o desgraçado
Esse projeto absurdo
Terminou sendo aprovado
Corra atrás de conhecer
Quem votou, que deputado

Senadores e ministros
Deram dedo pra nação
E aprovaram a PEC
Da cruel limitação
Mas não limitam o jabá
Que vem da corrupção

O pior é que o limite
Não limita por inteiro
Do contrário, ele garante
Que o principal dinheiro
Que o governo junta sirva
Pra pagar para os banqueiros

Raulzito já chegou a publicar
Numa canção bem antes do ano 2000
A solução era botar pra alugar
Nosso país, a nossa elite curtiu
Esse vampiro resolveu ofertar
A Amazônia para os gringos usar
E o dólar vai para quem rouba o Brasil

Amazônia ameaçada
O vampiro nessa hora
Resolveu fazer leilão
Pra mão de mineradora
Quase 50 quilômetro
Da floresta jogar fora

É um tanto assim de chão
Que cê nem calcula quanto
Com índios e natureza
Vê se não é pra ter pranto
Essa área é do tamanho
Do estado Espírito Santo

Depois de muito protesto
De órgãos internacionais
E muita gente famosa
Pelas redes sociais
Ele ficou com medinho
Desistiu, voltou atrás

Até a Escravidão está pra voltar
É nostalgia do período servil
Não se investiga trabalho irregular
E o que é trabalho escravo se definiu:
Pra ser escravo só quando se encontrar
Corrente no pé, chicote na lombar
Exploração demais não importa mais, fio!

Se você vive jornada
De trabalho sem ver fim
Sem poder sequer dormir
Muitos dias nesse ruim
Pelo conceito de hoje
Isso é escravidão sim

Se não recebe salário
Ou não pode se afastar
Se mora lá no trabalho
Mas na hora do jantar
Come comida estragada
E nem pode se banhar

Isso tudo é escravidão
Mas querem mudar ligeiro
O conceito de escravo
Pra agradar os fazendeiros
Só será escravo quando
Se viver em cativeiro

Todos concordam que é preciso educar
Educação é o futuro do Brasil
Mas cadê quando é a hora de gastar?
"Tem que cortar", repete o governo vil
Sem gastar na infraestrutura escolar
E em professores, quando o tempo passar
Qual o futuro se ninguém investiu?

É escola privatizada
Todo mundo pagar tudo
Pagarmos pela saúde
Por segurança e estudo
É o sonho das elites
Mesmo que seja absurdo

Não ter universidade
Gratuita pra mais ninguém
Se puder vender pros gringos
Os campus que hoje tem
Pra esse governo é melhor
Pois roubam bem mais vintém

A reforma do ensino
Criou áreas diferentes
Mas todas as opções
Só vão estar realmente
Na escola de gente rica
Não de outro tipo de gente

Quem é pobre já de agora
Graças a esse governante
Não aprende mais História
Nada que o faça pensante
Restará pro fí de pobre
Só o profissionalizante

Sobre aposentadoria
O presidente falando
"Brasileiro vai viver
Por 140 anos"
Só ele, por ser vampiro,
Nós outros somos humanos!

A Ciência foi cortada
Não tem dinheiro mais não
Sem a tecnologia
Qual o futuro da nação?
Brasil volta a ser colônia
De burrice e escravidão

Tudo isso não é gasto
Educação e ciência
É dinheiro que garante
A nossa independência
Investir nesse futuro
É sinal de inteligência

Como pode um governo impopular
Se aproveitar dessa crise que surgiu
Pra adotar essa solução de alugar
Diferente do que Raul sugeriu
Os estrangeiros, claro que vão gostar
Com o país, eles também vão ganhar
A vida de nós, que estamos no Brasil

Patos não vão pagar nada!
É tudo free!
Pra elite e bancos, free
Para os ricos explorar e aproveitar
A conta nós que vamos pagar

– Cárlisson Galdino

Special: 
Engenho: 

Taverna 8 Bits - Outras Cores

No Reino do Cogumelo
Num bar, sem ter mais ninguém
Dois caras bebem, conversam
Sobre o passado também
Luigi, o encanador
E um galego lutador
De Street Fighter, o Ken

Luigi vira um copo
E reclama para o amigo
“É triste: tanto eu me esforço
Eu pulo, eu corro, eu brigo
Pra no fim Mario, meu irmão
Ser exaltado, e eu não
Você entende o que eu digo?”

“Sei que você também sofre
Nossa história é parecida
Também se mata em disputa
E sua luta é esquecida
Pode ser bom no kung-fu
Mas tu é sombra do Ryu
Como é triste a nossa vida”

O Ken balança a cabeça
Bebe e começa a falar
“Você não sabe de nada
Só sabe é reclamar
Sombra, aqui, só você
E o que eu luto é karatê
Mas vamos continuar”

“Você é uma criancinha
Chorando sem ter razão
Pode ser sombra do Mario
Mas ganhou jogo, eu não
Seja homem, pra que chorar?
Pois saiba que ouvi falar
Da sua imensa mansão”

Luigi diz: “É verdade
Tive jogos afinal
Mas o que mais me dói hoje
É que nasci tão banal
Lá no primeiro que teve
Eu era só o “Mario verde”
Isso me deixa tão mal”

Ken sorri e coça o queixo
E diz “Pior que é verdade
Era um tempo bem estranho
Na nossa realidade
Muitos jogos foram assim
Poucos recursos, no fim
A cor era a Identidade”

“E você lembra o Diablo?
Aquilo era bem pior!
Você enfrentava esqueletos
Brancos, sem qualquer valor
E ao descer mais, os perigos
Vinham novos inimigos
Iguais, só mudando a cor”

Luigi sorri e alisa
O se redondo bigode
E diz “Já vi esse jogo
Quem jogou muito foi o Toad
Lembro que as cores mudavam
Tinha até uns que brilhavam
Lá no escuro, vê se pode!”

“Essas mudanças de cores
Eu fui vítima, que eu sei
Por isso há muito tempo
Que isso também pesquisei
Chamam 'troca de palheta'
Mudavam fundo e planeta
Poupar memória era a lei”

“Mas o pior que já vi
A que era mais descarada
Não foi em jogo de luta
Foi Futebol, que jogada!
O boneco é repetido
Muda só o colorido
E os times vêm em enxurrada”

O Ken bebe outra dose
Depois gargalhando à beça
Diz: “O pior é que é mesmo!
O povo pregava peça
Com você foi bem igual
Ainda bem que, no final,
Por pouco eu escapei dessa!”

Luigi decepcionado
Responde: “Olha pra tu!
Só porque é americano
Galeguinho do óio azul
Acha que é diferente
Mas você é simplesmente
Uma cópia do Ryu”

“Pra ser cópia não precisa
Mudar só a cor, garanto!
Você tem os mesmos golpes
Que o tal de kimono branco
Você é muito parecido
Personagem repetido!
Desça já desse tamanco”

O Ken não gosta daquilo
Daquela provocação
E se levanta da mesa
Já fechando a sua mão
E diz: “Se tiver coragem
Eu te mostro minha mensagem
Numa surra, uma lição”

O Luigi diz que não
Com a cabeça a balançar
Se levanta e vai pra porta
E diz: “Não nesse lugar
Não acabou entre nós
Te vejo no Smash Bros
Se tem peito de ir pra lá.”

– Cárlisson Galdino

Special: 

Warning Zone #50 - As Garrafas do Cigano

Ok, vamos lá. Era uma vez um projeto de tecnologia envolvendo formas de vida em prol da saúde de circuitos eletrônicos. Tudo deu errado e 6 pessoas ganham superpoderes.

Quatro deles se juntam e forma um grupo do mal conhecido como Grupo Satã ou Quarteto Fantástico.

Tungstênio: Não dá pra confiar na imprensa.

Esse grupo pretende dominar o mundo e começa a tocar o terror por aí afora.

Tungstênio: A gente se esforça pra encontrar um nome legal e vem a imprensa desmanchar tudo.

Os outros dois se tornam a única força de enfrentamento do Grupo Satã a manter alguma chance de frear seu ímpeto conquistador.

Tungstênio: Gostei dessa parte de “ímpeto conquistador”!

Narrador: Posso continuar a retrospectiva?

Tungstênio: Foi mal, continue.

Então, muita coisa aconteceu. Apareceu um herói sem poderes para ajudar o casal. Um dos quatro vilões foi derrotado e estamos agora…

Mulher de vestido: Que ódio! Não acredito que nem vai falar de mim!

Tungstênio: Cala a boca! Ele nem citou meu nome e não estou reclamando!

Mulher de vestido: Ah tá… Pelo menos você TEM um nome!

Durante a história aparece uma misteriosa mulher de vestido vermelho acompanhando notícias sobre as ações do grupo maligno.

Tungstênio: Está feliz?

Mulher de vestido: Tá, mas faltou falar do prefeito.

Narrador: Eu falaria se você deixasse.

Mulher de vestido: Até parece…

Olha, o Grupo Satã sequestrou um pessoal aí e apareceu de repente o cigano com não sei o quê na mão.

Darrell: Garrafas!

Pandora: Hahaha!

Tá, é isso! Já deu! Estamos no último episodio, caramba! Quem quiser saber dos detalhes dos acontecimentos anteriores, deixe de preguiça e volte pra ler desde o começo. Vamos pro episódio.

Darrell: Isso acaba agora.

Tungstênio: Você já falou isso.

Todos olham surpresos para Darrell, com duas garrafas de cerveja nas mãos.

Tungstênio: Pega ele, Montanha!

Montanha salta em direção ao Darrell, mas não o encontra. Então ele para e coça o queixo confuso, com impressão de ter sido tratado como um cachorro. Para disfarçar, tem que parecer confuso com outra coisa.

Montanha: Nunca me acostumo com esse poder estranho do Cigano! Volta aqui!

Darrell sai pela porta e os dois vilões vão atrás.

Seamonkey: Achei você.

Darrell para diante da inimiga. Percebe os outros dois vindo do quarto e encara Seamonkey com ar de desafio.

Nem precisa falar nada para ela perceber o que ele está pensando: “Você é de água, não é?”

Ele corre em sua direção se preparando para esbarrar nela. Surpresa, ela tenta ajustar sua fluidez para o que seria mais inteligente.

“Muito fluido! Não, e se eu sumir? Muito sólido! Mas aí eu caio e a gente se machuca. Ai… Chegou.”

Ela coloca os braços na frente esperando pelo impacto, mas não acontece nada.

Darrell: Ei, ainda estão aí?

Montanha e Tungstênio quebram parte da parede para chegarem rápido no corredor do lado de fora da casa.

Darrell está ali em cima do muro com as mesmas duas garrafas na mão.

Seamonkey: Espere um pouco. Onde está o xFencer?

Montanha: Quem se importa, maluca?

Montanha soca a parede para derrubá-lo. Tungstênio acompanha Darrell com os olhos, enquanto este salta para o outro muro por cima dos três. Ele força um pouco a vista. Parece que escorregou uma garrafa…

A garrafa acerta em cheio o rosto de Tungstênio, quebrando-se e respingando seu conteúdo por todo lugar.

Tungstênio: Arghhhhhh!

Montanha: Que foi, chefe? O que tinha nessas garrafas?!

Tungstênio cai de costas no chão, rachando o piso e estremecendo um pouco a estrutura do prédio. Seu rosto parece estar derretendo.

Montanha: Chefe?! O que é isso?

Cigano sorri de cima do muro, enquanto balança a outra garrafa, como quem diz “Quer descobrir?”

Tungstênio: Ele…

Montanha: Ele? Ele o quê?!

Tungstênio: …

Montanha: Ele o quêêêêê!?

Darrell: Parece que ele se foi.

Montanha: Não! Não pode!

Darrell: Tenho uma proposta para você. Solte os reféns e abra uma passagem do outro lado da casa, sem passar por aqui, e eu não jogo esta segunda garrafa em você.

Montanha: Nunca, eu… Posso pensar?

Darrell: Só um pouco.

Montanha olha ao redor tentando encontrar uma solução. Então se abaixa para ver como está o chefe. Parece mesmo morto.

Darrell: Não sei se vou aguentar segurar essa garrafa muito tempo…

Montanha: Tá legal, eu me rendo!

Montanha volta para a sala dos reféns e solta os três. Em seguida, esbarra contra a parede para abrir uma passagem. Quase cai de susto com o que vê.

xFencer: Não vai fugir!

Darrell: Para! Ele já se rendeu!

xFencer abaixa a marreta, junto com outras doze pessoas vestidas igual. Do seu lado, um homem das forças armadas dá voz de prisão ao sobrevivente.

Pandora: Sabia que meu amor ia voltar pra me salvar! Hora de ganhar o beijinho!

Mulher de vestido: O que é esse monte de gente com martelo?

xFencer: É o Big Boss Tracker Team!

Os outros doze levantam suas marretas em saudação.

xFencer: Pena não termos sido necessários...

E assim tudo voltou ao normal. Com o Grupo Satã derrotado e Montanha preso, nossos heróis voltam para Stringtown para tentar viver sua vida de normalidade.

O Big Boss Tracker Team se tornou uma academia de artes marciais coordenada pelo Junior.

Seamonkey nunca mais foi vista.

 

FIM

Warning Zone #49 - Últimas Notícias

No episódio anterior, Tungstênio, Stormdancer e Steve Silva, prefeito de Stringtown, discutiam sobre o propósito daquele sequestro e qual seria o próximo passo do Grupo Satã. Paralelo a isso, o grupo estava distribuído em sentinela, aguardando a volta do cigano a qualquer momento.

Horas depois, já cedo da noite, uma televisão clareia os mesmos três enquanto inicia o jornal.

Apresentador: Boa noite. Informações revelam que o grupo de supervilões que sequestrou o prefeito de Stringtown se encontra no Piauí. Nossa equipe de reportagem conseguiu com exclusividade essas imagens.

Tungstênio: Olha lá! Sou eu!

Pandora: É… Imagem exclusiva coisa nenhuma! Deve de ter sido o povo no Twitter.

Tungstênio: Dá pra fazer silêncio?

Ministro: As Forças Armadas já estão em operação para enfrentar esses bandidos.

Tungstênio se levanta e vai até a janela preocupado.

Repórter: Vocês preveem que eles possam ainda estar no Piauí?

Ministro: Nem se preocupe que está tudo sob controle. O Governo Brasileiro está fazendo todo o possível para solucionar este problema.

Apresentador: Hoje a presidência do país está com o Ministro do Supremo, já que a presidente viajou para reunião na Alemanha…

Tungstênio: Que balela! Não tem nada de exército lá fora.

Stormdancer e Prefeito: Pssssiu!

Apresentador: ...no Rio de Janeiro, o presidente da Câmara viajou para reunião com opositores na Venezuela e o presidente do Senado foi a uma visita diplomática para Angola. Este afastamento quase coletivo foi muito criticado pela oposição.

Deputado: Isso é vergonhoso! Ver tanta gente importante que não honra as calças que veste!

Tungstênio: Hahaha! É mesmo! Estão morrendo de medo da gente!

De repente, um barulho de confusão vem lá de fora. Parece uma mulher protestando. Tungstênio aperta o mudo da televisão.

Stormdancer: Ahhh…

Prefeito: Ei, eu queria ver a matéria!

Montanha: Olha só quem eu encontrei por aqui.

Ele joga a mulher no quarto, que grita “Ai”.

Enquanto ela se levanta, se recuperando da queda, Tungstênio encara todos na sala, um a um, e se vira para o Montanha.

Tungstênio: Tá. Era pra eu saber quem é ela?

Montanha: Sei não, chefe. Ela tava fuçando por aí, só sei disso. Tava tentando passar por mim sem ser vista pra vir fazer não sei o quê.

Tungstênio: Ai meu saco de metal… Outro refém pra eu me preocupar!

Ele agarra o braço da mulher de vestido vermelho e a arrasta até a mesma janela onde estão Stormdancer e o prefeito.

Prefeito: Como é que é? Tem outra janela pra ela não?

Tungstênio: Se ajeitem aí?

Stormdancer: Como é que a gente dorme, caramba?

Mulher de vestido: Para de me apertar!

Tungstênio: Quem é você e o que quer por aqui?

Mulher de vestido: Nada! Eu só estava passando aqui perto, eu moro por aqui.

Tungstênio: Sei…

Montanha sussurra para Tungstênio.

Montanha: Chefe, ela pode ser da imprensa.

Tungstênio: Ou do Exército, o que é pior. Vê se ela tem algum sinalizador.

Montanha dá um passo e para.

Montanha: Ei, chefe! E como é um sinalizador?

Tungstênio: Sei lá! Você nunca viu em filme?

Montanha sorri e continua em direção à mulher de vestido vermelho e expressão assustada.

Tungstênio: Procura qualquer coisa que pareça um celular ou que tenha uma anteninha.

Darrell: Isso acaba agora.

Todos olham para trás surpresos. Ali está Darrell, em pé diante da televisão, sozinho e com duas garrafas de cerveja na mão.

Prescrição

Com décadas no escuro
Alguém bota um lampião
É só uma luz bem fraca
Mas já abala a escuridão
O povo se espanta
Verme, ratos pelo chão

Quem não sabe a História
É quem estava iludido
Há diversos relatos
Dos contatos, dos ruídos
Dos bichos já sabia
Só faltava serem vistos

Entrando em desespero
A Sociedade está doente
Quer saída no ódio
Ou um herói que se apresente
Ou em cega loucura
Ditadura, novamente

Não há saída fácil
Que cure esse sofrimento
Vai levar muito tempo
E buscar conhecimento
Se envolver e aprender
É o único tratamento

Depois que a presidenta
Foi expulsa sem perdão
Presidente acusado
Compra a absolvição
Justiça acobertando
Toda essa corrupção
E toda lei que surge
É contra a população
Pra preservar os ricos
Sem mexer num só tostão
Já tão propondo até
A volta da escravidão

Assim não dá!
Pra superar essa noite tão fria
Só conhecimento e bem mais Democracia

-- Cárlisson Galdino

Warning Zone #48 - Cativeiro

No episódio anterior, o trio de heróis finalmente encontra o Grupo Satã. A investida rápida termina com Júnior inconsciente e Pandora capturada. Darrell some levando apenas o estagiário.

Na nova base do Grupo Satã, Pandora se vê amarrada na grade de uma janela, ao lado do…

Pandora: Prefeito!? Você tá bem!?

Ele dá de ombros, também com um braço amarrado na mesma janela.

Prefeito: Se você quer saber se estou em mortalmente ferido, acho que não, mas não estou muito confortável pra dizer que estou bem.

Tungstênio: O que é que você tem pra reclamar, Steve? A gente tá trazendo sua comidinha e deixa você dormir.

Prefeito: Pelo menos isso.

Tungstênio: Você reclama demais! Dá vontade de te soltar no meio da lagoa só pra gente se livrar da sua tagarelice.

Prefeito: E quem é você?

Pandora: Eu sou a Pan… Sou a Stormdancer! A gente veio aqui te salvar, ó!

Prefeito: Hahahahaha! Acho que não deu muito certo.

Stormdancer: Parece que não, haha.

Prefeito: E “nós” quem? Quem mais veio com você?

Stormdancer: O meu time! O meu love Cigano e o xFencer!

Prefeito: Interessante, e onde eles estão?

Stormdancer: Boa pergunta…

Tungstênio: Não se preocupe, eles estão vivos por enquanto. Vocês vão morrer juntinhos, que eu tenho certeza que ele não vai querer abandonar você aqui.

Prefeito: Está tudo muito bom, está tudo muito bem, mas como estão as negociações?

Tungstênio: De novo essa conversa…

Prefeito: É claro! Estamos todos perdendo tempo aqui! Você certamente preferia estar fazendo outra coisa ao invés de cuidar da gente. E eu tenho muito o que fazer na Prefeitura.

Tungstênio: Que tem o que fazer coisa nenhuma! Vice não serve pra essas horas mesmo?

Prefeito: Vice pode ser um sujeito traiçoeiro. Se você conhecesse o meu, estaria mais preocupado que eu.

Stormdancer: Por quê que tu sequestrou o prefeito mesmo?

Tungstênio: Ora que pergunta… A essa altura você e seu namoradinho… E o estagiário! ...deviam saber que o nosso plano é de dominação global! Pra isso precisamos dar certos passos estratégicos!

Prefeito: Eu já falei! Se você quiser recriar a empresa de vocês a gente arruma um contrato vantajoso e vocês crescem junto! Você é muito cabeça dura…

Tungstênio: Você também já devia saber de que tipo de dominação eu falo.

Prefeito: Claro, claro… Dominar o mundo, blá blá blá… Mas isso aqui não é desenho animado. Pra “dominar o mundo” você tem poucos caminhos. Pelas forças armadas, pela Economia ou pela Política. Tem a Religião também.

Tungstênio: Você é político. Vamos conseguir avançar com você aqui.

Prefeito: Duvido muito. O partido do governo federal nem é aliado do nosso…

Tungstênio: Ah, cala a boca que eu sei o que estou fazendo!

Tungstênio caminha até a porta e observa qualquer coisa que esteja fora da sala.

Prefeito: Certo, e qual é o seu plano?

Stormdancer: Hmmm… Esperar o Cigano aparecer?

Prefeito: Foi o que pensei.

Stormdancer: E onde estão os outros?

Prefeito: Amiguinhos dele? Ele mandou o Montanha e a macaquinha vigiarem a casa. Só não vi mais o corno velho.

Stormdancer: O Valdid? Ah, ele morreu!

Prefeito: É uma pena. Ele dizia mais coisas que os outros quando estava de guarda aqui.

Stormdancer: Pra onde ele vai?

Tungstênio vai para o quintal da casa.

Tungstênio: Vendo alguma coisa?

Seamonkey responde de lá de cima, sob a caixa d’água.

Seamonkey: O que tem pra ver?

Tungstênio: O que eu mandei você fazer, esqueceu?

Seamonkey: Sim, claro, dois idiotas se aproximando pra salvar a mocinha… Nada ainda.

Tungstênio: Você não parece estar vigiando. Leve suas instruções mais a sério!

Seamonkey: Pra quê? Você acha que aqueles dois são mesmo uma ameaça? O Ash não é nada sem seu pikachu.

Tungstênio: Quê!?

Seamonkey: Ah, esquece!

Tungstênio balança a cabeça visivelmente irritado e volta para a sala.

Prefeito: ...da campanha passada. A Diretoria do partido gostou, mas não achei tão bom, poderia ter ficado melhor mesmo.

Tungstênio: Tão falando de quê…

Stormdancer: E não é!? Não fica legal botar o slogan dentro do logotipo! O logotipo tem que ser simples! O slogal fica perto do logotipo, em fonte legível, no material de divulgação.

Prefeito: Parece que já tenho uma nova designer para minha próxima candidatura, quer dizer, se a gente sair vivo daqui. Você tem cartão?

Stormdancer: Ih, tenho não…

Prefeito: Você tem que estar preparada sempre pra aproveitar as oportunidades que aparecem, até mesmo durante um sequestro.

Stormdancer: Haha, e você aproveitou?

O prefeito suspira antes de responder.

Prefeito: Não foi por falta de tentativa...

Warning Zone #47 - No Fim da Rua

No episódio anterior, Júnior, Darrell e Pandora chegam a São Raimundo Nonato, Piauí, e encontram Valdid, também conhecido como Biotanque (e Sinistro?), travando um combate no meio da rua. O confronto termina com a morte de Valdid pelo sabre de Júnior.

Darrell: Ele é pesado!

Pandora: O que você queria? É um homem-boi! O que importa é que você está bem.

Darrell: Preciso de água.

xFencer: Vou ver ali na vendinha. Peraí.

Pandora: Olha pra ele... É um monstro mesmo.

Darrell: O que esperava?

Pandora: Sei lá, que ele se destransformasse depois de morto ou algo assim.

Darrell: Tá assistindo muito desenho da Disney.

xFencer: Aqui!

Darrell: Valeu.

Darrell abre a garrafinha de 500ml e bebe.

Pandora: Tava pensando.

Darrell: Em quê?

Pandora: Não foi muito esperto a gente ter matado o Valdid. E agora? Como a gente acha a base deles?

xFencer: Boa questão. Mas ele estava indo pra lá, então o jeito é a gente continuar nesse caminho.

Darrell: Pelo menos até o cruzamento, quando a gente vai ficar sem saber que rua tomar.

xFencer: Qual o problema de vocês?! Eu salvei o dia, pô!

Darrell: Tá, desculpa, tem razão. Vamos pro carro.

Os três olham para o carro, amassado.

Pandora: E ainda presta?

xFencer: Tem que prestar!

O carro dá a partida e anda. Certamente os três não confiariam nele para uma viagem, mas pelo menos anda. Darrell pega o notebook e se senta com ele no colo.

Darrell: Caramba, estou com o pulmão doendo. Será que quebrei alguma coisa?

xFencer: Se tivesse quebrado, acho que não aguentava de dor.

Darrell: Pode ser... Olha! Tem um monte de novidades no BBT.

Pandora: Que tipo de coisa?

Darrell: Twitpic... Olha, é a gente! E aqui o Valdid jogando a moto! E essa... Ah não, quem tirou essa foto!?

Pandora: Hahaha! Você com o Valdid em cima! Vai ficar famoso hein?

Darrell olha ao redor e vê pessoas tirando foto com seus celulares.

xFencer: Chegamos.

Pandora: Onde?!

xFencer: No cruzamento, ué! Que rua nós seguimos? Direto? Direita ou esquerda?

Darrell: Esquerda não, senão não tinha sentido ele ter vindo por essa rua.

xFencer: É, ele voltava... Então direto ou direita...

Pandora: Direita!

xFencer: Como tem tanta certeza?

Pandora: Olha o Montanha ali!

Júnior e Darrell forçam a vista e finalmente enxergam aquele monstro de pedra sentado, olhando pra vida. Júnior vira a direção e entra na rua.

Darrell: Que droga!

Pandora: Que foi, Bem?

Darrell: Maldito @pi2pi2pi2pi2pi!

Pandora: Quem?!

Darrell: Todas as fotos foi ele quem tirou!

xFencer: Gente? Dá um tempo nas fotos e olha ali...

Montanha: Vocês!?

Os três descem do carro e se posicionam em frente ao Montanha.

Montanha: Onde está o Sinistro?

xFencer: Ele não vem mais.

Montanha: Arghhh!

Montanha corre pra cima do Júnior, que tenta golpeá-lo com o sabre, mas não dá muito certo. O sabre voa de sua mão e ele próprio cai após a pancada.

Montanha: Viram o que vocês ganham desafiando o patrão?

Montanha aponta para Júnior, caído e inconsciente.

Montanha: E com ele eu peguei leve...

Darrell ergue a marreta, quando de trás de Montanha aparece Tungstênio.

Darrell: Oliver?

Tungstênio: É uma maldição, mesmo! Quando vocês vão parar com isso? Eu me chamo Tungstênio!

Ele fala algo no ouvido de Montanha, que sorri.

Tungstênio: Vamos acabar logo com isso.

Tungstênio dá dois passos e é atingido por um relâmpago. Quando a visão de todos começa a voltar ao normal, eles veem Tungstênio tirando os braços da frente dos olhos.

Tungstênio: Que maluco isso! Estou todo formigando!

Montanha: Está bem, chefe? Morreu não?

Tungstênio: O que acha, imbecil? Vamos!

Após três passos, Tungstênio é recebido com uma marreta na perna. Grita de dor, mas continua de pé, tentando golpear Darrell.

Darrell sabe bem que esse equipamento não vai ser tão eficiente quanto desejaria. Basta um golpe e tudo estará perdido.

De repente, se lembra de Júnior. Durante a troca de golpes, finalmente consegue ver onde está: ainda caído no mesmo canto. Estará morto?

Darrell: Quê!?

Bastou um momento de distração. Tungstênio sorri enquanto entorta o cabo da marreta até soltar as partes.

Tungstênio: E então? O que fará o Cigano sem seu brinquedinho?

Montanha: Chefe?

Os dois olham e veem Pandora imobilizada por Montanha.

Darrell: Solte-a!

Tungstênio: Hahaha! Você não está em situação de negociar.

Darrell some da frente dos dois.

Montanha: Chefe?

Tungstênio olha na direção apontada e vê que não está mais lá o corpo de Júnior.

Tungstênio: Tudo bem. Dessa vez nós temos com o que negociar.

Warning Zone #46 - A Hora da Pamonha

No episódio anterior, Pandora, Darrell e Júnior viajam até São Raimundo Nonato, no Piauí, em busca do Grupo Satã. Pelo sistema de procura criado por Júnior eles recebem uma pista de que Valdid estaria perto da Lagoa do Mato.

Darrell: De acordo com o Google Maps, a gente chega em 3 minutos.

Pandora: Vamo logo então! Antes que esse diaxo suma!

Darrell: Vire à esquerda!

xFencer: Vamos lá!

Pandora: E agora, Bem? Tou nervosa.

Darrell: Vai dar tudo certo.

Pandora: Tá, mas a gente vai fazer o que quando achar o Valdid? Matar?

Darrell: Não é bem certo, mas deixá-lo vivo pode ser muito perigoso.

Pandora: E ele está muito louco, né? Será que eles tem salvação? Digo, a gente estava lá no dia do acidente e a gente...

xFencer: E agora? Tá acabando a rua.

Darrell: Deixa ver... Esquerda!

Pandora: Será?

Darrell: Não sei, Pandora. Sinceramente não sei como poderíamos conter a turma do Oliver de maneira segura. Talvez seja por isso que o exército tenha falhado.

Pandora: Como assim?

Darrell: Talvez o interesse deles tenha sido de prendê-los e não de matá-los. Resultado é que muita gente morreu lá e o grupo do Oliver escapou ileso.

Pandora: É verdade...

Darrell: Droga! Perdeu a rua!

xFencer: Espera.

Darrell: Não, não. Continue. Se for direto chega lá também. Ou melhor. A gente já estaria nela se tivesse entrado à esquerda antes.

xFencer: É, acontece.

Darrell: Acho que já é...

Pandora: Caramba!

xFencer: Não é que essa rua existe mesmo!?

Darrell: Vamos devagar agora. Para aqui. A rua começa ali, ele não está pra lá. Vamos pra direita.

xFencer: Vamos. Estão prontos, né? A qualquer momento podemos encontrá-lo. O BBT diz mais alguma coisa?

Pandora: BBT? Ah, sim.

Darrell: Deixa ver... Tem um monte de mensagens. Hmmm... Nada importante.

Pandora: Né ele ali não?

Darrell: Onde?

Pandora: Virou a esquina lá na frente!

O carro acelera até a curva no final da rua.

Pandora: Olha ele ali! Buzina!

Biotanque olha para trás rápido. Deixa cair uma bolsa plástica de supermercado e começa a correr para longe. Então pensa um pouco melhor e resolve voltar.

Biotanque: O que vocês querem?

Os três já fora do carro se posicionam.

Darrell: Se você se render, vai facilitar as coisas.

Biotanque: Hahahahaha! O que cê tá pensando, maluco? Acha que eu não posso com você não, é? Tungstênio vai achar massa eu ter me livrado dos três.

Biotanque corre contra Darrell, que some de sua frente.

Darrell: Olé!

A marreta de Darrell bate no chão logo atrás de Biotanque, que continuou correndo até chegar no carro de Júnior. Ele sobe no carro e se vira para encarar os três.

xFencer: Desce daí agora!

Biotanque: Venha me tirar!

Júnior corre para fazer isso, mas quando chega perto, é o Biotanque que salta contra Darrell, que cai no chão para evitar o golpe.

Pandora: Deixa ele!

Biotanque vira a cabeça e vê Pandora com os olhos faiscando.

Biotanque: Ai que meda!

Ele corre até um carro estacionado do outro lado da rua e coloca as mãos no pneu. Puxa e...

Biotanque: Saaaai! Droga.

Deixa o pneu lá, torto mas ainda preso ao carro e resolve pegar uma scooter que estava do lado. Levanta.

Biotanque: E que tal isso?

Joga na direção de Pandora, que salta de lado. A moto a atingiria, mas não vinha com tanta velocidade assim.

Ajeitando-se no chão, Pandora dispara um raio contra Biotanque, que pula para trás do carro por puro reflexo.

Júnior salta sobre esse mesmo carro para golpeá-lo, mas Biotanque percebe o movimento e bate no carro com força para fazer o esgrimista perder o equilíbrio.

O primeiro passo sobre o carro é desengonçado. O segundo o derruba de vez sobre o capô, fazendo-o deslizar e cair no chão mais à frente.

Darrell: Cuidado!

Júnior ouve e se abaixa, bem na hora que o carro bate no carro que estava estacionado à frente. Bate empurrado por Biotanque.

Alarmes reclamam de toda essa confusão.

Biotanque: Pronto, menos um. Agora você. Você engana bem.

Começa a andar em direção a Pandora.

Biotanque: Faz pose de fraquinha, mas tem esse relâmpago escondido, né fia?

De repente, vê Darrell vindo.

Biotanque: De novo não!

Ele puxa a perna para trás, afastando-a do caminho da marreta, enquanto gira o corpo para cair sobre o herói.

Darrell: Ai.

Biotanque: Haha! Sei que não pode atirar um raio agora, fia! Senão mata seu namoradinho também!

Pandora: Pare, Valdid!

Biotanque: Valdid!?

Ele olha para ela, ainda com o seu corpo pesado esmagando Darrell.

Biotanque: Já disse que não é esse meu nome! Eu sou o Sinistro! E não vou parar coisa nenhuma! Olha o que...

E uma lâmia aparece brotando do seu peito, para seu espanto. E ela se afasta num golpe rápido, rasgando seu corpo e fazendo jorrar sangue sobre Darrell e a rua.

Biotanque – ou Sinistro – cai, enquanto Júnior olha a espada ensanguentada.

xFencer: Agora sim: menos um.

Pandora: Darrell!?

Darrell: Tira ele... De cima...

Cordel da Burguesia

Cê sabe o que é Burguesia?
Sente que vou te explicar
Sabe um sujeito bem rico
Que juntou tanta quantia
Que luxa e viaja o mundo
Sem trabalhar um segundo
Esta é a tal burguesia
Com sua ganância fria

São os donos da indústria
Que fabrica o seu feijão
Donos de aviões, navios
Da terra e o que lá se cria
São os que lucram um zilhão
Com a tal corrupção
Esta é a tal burguesia
Com sua ganância fria

São os donos do Jornal
Revista e televisão
Mandam em qualquer juiz
Zoam a Democracia
Vereador ou presidente
Lhe obedece alegremente
Esta é a tal burguesia
Com sua ganância fria

Nem sabem o que é trabalho
Morrem de nojo do povo
Desde pequenos, criados
Com a maior mordomia
Pra conseguir mais dinheiro
Mandam matar um ligeiro
Esta é a tal Burguesia
Com sua ganância fria

O povo às vezes se ilude
Com o mundo da riqueza
Quando alguém fica ricaço
Se orgulha com alegria
Sem parar para pensar
Em como ele chegou lá
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Se um sujeito abre uma empresa
Com uma ideia legal
E começa a se dar bem
Assim da noite pro dia
Chama a atenção por demais
De investidores chacais
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Você pode ficar rico
Com trabalho e viver bem
Mas não consegue ir além
Sem pisar quem te servia
A riqueza do burguês
É o sangue do camponês
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Se ainda assim o empresário
Quer tratar bem sua equipe
Não enrola seu cliente
Sem caixa 2, nota fria…
Fica pra trás de repente
No primeiro concorrente
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Não existe bom burguês
Bilhões em gente que sofre
De doença e fome para
Cada burguês que se cria
Fortuna de um infeliz
Seriam pão pra um país
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Quando existia um rei
Que foi contra a escravidão
Os burgueses reclamavam
Do prejuízo que viria
Armaram para trocar
Um rei por um militar
Os golpes da Burguesia
Já são um vício ou mania

Outro dia um presidente
Falou de reforma agrária
A burguesia surtou
E tudo se repetia
Um golpe na cara dura
Que virou a Ditadura
Os golpes da Burguesia
Já são um vício ou mania

Assim que sempre acontece
Quando sentem ameaça
Ou veem oportunidade
Às vezes por tirania
Em prejuízo pro povo
Nasce outro golpe de novo
Os golpes da Burguesia
Já são um vício ou mania

A burguesia é formada
Por bem pouquíssima gente
Mas sua voz chega longe
Iludindo a maioria
Que ao ouvir a voz que vem
Acha que é a sua também
A pequena burguesia
É pobre com fantasia

Burguês não é empresário
Dono de supermercado
Não é o advogado
Que juntou boa quantia
O médico também não
Burguês não tem profissão
A pequena burguesia
É pobre com fantasia

Burguês tem muito dinheiro
Não precisa trabalhar
Investe em título, ações
No mundo faz moradia
Se quebra alguma empresa
Não vai perder sua riqueza
A pequena burguesia
É pobre com fantasia

Se o povo inteiro padece
Doente, desempregado
O pequeno burguês sofre
Sem os clientes que havia
A burguesia verdadeira
Lucra de outra maneira
A pequena burguesia
É pobre com fantasia

A Burguesia detesta
Redistribuição de renda
Não quer escola gratuita
Nem saúde ou moradia
A tudo estão dispostos
Pra não pagarem os impostos
A luta da Burguesia
É contra a Democracia

Educação até vale,
Na cabeça do burguês,
Se for pra formar peões
Que trampe por mixaria
Quer a educação mudar
Pobre não pode pensar
A luta da Burguesia
É contra a Democracia

A Burguesia no Brasil
Nunca foi nacionalista
Veste de verde e amarelo,
E contra a soberania,
Entrega nossas riquezas
Pros States, suas empresas
A luta da Burguesia
É contra a Democracia

A Burguesia controla
Todo o sistema político
É quem manda no país
Com propina em demasia
Mas sua televisão
Cala essa corrupção
A luta da Burguesia
É contra a Democracia

O que eles querem no fim
Matar o povo de fome
Enquanto ganham dindim
Em cada vez mais quantia
Sem peso no coração
Mesmo com sangue nas mãos
Enquanto houver Burguesia
Não vai haver Poesia

A Burguesia é a Direita
Ela só olha pra si
A Burguesia é a Guerra
Como Cazuza dizia
Pro burguês ser feliz não
Existe conciliação
Enquanto houver Burguesia
Não vai haver Poesia

A falta do pão pro pobre
É que enriquece o burguês
Que rouba vidas e sonhos
Com tamanha covardia
Que usa jornais pra esconder
E tão legais parecer
Enquanto houver Burguesia
Não vai haver Poesia

Por isso digo: não muda
Se depender da Imprensa
Se depender dos Poderes
Só pra pior mudaria
A mudança é minha e sua
Só muda indo pra rua
Enquanto houver Burguesia
Não vai haver Poesia

– Cárlisson Galdino

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