Prescrição

Com décadas no escuro
Alguém bota um lampião
É só uma luz bem fraca
Mas já abala a escuridão
O povo se espanta
Verme, ratos pelo chão

Quem não sabe a História
É quem estava iludido
Há diversos relatos
Dos contatos, dos ruídos
Dos bichos já sabia
Só faltava serem vistos

Entrando em desespero
A Sociedade está doente
Quer saída no ódio
Ou um herói que se apresente
Ou em cega loucura
Ditadura, novamente

Não há saída fácil
Que cure esse sofrimento
Vai levar muito tempo
E buscar conhecimento
Se envolver e aprender
É o único tratamento

Depois que a presidenta
Foi expulsa sem perdão
Presidente acusado
Compra a absolvição
Justiça acobertando
Toda essa corrupção
E toda lei que surge
É contra a população
Pra preservar os ricos
Sem mexer num só tostão
Já tão propondo até
A volta da escravidão

Assim não dá!
Pra superar essa noite tão fria
Só conhecimento e bem mais Democracia

-- Cárlisson Galdino

Warning Zone #48 - Cativeiro

No episódio anterior, o trio de heróis finalmente encontra o Grupo Satã. A investida rápida termina com Júnior inconsciente e Pandora capturada. Darrell some levando apenas o estagiário.

Na nova base do Grupo Satã, Pandora se vê amarrada na grade de uma janela, ao lado do…

Pandora: Prefeito!? Você tá bem!?

Ele dá de ombros, também com um braço amarrado na mesma janela.

Prefeito: Se você quer saber se estou em mortalmente ferido, acho que não, mas não estou muito confortável pra dizer que estou bem.

Tungstênio: O que é que você tem pra reclamar, Steve? A gente tá trazendo sua comidinha e deixa você dormir.

Prefeito: Pelo menos isso.

Tungstênio: Você reclama demais! Dá vontade de te soltar no meio da lagoa só pra gente se livrar da sua tagarelice.

Prefeito: E quem é você?

Pandora: Eu sou a Pan… Sou a Stormdancer! A gente veio aqui te salvar, ó!

Prefeito: Hahahahaha! Acho que não deu muito certo.

Stormdancer: Parece que não, haha.

Prefeito: E “nós” quem? Quem mais veio com você?

Stormdancer: O meu time! O meu love Cigano e o xFencer!

Prefeito: Interessante, e onde eles estão?

Stormdancer: Boa pergunta…

Tungstênio: Não se preocupe, eles estão vivos por enquanto. Vocês vão morrer juntinhos, que eu tenho certeza que ele não vai querer abandonar você aqui.

Prefeito: Está tudo muito bom, está tudo muito bem, mas como estão as negociações?

Tungstênio: De novo essa conversa…

Prefeito: É claro! Estamos todos perdendo tempo aqui! Você certamente preferia estar fazendo outra coisa ao invés de cuidar da gente. E eu tenho muito o que fazer na Prefeitura.

Tungstênio: Que tem o que fazer coisa nenhuma! Vice não serve pra essas horas mesmo?

Prefeito: Vice pode ser um sujeito traiçoeiro. Se você conhecesse o meu, estaria mais preocupado que eu.

Stormdancer: Por quê que tu sequestrou o prefeito mesmo?

Tungstênio: Ora que pergunta… A essa altura você e seu namoradinho… E o estagiário! ...deviam saber que o nosso plano é de dominação global! Pra isso precisamos dar certos passos estratégicos!

Prefeito: Eu já falei! Se você quiser recriar a empresa de vocês a gente arruma um contrato vantajoso e vocês crescem junto! Você é muito cabeça dura…

Tungstênio: Você também já devia saber de que tipo de dominação eu falo.

Prefeito: Claro, claro… Dominar o mundo, blá blá blá… Mas isso aqui não é desenho animado. Pra “dominar o mundo” você tem poucos caminhos. Pelas forças armadas, pela Economia ou pela Política. Tem a Religião também.

Tungstênio: Você é político. Vamos conseguir avançar com você aqui.

Prefeito: Duvido muito. O partido do governo federal nem é aliado do nosso…

Tungstênio: Ah, cala a boca que eu sei o que estou fazendo!

Tungstênio caminha até a porta e observa qualquer coisa que esteja fora da sala.

Prefeito: Certo, e qual é o seu plano?

Stormdancer: Hmmm… Esperar o Cigano aparecer?

Prefeito: Foi o que pensei.

Stormdancer: E onde estão os outros?

Prefeito: Amiguinhos dele? Ele mandou o Montanha e a macaquinha vigiarem a casa. Só não vi mais o corno velho.

Stormdancer: O Valdid? Ah, ele morreu!

Prefeito: É uma pena. Ele dizia mais coisas que os outros quando estava de guarda aqui.

Stormdancer: Pra onde ele vai?

Tungstênio vai para o quintal da casa.

Tungstênio: Vendo alguma coisa?

Seamonkey responde de lá de cima, sob a caixa d’água.

Seamonkey: O que tem pra ver?

Tungstênio: O que eu mandei você fazer, esqueceu?

Seamonkey: Sim, claro, dois idiotas se aproximando pra salvar a mocinha… Nada ainda.

Tungstênio: Você não parece estar vigiando. Leve suas instruções mais a sério!

Seamonkey: Pra quê? Você acha que aqueles dois são mesmo uma ameaça? O Ash não é nada sem seu pikachu.

Tungstênio: Quê!?

Seamonkey: Ah, esquece!

Tungstênio balança a cabeça visivelmente irritado e volta para a sala.

Prefeito: ...da campanha passada. A Diretoria do partido gostou, mas não achei tão bom, poderia ter ficado melhor mesmo.

Tungstênio: Tão falando de quê…

Stormdancer: E não é!? Não fica legal botar o slogan dentro do logotipo! O logotipo tem que ser simples! O slogal fica perto do logotipo, em fonte legível, no material de divulgação.

Prefeito: Parece que já tenho uma nova designer para minha próxima candidatura, quer dizer, se a gente sair vivo daqui. Você tem cartão?

Stormdancer: Ih, tenho não…

Prefeito: Você tem que estar preparada sempre pra aproveitar as oportunidades que aparecem, até mesmo durante um sequestro.

Stormdancer: Haha, e você aproveitou?

O prefeito suspira antes de responder.

Prefeito: Não foi por falta de tentativa...

Warning Zone #47 - No Fim da Rua

No episódio anterior, Júnior, Darrell e Pandora chegam a São Raimundo Nonato, Piauí, e encontram Valdid, também conhecido como Biotanque (e Sinistro?), travando um combate no meio da rua. O confronto termina com a morte de Valdid pelo sabre de Júnior.

Darrell: Ele é pesado!

Pandora: O que você queria? É um homem-boi! O que importa é que você está bem.

Darrell: Preciso de água.

xFencer: Vou ver ali na vendinha. Peraí.

Pandora: Olha pra ele... É um monstro mesmo.

Darrell: O que esperava?

Pandora: Sei lá, que ele se destransformasse depois de morto ou algo assim.

Darrell: Tá assistindo muito desenho da Disney.

xFencer: Aqui!

Darrell: Valeu.

Darrell abre a garrafinha de 500ml e bebe.

Pandora: Tava pensando.

Darrell: Em quê?

Pandora: Não foi muito esperto a gente ter matado o Valdid. E agora? Como a gente acha a base deles?

xFencer: Boa questão. Mas ele estava indo pra lá, então o jeito é a gente continuar nesse caminho.

Darrell: Pelo menos até o cruzamento, quando a gente vai ficar sem saber que rua tomar.

xFencer: Qual o problema de vocês?! Eu salvei o dia, pô!

Darrell: Tá, desculpa, tem razão. Vamos pro carro.

Os três olham para o carro, amassado.

Pandora: E ainda presta?

xFencer: Tem que prestar!

O carro dá a partida e anda. Certamente os três não confiariam nele para uma viagem, mas pelo menos anda. Darrell pega o notebook e se senta com ele no colo.

Darrell: Caramba, estou com o pulmão doendo. Será que quebrei alguma coisa?

xFencer: Se tivesse quebrado, acho que não aguentava de dor.

Darrell: Pode ser... Olha! Tem um monte de novidades no BBT.

Pandora: Que tipo de coisa?

Darrell: Twitpic... Olha, é a gente! E aqui o Valdid jogando a moto! E essa... Ah não, quem tirou essa foto!?

Pandora: Hahaha! Você com o Valdid em cima! Vai ficar famoso hein?

Darrell olha ao redor e vê pessoas tirando foto com seus celulares.

xFencer: Chegamos.

Pandora: Onde?!

xFencer: No cruzamento, ué! Que rua nós seguimos? Direto? Direita ou esquerda?

Darrell: Esquerda não, senão não tinha sentido ele ter vindo por essa rua.

xFencer: É, ele voltava... Então direto ou direita...

Pandora: Direita!

xFencer: Como tem tanta certeza?

Pandora: Olha o Montanha ali!

Júnior e Darrell forçam a vista e finalmente enxergam aquele monstro de pedra sentado, olhando pra vida. Júnior vira a direção e entra na rua.

Darrell: Que droga!

Pandora: Que foi, Bem?

Darrell: Maldito @pi2pi2pi2pi2pi!

Pandora: Quem?!

Darrell: Todas as fotos foi ele quem tirou!

xFencer: Gente? Dá um tempo nas fotos e olha ali...

Montanha: Vocês!?

Os três descem do carro e se posicionam em frente ao Montanha.

Montanha: Onde está o Sinistro?

xFencer: Ele não vem mais.

Montanha: Arghhh!

Montanha corre pra cima do Júnior, que tenta golpeá-lo com o sabre, mas não dá muito certo. O sabre voa de sua mão e ele próprio cai após a pancada.

Montanha: Viram o que vocês ganham desafiando o patrão?

Montanha aponta para Júnior, caído e inconsciente.

Montanha: E com ele eu peguei leve...

Darrell ergue a marreta, quando de trás de Montanha aparece Tungstênio.

Darrell: Oliver?

Tungstênio: É uma maldição, mesmo! Quando vocês vão parar com isso? Eu me chamo Tungstênio!

Ele fala algo no ouvido de Montanha, que sorri.

Tungstênio: Vamos acabar logo com isso.

Tungstênio dá dois passos e é atingido por um relâmpago. Quando a visão de todos começa a voltar ao normal, eles veem Tungstênio tirando os braços da frente dos olhos.

Tungstênio: Que maluco isso! Estou todo formigando!

Montanha: Está bem, chefe? Morreu não?

Tungstênio: O que acha, imbecil? Vamos!

Após três passos, Tungstênio é recebido com uma marreta na perna. Grita de dor, mas continua de pé, tentando golpear Darrell.

Darrell sabe bem que esse equipamento não vai ser tão eficiente quanto desejaria. Basta um golpe e tudo estará perdido.

De repente, se lembra de Júnior. Durante a troca de golpes, finalmente consegue ver onde está: ainda caído no mesmo canto. Estará morto?

Darrell: Quê!?

Bastou um momento de distração. Tungstênio sorri enquanto entorta o cabo da marreta até soltar as partes.

Tungstênio: E então? O que fará o Cigano sem seu brinquedinho?

Montanha: Chefe?

Os dois olham e veem Pandora imobilizada por Montanha.

Darrell: Solte-a!

Tungstênio: Hahaha! Você não está em situação de negociar.

Darrell some da frente dos dois.

Montanha: Chefe?

Tungstênio olha na direção apontada e vê que não está mais lá o corpo de Júnior.

Tungstênio: Tudo bem. Dessa vez nós temos com o que negociar.

Warning Zone #46 - A Hora da Pamonha

No episódio anterior, Pandora, Darrell e Júnior viajam até São Raimundo Nonato, no Piauí, em busca do Grupo Satã. Pelo sistema de procura criado por Júnior eles recebem uma pista de que Valdid estaria perto da Lagoa do Mato.

Darrell: De acordo com o Google Maps, a gente chega em 3 minutos.

Pandora: Vamo logo então! Antes que esse diaxo suma!

Darrell: Vire à esquerda!

xFencer: Vamos lá!

Pandora: E agora, Bem? Tou nervosa.

Darrell: Vai dar tudo certo.

Pandora: Tá, mas a gente vai fazer o que quando achar o Valdid? Matar?

Darrell: Não é bem certo, mas deixá-lo vivo pode ser muito perigoso.

Pandora: E ele está muito louco, né? Será que eles tem salvação? Digo, a gente estava lá no dia do acidente e a gente...

xFencer: E agora? Tá acabando a rua.

Darrell: Deixa ver... Esquerda!

Pandora: Será?

Darrell: Não sei, Pandora. Sinceramente não sei como poderíamos conter a turma do Oliver de maneira segura. Talvez seja por isso que o exército tenha falhado.

Pandora: Como assim?

Darrell: Talvez o interesse deles tenha sido de prendê-los e não de matá-los. Resultado é que muita gente morreu lá e o grupo do Oliver escapou ileso.

Pandora: É verdade...

Darrell: Droga! Perdeu a rua!

xFencer: Espera.

Darrell: Não, não. Continue. Se for direto chega lá também. Ou melhor. A gente já estaria nela se tivesse entrado à esquerda antes.

xFencer: É, acontece.

Darrell: Acho que já é...

Pandora: Caramba!

xFencer: Não é que essa rua existe mesmo!?

Darrell: Vamos devagar agora. Para aqui. A rua começa ali, ele não está pra lá. Vamos pra direita.

xFencer: Vamos. Estão prontos, né? A qualquer momento podemos encontrá-lo. O BBT diz mais alguma coisa?

Pandora: BBT? Ah, sim.

Darrell: Deixa ver... Tem um monte de mensagens. Hmmm... Nada importante.

Pandora: Né ele ali não?

Darrell: Onde?

Pandora: Virou a esquina lá na frente!

O carro acelera até a curva no final da rua.

Pandora: Olha ele ali! Buzina!

Biotanque olha para trás rápido. Deixa cair uma bolsa plástica de supermercado e começa a correr para longe. Então pensa um pouco melhor e resolve voltar.

Biotanque: O que vocês querem?

Os três já fora do carro se posicionam.

Darrell: Se você se render, vai facilitar as coisas.

Biotanque: Hahahahaha! O que cê tá pensando, maluco? Acha que eu não posso com você não, é? Tungstênio vai achar massa eu ter me livrado dos três.

Biotanque corre contra Darrell, que some de sua frente.

Darrell: Olé!

A marreta de Darrell bate no chão logo atrás de Biotanque, que continuou correndo até chegar no carro de Júnior. Ele sobe no carro e se vira para encarar os três.

xFencer: Desce daí agora!

Biotanque: Venha me tirar!

Júnior corre para fazer isso, mas quando chega perto, é o Biotanque que salta contra Darrell, que cai no chão para evitar o golpe.

Pandora: Deixa ele!

Biotanque vira a cabeça e vê Pandora com os olhos faiscando.

Biotanque: Ai que meda!

Ele corre até um carro estacionado do outro lado da rua e coloca as mãos no pneu. Puxa e...

Biotanque: Saaaai! Droga.

Deixa o pneu lá, torto mas ainda preso ao carro e resolve pegar uma scooter que estava do lado. Levanta.

Biotanque: E que tal isso?

Joga na direção de Pandora, que salta de lado. A moto a atingiria, mas não vinha com tanta velocidade assim.

Ajeitando-se no chão, Pandora dispara um raio contra Biotanque, que pula para trás do carro por puro reflexo.

Júnior salta sobre esse mesmo carro para golpeá-lo, mas Biotanque percebe o movimento e bate no carro com força para fazer o esgrimista perder o equilíbrio.

O primeiro passo sobre o carro é desengonçado. O segundo o derruba de vez sobre o capô, fazendo-o deslizar e cair no chão mais à frente.

Darrell: Cuidado!

Júnior ouve e se abaixa, bem na hora que o carro bate no carro que estava estacionado à frente. Bate empurrado por Biotanque.

Alarmes reclamam de toda essa confusão.

Biotanque: Pronto, menos um. Agora você. Você engana bem.

Começa a andar em direção a Pandora.

Biotanque: Faz pose de fraquinha, mas tem esse relâmpago escondido, né fia?

De repente, vê Darrell vindo.

Biotanque: De novo não!

Ele puxa a perna para trás, afastando-a do caminho da marreta, enquanto gira o corpo para cair sobre o herói.

Darrell: Ai.

Biotanque: Haha! Sei que não pode atirar um raio agora, fia! Senão mata seu namoradinho também!

Pandora: Pare, Valdid!

Biotanque: Valdid!?

Ele olha para ela, ainda com o seu corpo pesado esmagando Darrell.

Biotanque: Já disse que não é esse meu nome! Eu sou o Sinistro! E não vou parar coisa nenhuma! Olha o que...

E uma lâmia aparece brotando do seu peito, para seu espanto. E ela se afasta num golpe rápido, rasgando seu corpo e fazendo jorrar sangue sobre Darrell e a rua.

Biotanque – ou Sinistro – cai, enquanto Júnior olha a espada ensanguentada.

xFencer: Agora sim: menos um.

Pandora: Darrell!?

Darrell: Tira ele... De cima...

Cordel da Burguesia

Cê sabe o que é Burguesia?
Sente que vou te explicar
Sabe um sujeito bem rico
Que juntou tanta quantia
Que luxa e viaja o mundo
Sem trabalhar um segundo
Esta é a tal burguesia
Com sua ganância fria

São os donos da indústria
Que fabrica o seu feijão
Donos de aviões, navios
Da terra e o que lá se cria
São os que lucram um zilhão
Com a tal corrupção
Esta é a tal burguesia
Com sua ganância fria

São os donos do Jornal
Revista e televisão
Mandam em qualquer juiz
Zoam a Democracia
Vereador ou presidente
Lhe obedece alegremente
Esta é a tal burguesia
Com sua ganância fria

Nem sabem o que é trabalho
Morrem de nojo do povo
Desde pequenos, criados
Com a maior mordomia
Pra conseguir mais dinheiro
Mandam matar um ligeiro
Esta é a tal Burguesia
Com sua ganância fria

O povo às vezes se ilude
Com o mundo da riqueza
Quando alguém fica ricaço
Se orgulha com alegria
Sem parar para pensar
Em como ele chegou lá
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Se um sujeito abre uma empresa
Com uma ideia legal
E começa a se dar bem
Assim da noite pro dia
Chama a atenção por demais
De investidores chacais
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Você pode ficar rico
Com trabalho e viver bem
Mas não consegue ir além
Sem pisar quem te servia
A riqueza do burguês
É o sangue do camponês
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Se ainda assim o empresário
Quer tratar bem sua equipe
Não enrola seu cliente
Sem caixa 2, nota fria…
Fica pra trás de repente
No primeiro concorrente
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Não existe bom burguês
Bilhões em gente que sofre
De doença e fome para
Cada burguês que se cria
Fortuna de um infeliz
Seriam pão pra um país
Só se torna Burguesia
Alguém de alma vazia

Quando existia um rei
Que foi contra a escravidão
Os burgueses reclamavam
Do prejuízo que viria
Armaram para trocar
Um rei por um militar
Os golpes da Burguesia
Já são um vício ou mania

Outro dia um presidente
Falou de reforma agrária
A burguesia surtou
E tudo se repetia
Um golpe na cara dura
Que virou a Ditadura
Os golpes da Burguesia
Já são um vício ou mania

Assim que sempre acontece
Quando sentem ameaça
Ou veem oportunidade
Às vezes por tirania
Em prejuízo pro povo
Nasce outro golpe de novo
Os golpes da Burguesia
Já são um vício ou mania

A burguesia é formada
Por bem pouquíssima gente
Mas sua voz chega longe
Iludindo a maioria
Que ao ouvir a voz que vem
Acha que é a sua também
A pequena burguesia
É pobre com fantasia

Burguês não é empresário
Dono de supermercado
Não é o advogado
Que juntou boa quantia
O médico também não
Burguês não tem profissão
A pequena burguesia
É pobre com fantasia

Burguês tem muito dinheiro
Não precisa trabalhar
Investe em título, ações
No mundo faz moradia
Se quebra alguma empresa
Não vai perder sua riqueza
A pequena burguesia
É pobre com fantasia

Se o povo inteiro padece
Doente, desempregado
O pequeno burguês sofre
Sem os clientes que havia
A burguesia verdadeira
Lucra de outra maneira
A pequena burguesia
É pobre com fantasia

A Burguesia detesta
Redistribuição de renda
Não quer escola gratuita
Nem saúde ou moradia
A tudo estão dispostos
Pra não pagarem os impostos
A luta da Burguesia
É contra a Democracia

Educação até vale,
Na cabeça do burguês,
Se for pra formar peões
Que trampe por mixaria
Quer a educação mudar
Pobre não pode pensar
A luta da Burguesia
É contra a Democracia

A Burguesia no Brasil
Nunca foi nacionalista
Veste de verde e amarelo,
E contra a soberania,
Entrega nossas riquezas
Pros States, suas empresas
A luta da Burguesia
É contra a Democracia

A Burguesia controla
Todo o sistema político
É quem manda no país
Com propina em demasia
Mas sua televisão
Cala essa corrupção
A luta da Burguesia
É contra a Democracia

O que eles querem no fim
Matar o povo de fome
Enquanto ganham dindim
Em cada vez mais quantia
Sem peso no coração
Mesmo com sangue nas mãos
Enquanto houver Burguesia
Não vai haver Poesia

A Burguesia é a Direita
Ela só olha pra si
A Burguesia é a Guerra
Como Cazuza dizia
Pro burguês ser feliz não
Existe conciliação
Enquanto houver Burguesia
Não vai haver Poesia

A falta do pão pro pobre
É que enriquece o burguês
Que rouba vidas e sonhos
Com tamanha covardia
Que usa jornais pra esconder
E tão legais parecer
Enquanto houver Burguesia
Não vai haver Poesia

Por isso digo: não muda
Se depender da Imprensa
Se depender dos Poderes
Só pra pior mudaria
A mudança é minha e sua
Só muda indo pra rua
Enquanto houver Burguesia
Não vai haver Poesia

– Cárlisson Galdino

Warning Zone #45 - Para o Outro Estado

No hospital, com Pandora internada após ter sido atingida no tiroteio entre o exército e o Grupo Satã, o casal vê na televisão a notícia de que o grupo sequestrou o prefeito de Stringtown, Steve Silva. Indo ao antigo endereço da SysAtom Technology, Pandora e Darrell encontra o local interditado e cheio de repórteres, curiosos e investigadores. Eles visitam uma lanchonete lá perto e voltam para o apartamento em Floatibá.

Num restaurante, uma misteriosa mulher de vestido conversa com um diretor de cinema quando a televisão mostra um pronunciamento da Presidenta da República. Nele, a presidenta procura tranquilizar a população sobre os últimos acontecimentos em Stringtown, garantindo que os supercriminosos – que ela acredita serem terroristas – estão na mais alta prioridade do exército no momento.

No episódio anterior, enquanto Pandora e Darrell conversavam no apartamento, Júnior finalmente reaparece trazendo novidades: um site desenvolvido por ele para filtrar tweets e tentar localizar o Grupo Satã. Analisando o resultado da filtragem, eles encontram um forte indício de que a equipe de Oliver está em São Raimundo Nonato, no Piauí.

Ainda é cedo da manhã quando Júnior estaciona em frente ao prédio onde estão hospedados Pandora e Darrell. Mesmo sendo cedo, eles já estão prontos para partir, na recepção. Saem do prédio e entram no Corsa verde.

xFencer: Descobriram mais alguma coisa?

Pandora: Nadinha, e você?

xFencer: Também nada. Só sabemos que eles estão em São Raimundo Nonato.

Pandora: É o que sabemos.

xFencer: E como vamos achar eles lá?

Darrell: São Raimundo Nonato é uma cidade pequena. Não deve ser muito difícil encontrá-los lá.

xFencer: Será?

Pandora: É sim! A gente pesquisou. Você não?

xFencer: De São Raimundo Nonato só pesquisei mesmo é como chegar.

(Nota do Autor: estou repetindo demais o nome da cidade. Parando com isso.)

xFencer: O difícil é que o trajeto é muito longo. Só vamos chegar lá de tarde. Talvez só no final da tarde.

Pandora: É, isso vai ser chato. Tá levando em conta que a gente tem que parar nos cantos pra comer?

xFencer: Estou sim. Por isso pode ser que a gente chegue só perto de anoitecer. Ainda bem que hoje é sábado, assim eu perco poucas aulas na segunda.

Darrell: E você aguenta dirigir o dia todo?

xFencer: Fazer o quê? Motorista de ônibus não faz isso?

Darrell: Mas em jornada muito longa os ônibus vão com dois motoristas pra revezarem.

xFencer: Boa ideia! Você dirige um pouco também.

Darrell: Calma aí. Não conte comigo para isso. Pandora?

Pandora: Oi, amor!

Darrell: Você ficou a noite toda acordada, devia dormir. É importante ter alguém acordado para fazer companhia ao Júnior pra ele não ficar com sono. Eu fico acordado agora.

Pandora: Tá...

 

O carro para em um restaurante. São duas horas da tarde. Os três descem e Júnior vai até a mala. Volta de lá com um notebook.

Pandora: Por que você não usou no caminho? Tem 3G?

xFencer: Tenho. Não sei se funciona aqui.

Pandora: Falar nisso, aqui é onde mesmo?

Darrell: Remanso.

Pandora: Bom almoçar perto do rio, né?

Darrell: Seria, se fosse uma viagem a passeio.

xFencer: A gente não usou o notebook antes por causa da bateria. Eu e o Cigano decidimos que era melhor só usar o note na bateria quando entrarmos em São Raimundo, porque vamos precisar ver no Big Boss Tracker se tem alguma novidade.

Pandora: Ah... E falta muito?

xFencer: Pelo que me lembro, coisa de uma hora.

 

xFencer: Chegamos.

Ele encosta o carro e desce. Darrell abre a porta.

Darrell: Você viu alguma coisa suspeita?

xFencer: Não, não! É que eu tenho que vestir meu uniforme.

Pandora: Uniforme!?

xFencer: É! De esgrima!

Pandora: Ah, bacana! Que pena que não deu tempo de fazer um logotipo pro Big Boss Tracker, que a gente podia ter um uniforme dele, né?

Darrell fecha a porta e respira fundo. Logo Júnior volta.

xFencer: Toma!

Ele entrega o notebook e o capacete de rede a Darrell, que repassa só o capacete para Pandora, no banco de trás.

O Corsa volta a se mover, mas devagar. E vai andando pelas ruas da cidade, enquanto Pandora e Darrell olham concentrados para os relatórios do site.

Darrell: Achei! Acabaram de ver o Valdid passando na rua!

xFencer: Como?

Darrell: “#pqp eu vi o boi aqui perto de casa! #br4fan”.

Pandora: E onde é a casa dele?

Darrell: Deixa ver... @leitorREL onde é sua casa. Esperar pra ver...

Pandora: Ai ai ai...

Darrell: “pra quê quer saber?!” Estamos caçando o #br4fan. Já estamos nessa cidade aqui.

xFencer: E aí?

Darrell: Ele não quer dizer.

Pandora: Que cara cismado!

Darrell: Pera! Mandou DM: “Rua Ascendino Pinto”.

xFencer: Esse cara tá de sacanagem, né?

Darrell: Pera... Deixa eu... Outra DM! “Perto da Lagoa do Mato!”

Pandora: Agora temos uma pista!

xFencer: E onde é isso?

Pandora: A gente para e pergunta, ué!

Warning Zone #44 - Big Boss Tracker

No episódio anterior, enquanto um casal discutia um futuro filme baseado nos acontecimentos de Stringtown, a Presidenta fazia um pronunciamento a respeito de toda a confusão. Após relatar o sequestro do prefeito da cidade bahiana, ela tentou tranquilizar os investidores, garantindo que o Exército está cuidando da questão.

No apartamento, Pandora e Darrell também puderam ver a presidenta no ar.

Pandora: Bem? Ô meu lindo, não acha que devíamos deixar isso tudo pra lá não? O exército já está tomando conta.

Darrell: Talvez... Mas mesmo eles já foram derrotados pelo grupo.

Pandora: Nem seja por isso! Nós também, ué!

Darrell: É verdade.

Pandora: ...mas você não quer, né? Dá pra ver sua carinha triste.

Darrell: Isso tudo é também responsabilidade nossa, Pandora! Nós trabalhamos no projeto Ationvir!

Pandora: Ah, eu não, eu estava no setor de publicidade!

Darrell: …

Pandora: Ô Bem, não é culpa nossa não. Nós também sofremos com o acidente, lembra? Olha minha voz!

Darrell se levanta do sofá.

Pandora: Vai onde?

Darrell: Beber água.

Pandora: Traz um pouco pra mim?

Darrell: Tá.

Ele entra na cozinha, pega um copo na estante e ouve o interfone tocar ali do lado.

Darrell: Quem é? … Calma, fale devagar. … Tá, tá legal, suba!

Pandora: Quem é?

Darrell: Adivinha.

Pandora: Júnior?

Darrell: Han-ran!

Pandora: E o que que ele quer?

Darrell: Está empolgado com alguma coisa que ele criou. Aqui sua água.

Campainha: Din-don!

Darrell: Entra.

xFencer: Cigano! Stormdancer! Funcionou!

Pandora: O quê que funcionou, Júnior?

xFencer: Eu fiz um programa pra achar o grupo que tive que divulgar no Twitter, mas sabe? Usando o Google Maps ele guarda num banco de dados pra depois...

Darrell: Calma, cara! Senta aí. Quer água?

xFencer: Não, não. Deixa eu mostrar.

Ele abre o notebook, que já estava ligado e com o Firefox aberto em uma página estranha.

Darrell: Que é isso? Um mapa?

xFencer: É! E aqui do lado estão os relatos recentes filtrados pelo Twitter!

Darrell: Tá, o que é isso afinal?

Pandora: Big Boss Tracker ponto com? Você que fez isso?

xFencer: Foi!

Pandora: Ah, depois me passa que eu endireito o design!

Darrell: Tá legal, mas me diz de uma vez: o que é isso?

xFencer respira fundo e tenta explicar mais uma vez.

xFencer: Olha só. Eu notei que as pessoas estavam falando muito do grupo do Oliver no Twitter, então resolvi analisar a tag #br4fan.

Darrell: E que tag é essa?

xFencer: É a que o pessoal tá usando pra se referir ao grupo do Oliver!

Pandora: Mas “for fan”?! Essa tag significa outra coisa.

xFencer: Não tão chamando de Quarteto Fantástico Brasileiro?! Foi um grupo de humor que começou a usar #br4fan. CQC, Pânico, algum desses, e terminou pegando. Todo mundo tá usando essa tag e já tá nos trend topics internacionais há muito tempo.

Darrell: Tudo bem. Essa parte eu entendi. E esse site?

xFencer: Tá, calma. Bom, fiz um script que fica monitorando essa tag no Twitter, coloca no banco de dados e verifica um padrão. Se quem twitou usar verbo “ver”, por exemplo, o script procura a cidade de onde a pessoa é e mostra aqui no mapa.

Pandora: Mas a pessoa pode ter visto na Televisão, ué!

xFencer: Sim, pode! Aí eu entro como administrador e marco o tweet como “alarme falso”!

Darrell: Hmmm... Interessante! Usou expressões regulares?

xFencer: Não, tá só em PHP e MySQL mesmo.

Pandora: Quer dizer que tem como descobrir onde o Oliver está?!

xFencer: Talvez sim! E eu acho que descobri!

Darrell: Onde? No Piauí?!

xFencer: Tá vendo quantos tweets tem lá?

Pandora: E você já validou isso? E se esse povo todinho tiver visto só na televisão?

xFencer: É, ainda não validei, mas vou fazer isso mais tarde. Vim aqui por outra razão.

Darrell: Qual?

xFencer: Eu preciso de um logo.

Darrell: Um logo?!

xFencer: É! Um logotipo pro site!

Pandora: Eita deixa que eu faço! Nunca mais fiz nada dessas coisas!

xFencer: Sabe, escolhi esse nome por causa dos videogames. O chefão final das fases era o Big Boss, né? Por isso Big Boss Tracker!

Pandora: Legal. Podia ser uma pessoa andando com aqueles palitinhos de metal que usam pra achar água.

xFencer: Não... É muito esotérico isso... Eu pensei em um sinalizador, daqueles que usam em desenho, que jogam pra grudar no carro do inimigo pra depois rastrearem.

Pandora: Sei... Mas como que representa isso num logotipo?!

xFencer: Sei lá! Podia ter um carro com uma luzinha do sinalizador colada embaixo.

Pandora: Podia ser tipo um radar!

xFencer: Um radar?!

Pandora: É! Um radar num relógio de pulso! O logotipo era o disco do relógio de pulso, mas dentro, no lugar de ponteiros com as horas, deria um radar com uma bolinha já sendo rastreada!

xFencer: Não sei... Será que fica bom?

Pandora: E a bolinha podia ter formato de monstro! Com dois chifres e dentes talvez, mas seria só a silhueta...

xFencer: Legal! Quero ver isso!

Pandora: Tá, vou fazer ó! Mas se ficar muito pequena a bolinha, a gente usa uma bolinha normal. Amor? Posso usar o note do Júnior?

Darrell: Espera...

Pandora: Tem Inkscape aí, não tem?

Darrell: Olhem isso.

Pandora: O quê?!

Darrell: Enquanto vocês conversavam... temos muitos tweets de uma cidade chamada São Raimundo Nonato, no Piauí. Estava olhando os tweets... Tem um que tem “Mermão não acreditam no que eu vi OO #br4fan”.

xFencer: E daí?

Darrell: Tem o link do twitpic. Olhem o que ele viu!

Pandora e xFencer: Nossa!

Warning Zone #43 - Pronunciamento da Excelentíssima Senhora Presidenta da República

No episódio anterior, Pandora e Darrell vão à base do Grupo Satã em uma moto normal, movida a gasolina. Lá encontram o local tomado por investigadores, repórteres e curiosos. Vão à lanchonete e bolam um novo plano: ir à residência de Oliver. Ao descobrirem o condomínio onde ele morava, são informados de que há dias ele não aparece e que tudo está em paz por lá. De volta à estaca zero.

É cedo da noite e um homem careca de óculos conversa em um restaurante humilde com uma jovem de olhos cor de mel. Ele, com uma camisa branca, de botões, e óculos de armação redonda. Ela, com um vestido púrpura e uma boina cinza em estilo francês.

A conversa é interrompida quando o garçom, atendendo ao pedido exaltado de alguns fregueses, aumenta o volume da televisão. Lá, todos veem – inclusive o casal que conversava discretamente – a presidenta Dilma Rousseff em pronunciamento.

Presidenta: ...na cidade de Stringtown, na Bahia. O que temos visto nos coloca em foco diante de toda a imprensa internacional. Os atos do grupo de supercriminosos culminaram no sequestro do prefeito de Stringtown Steve Silva. Quero informar que tudo isso são casos isolados e que se limitam ao universo daquela cidade. Os investidores não precisam temer nada, pois todos os índices de crescimento do país continuam.

Presidenta: A particularidade do caso de Stringtown, que segundo informantes têm ligação com o terrorismo internacional, está sendo tratado e tem no momento toda a prioridade das forças armadas. Peço aos cidadãos de Stringtown que se tranquilizem e que entrem em contato com o Exército se tiverem qualquer informação que possa levar a esses supercriminosos.

Presidenta: Peço a todos vocês, que estão agora em suas casas, ou trabalhando, que não se preocupem, pois a crise de Stringtown está sendo tratada e não demorará para que possamos dizer que tudo voltou à normalidade, para que possamos continuar fazendo o Brasil crescer. Uma boa noite!

Apresentador: As forças armadas já começaram a agir e ao que parece não obtiveram muito sucesso. Há rumores de que o Ministro da Defesa deixará o cargo ainda esta semana. Nem a Presidência, nem o Ministério da Defesa ou a Prefeitura de Stringtown quis comentar o ocorrido.

Apresentadora: Parece que estamos nos modernizando! Quem diria que depois de os norteamericanos tanto explorarem histórias assim na Televisão, elas viriam acontecer de fato aqui no Brasil?

Apresentador: É, só que ao que parece na vida real a coisa é um tanto diferente da ficção; ao invés de super-heróis vestindo bandeiras nós temos criminosos sequestrando prefeitos. Aguardamos que toda essa confusão que se tornou Stringtown tenha logo um final. Se possível, feliz.

Apresentador: Hoje estreou o novo filme dirigido por Quentin Tarantino e ambientado no Timor Leste. O filme, cujo nome é formado por um simples sinal de cerquilha, faz referência ao universo dos agentes secretos. A crítica...

O volume é reduzido. O homem distraidamente lê o Close Caption sobre bilheteria e aceitação.

Mulher de vestido: E então?

Homem: Hmmm...

Mulher de vestido: É disso que estou falando: uma história com esses caras vai fazer muito sucesso no cinema! Aposto como a gente bate o Tarantino.

Homem: Precisamos de muito dinheiro para fazer efeitos especiais à altura.

Mulher de vestido: MinC.

Homem: E de um roteiro...

Mulher de vestido: Olha, cara, só procurei você porque já trabalhamos num filme e você dirige muito bem Ação. Meu irmão já está escrevendo um roteiro e, garanto a você, vai ter uma correria entre os cineastas pra retratar essa história!

Homem: Hmmm... Isso é verdade. Precisaríamos sair na frente e...

Mulher de vestido: Não precisaríamos: precisamos! Já escrevi com meu irmão um projeto pra mandar para o MinC. Tudo que eu te peço é que você me coloque como uma das protagonistas. Hoje eu só preciso da sua assinatura.

Warning Zone #42 - Uma Nova Visita

No episódio anterior, Pandora e Darrell conversavam no hospital. Pandora estava internada após ter sido atingida na disputa entre o Grupo Satã e o exército.

Uma moto Apache vermelha vaga pelas ruas do pólo industrial de Stringtown. Aproxima-se do lugar onde já funcionou a SysAtom Technology e estaciona. Seus tripulantes descem: Darrell e Pandora.

Pandora: Que loucura! Tá cheio de gente!

Darrell: É, não esperava por essa.

Pandora: Jornalista que só!

Não apenas jornalistas. Há muitas pessoas curiosas também. O prédio improvisado do Grupo Satã está isolado por faixas amarelas e, lá dentro, parece haver alguns investigadores.

Alguns veículos do exército continuam na rua, destruídos. Muros foram derrubados e há marcas de explosões pelo chão.

Darrell: Foi uma guerra mesmo isso aqui.

Pandora: Foi sim. E parece que a gente perdeu eles.

Darrell: É o que eu temia. Enquanto eles tinham uma base certa, estavam a nosso alcance. Agora não sabemos mais onde eles estão.

Pandora: Será? Será que eles não voltam?

Darrell: E o prefeito? Se eles tivessem se afastado para voltar depois eles teriam deixado alguém com o prefeito. Eles não vão voltar para cá.

Pandora: Faz sentido.

Os dois se sentam na calçada pensativos, apenas observando o movimento.

Pandora: A gente podia ter vindo nas nossas motos mesmo.

Darrell: Não, assim foi melhor. Não vamos discutir. Ideal era termos vindo de carro, mas não consegui falar com o Júnior.

Pandora: É, mas a gente não tem moto?

Darrell: Você andar de moto depois do que passou já é perigoso o bastante. Tínhamos que vir numa moto normal. Você tinha que vir como passageira.

Pandora: Mas eu estou melhor, Bem!

Darrell: Que bom! Mas nada das elétricas por enquanto.

Pandora: Tá...

Darrell: É, acho que não temos muito o que fazer por aqui. Vamos naquela lanchonete de sempre?

Pandora: Ai, bora! Nunca mais que a gente foi lá!

Eles voltam para a moto e deixam a confusão para trás. São poucas ruas até que encontrem aquela pequena lanchonete de parede azul. Está aberta. Eles estacionam e entram.

Atendente: Ora, ora! Quem chegou! Por onde vocês tem andado hein?

Pandora: Ah, por aí...

Atendente: Nunca mais vi ninguém lá da empresa de vocês. Pensei que todo mundo tivesse morrido. O que houve com a sua voz?

Pandora: Hã? Ah, nada não.

Atendente: Sei... Tenha vergonha não, filha. Hoje em dia a gente às vezes precisa mesmo fazer uma cirurgia ou outra. Ainda bem que a medicina tem implantes, pior era antigamente, não acha? Bom, vão querer o quê?

Pandora: Só uma pizza brotinho de frango.

Darrell: Faz um americano.

Atendente: Certo... Me diz uma coisa: o que foi que houve por lá hein? Teve o exército aqui e tudo! Seus colegas estão bem?

Darrell: Não sei o que dizer. Estão vivos.

Atendente: Que bom! Ainda bem que não foram sequestrados?

Darrell: Sequestrados?

Atendente: É, pelos ETs! Você não viu na TV ontem?

Darrell: Sim, claro, os ETs...

Atendente: Ei, esse seu implante na garganta não foi coisa de ET não, né?

Pandora: Hã? Não!

Atendente: Tem certeza? Morro de medo dessas coisas...

Pandora: Haha! Foi não.

Atendente: Que bom. Não sei o que esse povo de Marte vem fazer aqui em Stringtown. Já faz um tempão que não abro a lanchonete mais. Também o povo todo daqui do pólo industrial fugiu dos ETs! O bom dessa confusão de agora é que de vez em quando vem alguém aqui. Algum jornalista ou estudante... Pelo menos dá pra vender alguma coisa. E pra beber?

Pandora: Café com leite.

Atendente: E você? Suco, né?

Darrell: Tem de tangerina?

Atendente: Tem.

Darrell: Onde a gente pode encontrar o Oliver?

Pandora: Podíamos ir na casa dele!

Darrell: Verdade... Talvez haja alguma pista. Sabe onde ele mora?

Pandora: Não... É aqui em Stringtown mesmo. Se não me engano é num condomínio fechado. Não sei se o Mar Egeu ou o Jardin Ensoleillé.

Darrell: Quem poderá saber?

Pandora: O Arsen deve saber.

Darrell: Isso não ajuda muito.

Pandora: É, nem ajuda.

O casal lancha e deixa o lugar. Do orelhão a algumas ruas dali...

Darrell: Isso, é esse mesmo o nome dele. Somos amigos dele e estamos preocupados. Nunca mais tivemos notícias suas. Sabe dizer se ele tem aparecido? … Tudo bem. E está tudo em paz por aí? … É, com essas coisas de sequestro do prefeito... … Ok, então. Muito obrigado.

Pandora: É no Jardin, né bem? Ele está lá?

Darrell: Ele não está lá, não aparece há semanas. E o atendente disse que está tudo em paz. É, acho que voltamos mesmo à estaca zero.

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